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terça-feira, 13 de agosto de 2024

Sobre a escritora Luísa Fresta (Texto para o Canal do Poetariado - Youtube)


 

Por Germano Xavier, 

em especial para o CANAL DO POETARIADO (YOUTUBE).


É com enorme satisfação que esboço aqui uma apresentação sobre a escritora Luísa Fresta, voz poderosa de nossa literatura contemporânea em Língua Portuguesa. Sua carreira literária é marcada por textos de tonalidades muito diversificadas, perfazendo um percurso que vai da literatura infantojuvenil às formas mais clássicas e tradicionais da poesia, passando por outros importantes gêneros como o conto e a crônica.

Luísa Fresta é amplitude portuguesa e angolana, uma dupl'alma concentrada em uma força-motriz-feminina que entrelaça Angola, Portugal, Brasil, Áfricas e Mundos em um coração delicado e dedicado a enxergar a mais pura arte literária nas situações mais comuns ou nas circunstâncias mais rudes. Suas mãos tecem um conjunto de textos que pontuam suas múltiplas influências culturais e humanas como quem aborda o próprio espelho das grandezas da vida. Uma mulher que a todo instante nos apresenta à lusofonia e ao africano, uma mulher que não se cansa em opinar sobre livros, filmes, artes em geral... uma mulher em constante movimento.

Com a escritora Luísa Fresta, aprendi que o essencial está por vir, ainda no próximo verso, ainda no próximo parágrafo, porque a literatura está no que avança e no que nos desdobra, no que nos recobra e no que nos aplaina, apontando para as mazelas mundanas mais irrefutáveis. Com a escritora Luísa Fresta, aprendi que é necessário perceber e revelar os centros das pequenas coisas, os núcleos sísmicos dos elementos que fazem a vida de todas as pessoas, mesmo que estas fontes interiores e, por vezes, ulteriores de e acerca da vida sejam ou estejam integradas à própria faculdade vital do ser humano: o viver, o estar vivo-e-além.

Ao lado de Luísa Fresta, numa jornada de parcerias que já ultrapassa uma década, aprendi que o verdadeiro poeta fotografa o caos, que o verdadeiro escritor registra os medos de nós-gentes e articula a chama que fará o fogo-máximo de nossas idas e vindas, de nossas descobertas e, também, de nossas decepções. Luísa Fresta soa quase sempre maternal, como uma mãe que ensina as suas crias os segredos do caminho.

A escritora Luísa Fresta nos questiona, em seus textos, se a felicidade é um bônus ou uma guilhotina. Dentro de suas palavras, tombamos por cima das farturas e das fraturas dos símbolos mundanos, adentramos o sagrado nas coisas triviais e bulimos com o absurdo das naturalidades cotidianas oriundas de convenções sociais e institucionais. Tudo isso, regado com uma pessoalíssima dose de maturidade artística e pessoal. Aliás, ensinagens não faltam nas páginas dos livros e na obra geral escrita por Luísa Fresta. E isso me chama muito a atenção. Luísa Fresta sempre está a nos ensinar algo. E de uma forma muito espontânea e inteligente.

A escritora Luísa Fresta, por vezes, quase ignora o real para nos abrir um mundo de percepções suavemente surreais, quando no tempo das intermitências e das incertezas da vida, colocando-nos numa posição de combate e, também, de respeito perante o tempo futuro. Afinal, o que faremos da vida que nos resta? O que estamos fazendo com o nosso Hoje, com o nosso Agora? Aquela velha batalha já por demais esgotada e profética: cada dia que passa é um dia a menos, não um dia a mais. Luísa Fresta tenta parar o tempo para que possamos observá-lo, tamanho o seu poder perante todos nós. Luísa Fresta é, por fim, a voz de uma humanidade revista e ressonhada, cheia de memórias e refundada em anunciações. 


* Imagem: https://www.voaportugues.com/a/4324514.html

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Minhas melhores leituras em 2021


 

Por Germano Xavier


Bem como o 2020, o ano de 2021, definitivamente, não foi fácil. E não tem como escrever algo diferente do que escrevi há 1 ano. O fluxo continua o mesmo... “No Brasil, a situação de penúria foi ainda mais amplificada e visível. Desgovernado desde os saguões de Brasília, o Trem-Brazil, vendido às incertezas de um neoliberalismo irresponsável, descarrilou e assim continua ribanceira abaixo. O real povo brasileiro penou. E penará. Presenciamos tragédias novas a cada dia, muitas delas advindas de um bestial antipresidente eleito. A sirene tocou mundo afora. Uma pandemia! (Sim, a pandemia não acabou...) Muitos foram para dentro de seus aposentos. Muitos, por não terem aonde ir, forçados pela própria necessidade e outros por negacionismos infames de ordens diversas, preferiram as ruas. Ao cabo de todos esses meses, o cansaço, a estafa mental. Todavia, algumas coisas foram fundamentais para me manter vivo. Falo por mim. Para além das aulas ministradas à distância, que se mostraram duras e ineficientes, foram os livros os maiores responsáveis pela manutenção do ar nos pulmões. Li razoavelmente bem durante todo o ano”.

No mais, agradecer preciso a todos os amigos e todas as amigas que fazem comigo o canal literário O Equador das Coisas, no Youtube, aos colaboradores do portal O GAZZETA, ao espaço concedido a mim no portal SÓ SERGIPE. Dizer também um muito obrigado para aqueles que apostaram suas fichas literárias em meu mais recente livro, intitulado de O Homem Encurralado (Penalux, 2021) e que contou com tradução para o francês realizada por Luísa Fresta. 2022 nos reserva grandes emoções. Sigamos, bucaneiros!

E, de novo, ninguém solta a mão de ninguém.

 

Poesia

  1. ELOGIO DO CARVÃO, Marcus Vinicius Quiroga;
  2. RUA DA PADARIA, de Bruna Beber;
  3. CIDADE FINADA, de Thiago Medeiros;
  4. ARAME FARPADO, de Lisa Alves (releitura);
  5. POEMAS RUPESTRES, de Manoel de Barros (releitura);
  6. 26 POETAS HOJE, org. Heloísa Buarque de Hollanda;
  7. SENTIMENTAL, de Eucanaã Ferraz;
  8. EM NOME DOS RAIOS, de João de Moraes Filho (releitura);
  9. CARTAS DE NAVEGAÇÃO, de Nuno Gonçalves (releitura);
  10. ARIEL, de Sylvia Plath (releitura).

Prosa

  1. A IMENSIDÃO ÍNTIMA DOS CARNEIROS, de Marcelo Maluf;
  2. O ALIENISTA (EM CORDEL), Machado de Assis/Rouxinol do Rinaré;
  3. PANDEMIA: COVID-19 E A REINVENÇÃO DO COMUNISMO, de Slavoj Žižek;
  4. O MENINO GRAPIÚNA, de Jorge Amado;
  5. TORTO ARADO, de Itamar Vieira Junior;
  6. O GARIMPEIRO DO RIO DAS GARÇAS, de Monteiro Lobato;
  7. EVANGÉLICOS E PANDEMIA, de Pierre Salama;
  8. TODO DIA A MESMA NOITE, de Daniela Arbex;
  9. PARAÍSO PERDIDO, de John Milton/ Versão em quadrinhos de Pablo Auladell;
  10. LULA (Volume 1), de Fernando Morais.

OBS. A ordem de numeração dos livros não quer dizer absolutamente nada.


* Imagem: Google

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Escola Cordeiro Filho em excursão para Serra Negra-PE

*
Por Germano Xavier

A Escola Cordeiro Filho, principal instituição educacional do município de Lagoa dos Gatos-PE, realizou no último dia 16 de novembro de 2014 uma excursão para a linda Serra Negra, um dos pontos mais altos do estado de Pernambuco, passando pelo Alto do Moura, em Caruaru-PE, e pelo Centro de Artesanato de Pernambuco, na cidade de Bezerros-PE. O projeto fez parte do processo de ensinagem do presente ano letivo e teve como orientadores os professores Francisco Pedro, José Fernando Moura e Germano Xavier.

