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domingo, 6 de junho de 2021

Poema de Germano Xavier é publicado em antologia da Editora Arrelique


 

O poema "De São Bento a Caruaru (ou sobe aí que a gente vai ali), escrito por Germano Xavier, foi publicado na antologia NEM TUDO O QUE HÁ NO MUNDO, que marca o início dos trabalhos da Editora Arrelique na região do agreste pernambucano, principalmente na cidade de Caruaru-PE.



Excerto do poema

A antologia está disponível de graça (Kindle Unlimited) ou via compra no site da Amazon.

Lista dos autores presentes na antologia: Alisson Pereira, Alyson Monteiro, Carolina Azevedo, Clécia Pereira, Daniela Celi, Dave H. Santos, Davi Geffson, Edlúcia Rodrigues, Germano Xavier, Ivan Nicolau Corrêa, Iyan Oliveira, Jénerson Alves, Joana Figueirêdo, Luciene Alves, Manu Monteiro, Silvano Barbosa, Silvia Jussara Domingos, Thiago Medeiros, Urbano Leafa e Vitor Vieira.


Editores responsáveis: Alyson Monteiro e Silvano Barbosa




* Imagens: Editora Arrelique

sexta-feira, 4 de junho de 2021

Primeira parte da Trilogia do Centauro é lançada


Por Luís Osete Ribeiro Carvalho
 

É possível que não haja epíteto mais preciso para definir a ventura humana do que o título deste livro de Germano Xavier: O Homem Encurralado, que Luísa Fresta verteu para a língua do bicentenário poeta Charles Baudelaire como L’Homme Acculé. Quinze anos depois de seu primeiro compêndio poético, intitulado Clube de Carteado (2006), Germano se firma na busca obstinada por desvelar o porto dos disfarces da sórdida engrenagem social onde ancoramos a nossa indubitável condição de náufragos do caos.   

A matéria que enlaça os cinquenta e um poemas sequenciados em algarismos romanos, desde o anúncio de Nulla até o crepúsculo de L (ou Um fim), corporiza as várias dimensões cotidianas do encurralamento contemporâneo. Imerso em um rude cenário pandêmico, o poeta avista da janela o mais fundo das nossas retinas e sintetiza a rija paisagem que sobra de alguma coisa móvel que se desassossega no ar.   

Invisível, imprevisível, frio e febril, o novo coronavírus é o cavalo ensinado do nosso gigante Nada sobressalente, do nosso imenso Tudo inquietante. É, na metáfora poética que o presente faz desver, a gota d'água da grande catástrofe que desveste as cercanias do curral e, no murmúrio seco das vistas sem fé, atualiza o desamparo telúrico do dilúvio universal.   




Como resultado da inundação suprema, inscrita em tantas narrativas míticas, resta uma humanidade purificada e preparada para renascer sobre rastros desmanchados, paisagens desfiguradas, povos exterminados, memórias apagadas. Mas, antes de girar a manivela do fim, há o sopro divino no ouvido de alguém que possa contar | e cantar | o lugar em que se forma o silêncio, preenchendo de sentido | um texto de dúvidas | um novo mundo desenterrado pela palavra.   

E é aí que toma alma e carne o osso temporal da orelha interna de alguns poetas, como Germano, que se lançam a certa prática de escritura, ao trazer notícias do dilúvio, ao iluminar o arquétipo da sombra, ao experimentar o dentro/fora do vazio e ao converter a trama em desejo, o caminho em leitura, o trajeto em relato. São esses vates que atravessam a devastação terrena como se mergulhassem, intrépidos, no mar aberto do existir.  




A experiência poética que aqui submerge, em meio à perplexidade da descoberta das nossas múltiplas fragilidades, revela os destroços coletivos na praia de todos os naufrágios, como Regina Correia escreve no luminoso posfácio desta obra. Em inspirada mirada crítica sobre o Eu-Nós do Homem Encurralado, Regina reúne as tábuas do cercado e edifica uma arca de sentidos para uma precisa navegação na imprecisão dessa vida confinada que Germano poetiza.   

