sábado, 26 de maio de 2018

Nossos gritos destilados



Por Germano Xavier


toda a vida e sorrisos
e desgraças e desejos
mortos no lombo do corpo
carregados com sangue
construídos no trabalho de ser
e destruídos no absurdo do nada

todo o dom e domínios
e laços e cansaços
todas as jantas compartidas
os integrantes em família
festas repetidas com engraçadas vestes
rostos gerados no formidável humor

| sem graça |

todo o cerco e o interesse perdido
a luta sem força dos músculos
uma consciência cega por coisa alguma
a lâmpada mágica sem gênio azul
a posse do osso roído arrancado das carnes
das ancas humanas na hora infinita
do abate

o grito destilado e a pele já pelancuda
a idade que pesa e o sensato silêncio
algum lugar seguro em arrastos
o sim das incertezas e o oco batuque
das mãos dos pulsos das vistas
o coração descarrilado em estouros
só manchas ranhuras jorros

| e a fina certeza |
das poeiras


* Imagem: https://pixabay.com/pt/c%C3%A9u-nuvens-vento-tempestade-tempo-699697/

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