segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

O mal das máscaras



Por Germano Xavier


Para Luigi Pirandello, in memoriam.


santificado seja o nunca, o que nada é
ou jamais será além do que a total pobreza
da alma de cada um, no mundo, pode.
minha fé morta nas riquezas que brilham
antecipa minha dor, mas me eleva
à viva arte que crio, que sonho, que faço existir.

santificado seja o homem sem rost'outro,
sem máscara de couro, sem habitação falsa.
a riqueza descoberta, sem fardas nem luvas,
é então o consolo de uma verdade.

temos tudo nas mãos,
um tesouro, mas esta vida mísera sabe
que nenhuma idade comporta a força da felicidade.

santificado seja o olho da consciência,
que o mal de viver é toda a coisa suja
na alegria irracional de não ser,

esta ópera aberta com entradas na ilusão.


* Imagem: https://editoraperspectiva.blog/2017/06/28/presenca-de-pirandello-no-brasil/

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