Há salvação para a grande catástrofe no horizonte da linguagem. E o convite é para você, ser vivente encurralado, sem exceção alguma, adentrar as páginas desta estrada literária e essencialmente inconclusa: entre o céu e o poema // entre a terra e o poema // entre a viagem e o poema // entre // e tente ficar.







O Homem Encurralado - Edição Bilíngue.
Tradução para o Francês: Luísa Fresta
(Primeira parte da Trilogia do Centauro)
Editora Penalux - 2021.
Germano Xavier nasceu em Iraquara, Chapada Diamantina-Bahia, em 1984. É jornalista pela UNEB e mestre em Letras pela UPE. Publicou o livro Clube de Carteado (Franciscana, 2006). Seu livro de contos intitulado Sombras Adentro (ainda não publicado) foi finalista do IV Prêmio Pernambuco de Literatura (2016). Em 2021, publicou o livro O Homem Encurralado (Penalux), que compreende a primeira parte da Trilogia do Centauro. Escreve para encontrar o equador de todas as coisas.




sábado, 8 de maio de 2021

Novo livro de Luísa Fresta será lançado em Portugal


 Lançamento: 7 de Junho/2021

As narrativas que constam desta antologia pessoal são desiguais no estilo, no ritmo e na temática. Aqui se fala de amor, do quotidiano, do elemento insólito nas coisas triviais, da hipocrisia social, de mulheres, do envelhecimento e da miséria urbana. Dos laços familiares e da maneira como edificamos sociedades e permutamos valores, cuja prioridade e relevância está permanentemente a ser questionada. Lisboa ou Luanda estão implícitas, tal como a noção de urbe e de movimento. São vinte e seis contos onde pontualmente se registam pensamentos como monólogos inaudíveis exteriormente: temas que, como a saúde mental, encontram também o seu lugar nestas páginas.



Sintam-se convidad@s!

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Minhas 20 melhores leituras em 2020


 

Por Germano Xavier


O ano de 2020 definitivamente não foi fácil. No Brasil, a situação de penúria foi ainda mais amplificada e visível. Desgovernado desde os saguões de Brasília, o Trem-Brazil, vendido às incertezas de um neoliberalismo irresponsável, descarrilou e assim continua ribanceira abaixo. O real povo brasileiro penou. E penará. Presenciamos tragédias novas a cada dia, muitas delas advindas de um bestial antipresidente eleito. A sirene tocou mundo afora. Uma pandemia! Muitos foram para dentro de seus aposentos. Muitos, por não terem aonde ir, forçados pela própria necessidade e outros por negacionismos infames de ordens diversas, preferiram as ruas. Ao cabo de todos esses meses, o cansaço, a estafa mental.

Todavia, algumas coisas foram fundamentais para me manter vivo. Falo por mim. Para além das aulas ministradas à distância, que se mostraram duras e ineficientes, foram os livros os maiores responsáveis pela manutenção do ar nos pulmões. Li razoavelmente bem durante todo o ano. Dei prioridade a livros que, de uma ou outra forma, falavam do processo pandêmico vigente, para me inteirar acerca de discussões sociais e políticas também atuais. Destaco aqui a coleção Pandemia Capital, da Editora Boitempo, que li quase toda.

No mais, agradecer preciso a todos os amigos e todas as amigas que fazem comigo o canal literário O EQUADOR DAS COISAS no YouTube, aos colaboradores do portal O GAZZETA, ao espaço concedido a mim no portal SÓSERGIPE e a manutenção da parceria já antiga com o portal ENTREMENTES. Dizer também que o blog O EQUADOR DAS COISAS e o jornal impresso O EQUADOR DAS COISAS continuam vivíssimos, em sonhos borbulhantes e em realidade. Para 2021, talvez algumas boas novidades surgirão. Sigamos, bucaneiros!

E ninguém solta a mão de ninguém.