Clique nas imagens para ampliar:







* Imagens: Germano Xavier

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O negro na cultura


Por Germano Xavier

A questão do negro, sua identidade e suas nuances, assim como a inserção de sua presença física e ideológica nos diversos sistemas culturais brasileiros já não é um assunto tão em voga assim como foi apresentado nas décadas anteriores no meio acadêmico e nos diversos setores de fomentação de debate. Muito se discutiu, muitas perguntas foram formuladas, muitas tentativas de resposta vieram à baila, mas o certo é que pouquíssima coisa mudou no tocante à participação do afro-descendente nos mais variados suportes midiáticos no Brasil (e por que não dizer no mundo?), a citar como exemplos a televisão e o cinema, tirando raríssimas exceções ainda imiscuídas num universo de marginalização.

No mais recente festival de cinema Maranhão na Tela, realizado na cidade de São Luís, o debate inaugural da mostra aconteceu em cima de três premissas básicas para o descompromisso para com esta problemática até agora discutida:

1) O imaginário social;
2) A marginalidade;
3) As condições de produção cultural.

Para os cineastas e estudiosos convidados, o que se vê no panorama atual é que o imaginário social de representação da vida do negro em sociedade já está tão maculado pelos media em geral que vai ser necessário muito esforço para a mudança na esfera-alicerce deste pensamento. Geralmente, todas as formas potenciais de geração e difusão de cultura impõem à sociedade a figura de um negro combalido por si mesmo, detentor de um espaço periférico onde é perigoso ao restante da população estar, um marginalismo de atitudes e espectros de caráter que funde um ser sem muitos préstimos, sem condições de alavancar outros e mais valorizados espaços dentro de seu próprio universo e do universo do todo.

Para os debatedores em questão, o ideal é que para que a mudança seja sentida na raiz da problemática, o negro não pode mais estar apenas como figurante no trabalho cultural, mas também deter o todo do saber que é produzido a cada filme que é lançado, a cada projeto de arte que é aprovado, a cada programa televisivo que é divulgado, entre tantos outros fatores. Porque é quem dá a condição de trabalho quem propicia que o mesmo trabalho seja manipulado no ordenamento a que se deseja, portanto as consequências adversas ou não de tal procedimento são já também providas de prevenção por quem as produz. Se o negro não participa de todas as etapas da criação, seja ela qual for, o negro também ficará sempre à mercê do pensamento do outro, que domina, que está no topo da cadeia, nunca sendo o produtor de si mesmo e nunca sendo alcançado pelos “olhos que tudo vêem” do modo mais natural como é dado em sua realidade.

É preciso “botar o negro pra fazer”, como citou Sabrina Rosa, roteirista e diretora do longa-metragem Vamos fazer um brinde, que se auto-intitulou “filhote do pensamento construído pelos estudiosos da relação negro-cinema nos últimos anos”. Começando a fazer o que os outros hoje e sempre fazem, o negro vai ser o próprio conteúdo, saberá o que significa o termo entretenimento, e todos os seus desenlaces, e vai também começar a saber a quem serve as produções que estão sendo realizadas na atualidade, e deixarão de ser “barrados por também terem o conhecimento do próprio racismo”,como bem disse a cineasta carioca. Talvez, só assim a cor da cultura neste país tão miscigenado e plural seja uma só: a da união.

sábado, 24 de novembro de 2012

Revista Visões - Materializando ideias

Fotografias: Germano Xavier
Por Germano Xavier

Entrevistas com grandes nomes da música e da literatura, a citar Targino Gondim e Ariano Suassuna, muita poesia, notícias, agenda cultural, tiragem reduzidíssimas, distribuição mambembe, artes, entre tantas outras coisas. Esta foi a REVISTA VISÕES - MATERIALIZANDO IDEIAS, marco na vida estudantil de uma parcela dos alunos da segunda turma do até então recém-criado curso de Comunicação Social/Jornalismo em Multimeios da UNEB-DCHIII, em Juazeiro-BA, ali por volta dos anos 2005, 2006 e 2007. Na tentativa de ser uma espécie de laboratório para nós, aspirantes a jornalistas, a Visões acabou ganhando corpo com o passar do tempo, o que fez com que fosse dela iniciada uma "cadeia flutuante" de "barulhos" e debates no entorno da faculdade e, arrisco-me, até fora dos quatro muros da academia. Tudo era muito precário, as reuniões quase nunca serviam para decidir nada, os próprios membros costumeiramente não encaixavam seus pensamentos e opiniões, entre tantos outros detalhes aflorados numa "rebeldia" que, acreditem, tinha uma causa nobre, ou pelo menos pretendia. A formação inicial era composta pelos estudantes: Luis Osete, Paulo Melo, Josemary Nunes, Germano Xavier, Renê Salomão e Marcos Elder, mas, com o tempo, outras pessoas foram sendo recrutadas para construir junto o movimento que prezava pela liberdade de expressão. Impossível esquecer a felicidade do grupo ao ver a primeira edição saindo das máquinas copiadoras, a gente dobrando as folhas A4 ao meio, juntando as partes, a nossa comemoração pelas ruas de Juazeiro. Símbolo de um tempo bom, um tempo de um acreditar quase que ingênuo na profissão, um tempo de arregimentar reais ilusões. Ao quinteto mágico supracitado e a todos os colegas que fizeram juntos a Revista Visões, minha sincera e saudosa homenagem.

Clique nas imagens para ampliar:

Edição 1
Edição 2
Edição 3

Edição 4

Edição 5

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Um Mário maior



 Por Germano Xavier

No dia 20 de setembro do ano de 2005, a UNEB (Universidade do Estado da Bahia) exibiu o documentário sobre a vida de um dos maiores folcloristas deste país: Mário Souto Maior. A exibição ocorreu na Biblioteca Central do Campus III, em Juazeiro-BA. A produção é de três estudantes de jornalismo (Belga Coliobar, Gabriela Belém e Renata Falcão) e faz parte do projeto experimental de conclusão do curso de jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP).

O documentário tem como título “Como nasce um cabra da peste” e começa mostrando a cidade onde o folclorista viveu, Bom Jardim, localizada a 110 Km da capital pernambucana. Filho de um comerciante, Manuel Gonçalves Souto Maior, e de uma fazendeira, Maria da Mota Souto Maior, Mário nasceu em 14 de julho de 1920 e teve uma infância comum a qualquer outro menino de sua idade criado no interior. Quando adolescente foi morar em Recife para estudar, pois seu pai acreditava que a instrução era muito importante. Teve uma adolescência solitária e seus únicos companheiros eram os livros, apesar de engajado nos grêmios literários montados por ele e seus amigos do colégio. Já rapaz, conheceu Carmen, com quem se casaria e teria sete filhos, realizando o sonho de constituir uma família.

Atuou como advogado, promotor e professor. Quando retomou o sonho de voltar a escrever seus textos, teve o incentivo de Gilberto Freyre. O documentário ainda traz depoimentos de escritores como Raimundo Carrero e da antropóloga Fátima Quintas, que o define como um grande etnólogo. A produção ainda traz a participação de Carmem e dos filhos Fred e Lis Souto.

Os cerca de 80 livros de Mário Souto Maior edificam e resgatam os costumes e as tradições do povo nordestino. E tratam de temas do cotidiano da vida destas pessoas, como os relacionamentos entre homens e mulheres, o sentido da sogra, o significado dos palavrões, a importância da cachaça, entre outros. Por falar em palavrões, o interessante é que, segundo os parentes e amigos, Mário jamais pronunciou um. Porém lançou o Dicionário Palavrão, impedido de ser publicado pelo golpe militar. No que concerne à cachaça, Mário era um colecionador da iguaria alcoólica. Retratou em quatro livros as diversas histórias da aguardente e não gostava de beber.

