domingo, 4 de março de 2018

Reinas ali enquanto as rodas batem



Por Germano Xavier


derrogo a plasticidade do teu corpo
em troca da chuva ácida que se forma
nas vértebras cavernosas do ser.

o amparo do sonho fisga
a presente dúvida da vida, sagrada
e peregrina e sempre em guerra, escrita
no dorso dos desertos de todos.

exorto-a, fina deusa,
com meus lassos pulsos reais,
e logo animo a carga dada ao tronco-sedução.

e se pelos ventos secos das agrestes distâncias,
a vontade, acima de tudo, sacodir a copa
que move o firme rumo, como numa queixa por não
ou por um desejo de sim, o assombro sublime das carnes
em conexão fará com que a roda esmague
os detritos da mais grossa dor.

o ser, em alma, definido como o vazio das grutas,
inspecionará, assim, o discutível dos fáceis caminhos
auxiliados por placas.


* Imagem: https://pixabay.com/pt/nenhuma-pessoa-escurid%C3%A3o-f%C3%A1cil-3158440/

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