 

Poesia

1.                  QUARENTA CLICS EM CURITIBA, de Paulo Leminski;

2.                  BUBUIA, de Jéssica Martins Costa;

3.                  ASA DE LAGARTA, de Vanessa Reis;

4.                  ALICE E OS DIAS, de Daniela Delias;

5.                  TRANS, de Age de Carvalho;

6.                  QUASE UMA ARTE, de Paula Glenadel;

7.                  À CIDADE, de Mailson Furtado;

8.                  GRAVANDO, de Aline Rocha;

9.                  ANTES QUE O MUNDO ACONTEÇA, de Daniel Baz;

10.              CAPRICHOS & RELAXOS, de Paulo Leminski.

 

Prosa

1.                  A FABULOSA GALINHA DE ANGOLA, de Luísa Fresta;

2.                  REDEMOINHO EM DIA QUENTE, de Jarid Arraes;

3.                  CARTAS DE UM DIABO A SEU APRENDIZ, de C.S. Lewis;

4.                  O AMANHÃ NÃO ESTÁ À VENDA, de Ailton Krenak;

5.                  A CRUEL PEDAGOGIA DO VÍRUS, de Boaventura Sousa Santos;

6.                  SEJAMOS TODOS FEMINISTAS, de Chimamanda Ngozi Adichie;

7.                  O MASSACRE DA GRANJA SÃO BENTO, de Luiz Felipe Campos;

8.                  O VELHO E O MAR, de Ernest Hemingway (releitura);

9.                  SOBRE A ESTUPIDEZ, de Robert Musil;

10.              ÚLTIMO REINO, de Pascal Quignard.

 

 

OBS. A ordem de numeração dos livros não quer dizer absolutamente nada.

* Imagem: Google

terça-feira, 9 de julho de 2019

O Equador das Coisas - 12 anos




Republicação



Tudo começou durante uma aula da disciplina Programas e Ferramentas II no curso de Comunicação Social/Jornalismo em Multimeios da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) que eu até então fazia. A professora Jussara Moreira, depois de explanar um pouco do seu conhecimento acerca da linguagem HTML para produção de sites pessoais e outros projetos de cunho cibernético, levou-nos a conhecer uma ferramenta que, para mim, ainda era uma incógnita: o Blog (ou blogue, como preferir). Lembro que ela havia indicado alguns sites onde poderíamos escolher a plataforma que mais agradasse nosso gosto e, ainda sem nenhum conhecimento de causa, entrei na ferramenta que o portal UOL disponibilizava à época.

De pronto, achei tudo muito simples e funcional. Uma espécie de caderno virtual, de diário, de pasta, um portfólio, "mas que coisa boa!", pensei. E assim se deu o meu primeiro contato expressivo com esta ferramenta informática. Deu-se a luz, diria o outro. E sem muito pestanejar, fui logo criando o meu próprio espaço na blogosfera. PAROLAS DE UM SUJEITO QUEDO foi o título que dei ao meu primeiro esforço “bloguístico” e foi parido em 09 de julho de 2007. Lá, e aos poucos, fui colocando alguns velhos textos que eu tinha guardado e também escrevendo coisas novas. Como nestes idos ainda não possuía computador em casa, reservava alguns momentos quando me encontrava no laboratório de informática da faculdade para postá-los.

No PAROLAS DE UM SUJEITO QUEDO, a série de textos do “Sonhador Gervixa” foi, talvez, o maior destaque. Com cerca de 20 capítulos publicados, foi através deste personagem, um sujeito que se dizia não ser deste planeta devido a sua extravagante repulsa por todas as más ações humanas, que os primeiros leitores – geralmente meus próprios colegas de Jornalismo e outros poucos amigos - foram se acercando de minha produção textual, conquistando assim paulatinamente o que posso chamar de “credibilidade” e por que não dizer “fidelidade” no meio.

Depois de algum tempo, burilando na internet, achei de investigar a plataforma BLOGGER. Percebi que nesta havia mais instrumentos de edição e diagramação, além de que as interfaces eram muito mais convidativas que as do UOL. Destarte, abandonei o PAROLAS DE UM SUJEITO QUEDO e criei em 12 de novembro de 2007 meu segundo blog, agora intitulado A AUTO-ESTRADA DO SUL, por influência direta da leitura do livro de contos "Todos os fogos, o fogo", do escritor belga-argentino Julio Cortázar, que andava a realizar naqueles dias. Transferi, ao passar dos dias, todos os textos que havia publicado no PAROLAS DE UM SUJEITO QUEDO para o novíssimo e empolgante – pelo menos para mim - A AUTO-ESTRADA DO SUL e, de modo bastante paciente, fui colocando mais um montante de produções textuais de minha autoria, assim como algumas colaborações que recebia de amigos, sempre com a preocupação de devidamente analisar se os mesmos se alocavam bem aos propósitos do blog. Com minha entrada no universo “BLOGSPOT”, percebi que o mergulho constante no blog - um saudável vício, penso - estava despontando em mim como um local de construção de saber e de possibilidades de diálogo acerca das incontáveis formas de conhecimento nunca antes imaginadas, cuja responsabilidade para com o que ali estaria exposto aumentava em progressão geométrica, o que muito me agradava.

