segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Não que o amor (não) seja eterno



Por Germano Xavier



A |

depois de tudo, amor meu,
nada se perdeu além daquilo
que nunca tivemos.

a paz a nos olhar por sobre o ombro,
a dúvida a nos fustigar a pele,
testemunhas de um partir
sem fim.

somos os animais
extintos antes do tempo,

feridos pelos dias
mortos de incertezas.



B |

nunca soubemos, amor,
o que era o monstro
por trás das palavras.

por trás do por trás,
havia apenas o papel
e um vazio esquisito.



C |

havia uma pétala de zombaria
em minha mão esquerda,
daquelas que afrontam o mundo
com a sua indiferente beleza.

e logo me dei conta...
ela era a única razão
de todo o meu desencanto.


* Imagem: https://pixabay.com/pt/emo%C3%A7%C3%B5es-dor-luto-triste-2691898/

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