sábado, 16 de julho de 2016

Manifesto do grito pela democracia!



Texto-montagem produzido pela turma 2014.2 do mestrado em Letras 
da Universidade de Pernambuco/Campus Garanhuns, 
apresentado em seminário da disciplina Literatura e Ensino, 
ministrada pelos professores Dr. Elcy Luiz da Cruz e Dr. Jairo Nogueira Luna.


Palavras não adiantam mais? Quantas defesas feitas para a nossa presidenta! E nada! Argumentos memoráveis, articulados, suntuosos... E nada! Como convencer quem não quer ser convencido? Será que palavras não adiantam mais? ADIANTAM SIM! Esse SIM não é o sim patético que ouvimos no Congresso Nacional há algum tempo, é o SIM de um grupo engajado na luta para fazer valer a palavra da defesa de um ideal democrático conquistado às duras penas pelo povo brasileiro.

Nós queremos liberdade. Queremos apenas expor nossas ideias, sem limites, sem prisões, sem exclusões. Queremos apenas o direito de ter nossos direitos garantidos. Não queremos mais do que isso. Queremos apenas LIBERDADE DE EXPRESSÃO, essa LIBERDADE de expressão que de uma forma golpista pode ser calada por facções que moveram uma guerra, apoiada por uma mídia avassaladoramente poderosa. Lamentável! Sigamos contra os oportunistas, contra os que querem sepultar a democracia. Não fiquemos inertes! O peso do chicote da censura poderá doer muito em nossas costas! O povo grita com medo da democracia escapar às mãos! Nossa democracia ainda engatinha, sendo um frágil rebento! “Os doutores da lei” querem nos tirar este rebento, querem nos roubar a última flor do nosso jardim, e querem que fiquemos calados. Nunca, jamais! Nosso grito ecoará na história!

Vamos insistir na manutenção do nosso direito ao jogo democrático, então é:

pelo direito à Democracia que lutamos, que brigamos, que insistimos...

pelo direito à Democracia que estudamos, que lemos, que insistimos...

pelo direito à democracia que falamos, que bradamos, que insistimos ...

pelo direito à Democracia que protestamos, que enchemos as ruas, que insistimos...

pelo direito à Democracia que, às vezes, silenciamos, que calamos nossa voz, mas insistimos...

pelo direito à Democracia que nossos pensamentos nunca se calam, antes bradam, esbravejam e, por isso, insistimos...

pelo direito à Democracia que jamais iremos nos prostrar diante de situações adversas que desonram o direito de todos. Assim, insistimos...

Sim, insistimos porque se faz necessário nestes tempos escuros, de homens partidos, como já dizia Drummond. Insistimos porque os direitos de todos estão sendo subtraídos por aqueles que falsamente nos representam e, dessa forma, nos desonram. Insistimos, pois é necessário agir.

Enfim, insistamos!

Nosso manifesto não cansa de falar em Democracia, palavra que vem do grego, que está sendo usurpada por um bando de patifes que deveriam estar sendo expelidos pela cloaca neste momento, aquela mesma cloaca que já ganhou contornos literários nos versos concretistas de Décio Pignatari. Nossa literatura neste momento é de luta, é de não aceitar o que está sendo imposto por um grupo de falsos moralistas, que querem o poder apenas para manipular os mais pobres, os quais conseguiram ascender um pouco com o governo que afastaram temporariamente com um golpe.

Não há dúvidas que nós, trabalhadores e trabalhadoras de camadas sociais menos favorecidas, estamos enfrentando um duro soco na democracia, pois são inúmeros os retrocessos já sinalizados por esse governo ilegítimo. Retrocessos que nem precisamos citar, porque o grito dos menos favorecidos socialmente já podem ser ouvidos nas ruas de todo o país.

“Se o penhor dessa igualdade conseguimos conquistar com braço forte, em teu seio, ó liberdade, desafia o nosso peito a própria morte!”

Como são fortes essas palavras do Hino Nacional brasileiro! Quantas conquistas alcançamos ao longo dos séculos, em diversos âmbitos, principalmente no politico. O direito de votar aos 16 anos, a liberdade de expressão que perpassa por qualquer assunto nos oportuniza a continuar lutando por melhores condições de vida. E agora, estamos prestes a perder! Jamais! Lutemos, bucaneiros!

Como ficamos esperançosos com um passado recente, vagas em Universidades Públicas ampliadas, direitos garantidos as empregadas domésticas e o acesso ao Profletras, esse por si só não deveria dar direito a ninguém que ingressou no programa e ser contra a nossa presidenta... e tantas outras conquistas! Vamos perder? Não! Lutemos, bucaneiros!

O impeachment é uma ferramenta jurídica e é regulado pelo Art. 85 da Constituição brasileira de 1988 e seu uso é restrito a casos que envolvem ofensas sérias (crimes de responsabilidade) feitas pelo presidente. Como as irregularidades contábeis na administração de fundos da dívida pública das que Dilma Roussef é acusada não se tratam de uma ofensa séria no senso prescrito pela Constituição, fica evidente que este processo de impedimento não é legítimo.