Alguns meses transcorridos e optei por mudar apenas a titulação do blog, que agora passaria a receber o nome do meu primeiro livro de poemas, publicado no ano de 2006 pela Editora Franciscana, com sede na cidade pernambucana de Petrolina. Era o nascimento do blog CLUBE DE CARTEADO, nomenclatura que permaneceu até os idos de 2009, mas que por problemas de ordem estrutural tive de deixá-lo para trás. O CLUBE DE CARTEADO foi quem guardou a maior parte dos textos que eu havia escrito ao longo dos anos, desde poemas e contos, passando por crônicas e resenhas de todos os tipos, até projetos de pesquisa mais apurados e artigos científicos, sendo também, tenho quase certeza, o primeiro blog a ter (ou a querer ter) a figura de um ombudsman – experiência que infelizmente não vingou. No total, foram exatos 821 textos/postagens publicados em seu espaço, registrando no período de pouco mais de um ano cerca de 30 mil visitas reais e algumas centenas de comentários e participações várias.

Depois de visualizado o problema em sua configuração, a construção de um blog totalmente novo foi a alternativa mais viável para dar seguimento a minha relação com esta significante parcela do mundo virtual. Foi aí que O EQUADOR DAS COISAS veio à superfície do ciberespaço. Com ajuda de pessoas mais entendidas neste universo da informática, selecionei um template que trouxesse um pouco da carga dramática que o título requeria, e logo foi feito a transferência de todos os textos que estavam no CLUBE DE CARTEADO para o arquivo do novo blog. O primeiro texto originalmente escrito para O EQUADOR DAS COISAS data de 23 de julho de 2009.

Daí por diante, outros inúmeros textos foram publicados até o presente dia – só para constar, já passamos da considerável marca das 1.800 publicações/postagens. Como se números fossem importantes, não é mesmo?! Tantos números assim soam como um discurso contraditório até para mim, que sou daqueles que têm mais medo de um sujeito que escreveu um livro em toda uma vida àquele que escreve meia dúzia de títulos em cinco anos – se formos vasculhar, exemplos não faltam. Recentemente o EQUADOR DAS COISAS passou por uma nova reforma, tanto na estética quanto em seu conteúdo. E como você vê, amigo leitor, hoje já está tudo diferente do que era antes. Tudo muda o tempo todo, não? Aí você me pergunta quando vou parar com tudo isso, e eu respondo que “nunca”. Cada vez que penso em desistir do blog, mais certo fico de que sem esta ferramenta, exemplo de expressão libertária e democrática, mesmo que virtualizada, fica mais pesada e difícil a balada das horas do meu dia. A vocês, leitores e leitoras, meu muito obrigado por ajudar na edificação e na concretagem deste real espaço de troca de experiências e saberes. Vocês são peças fundantes em toda esta ladainha. Recebam um abraço-amigo-imenso deste Germano que vos fala agora, exímio “aprendedor” de coisas. E para não dizer que não falei das flores, sim... continuemos, bucaneiros! – até porque o mar, o mar!, o mar quase nunca está para peixes...


Dados atualizados (até o dia 09 de julho de 2019): 

Visualizações de página de hoje
110
Visualizações de página de ontem
78
Visualizações de página do mês passado
2.810
Histórico de todas as visualizações 
1.376.631

Sigamos!

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Luísa Fresta lançará livro em Portugal




Divulgação


CONVITE



No dia 19 de Julho pelas 19h00 terá lugar, em Lisboa, a apresentação do meu último livro de poesia, intitulado MARÇO entre meridianos e lançado em Luanda no Memorial António Agostinho Neto a 8 de Março de 2018, por ocasião da entrega do prêmio de poesia no feminino Um Bouquet de Rosas para Ti.

