domingo, 3 de dezembro de 2017

Uma palma transbordante



Por Germano Xavier



I


é apenas ilusão, amor,
o tempo, a distância
que dizem, os ignorantes,
que nos separam.

tudo, porém,
| inclusive a espera |
é só o caminho.



II


caí
ao descobrir que meu
corpo carregava o mundo
e toda a vontade se escondia
em minha pele de inocência.

caí
e logo escorreguei no desequilíbrio
perverso entre os dons e os grilhões.
E lá fora, dentro da bolha, os homens
patinam entre a impotência
e o desespero.

tropecei nas fissuras humanas,
nos golpes de (in)tolerância
e na violência dos desejos.

adoçar o céu da boca
com o paraíso dos sentidos
é incendiar infernos
para a eternidade
que (ainda) nem começou.



III


já era antiga e íntima,
perfeitamente adaptada e confortável
no pequeno alojamento onde se fixou.

não propunha nem discutia,
apenas apoiava.
sustentava e consolava.

resoluta, há anos era a única coluna
em seu eixo de existir.
aquela dor, anexa ao homem
por desastroso acaso amoroso,
já era desde o túmulo esperado
sua única e possessiva amante.



IV


ele junta as mãos
em sinal de solene
devoção
a devorar os horizontes,

e num relance de
material mistério

prende em seus dedos
e vontades
todo o mar
e o meu centro.


* Imagem: https://pixabay.com/pt/garota-preocupada-mulher-%C3%A0-espera-413690/

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