Então, não é exagero considerar esse processo de impeachment contra a presidenta um golpe branco que vai trazer consequências negativas e duradouras para a regra democrática brasileira. Nós consideramos necessário declarar nosso repúdio absoluto à destituição ilegítima da presidenta Dilma Vana Roussef em face de tudo que aconteceu, e, nosso apoio forte para a manutenção da democracia brasileira.

Trouxemos essa parte mais técnica no parágrafo anterior para aqueles que almejam algo mais jurídico, por isso nosso manifesto é completo, ele transita pelo técnico e pelo literário, e principalmente pela DEMOCRACIA!

Veio a nossa mente que o manifesto não é uma arma, e sim um instrumento que faz da palavra uma bandeira, um ideal, assim como o Futurismo iniciou sua caminhada com o “ Manifesto Futurista!, assim como o Comunismo conquistou seu espaço com o “Manifesto Comunista”, nós do Profletras 2014 não estamos iniciando nada, mas estamos fechando um ciclo levantando uma bandeira através de palavras a favor do democrático, mais uma vez sentimos no direito de evidenciar a literatura, nesse aspecto lembramos um poema que complementa nossa discussão: “Agosto 1964”, de Ferreira Gullar.

Agosto 1964

Entre lojas de flores e de sapatos, bares,
mercados, butiques,
viajo num ônibus Estrada de Ferro - Leblon.
Viajo do trabalho, a noite em meio,
fatigado de mentiras.
O ônibus sacoleja. Adeus, Rimbaud,
relógios de lilazes, concretismo,
neoconcretismo, ficções da juventude, adeus,
que a vida
eu a compro à vista aos donos do mundo.
Ao peso dos impostos, o verso sufoca,
a poesia agora responde a inquérito
policial-militar.
Digo adeus à ilusão
Mas não ao mundo. Mas não à vida,
meu reduto e meu reino.
Do salário injusto,
da punição injusta,
da humilhação, da tortura,
do terror,
retiramos algo e com ele construímos
um artefato, um poema,
uma bandeira.

Essa é a bandeira do nosso manifesto!

As coisas aqui no Brasil não estão em seus melhores dias. O cenário é de névoa. Tudo muito nublado. O futuro do país está em jogo. O futuro de um país que, ao que parece, será para sempre “o país do futuro”, e não o país do presente ou do amanhã próximo. Muito turvo é o horizonte. Um país de depoimentos ininterruptos. O drama é forte. Depoimentos quase sempre risíveis. Alguns não, a maior parte deles. Nem na literatura encontramos figuras tão caricatas, grotescas, teatrais, fanfarronas, cínicas. Assim são e/ou se portam muitos de nossos deputados federais, senadores e parte inteiriça da corja. Não dá para confiar na palavra deles. Acordos secretos escabrosos feitos. Panos quentes. Toalhas de enfrentamento ou desistência sendo vendidas, cargos, postos e depostos, compensações. Tudo muito escuro. O povo sem saber direito. Dúvidas. Incertezas. Medo. Ódios.

Somos contra o impedimento da Presidenta Dilma, por princípio. E por convicção. Não é bom para a imagem do país lá fora. Não é bom para a imagem do país aqui dentro. Não resolverá os reais problemas da nação. De nada adiantará. É evidente o propósito da oposição. Tomar o poder e não salvar o país. O que está para acontecer é um aborto. Impedimento, como o que está em trâmite e da forma como foi imposta, é uma violência na história política do país. Corruptos julgando outros mais ou menos corruptos. Um aborto, repito. Especialmente quando expõe e acentua a divisão política, ideológica, cultural, econômica e até regional de um país. Isso não favorece a igualdade no país, só reforça os preconceitos, os estereótipos. Um processo vergonhoso. No Rio de Janeiro e São Paulo, o carnaval pela democracia. Bem brasileiro. Bem a cara do Brasil? Mas o Brasil não é só o sudeste conservador! Pão e circo e o povo indo atrás.

Que país é esse? Uma calamidade. Na capital Brasília, um muro ergueram para separar os dois tipos de manifestantes, os dois tipos de “povo”. Aqui temos dois “povos”? Pode rir, se quiser. É cômico. Os que são contra e os que são a favor. É trágico. Um país de mais de 200 milhões de habitantes agindo como se dois times de futebol disputassem a final de um campeonato de futebol. O prêmio: a Taça do Poder. Um espetáculo. Uma imprensa manipuladora, interesseira e sem escrúpulos. Uma esculhambação geral. Desmoralizante. Uma tristeza. Torcemos nós para que nada disso se pinte de realidade e tudo fique como antes e que o antes progrida em face de melhorias necessárias a todos nós, brasileiros. Torcer. Torcer muito.

Sigamos, bucaneiros!

E, FOOOOOOORAAAAAAA TEMER!!!!!!!!!