Seria uma grande honra para mim e para os meus editores (Livros de Ontem) podermos contar com a tua presença.

Consulta p.f. abaixo o convite bem como os detalhes do evento.

Desde já agradeço o teu interesse.

Um abraço e até lá,

Luísa


LIVRARIA BRAÇO DE PRATA
RUA DA FÁBRICA MATERIAL DE GUERRA, 1
Lisboa


COMO CHEGAR
Comboio: Linha de Sintra – Estação Braço de Prata
Autocarro: 728, 718, 755, Nocturno
GPS: 38.7433703 / -9.1006499
(Estacionamento fácil e transportes públicos).

A obra será apresentada através de textos críticos dos poetas Cíntia Gonçalves (Angola), Germano Xavier (Brasil) e Manuel Iris (México), para além do editor, João Batista.

domingo, 2 de junho de 2019

Rap do 30 de Maio



Por Muhatu



um dia diferente, luta de frente pela capacitação
há um menino adulto que lê pesadelos no jornal
a morte do ensino em tempo integral
e o espanto boquiaberto da nação

um dia urgente refuta restrição de liberdade
estudantes/professores desamarrem pensamentos!
sois brilhantes como o sol e livres como o vento
ser cidadão é coração maior de idade

jornada prenhe de mil luzes de mudança
em prol das ciências sociais tão humanas
e fundamentais | a reflexão crítica nos irmana
[o desconcerto assusta mas a coerência avança]

jornada de verbo sem verbas – só esperança
não sou panfleto doutrinário sou luta pacífica
minha luta é ética, minha sementeira científica
dizemos sempre e ainda: quem espera sempre alcança

um dia de apaziguamento e chamada à razão
cremos em hospitais e universidades públicas
nossas exigências são pedidos [nunca súplicas]
sonhadas com cabeça, alma e antecipação

será jornada de batalha ideológica
que tempo é este retrátil e inseguro?
educar não é gastar, é construir o futuro
negativismo é destruição | aposta ilógica

no dia trinta a palavra será tinta e voz
pela merenda, pelo transporte escolar
educação inclusiva temos que assegurar
o tempo urge como um rio para a sua foz


segunda-feira, 1 de abril de 2019

Nunca mais



Por Muhatu



“[…]Ya no es mágico el mundo. Te han dejado.
Ya no compartirás la clara luna
ni los lentos jardines. Ya no hay una
luna que no sea espejo del pasado […]



Jorge Luis Borges, excerto do poema 1964





Nunca mais



64

Nunca mais

Dizem os meus irmãos na outra margem

Do enorme rio atlântico

Nunca mais o pesadelo a tortura

A ignomínia o silêncio

Nunca mais

O nome de Deus e da família em bocas vãs

O amordaçar sumário das ideias

O apagamento de homens e mulheres

A condenatória sentença da dissidência

Nunca mais

A intolerância o ódio o bestial

E sádico prazer do encarceramento

O autoritarismo falho de liderança

A pátria algemada no ardil do nacionalismo

Nunca mais

A ditadura travestida de mão disciplinadora

A opinião condicionada ao medo

A expressão do pensamento algemada

E a liberdade esbracejando para a superfície

64

Será sempre

Um sonho de Paz por Martin Luther King

As constatações proféticas e dolorosas de Borges

A Literatura e As Palavras autobiográficas de Sartre

Chilenos marchando lado a lado com Allende

Será sempre

A combate pacífico e LOVE

Na voz de Nat King Cole

Outra Garota de Ipanema

Paris em festa n’as memórias de Hemingway

Será sempre

Os Pastores da Noite de Jorge Amado

Ou Isto ou Aquilo na poesia da Cecília

Millôr Fernandes e uma revista abortada

E também Luuanda do Luandino

Será sempre

Chitty-Chitty-Bang-Bang

Nós Matámos o Cão Tinhoso

A Legião Estrangeira

E O Cavaleiro da Dinamarca

Será sempre

Mariem Mint Derwich

José Rodrigues dos Santos

Adjoua Flore Kwame

E esta esperança que vos fala.