A mania de ler e escrever era tão grande, que Mário tinha um escritório no fundo do quintal. Ouvir música e tocar piano foram outras paixões do escritor. Quando muitos afirmavam que o folclore estava morrendo devido às novas tecnologias, chegava a ser categórico ao dizer que todas as ciências foram antecipadas pelo folclore e que o folclore é um "ser imortal". Imprescindível é conhecer a obra desse grande homem e não permitir que sua memória morra. Como disse Mário, “os novos mortos morrem pela segunda vez quando os vivos os esquecem”. O documentário contribui para que isso não aconteça.

domingo, 1 de julho de 2012

Hábito de ler e sociedade fast-food



 Por Germano Xavier

“Um país se faz com homens e livros”. Deste modo escreveu Monteiro Lobato, autor da saga do Sítio do Pica-Pau Amarelo e tantos outros clássicos da literatura tupiniquim, relatando a importância e o papel social-transformador do simples ato de debruçar os olhos sobre as páginas de um livro. O ato de ler é essencial à vida e a qualquer área do conhecimento, desde viabilizar a inserção social até possibilitar o desenvolvimento cognitivo do ser humano. A prática ou não da leitura reflete diretamente na vida de cada indivíduo. “Ler é transformar, revolucionar, transgredir”, explica o pedagogo formado pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Edeil Reis do Espírito Santo.

O Brasil, assim como a maioria dos países em desenvolvimento, possui uma tradição de leitura fundamentalmente elitista. No nordeste, as consequências negativas provenientes de tal costume são ainda mais comprometedoras. “Enquanto o governo insiste em exaltar números fantásticos concernentes à redução da taxa de analfabetismo no território nacional, estima-se que 60% da população brasileira é composta por analfabetos funcionais, o que quer dizer que aproximadamente 115 milhões de pessoas não adquiriram a capacidade de compreender o que lêem”, acentua Francisco de Assis, professor de Leitura e Produção no campus de Petrolina da Universidade de Pernambuco (UPE). Chiquinho, como é mais conhecido no ambiente acadêmico, diz que, com isso, multiplicam-se as críticas à metodologia usada pelos educadores durante a formação do aluno-leitor. A professora do ensino fundamental da cidade baiana de Juazeiro, Daise Magnólia, diz ser essencial encaminhar o aluno para além da decodificação dos códigos lingüísticos, aumentar a sua experiência de leitura, fazendo com que ele possa decifrar o que está subentendido no texto e, principalmente, fazer com que a criança ou o adolescente desenvolva a consciência da função social desse ato.

Para que esta mudança de postura seja devidamente efetivada, faz-se necessário a procura por novos métodos de incentivo à leitura por parte das instituições de ensino e educadores. De acordo com Maria Terezinha, professora da Escola Recanto do Pequeno Príncipe, o objetivo atual do professor das séries iniciais não é o de alfabetizar apenas, mas também de encurtar o caminho de cada criança em direção ao letramento. “Estamos trabalhando a partir da linha de pensamento da psicogênese da língua escrita, na qual é considerado que cada aluno já traz consigo, ao chegar à escola, algum saber sobre a construção da escrita, ação conseqüente ao ato de ler. Tudo isso no intuito de entender o contexto em que cada estudante está inserido, sempre percebendo a heterogeneidade das classes, e assim poder dizer a eles que os atos de ler e escrever possuem uma finalidade em si, ou seja, encerram uma espécie de recompensa”, assegura.

Os professores perceberam, também, a importância de se trabalhar com uma maior variedade de tipos textuais, assim como elevar o tempo destinado à leitura, para fazer com que se desenvolvam comportamentos leitores e escritores no corpo discente. “É claro que a responsabilidade maior fica a cargo do professorado, posto que são o espelho e a referência, porém é fundamental admitir que o auxílio dos pais deve ser incondicional no desempenhar da missão de incentivadores”, conta a educadora.

“É dentro de casa, vendo o exemplo dos pais ou dos parentes mais próximos, que as crianças irão começar a ter interesse pela leitura. Se elas costumam ver os pais lendo, acabarão percebendo que o livro é parte integrante da casa, e não só um objeto decorativo e supérfluo”, declara o estudante Romário Antônio de Alencar, hoje cursando o 2º ano do ensino médio no Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães, acrescentando que aprendeu a gostar de ler através das historinhas e dos livros infantis que a mãe lhe mostrava.

Com o intuito de aproximar a comunidade do ambiente escolar, a Secretaria de Educação de Juazeiro desenvolve, ainda em formato embrião, o Projeto Contos. “É uma proposta nova, na qual os professores comparam as diferentes linguagens empregadas na exposição de contos clássicos da literatura mundial. O programa é realizado em praças públicas e visa tornar o hábito da leitura presente e prazeroso, principalmente entre os jovens”, ressalta a secretária de educação do município, Walquíria Souza de Brito. Além disso, a repartição acertou uma parceria com a empresa de formação e capacitação de educadores Abaporu, no desígnio de aprimorar a técnica dos professores, o que, decerto, tenderá a gerar um progresso substantivo nesse aspecto.

Todavia, a situação ainda é pouco confortante. Para Maria Batista, professora e mãe de dois alunos do Centro Educacional Girassol, a escola deveria desempenhar a função de incentivadora, mas não tem feito da melhor maneira. “A escola não tem despertado o prazer da leitura, o livro paradidático ficou sendo um instrumento de avaliação e os professores passaram a cobrar resumos e fichas de leitura. Mesmo crianças que gostavam de ler na primeira infância perderam o prazer na escola, porque os alunos ficaram com a obrigação de responder questões superficiais sobre os livros”, comenta a instrutora.

Além do modo de ensino retrógrado usado pelas escolas, a diminuta influência familiar, a dificuldade no acesso a livros, revistas e jornais, outro fator tem contribuído para o desprezo frente ao hábito elevador e sadio da leitura: o ciberespaço. “Estamos atravessando a fase da ‘escola do espetáculo’, onde a palavra vem sendo substituída pela tríade imagem, som e movimento, perdendo espaço enquanto ferramenta de mediação comunicacional. Uma sociedade de espectadores viciados, hedonistas e consumistas está sendo gerada numa velocidade inimaginável. Por conseguinte, o tempo para o prazer está cada vez mais reduzido. Não tenho dúvidas que é esta ‘sociedade fast-food’ a causa maior da redução do número de leitores no mundo. E que para revertermos esse quadro será muito, mas muito difícil”, enuncia Edeil Reis.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Nova publicação na Chapada Diamantina


 Por Germano Xavier

A revista VIVA MAGAZINE - ORIENTANDO VOCÊ, com sede na cidade de Seabra-BA, surge no cenário de publicações periódicas da Chapada Diamantina com caráter de novidade - mas de um novo com cara de velho, convenhamos. De acordo com informações colhidas no editorial do próprio veículo, inicialmente a tiragem mensal está estimada em cerca de 12 mil exemplares, em policromia e com o conteúdo sendo distribuído em 48 páginas. A primeira edição traz uma imagem sobre a seca que assola a região estampada em sua capa. As matérias, de variados temas, são bem apresentadas, possuem boa logística de diagramação e edição, o que não se pode dizer do conteúdo de algumas matérias, que "cheiram" a matérias pagas pela administração de algumas prefeituras locais ou outros tipos de órgãos, apresentando tom elogioso e de credibilidade duvidosa. O destaque vai para as matérias de cunho histórico-jornalísticos escritas por Renato Luís Bandeira e Ivan Guanaes, escritores já bem conhecidos nesta porção territorial da Bahia. A VIVA MAGAZINE vem se juntar a revista Noite & Dia, aos jornais Correio Chapada e O Equador das Coisas, este último voltado para a divulgação literária e artística, e pretende aumentar o conjunto de mídias informacionais chapadeiras. É esperar para conferir as próximas edições.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

