domingo, 22 de abril de 2018

A coisa toda é irônica



Por Germano Xavier



Se o PT é um partido "morto", a prisão do ex-presidente Lula, com certeza, foi o seu funeral. O profético "banho de sangue" a que se referiu a presidente do PT, Gleisi Hoffman, caso a Polícia Federal insistisse na prisão do Lula, NÃO aconteceu. E não aconteceu por interferência dela ou do próprio Lula, mas porque a maior ou grande parte da sociedade brasileira estava do outro lado do discurso. E também porque a parcela de militantes que estava disposta a resistir à prisão de Lula era, visualmente, irrisória. (Sem mencionar que a Polícia Federal estava, naturalmente, preparada para reprimir qualquer tentativa de resistência violenta. Mas (sábia e/ou convenientemente), evitou qualquer tipo de confronto. Afinal, um "banho de sangue", mesmo fictício, só interessaria ao "discurso" do PT).

Após todo o previsível teatro do ex-presidente no seu "bunker do ABC", e de o PT tentar (até o esgotamento da paciência da audiência) aproveitar a cobertura sensacionalista das mídias sobre o fato histórico - simulando até uma missa (leia-se comício) em homenagem à falecida ex-primeira dama (contando, claro, com o fato de que os brasileiros não se lembrariam de que a esquerda é histórica e ideologicamente ateísta e contra (todas) as religiões. O lema original da esquerda era "enforcar o último rei nas tripas do último padre". Mas o tiro saiu pela culatra. Até o mais inocente dos brasileiros notou que aquilo foi tudo, menos "missa".

A presença da Igreja Católica encabeçando a farsa não é surpresa (não é segredo que ela sempre foi oportunista e facínora) A essa altura da História, ninguém esperaria mais que ela tivesse um pingo de bom senso ou consciência. Os "evangélicos" e outros figurantes que apareceram no palaque, queriam apenas os seus 15 minutos de fama.

No fim, ficou muito bem ilustrado, claro como o sol ao meio dia (se é que ainda restava dúvida) o tamanho da capacidade de manipulação do PT, do seu desrespeito por qualquer "sagrado" e o quanto ele subestima a inteligência nacional. Após tudo isso na eternidade de algumas horas tensas e angustiantes, a prisão de Lula foi assistida pelo mundo. E, entre perplexos e extasiados, salvarem-se todos. (Exceto o PT).

Enquanto isso, o Brasil, entre esperançoso e traumatizado, tenta assimilar os fatos. E as ideias. Mas, como já disse o presidiário mais ilustre do País, "não importa o que dizemos a eles (o povo), mas o que eles pensam que estamos dizendo a eles". E após todos os movimentos "friamente calculados" do PT, na tentativa hilária de subverter os fatos e emplacar o discurso de vítima e perseguido político, finalmente, as grades se fecharam sobre Lula e, simbolicamente, sobre um partido.

Como era esperado, o PT esperneou o quanto pôde, enfiou recursos em todos os buracos, apelou às Cortes e organizações do mundo inteiro, mas, no final, teve de se curvar às leis e à (nova?) ordem do País; a (pelo menos) expectativa de que a Lei seja para todos.

Após a controversa prisão, ao contrário do que o PT queria, o Brasil continuou tal e qual. E, (afinal estamos falando de Brasil), depois de se afastaram as famigeradas câmeras da televisão, o assunto tende a perder o interesse para outras questões...


Que venham Aécio, Temer e CIA à "República de Curitiba"


Tarde. Mas antes tarde do que nunca. Temer, Aécio e tantos outros (O Sarney, impressionantemente vai passando ileso, blindado até o pescoço, das investigações, por falar nisso) serão (pelo menos) julgados, submetidos a um processo judicial sério, com alguma esperança de serem punidos.

Vergonhosamente "salvos" por seus pares políticos e/ou comparsas, de serem confrontados por seus atos flagrantemente ilegais/criminosos - mesmo sem considerar as provas que serão levantadas nos processos, só o que já se sabe (de domínio público) já é suficiente para os dois serem banidos da vida política do País. (Sem prejuízo do cumprimento das respectivas e devidas penas na "República de Curitiba") - esses políticos, finalmente, estão na mira do julgamento da opinião pública e de um judiciário (até agora corajoso o suficiente) e aparentemente disposto a seguir no rumo da moralidade, da vontade do País que exige punição para a corrupção e de uma isenção que se espera do STF e de todos que devem fazer cumprir as leis com isonomia.

Espera-se que sejam tratados com o mesmo rigor que seus antecessores que foram condenados (o que nem sempre significa prisão. Nem mesmo punição neste País) Mas a esperança, veja só, ela ainda está viva em alguns recantos. Esperemos que sobreviva aos próximos capítulos.

Porque "nunca na História desse País" ela foi tão necessária.


#aesquerdavalealuta


* Imagem: http://www.giromarilia.com.br/colunas/walkiria-martinez-heinrich-ferrer/o-tunel-do-tempo-da-politica-brasileira/9281

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