quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Trans(ver)sar



Por Germano Xavier


para Carolina Piva


como a necessidade da reza
estou indo, e a cabeça-enigma,
atlética em planos opacos,
acende enganos profissionais.

o poeta, em contusão visual,
toma de lente a faixa, o fora, o encovado
do mundo, e transvê o antes só visto
posto suportável.

espesso como um deserto,
agora experimenta o segredo místico do corpo
no instante das reações em transa:
a excitação dos sonhos,
a rosa radioativada dos domínios,
o bule meio vazio nos goles,
o murro no estômago,

a fruta cheia de cheiro,

cujo sabor queima a língua dos hábitos
e dos medos.


* Imagem: https://www.deviantart.com/trifoto/art/wall-and-window-111106034

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