No reino do barro e da criação



 Por Germano Xavier

O perfil jornalístico parece um recurso fácil para um escritor que resolve fundar um reino dentro de uma realidade objetiva ou, ainda, “mitificar” uma personagem. Coragem é o que não falta a Emanuel Andrade, salgueirense radicado em Petrolina, que após inúmeros encontros com a louceira Ana Leopoldina dos Santos, a Ana das Carrancas, resolve documentar a trajetória de vida e criação de uma das mais ilustres artesãs do nordeste brasileiro. O livro A Dama do Barro é um retrato, dentre vários possíveis, de uma sertaneja que, mesmo atravessando os difíceis obstáculos de uma existência sem regalias, soube gerar um novo mundo a partir das suas necessidades. O que não é desencontro num lugar onde o tempo nega-se à linearidade, ao menos o da perfilada - as informações da evolução da narrativa recuam, antecipam-se -, perde-se no que parece essencial, justamente para que o leitor possa, ele mesmo, andar por um universo artístico produzido por uma mente iluminada. Nas condições em que transcorre seu percurso de fugas, sempre no anseio de uma situação mais digna para se viver, Ana escancara momentos que marcariam profundamente o seu destino, como as viagens que fizera às cidades de Picos e Petrolina, o casamento com o deficiente visual José Vicente de Barros, o encontro “fantástico” com o rio São Francisco e a realização de seu maior sonho: a construção do Centro de Arte e Cultura Ana das Carrancas. A multiplicidade de olhares e significados atribuídos às misteriosas carrancas faz o próprio autor, na apresentação, procurar o que traria unidade ao livro, “uma história que tocará aqueles que têm sensibilidade para com a beleza que ainda existe no centro, ou no fundo do coração, do ser humano; o qual enxerga, com olhos bem acesos, a arte como outro ponto de partida para tudo que é belo no horizonte da vida”. Toda a carreira desta “sertanartista” nascida no Sertão do Araripe, suas perdas e suas glórias, sua devoção ao barro (matéria-prima de suas iluminações) é, sem dúvida, o leitmotiv para o livro que pretende relatar boa parcela do universo intempestivo de uma mulher que veio ao mundo disposta a ser, literalmente, maior do que a vida.


Texto publicado no Jornal Laboratório Cobaias (Publicação UNEB/DCHIII/2007)

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Panorama comunicacional boliviano



 Por Germano Xavier

→ Breve histórico do país
A Bolívia é um país que pertence à América do Sul. Limita-se a norte e a leste pelo Brasil, a sul pelo Paraguai e pela Argentina e a oeste pelo Chile e pelo Peru. Tem como capitais, Sucre e La Paz. É um país sem litoral, considerado o mais pobre de todas as nações da América do Sul, possuindo baixos índices sociais. Também possui a segunda maior reserva de gás natural do continente, apenas superado pela Venezuela.

A população é predominantemente indígena ou de origem indígena, o que faz da Bolívia um país multicultural. Fora das maiores cidades, é comum não se entender espanhol. O povo boliviano é bem receptivo. Quem vai ao país tem que mascar folha de coca e beber chicha; lembrando que a folha de coca é sagrada, receba sempre com as duas mãos.

REPÚBLICA DA BOLÍVIA
• Nome Oficial: República da Bolívia.

• Superfície: 1.098.581 km².

• Situação geográfica: América do Sul.

• Limites: Está atravessado pelos Andes e limita a oeste com Chile e Peru, ao norte e ao leste com Brasil e ao sul com Paraguai e Argentina.

• População: 9.427.000 habitantes (2004)

• Capital: Sucre é a capital constitucional da República e sede da Corte Suprema de Justiça. A sede do governo está em La Paz onde residem também o poder Legislativo e as Embaixadas estrangeiras acreditadas.

Bandeira: Três linhas horizontais de cor vermelha, amarelo e verde.

Moeda: Boliviano

Principais cidades:
Santa Cruz de la Sierra (1.135.526 habitantes);
La Paz (1.004.440);
Cochabamba (517.024);
Sucre (215.778);
Oruro (215.660);
Tarija (153.457);
Potosí (145.057).

→ Comunicação Boliviana
Os meios de comunicação direta, a mídia alternativa e mídias impressas, eletrônicas e digitais da Bolívia, não são acionadas de forma articulada, bem pensada em busca de espaços para visibilidade pública de resultados. O jornalista boliviano, sozinho, não dá conta de fazer escolhas, indicar caminhos, mediar conflitos, pois não possui uma formação sólida, com base conceitual, conhecedora da sociedade. As áreas profissionais, jornalismo, publicidade, propaganda, relações públicas, radialismo, televisão, editoração, multimídia, produção audiovisual digital têm todo um campo fértil aí, em que essas mídias podem ser criadas e recriadas.

Segundo Alejandro Grimson, licenciado en Ciências de la Comunicación e professor de la Faculdade de Ciências Sociales de la Universidad de Buenos Aires, o jornalismo praticado no Estado boliviano é deficiente, igual e reduzido à reprodução de paradigmas estrangeiros, com pouca originalidade, sem grandes novidades, inapto à defender o seu povo culturalmente e ineficaz na construção de uma cadeia flutuante de significados. Poucos meios defendem os interesses de uma massa marginalizada décadas a fio. Nada se faz para proteger o nativo, mas muito produz-se no âmbito de satisfação internacional. Desse modo, a fomentação de uma identidade boliviana fica prejudicada terminantemente.

Para Luiz Ramiro Belttran, estudioso das comunicações na América Latina, o rádio popular da Bolívia, ainda consegue lutar pelos direitos dos campesinos. Todavia, a verdade é que nenhuma esfera da comunicação boliviana destina-se uma boa parte de seu olhar para o seu povo, para a sua cultura, para o seu universo, o que é extremamente prejudicial.

Atualmente é difícil compreender a vida dos grupos sociais bolivianos sem os meios de comunicação de massa, os quais encontram-se pouco inteirados ao cotidiano das pessoas. Assim, a relação, que se estabelece entre as pessoas e os meios de comunicação, merece ser estudada, pois esse processo envolve uma (des)subjetividade, influências culturais, sociais, entre outras.

Ao analisarmos as transmissões das rádios e das emissoras de televisão localizadas em cidades da Bolívia, estaríamos extrapolando assim a questão de que não é na geografia que se localiza a fronteira, uma vez que o território pode ser entendido como um espaço de criação e recriação da sociedade, do povo e dos grupos.

Pouco se mostram diferentes do modelo brasileiro. As emissoras de televisão, rádio e também os impressos, acabam por corroborar um ideal de jornalismo norte-americano, baseado na espetacularização, sempre seguindo regras e normas já consagradas.

16 periódicos impressos (encontrados na pesquisa) que circulam no território boliviano. São eles:1) Correo del Sur ( Jornal de Sucre)

2) Diario Hispano Boliviano (Jornal Espanhol com extensa cobertura dos acontecimentos bolivianos).

3) El Deber Diário Mayor (Jornal de Santa Cruz de la Sierra)

4) El Diario (Jornal da capital La Paz, de circulação mundial)

5) El Nuevo Día (Jornal de Santa Cruz de la Sierra)

6) El País

7) El Potosí (Jornal de Potosí)

8)La Estrella del Oriente (Santa Cruz)

9) La Patria (Jornal da cidade de Oruro)

10) La Prensa (La Paz)

11) La Razón (La Paz)

12) Los Tiempos (Jornal de Cochabamba)

13) Periódico Jornada (La Paz)

14) Petroleum World News (Notícias sobre o setor petroleiro)

15) Pulso Digital (Semanário on-line)

16) Washington Post – Bolivia (Filial - É escrito em Inglês)

Canais de Televisão:
1)Canal 39 (Santa Cruz de la Sierra) Exibe noticiário/novelas/séries/musicais...