* Imagem: https://www.deviantart.com/s0n-et-lumiere/art/street-at-night-III-105032016

sábado, 22 de setembro de 2018

Resenha de Germano Xavier & Associação Nova Escola


Por Germano Xavier


É com enorme engraçamento que comunico a todos que minha resenha literária intitulada de AS PLANTAS QUE LATEM DE HELDER HERIK, publicada aqui em 19/05/2018, foi selecionada para fazer parte de um projeto lindíssimo na área da educação nacional promovido pela Associação Nova Escola tendo em vista a Base Nacional Comum Curricular - BNCC, numa parceria com a Fundação Lemann e o Google.org. Tudo isso em virtude do olhar apurado da professora doutoranda Ladjane Pereira, a quem agradeço imensamente. Em breve, deixo aqui mais informações sobre o projeto. Sigamos, bucaneiros!


* Imagem: https://br.linkedin.com/company/associa%C3%A7%C3%A3o-nova-escola

segunda-feira, 16 de julho de 2018

12 anos de O Equador das Coisas



Por Germano Xavier


Este mês, mais precisamente no último dia 09 de julho, completei 12 anos no comando do blog O EQUADOR DAS COISAS, este-meu-nosso espaço lítero-cibernético que ajuda a contar um pouco da paixão que tenho pela literatura e pela arte em geral, além de revelar muito do que sou-sendo. Ao todo, já são mais de 635 mil acessos (IPs diferentes) oriundos de mais de 100 países diferentes. Aproximadamente 2.000 textos compõem o acervo e o número de visualizações diárias chega a superar a marca de 250 por dia. Por meio deste espaço, feito de leituras e também de leitores, conquistei laços fortíssimos de amizade que carrego até hoje. Depois de uma temporada sabática, resolvi seguir com o projeto a todo vapor. Estamos vivos e isso é tudo, bucaneiros. Sigamos, por um mundo com mais palavras! E um viva a'O EQUADOR DAS COISAS!


Um pouco de história...

