Por Germano Xavier
Do vazio
é que surge,
e quer falar de que?
Sem pátria, sem mátria
surge, na ousadia reluz
um brilho trabalhado,
pretensiosamente sentido,
e quer falar de que?
Pássaro, passarinho, passarada.
Quiçá, liberdade?
Duvido. Como ter, sentir,
se é cadeia as pausas que cultivo
(esta palavra não fala, diz).
Nasce, morre vazio?
Não se preenche?
Não preenche?
Ora claudicante ora morno,
sem oscilações.
Poema é bicho sem perna,
é?
Não caminha?
Encaminha?
Uma seringa é mais fungível?
Poeta é um fruitivo?
É?