2)Gigavision (Atinge todo o território boliviano) Idem ao anterior

3)Megavision Cana 118 (Santa Cruz de la Sierra) Reprisa vários programas do Multishow

4)Red.A.D.venir (Programação Religiosa)

5)Unitel TV (Só notícias)

31 emissoras de Rádio bolivianas (encontradas na pesquisa). Entre elas, estão:
1) Rádio Panamericana (Esporte 24 horas)

2) Rádio Fides 2001

3) Rede de notícias ERBOL (74 filiais)

4) Rádio Estrella 93.1 Cochabamba

5) Rádio Latina

6) Rádio Fm Bolivia (Só música boliviana)

7) Rádio Pío XII (Programação religiosa)

8) Rádio Kollasuyo (Informações sobre a mineração)

9) Radio Fm Bolivia Musica Boliviana las 24 Horas (Música e Esporte)

Trabalho da disciplina "Panorama Latino-Americano da Comunicação" (2007)

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Cidades sem música "erudita"



Por Germano Xavier

Juazeiro e Petrolina tem déficit na cultura da música dita “clássica ou erudita”

“Não sei nada sobre música erudita”, pragueja a estudante de História Lilian Silva, de supetão, quando abordada por nossa equipe. Talvez ela nem desconfie da significação de sua frase, mas as palavras proferidas por ela, naquele momento, representam o conceito predominante acerca de um segmento musical mais apurado e que é compartilhado pela maioria da população brasileira, do nordeste e, para afunilar ainda mais, das cidades de Juazeiro e Petrolina. Ainda hesitante, devido à nossa presença, Lilian continua a construir enunciados, na tentativa de opinar sobre as fronteiras existentes entre o que poderia ser considerado “popular” ou “erudito”, dizendo: “Acho que as pessoas consideram o que é popular tudo aquilo que é diferente do erudito... como se o que fosse oriundo do povo não pudesse ser tido como “clássico” ou “rebuscado”... como se “clássico” fosse apenas o que é “refinado”. Isso é evidente. Se você falar em cultura como manifestação artística, invariavelmente você estará falando de duas facetas, o “clássico” e o “popular”. As pessoas sabem que existe uma espécie de divisão, mas creio que não seja algo ainda claro nas suas cabeças”.

O termo “música clássica” é sabido até por quem nunca ouviu falar de seus maiores representantes, porém ainda é pouco entendido. Para Marivaldo Pereira dos Santos, vendedor da papelaria Bom Pastor, em Juazeiro, “clássicas” são as músicas instrumentais e as evangélicas. “Eu tenho, para mim, que os corais das igrejas, o gospel , as bandas das escolas, as filarmônicas e os chorinhos são os verdadeiros “clássicos”, conjetura o comerciante, de chofre. Parece que o inconsciente coletivo, até aqui, revela-se de tal maneira imperativo, regendo uma turba de declarações. Todavia, de acordo com os especialistas, que também não chegam a um consenso, o “clássico” vai além dessas definições.

Para o professor de piano, Josué de Belisário, estudos sobre o assunto deixam transparecer, pelo menos, três definições para o termo “música erudita”, ou “música clássica”. Acerca da primeira delas, segundo ele presente em muitos dicionários, Belisário explica: “Esta define e restringe a música erudita como sendo música ”séria", em contraponto à música popular, esta vista como sendo música folclórica, música ligeira, sem grandes demandas em sua composição”. Tal definição, talvez, não seja a mais justa a se fazer, isto se considerarmos que um gênero musical, para ser sério, não precisa, necessariamente, ser ou assemelhar-se à música “erudita”.

Considerada como contrária à música popular e como “digna de respeito”, a música clássica apresenta como características de sua segunda definição tanto a clareza e o equilíbrio, quanto a objetividade na sua estrutura formal. “Embora se diga que ela possui a capacidade de eliminar qualquer expressão ou manifestação de subjetividade, emoção exagerada ou a falta de limites de uma determinada linguagem musical, o espectador dela procura, geralmente, emoção, fruição estética e surpresa, ou algum estímulo intelectual, reflexivo e filosófico, na linha de muitos compositores contemporâneos, o que acaba sendo um tanto que contraditório”, complementa o professor.

Perguntada se há uma espécie de segregação quanto aos gêneros musicais, a estudante de psicologia, Leilane Paixão, conclui: “Música popular é algo que é comum a todas as camadas de uma sociedade. Digamos que este segmento consegue ser acessível a todos, em igual frequência. Música erudita me passa a impressão de ser algo mais culto e não tão acessível e presente às camadas ditas “populares”, mas a uma classe mais burguesa, sabe.. mais intelectualizada e com uma maior aquisição financeira. Não conheço e jamais ouvi falar em algum projeto que incentivasse o estudo, a pesquisa e a prática da música clássica nas duas cidades. O que se percebe são eventos esporádicos, geralmente motivados por alguma comemoração maior ou alguma festividade tradicional. É quando se consegue enxergar uma ou duas bandas filarmônicas tocando nas ruas. Isto está mais do que claro, a gente não vê mesmo esse tipo de produção”.

Quando já íamos nos despedir e agradecer pela entrevista, Leilane levanta a voz e diz: “Ah, olha, vocês sabem como eu entrei em contato com esse estilo musical? Não? Pois vejam... primeiro que, quando era criança, costumava assistir àqueles desenhos da Disney... Mickey e Pato Donald, por exemplo. Não sei se já repararam, mas muitos episódios tinham como trilha sonora a música clássica. Recentemente assisti ao filme ”O Segredo de Beethoven" e me apaixonei pela história dele. Ele era praticamente surdo, e a música saía de dentro dele, sabe... super fascinante! Ele disse que só aprendeu a se escutar, quando perdeu a audição, e fez composições maravilhosas assim, mesmo surdo. Ele era esplêndido, fez músicas que tocam a alma. Gosto de coisas profundas assim...e a relação com os desenhos animados que citei, está justamente no fato de que eles passavam várias músicas de Beethoven”.

Ainda no âmbito de tal questionamento, a pedagoga Joana Moraes, que diz comprar e ouvir discos eruditos com freqüência, como os de Mozart e os das Sinfonias de J. Paiva Neto, é ainda mais enfática. “Música e cultura popular são derivados da cultura da massa, do povo. Já a música e cultura erudita são derivadas de algum movimento intelectual”, diz, sem titubear. Joana, nesse instante, ainda interage ironicamente com nossa equipe de reportagem, dizendo: “Olha, eu conheço alguns projetos executados em escolas de ensino público. Vocês nunca ouviram falar? Os alunos ouvem música clássica enquanto brincam. Acreditem! Mas isso é em São Paulo, e foi presenciado quando estive por lá”. O que as duas tem em comum entre si e com a maioria das pessoas entrevistadas, é justamente a idéia de que há, sim, uma diferente agregação de valor e, digamos, de respeito por parte dos dois modelos.

Esse tipo de música é mais facilmente entendida no ambiente acadêmico e exige, tanto de seus mestres quanto de seus aprendizes, um conhecimento satisfatório das partituras e de todos os seus meandros. “Alguns musicólogos adoram dizer que o termo "clássico" deva ser destinado somente à música erudita produzida no período que se estende de 1750 a 1809, a chamada “Era Clássica da Música”, corrobora Josué de Belisário. Para Rodrigo D’Lucca, professor de música, não há palavras para descrever a música clássica. “Ela é profunda, através dela você acalma o espírito e transcende tudo. Porém, infelizmente, o que vemos é um certo descaso perante esse gênero tão rico e bonito”, declara ele.

“Os meios de comunicação costumam dar espaço ao que dá lucro, ao que a massa gosta. É dado pouco espaço para a música erudita porque poucos conhecem a sua importância e seu berço”, retruca Joana, que entrou para esse universo através dos livros biográficos dos grandes nomes da música erudita do seu avô. Joana defende que o contato com esse tão rareado gênero faz-se pertinente na finalidade de elevar o conceito de mundo do ser humano em geral. “As pessoas preferem escutar "Rebelde", "Calypso" e "Psirico". Nada contra, sabe... mas é que,digamos, a música de boa qualidade tem sido de certa forma escanteada, perdida e deixada de lado. Também pelo fato de ser algo de alto custo, sabe... assistir a um concerto deve ser caríssimo!”, fala, entre risos e olhares irônicos, Leilane. “Tiro pelos shows de MPB... é claro que no nosso país a música popular, como o pagode, o samba, o arrocha, entre tantos outros, vai prevalecer, sabe... porque não é algo caro e dispendioso, e rende pra quem promove, entende? É claro que isso não impede a mídia de divulgar com mais eficiência a música erudita. Mas, eu pergunto, divulgar pra que público?... O problema é esse...”, finaliza.