Tudo começou durante uma aula da disciplina Programas e Ferramentas II no curso de Comunicação Social/Jornalismo em Multimeios da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) que eu até então fazia. A professora Jussara Moreira, depois de explanar um pouco do seu conhecimento acerca da linguagem HTML para produção de sites pessoais e outros projetos de cunho cibernético, levou-nos a conhecer uma ferramenta que, para mim, ainda era uma incógnita: o Blog (ou blogue, como preferir). Lembro que ela havia indicado alguns sites onde poderíamos escolher a plataforma que mais agradasse nosso gosto e, ainda sem nenhum conhecimento de causa, entrei na ferramenta que o portal UOL disponibilizava àquela época. De pronto, achei tudo muito simples e funcional. Uma espécie de caderno virtual, de diário, de pasta, um portfólio, "mas que coisa boa!", pensei. E assim se deu o meu primeiro contato expressivo com esta ferramenta informática – hoje já considerada até obsoleta. Houve a luz, diria o outro. E sem muito pestanejar, fui logo criando o meu próprio espaço na blogosfera. PAROLAS DE UM SUJEITO QUEDO foi o título que dei ao meu primeiro ímpeto blogueiro e foi parido em 09 de julho de 2007. Lá, e aos poucos, fui colocando alguns velhos textos que eu já tinha e também escrevendo coisas novas. Como nestes idos ainda não possuía computador em casa, reservava alguns momentos quando me encontrava no laboratório de informática da faculdade para postá-los. No PAROLAS DE UM SUJEITO QUEDO, a série de textos do “Sonhador Gervixa” foi, talvez, o maior destaque. Com cerca de 20 capítulos publicados, foi através deste personagem, um sujeito que se dizia não ser deste planeta devido a sua extravagante repulsa por todas as más ações humanas, que os primeiros leitores – geralmente meus próprios colegas de Jornalismo e outros poucos amigos - foram se acercando de minha produção textual, conquistando assim paulatinamente o que posso chamar de credibilidade e por que não dizer fidelidade no meio. Depois de algum tempo, burilando na internet, achei de investigar a plataforma BLOGGER, ofertada pela cadeia Google de ferramentas. Percebi que nesta havia mais instrumentos de editoração e diagramação, além de que as interfaces eram muito mais convidativas que as do UOL. Destarte, abandonei o PAROLAS DE UM SUJEITO QUEDO e criei em 12 de novembro de 2007 meu segundo blog, agora intitulado A AUTO-ESTRADA DO SUL, por influência direta da leitura do livro de contos "Todos os fogos, o fogo", do escritor belga-argentino Julio Cortázar, que andava a realizar naqueles dias. Transferi, ao passar dos dias, todos os textos que havia publicado no PAROLAS DE UM SUJEITO QUEDO para o novíssimo e empolgante – pelo menos para mim - A AUTO-ESTRADA DO SUL e, de modo bastante paciente, fui colocando mais um montante de produções textuais de minha autoria, sempre com a preocupação de devidamente analisar se os mesmos se alocavam bem aos propósitos do blog. Com minha entrada no universo “BLOGSPOT”, percebi que o mergulho constante no blog - um saudável vício, penso - estava despontando em mim como um local de construção de saber e de possibilidades de diálogo acerca das incontáveis formas de conhecimento nunca antes imaginadas, cuja responsabilidade para com o que ali estaria exposto aumentava em progressão geométrica, o que muito me agradava. Alguns meses transcorridos, optei por mudar apenas a titulação do blog, que agora passaria a receber o nome do meu primeiro livro de poemas, publicado no ano de 2006 pela Editora Franciscana, com sede na cidade pernambucana de Petrolina. Era o nascimento do blog CLUBE DE CARTEADO, nomenclatura que permaneceu até bem pouco tempo, mas que por problemas de ordem estrutural tive de deixá-lo para trás. O CLUBE DE CARTEADO foi quem guardou a maior parte dos textos que eu havia escrito ao longo dos anos, desde poemas e contos, passando por crônicas e resenhas de todos os tipos, até projetos de pesquisa mais apurados e artigos científicos, sendo também, tenho quase certeza, o primeiro blog literário a ter (ou a querer ter) a figura de um ombudsman – experiência que infelizmente não vingou. No total, foram exatos 821 textos/postagens publicados em seu espaço, registrando no período de pouco mais de um ano cerca de 100 mil visitas reais e algumas centenas de comentários e participações várias. Depois de visualizado o problema em sua configuração, a construção de um blog totalmente novo foi a alternativa mais viável para dar seguimento a minha relação com esta significante parcela do mundo virtual. Foi aí que O EQUADOR DAS COISAS veio à superfície do ciberespaço. Com ajuda de pessoas mais entendidas neste universo da informática, selecionei um template que trouxesse um pouco da carga dramática que o título requeria, e logo foi feito a transferência de todos os textos que estavam no CLUBE DE CARTEADO para o arquivo do novo blog. O primeiro texto originalmente escrito para O EQUADOR DAS COISAS data de 23 de julho de 2009. Daí por diante, outros inúmeros textos foram publicados até o presente dia – só para constar, já aproximo da considerável marca das duas mil publicações/postagens. Como se números fossem importantes, não é mesmo?! Tantos números assim soam como um discurso contraditório até para mim, que sou daqueles que têm mais medo de um sujeito que escreveu um livro em toda uma vida àquele que escreve meia dúzia de títulos em cinco anos – se formos vasculhar, exemplos não faltam. Recentemente, o EQUADOR DAS COISAS passou por uma reforma, tanto na estética quanto em seu conteúdo. E como você vê, amigo leitor, hoje já está tudo diferente do que era antes. Tudo muda o tempo todo, não? Aí você me pergunta quando vou parar com tudo isso, e eu respondo que nunca. Cada vez que penso em desistir do blog, mais certo fico de que sem esta ferramenta, exemplo de expressão libertária e democrática, mesmo que virtualizada, fica mais pesada e difícil a balada das horas do meu dia. A vocês, leitores e leitoras, meu muito obrigado por ajudar na edificação e na concretagem deste real espaço de troca de experiências e saberes. Vocês são peças fundantes em toda esta ladainha. Recebam um abraço-amigo-imenso deste Germano que vos fala agora, exímio aprendedor de coisas. E para não dizer que não falei das flores, sim... continuemos, bucaneiros! – até porque o mar, o mar!, o mar quase nunca está para peixes...


