sábado, 21 de abril de 2018

Voz de trem antigo & outras estações



Por Germano Xavier



I


tua voz de trem antigo
abalando meus silêncios,
fazendo tremer meu chão,
meu teto, meu destino...

tua voz que vem de longe,
do passado, do Oriente,
carregando toda a História.

tua voz quente, nostálgica,
movida a fogo de Amor,
chega devagar e quando.

como ao se abrir em som
atravessasse séculos de dor
a cada vez que invade o mundo.

tua voz de trem antigo
rasgando desconhecidos,
sinal de vida, de acessos,
minha chegada,
minha partida...


II


sonata de saudade,
música de espera:
notas do Tempo.


III


miro a face trêmula e ameaçadora
do Tempo, (mas) do fundo de seu olho
(vesgo) você me sorri.


IV


transporto incongruências
em minhas costas
(largas)

e só você
(com sua voz de trem antigo)
acende o meu cinza-olhar,
transcende o inferno de ser,
transforma meus calabouços
em penumbras de poesia.


V


tuas palavras (últimas)
ainda ecoam em mim
me fazendo feliz
me fazendo...


VI


nosso amor de estação
(todas elas)

o eterno elevado ao infinito.


VII


amor de estação
(de todas elas)

no percurso do infinito.


VIII


nosso amor de estação
(de todas elas)

um inverno...?
com a extensão do infinito.


* Imagem: https://pixabay.com/pt/trem-a-vapor-locomotiva-antigos-512506/

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