De acorco com D’Lucca, tanto a cidade baiana quanto a pernambucana têm um grande potencial para esse tipo de música. “Os jovens principalmente, têm interesse, o problema é que eles não conhecem”, diz. Ele acredita que as rádios locais não apoiam a divulgação da boa música. “O bom gosto pela música vem de família, a educação musical tem de começar desde a barriga, quando a criança ainda é bebê... e as rádios só tocam besteirol, músicas sem qualidade. Aí ninguém vai mesmo gostar de música clássica”, argumenta.

Embora não pareça, o público jovem aprecia a música clássica na região. Rodrigo informa que comanda 520 alunos, e que todos passaram a gostar desse tipo de música quando conheceram e quiseram aprender a tocar instrumentos clássicos. José de Arimatéia Jr, funcionário da loja “Mundo do Som”, diz que os instrumentos utilizados para a execução de músicas “eruditas” como o violino, o violoncelo, o baixolão, instrumentos de sopro, a clarinete, o trompete, o baixo e o sax, são muito vendidos entre a clientela mais jovem. “A região tem alguns centros de ensino de música clássica como, por exemplo, a Academia Livre de Música, que funciona na rua Antônio Pedro, o grupo Nego D’Água no Kidé e o Villa-lobos. E tem também a professora Bebela que ensina piano. Mas ainda é pouco, muito pouco, quase imperceptível diante da grandeza dessas duas cidades!”, exclama o professor.

“Eu não acho que todo mundo seja obrigado a gostar de música clássica. Estamos falando de cultura, não é mesmo? Então, essa dita "importância" torna-se algo bastante relativo. Mas, falando sob o meu ponto de vista e de minha experiência, eu penso que é essencial que se produza “música de verdade”, boa para os nossos ouvidos já tão maculados por “lixos”, vocifera Leilane, que diz conhecer pessoas que tocam e convivem no universo desse estilo musical. Lilian acredita que as pessoas têm de ter conhecimento das manifestações de arte, tanto as locais quanto as globais, que são produzidas ao longo do tempo. Para ela é necessário saber que este tipo de música nasceu em um contexto que teve influências das idéias de um tempo e das pessoas de uma época. “É uma forma de conhecer melhor o passado e, ao mesmo tempo, acompanhar a mudança ocorrida dentro de um complexo social... nisso acrescentando gêneros menos difundidos e, também, os mais apreciados”, exemplifica.

“Com a vinda da Família Real para o Brasil, tivemos um bom incentivo às práticas musicais e José Maurício Garcia logrou destaque como o primeiro importante compositor brasileiro. Mas mesmo com todo esse avanço, ainda no século 19, discutir música erudita brasileira era motivo de piada. Aí veio Villa-Lobos pra nacionalizar a música no Brasil, introduzindo-a e consolidando-a”, pronuncia Belisário. O certo é que mesmo hoje, em pleno século 21, Juazeiro e Petrolina ainda são cidades que não perceberam o devido valor da música clássica ou erudita ou de concerto, muito talvez por causa de suas histórias ou de suas situações político-econômicas. Fato não muito esdrúxulo para uma população que não aprendeu a render aplausos e reverências nem aos seus conterrâneos e artistas locais, tampouco ao seu Samba de Véio, aos seus rabequeiros, aos seus maracatus, aos seus gênios anônimos. Então, fica a pergunta: o que esperar daqueles que cultuam o “refinamento”, hoje vistos como Quixotes lutando contra moinhos de vento?

Reportagem escrita em 2008, com parceria de Ecliz Rodrigues e Álvaro Luiz.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

8ª Olimpíada Brasileira de Matemática em Iraquara

Alunos do C.E.M.T.L. fazendo a prova da 8ª OBMEP, em Iraquara-BA


 Por Germano Xavier

Na última terça-feira, dia 05 de junho de 2012, foram aplicadas as provas da primeira fase da 8ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas. De acordo com o site oficial da OBMEP, "A OLIMPÍADA BRASILEIRA DE MATEMÁTICA DAS ESCOLAS PÚBLICAS (OBMEP) é um projeto que tem como objetivo estimular o estudo da matemática e revelar talentos na área. (...)Iniciada em 2005, a OBMEP vem crescendo a cada ano criando um ambiente estimulante para o estudo da Matemática entre alunos e professores de todo o país. Em 2011, cerca de 18,7 milhões de alunos se inscreveram na competição e mais de 98% dos municípios brasileiros estiveram representados. Os sucessivos recordes de participação fazem da OBMEP a maior Olimpíada de Matemática do mundo."

(A bem da verdade é que fica a desconfiança da real validade de tais projetos num país onde a educação ainda é vista com absoluto descaso e negligência, como é o caso do Brasil).

terça-feira, 5 de junho de 2012

Os lixões e a Chapada Diamantina


 Por Germano Xavier

Mês passado um antigo colega de escola me apresentou seu Projeto de Pesquisa para conclusão do curso que está terminando, na área de Gestão Ambiental, e desde então fiquei pensando no teor e na utilidade de sua proposta. A pesquisa versa sobre soluções possíveis e viáveis acerca do aproveitamento e da reciclagem do lixo produzido na cidade de Iraquara-BA, assim como de outras cidades do entorno. Ainda com as ideias do amigo perambulando na cabeça, fiz questão de fotografar alguns lixões de algumas cidades durante uma recente viagem que fiz até a cidade Uibaí-BA para tentar justificar a enorme praticabilidade de seu projeto. O lixo é hoje um problema internacional e tem dado dor de cabeça a muitos governos mundo afora, desde o processo de coleta até o armazenamento e/ou destinação final. Cidades de pequeno porte, como é o caso das urbes da Chapada Diamantina, que deveriam fazer trabalhos exemplares neste setor, já que a dimensão do problema é ínfima quando comparada aos transtornos presenciados nos grandes centros, revelam propostas arcaicas de coleta e pouco ou nada fazem de novo quando o quesito diz respeito a ações de sustentabilidade - ou autossustentabilidade, como preferir - que realmente transformem o que atualmente significa apenas prejuízo em modelo de conduta social e de governabilidade. Só para citar outro fato que me ocorreu recentemente e que também reafirma a importância deste assunto. Voltando de Salvador em transporte coletivo, a moça que ia ao meu lado me pergunta, um tanto surpresa, no exato instante em que o veículo passava em frente ao lixão da cidade histórica de Lençóis-BA:

- Minha nossa, como pode isso? Uma cidade que se diz referência em atividades ligadas ao meio ambiente e turismo com um cartão postal assim tão triste, e logo na entrada da cidade?


sábado, 2 de junho de 2012

MAVE promove arte em Iraquara


 Por Germano Xavier

O MAVE (Mostra de Artes Visuais na Escola), projeto elaborado pelo arte-educador e artista visual Jaílton Jack, em parceria com Kátia Regina e Ana Elza, teve sua culminância na noite da última terça-feira, dia 29 de maio, no pátio do Colégio Francisco de Assis, na cidade de Iraquara-BA. Na ocasião, três jurados avaliaram as obras e logo depois aconteceu a premiação dos melhores trabalhos realizados por alunos do Ensino Fundamental II do referido estabelecimento de ensino. A iniciativa tem caráter de pioneirismo e pretende ampliar o sentido do fazer artístico entre os estudantes e, por conseguinte, em toda a população iraquarense.