* Imagem: Acervo pessoal.

terça-feira, 1 de maio de 2018

Letras em Barro apresenta: “A Cobrança”, de Mário Rodrigues e “Quebranto”, de André Balaio

Divulgação


André Balaio e Mário Rodrigues autografam seus livros, “Quebranto” e “A Cobrança”, no sábado (05), no Alameda Caruaru, após conversa com Thiago Medeiros e público. O evento começa às 17h e é gratuito.

Os escritores pernambucanos André Balaio e Mário Rodrigues lançam simultaneamente “Quebranto” (Editora Patuá) e “A Cobrança” (Editora Record), suas obras mais recentes, neste sábado (05), às 17h, no Alameda Caruaru. Os autores também vão debater sobre suas vivências na literatura sob mediação de Thiago Medeiros, idealizador do Encontro Literário Letras em Barro. O evento é gratuito e funciona como uma antecipação da programação completa prevista para outubro.

“A iniciativa é um esforço para afirmar Caruaru na condição de cidade produtora e divulgadora da cultura em geral, mais especificamente da literatura produzida por artistas pernambucanos”, aponta Medeiros que também é escritor, poeta e produtor cultural. Embora a cidade já comporte eventos como a Fenagreste, a Feira de Livros do Agreste, há falta de atividades que aproximem o público dos escritores. “A ideia do evento é humanizar os autores, mostrar que é possível exercer o ofício da literatura e incentivar a formação de novos leitores, mas principalmente incentivo a novos escritores e escritoras”, desenreda o produtor.

As trajetórias e pontos de vista de André Balaio e Mário Rodrigues prometem trazer insights interessantes aos leitores e àqueles que pretendem trilhar um caminho próprio na escrita. Pernambucanos, vencedores de prêmios importantes no cenário nacional, os autores trazem pontos de vista mais complementares que semelhantes.

“O lançamento de um escritor pernambucano que já possui certo renome em âmbito nacional, e do primeiro livro de um escritor promissor e inventivo como Balaio, lançado por uma editora que tem estimulado tanto novos nomes, que é a Patuá, em Caruaru, é uma inovação na cena cultural da cidade”, sublinha Medeiros.

Nascido e criado em Garanhuns, Mário Rodrigues já foi indicado ao Prêmio Jabuti, na categoria de Contos e Crônicas, e venceu o prêmio Sesc de Literatura em 2016. A premiação resultou no lançamento de “Receitas para se fazer um monstro” pela editora Record, o mesmo local por onde “A Cobrança” está sendo lançado agora.

“No Brasil, como o público leitor é mínimo, esses prêmios acabam sendo a verdadeira chancela do escritor. O número de convites para eventos e antologias, por exemplo, aumenta muito depois de certas premiações”, pontua. Seu novo romance traz uma reflexão que visa desconstruir a máxima brasileira de que “futebol, política e religião não se discutem”, especialmente pertinente neste ano que, mais uma vez, casa eleição e copa.

Concursos e premiações também ajudaram André Balaio a se firmar em sua trajetória. Vencedor do prêmio Off-Flip com o conto “O Lado de Lá”, Balaio também foi finalista do Prêmio Nacional SESC 2017 de Literatura e do Concurso Literário Nacional CEPE 2017. Ao contrário de Rodrigues, Balaio, também roteirista de quadrinhos e editor do site O Recife Assombrado (orecifeassombrado.com), envereda pelo insólito para falar de desajustes na vida de pessoas comuns. “Na literatura fantástica, o sobrenatural pode aparecer como metáfora para culpa, desejo e outros sentimentos”, descreve. “O fantástico é uma maneira original e instigante de falar dos problemas cotidianos”.

Serviço:

Lançamento simultâneo “A Cobrança”, Mário Rodrigues, e “Quebranto”, André Balaio.

Quando: sábado, 05 de maio

Horário: 17h

Onde: Alamenda Caruaru - R. Arlindo Pôrto, 127 - Maurício de Nassau, Caruaru

Informações: (81) 99839-1312

Entrada franca


* Imagem: Letícia Santiago

* Imagem: Divulgação/Mário Rodrigues