Jurados: Agnaldo Júnior, Branco e Germano Xavier

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Escritores iraquarenses são homenageados em projeto escolar


 Por Germano Xavier

A cidade de Iraquara-BA, Chapada Diamantina, completará 50 anos de emancipação política no dia 5 de julho de 2012 e, como não poderia deixar de ser, algumas homenagens serão prestadas à sua história ao longo do referido ano. Uma delas é o Projeto "Iraquara Mostra Sua Cara", realizado por educadores e alunos do Colégio Francisco de Assis (CFA). A ideia inclui o desenvolvimento de variadas sequências de trabalho, onde cada turma ficará responsável por uma temática específica. O 4º Ano do Ensino Fundamental I, por exemplo, fará um estudo envolvendo alguns escritores da terra, que desembocará na produção de álbuns biográficos e, consequentemente, na exposição do material nos dias de culminância dos festejos citadinos. "Pensamos em fazer algo que realmente mobilizasse toda a escola, tanto que é ele (o "Iraquara Mostra Sua Cara") é agora um projeto institucional. Daqui por diante não vamos deixar a história local de fora do âmbito de nossa escola, pois é importante agregar conhecimentos de nossas localidades ao currículo tradicional", relatou Ângela Pereira Oliveira, coordenadora do colégio. No tocante a tais acontecimentos, foi realizado no dia 21 de maio de 2012 um encontro regado a chás, chocolate quente e muita conversa com os escritores locais Nélson Neves, Zélia Ribeiro Coutinho e Germano Xavier, que foram entrevistados pelos estudantes em três rodas de debate. Dos escritores, foram colhidos dados como a data de nascimento, fatos relevantes da infância e adolescência, escolaridade, profissão, dados marcantes de suas vidas, entre outras informações que servirão de base para a construção dos respectivos álbuns. "Estamos pensando também em realizar um jogral, conseguimos através do apoio da Banda Filarmônica de Iraquara fazer a melodia do hino da cidade, que contará também com um coral para a sua apresentação. O projeto "Iraquara Mostra Sua Cara" também irá versar sobre culinária, ervas medicinais, saberes populares, paródias e será apresentado integralmente através de um desfiles pelas ruas da cidade", reforça Ângela. "Infelizmente, por falta de tempo, fizemos apenas o mapeamento de escritores da sede, mas sabemos que há muitos escritores também na zona rural. Convidamos Maria Neta, Ângelo Mattos e outros, mas estes não puderam comparecer por motivos de saúde. Este ano estamos enfatizando mais o universo da leitura através de projetos institucionais, gincanas, feira de livros usados... e a nossa intenção ao trazer escritores para a escola é justamente a de incentivar ainda mais a prática da leitura em nossos alunos", acrescentou Ana Elza Medeiros, gestora do CFA. A professora do 4º Ano, Luana de Souza Rocha, disse ainda que "além de todos estes encaminhamentos, houve a preocupação de se trabalhar em sala de aula os gêneros, tais como o da entrevista, que serão utilizados pelos alunos durante todo o processo e que servirão de veículo para acessar um maior números de fontes de informação".

APLB em Souto Soares trabalha em prol de mais cidadania


Por Germano Xavier


Basta o mínimo rumor acerca de alguma movimentação grevista na educação da Bahia e lá está ela junto aos holofotes, estendendo bandeiras, cartazes, levando milhares de pessoas às ruas e reivindicando melhorias frente aos governos vigentes. A APLB (Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia) nasceu oficialmente em 24 de abril de 1952 e desde os mais remotos anos de sua existência vem servindo de periscópio vigilante para esta categoria profissional - a de professor - que vem perdendo o prestígio com o passar das gerações, devido a diversos fatores, muitos deles de ordem - ou desordem - governamental. Na pacata cidade de Souto Soares, na Chapada Diamantina-BA, a sucursal da APLB existe desde meados de 2002. Vilma Pires, secretária do núcleo APLB na respectiva urbe, revela que nem só de greve vive o sindicato. "No começo, não havia um local apropriado, ficava todo mundo em sala de aula e a gente se desdobrava para atender essa parte sindicalista. Muita coisa aconteceu de lá para cá. Em 2011 nós criamos um plano de trabalho onde um dos objetivos era o de fazer vários tipos de pesquisa, para ver como está o andamento de vários aspectos dentro das escolas, como a merenda, transporte, etc. Num primeiro momento, fizemos este trabalho de averiguação da satisfação dos serviços escolares no âmbito das escolas municipais, com alunos do Ensino Fundamental II, mas para 2012 a ideia é atingir as séries do Ensino Fundamental I. Vilma conta que depois que é realizada a pesquisa de campo, todos os resultados são apresentados em assembleia, e é feito o balanço que irá servir para auxiliar no direcionamento de futuras ações. "Depois do primeiro semestre, a nossa vontade é de aplicar estes questionamentos novamente para fins de comparação, como se fosse uma segunda bateria. Sobre as assembleias promovidas por este núcleo APLB, por exemplo, quando a comunidade fica distante daqui da sede a gente marca com os professores e a APLB vai até lá para facilitar todo o processo de diálogo. Na verdade, o nosso trabalho é de olhar, cobrar, averiguar e conferir como tudo está acontecendo na esfera educativa, como também de protestar quando preciso. Quando olhamos para o passado, é fácil perceber que já conquistamos muita coisa com o apoio de todos, mas ainda tem muita coisa para ser conquistada", reforça Vilma. A coordenadora geral da APLB-Souto Soares é feita por Lélia Lúcia Batista. Sobre a greve atual dos professores da Bahia, Vilma diz que "a APLB apoia os professores pois acredita que tudo precisa melhorar. Na paralisação que aconteceu em março, nos dias 14, 15 e 16, que reivindicava principalmente o piso salarial, nós aderimos somente dia 16 por acreditar que iríamos prejudicar muito os alunos se paralisássemos por 3 dias. Nessa paralisação houve a participação dos professores do município e do Estado. Antes de irmos para as ruas nos reunimos e confeccionamos os cartazes. Antes disso, durante a semana contratamos carro de som e colocamos anúncio na rádio no sentido de mobilizar a categoria. Recentemente, também participamos de encontros em Seabra-BA. Enfim, estamos em prol da melhoria, sempre."

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Circo Tihany encanta em 3 horas de espetáculo


 Por Germano Xavier

Não, sinceramente não é um espetáculo para todos. Nenhuma novidade nisso, infelizmente. Como bem sabemos, cultura de qualidade no Brasil nunca foi um objeto para todos. Os preços dos ingressos são altos, com alguns lugares custando mais de 100 reais, mas é daqueles eventos que valem a pena cada centavo investido. Estou falando do espetáculo Abrakadabra, realizado pelo Circo Tihany Spectacular (antigo Circo Mágico Tihany), que está aportado na Avenida Paralela há algumas semanas, em Salvador-BA. A organização revela-se presente em todos os detalhes, a atmosfera mágica faz brilhar os olhos do mais insensível ser humano, o ar condicionado climatiza todos os calores internos antes de o início se dar. O público, enfileirado, é convidado a entrar para bem perto do picadeiro uma hora antes da apresentação inaugural. Aí uma chuva de funcionários dão o tom da espera, oferecendo as mais diversas guloseimas, como pastel, pizza, pipoca, algodão doce, maçã-do-amor e até brinquedos, a preços também bem salgados, como não poderia deixar de ser. Um depoimento audiovisual de Franz Czeisler, fundador do circo, serve de marco inicial e abre as três horas de fantasia e muito riso. Após isso, o que se vê é uma série de números de acrobacia, malabarismo, contorcionismo, dança, ballet, ilusionismo e palhaçadas. Infelizmente nos é proibido tirar fotos no interior do circo durante as apresentações. Fiquem aí com as poucas fotos que deu para tirar de um mísero aparelho de celular. Gostei mais do palhaço, dos acrobatas voadores e dos equilibristas. Há muita coisa para ser vista e para todos os gostos. Fica o convite. Quem puder, não deixe de prestigiar este time circense multinacional que é o Tihany. Circo com C maiúsculo.

domingo, 22 de abril de 2012

Carta aberta à comunidade iraquarense


 Por Germano Xavier

Os professores da rede estadual vêm, por meio desta, informar a todos os iraquarenses, e principalmente aos seus mais de 1.100 alunos, sobre a adesão à greve dos professores estaduais da Bahia. Reivindicamos o cumprimento do Piso Salarial Nacional para Professores Licenciados, e também a não aceitação do projeto de lei encaminhado à Assembleia Legislativa do Estado da Bahia, que tem como objetivo incorporar as gratificações ao piso salarial. Nós acreditamos que uma boa educação demanda maior comprometimento do governo e requeremos melhorias nas condições de trabalho do profissional da educação. Uma escola redesenhada para as novas preocupações da comunidade, capaz de funcionar de maneira mais flexível, e preocupada em revelar os melhores caminhos para a construção do conhecimento em cada indivíduo é, sem dúvida, a meta a ser alcançada com esta paralização. Nenhuma sociedade se constituirá bem sucedida se esta não favorecer o direito à educação de qualidade a todos os indivíduos. E o melhor caminho para isso é investindo seriamente na educação. O professor merece e exige ser mais valorizado!

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Jam Session em Lençóis empolga amantes da boa música


 Por Germano Xavier

Aconteceu na última noite de sábado, uma Jam Session na Casa Afrânio Peixoto, situada à cidade de Lençóis-BA, Chapada Diamantina. O evento foi promovido pela respectiva Casa em parceria com a ONG Grãos de Luz e Griô e alguns músicos brasileiros e norte-americanos, que deram o ar da graça com execuções belíssimas de canções em Jazz e Blues, ritmos e estilos musicais onde a capacidade de improvisação é um de seus maiores trunfos. Sueli Seixas, diretora da instituição que serviu de palco para o encontro, declarou que “desde 2008, quando foi inaugurado o Auditório Afrânio Peixoto, conserva uma intensa parceria informal com a Associação Grãos de Luz e Griô, para realização de eventos culturais variados, como o Jam Session que ocorreu no dia 14 de abril, e que foi simplesmente adorável". O público interagiu desde o início das apresentações e, ao final, foi todo para a frente do palco para uma despedida deveras empolgante. Douglas Adair (violão e voz), Cobblestone (bateria) e Mike Fansler (saxofone) completaram a banda formada na própria localidade chapadense. “Mike é maestro e tem o projeto de fazer um festival com bandas de sopro em 2014; mas eles também vieram para conhecer um pouco mais sobre os projetos sociais daqui da região. É a primeira vez que estamos aqui e tudo isso é muito mais um intercâmbio e uma abertura de perspectivas para futuras parcerias. Passamos em Nazaré primeiro, conhecemos uma filarmônica lá, depois viemos para cá”, disse Breno Pádua, gaitista da noite. Douglas Adair, que mora em Salvador já há alguns anos, mais conhecido pelos amigos como Doug, afirmou o interesse em promover pesquisas em prol do desenvolvimento social da população local. “O objetivo maior é atingir os jovens. E hoje é o início desta conversação. Fui músico em meu país por muito tempo, compositor, e agora venho desenvolvendo projetos sociais, econômicos, turísticos, entre outros”, disse. Luís Chaves, líder da banda Grãos de Luz e Griô, e também um dos violonistas da noite, corroborou a ideia de que o evento faz parte de um estudo que a associação da qual faz parte já vem trabalhando há algum tempo, e que se refere às origens da música negra no Brasil e no mundo. “A gente precisa saber melhor de que forma essas influências ajudaram a criar o que a gente chama hoje de Música Popular Brasileira e de que forma elas interferem em nossas vidas. Já fazemos exposições em escolas, assim como rodas de estudo e de debate por todo o município com essa finalidade. Produzimos Aulas-Espetáculo, ou seja, ensinamos tocando. A gente quer mostrar que a Black Music tem influências da África. Em nosso show, há imagens e sons desde a África até a formação do Blues nas mãos dos negros norte-americanos e que, com o passar do tempo, viu explodir um outro ritmo, o Rock’n Roll, que vem dessa raiz, mas que já simboliza a mistura de negros e brancos num país altamente racista. Nas aulas, a gente também enfoca o estudo dos sistemas sociais e econômicos, ou seja, a gente mostra como os Estados Unidos, a partir da Segunda Guerra Mundial, invade o resto do mundo, traz suas influências e como era a sociedade norte-americana, com aquele tradicional e canceroso ranço racista, principalmente no sul, onde surgiu o Blues, e como essa música ajudou a quebrar singelamente o racismo e como ela entra no Brasil e contribui para isso também. De forma didática, contamos histórias, fazemos dançar e ao mesmo tempo instruímos”, falou. Luís ainda destacou o trabalho da ONG que representa, que tem como meta criar e estabelecer um diálogo com a cultura tradicional, o presente e o passado, de trazer as sabedorias e os conhecimentos das parteiras, dos cantadores, dos reiseiros, dos tocadores e de pessoas que contribuíram para a sociedade, integrando nisso tudo a escola. “A gente pega mestres da tradição oral e local para expor um pouco de suas vidas aos alunos. Às vezes, as vidas dessas pessoas acabam se tornando o conteúdo que será trabalhado nas próprias salas de aulas por alguns professores”, finalizou.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Incêndios se alastram no Parque Nacional da Chapada Diamantina


 Por Germano Xavier

Há cerca de 10 dias que a região central baiana vem ardendo em chamas devido a incêndios na região do Vale do Pati, pertencente ao Parque Nacional da Chapada Diamantina. Equipes da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros, do Instituto Chico Mendes e brigadas tentam, de todas as formas, amenizar os prejuízos causados pelo fogo nesta que é uma das regiões mais bonitas e turísticas da Bahia. Segundo Silas Neves, brigadista voluntário e morador da localidade de Campos de São João, o trabalho de combate ao fogo já vem sendo feito há quase dois meses no entorno de Palmeiras, Andaraí, Mucugezinho e Pai Inácio. “A situação ficou crítica de uns cinco dias para cá. O morro do Pai Inácio pegou fogo completamente, até em cima dele está tudo queimado. O Vale do Capão também. Depois de muito esforço, conseguimos eliminar o fogo lá, mas agora é a Serra da Bacia que está pegando fogo. É muita serra para pouca gente, a gente cansa só de chegar aos locais onde o fogo está atacando. Precisamos de mais gente envolvida, de mais apoio. A gente trabalha se revezando. Tem uma linha de fogo enorme lá. Uma outra turma de brigadistas vai passar a noite trabalhando lá. A gente leva bomba d´água nas costas, muito cansativo, viu. E o pior de tudo é que ainda não estamos na época do fogo. A época de incêndios aqui é geralmente agosto e setembro”, diz Silas, que retornava de mais uma etapa de trabalho. O coronel Miguel Filho diz que todos os envolvidos na operação de combate ao fogo estão passando por muitas dificuldades. “O acesso aos locais é complicado, muitas fendas. Tem lugar que não dá para ir andando, só mesmo de helicóptero ou avião. Por isso mobilizamos o Grupamento Aéreo da Polícia Militar para fazer o lançamento deste pessoal nos locais mais afetados. O helicóptero faz o lançamento e recolhe o pessoal após o turno de trabalho. A jornada de trabalho começa às quatro horas da manhã e termina no início da tarde, quando o sol está muito intenso e as condições serem as mais desfavoráveis para o combate, temperatura muito alta, o que torna o trabalho quase inoperante. Os brigadistas trabalham mais na parte da noite. Ao todo são 15 bombeiros, 10 integrantes do Grupamento Aéreo, equipes de solo e cinco brigadas de cinco locais diferentes daqui da Chapada”, afirmou o tenente- coronel, comandante do 11º Grupamento de Bombeiros. Miguel diz ainda que não foram identificadas as causas para todos os incêndios, mas que se acredita em acidentes, ou seja, incêndios involuntários. “Não nos interessa estar combatendo o fogo. A gente quer fazer é um trabalho de prevenção. Mas, infelizmente, estas coisas ainda são recorrentes aqui na Chapada. Tem gente que não entende o perigo de se sair queimando coisas por aí. Apelo a todos para não atearem fogo em locais inapropriados, pois as condições climáticas não estão favorecendo esta prática. Tomem mais cuidado, por favor”, apela. Os dois aviões do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade estão saindo do aeroporto de Tanquinho/Lençóis-BA carregados de água, numa incessante rotina que não tem dia para terminar. Não há registro de morte e as atividades turísticas continuam normalizadas na maior parte do Parque.