(Todos assinam!)
**

* Imagem: http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2016/05/geral/501545-parada-gay-em-sao-paulo-vira-ato-de-fora-temer-e-volta-dilma.html
** Turma 2014.2 - UPE/Campus Garanhuns.

domingo, 10 de julho de 2016

O Equador das Coisas no I Encontro Baiano de Mídia Livre

*

Por Germano Xavier


E ao completar 9 anos de existência na internet, descubro que o meu blog, O EQUADOR DAS COISAS, que se transformaria também, em 2012, num jornal de literatura impresso (amor demais à Carol Piva, Karime Limon, Iara Fernandes e toda a turma que veio depois), foi selecionado pela Rede de Mídia Livre Bahia 1798, "que busca mapear e compartilhar conteúdos que fortalecem a liberdade de expressão, para participar do Primeiro Encontro Baiano de Mídia Livre, nos dias 10 a 13 de agosto. O evento, que acontecerá na Biblioteca Central dos Barris (Salvador-BA) e tem o apoio da Fundação Pedro Calmon, é uma iniciativa da rede de mídia livre Bahia 1798. O objetivo é promover um intercâmbio entre midialivristas, comunicadores populares ou comunitários, estudantes, fotógrafos, produtores audiovisuais, pesquisadores e produtores culturais do estado da Bahia, com agentes da mídia independente já consolidados em outros estados do país. A programação inclui ações de formação em quatro painéis e dez oficinas, com convidados de todas as regiões brasileiras. A inscrição é gratuita, disponível no site www.bahia1798.org". Represento o Território de Identidade da Chapada Diamantina, na categorização Produção Cultural: Literatura. Uma boniteza de dar gosto bom na alma e um presentaço de aniversário a este espaço que construo com todas as minhas forças, ao lado de meus leitores. Um salve, Pedro Caribé! Sigamos, bucaneiros!







* Imagens: www.bahia1798.org

domingo, 3 de julho de 2016

Um grito quando o carro passa

*

Por Germano Xavier


"Eu não tenho enredo de vida? sou inopinadamente fragmentária. 
Sou aos poucos. Minha história é viver. E não tenho medo do fracasso. 
Que o fracasso me aniquile, quero a glória de cair."
(Clarice Lispector, em Água Viva)


estou tentando encontrar o meu caminho. o caminho parece sempre ser feito de bifurcações. bifurcações nos levam, nos erram. acertar é difícil. o erro é latente. já vivi grandes crises assim antes. crises nos potenciam a ser mais ou a ser menos. com o passar do tempo elas se tornam mais poderosas, tanto no nível de sofrimento quanto no nível de transformação. transformar-se é um caminho. longo. real. imaginário. qualquer observação mais aprofundada não valeria a pena se não provocasse tormentas antes da calmaria. hoje sou o mar. o mar me leva. suas águas imensas. não estou na cidade. estou no porto das minhas ilusões. um grito quando o carro passa abrindo a manhã. tarde e noite. alvorada voraz. minhas mãos fechadas. meus olhos densos. penso que estou melhor do que há um tempo, tempo em que me encontrava de fato estagnado. agora talvez eu esteja on the road. eu devia estar feliz. não apenas porque tomei atitudes perante minha vida, em prol de minha felicidade, mas porque estou me pondo em movimento. penso cada vez mais na importância do movimento. o movimento é o caminho. nem sempre ele é de ascensão. porém, às vezes, é preciso descer ao fundo do poço para encontrar a mola propulsora que nos ajudará a subir. obrigado, esperança, por não me abandonar na minha dura tarefa de existir e ser quem sou. obrigado, dor, por não me facilitar o empreendimento dos meus passos, fazendo-me autor de esforços constantes. obrigado, vida, por me abrir suas portas da percepção, mesmo nas escuridões avulsas. obrigado, angústia, por me fazer revelações diárias. obrigado, amor, por ser. obrigado, poesia, pela palavra interna e inteira. estou tentando desencontrar o meu caminho. o caminho parece sempre ser composto de retas, intermináveis. paralelas nos içam, nos direcionam. errar é fácil. o acerto é distante. viver grandes crises é preciso. crises nos delimitam a ser mais ou a ser menos. com o passar do tempo elas nos tornam mais fracos e fortes. afundar-se é um caminho. curto. ficcional. sanguíneo. psíquico. qualquer observação menos sutil não valeria a pena se não provocasse paz antes da ebulição. hoje sou o céu. o azul me recorta. suas nuvens macias. não estou na zona portuária de mim. estou no monte das minhas verdades. um grito quando o carro passa fechando a madrugada. tarde e noite e dia e tarde e noite e dia. alvorada morta. minhas mãos abertas, meus punhos cerrados. meus olhos densos emergem um verde rural de minha ancestralidade provinciana. penso que estou pior do que há um tempo, tempo em que me encontrava de fato em movimento. para onde eu ia? agora talvez eu esteja fora da estrada. eu devia estar triste. eu devia não estar. eu devia parar de pensar em estar. penso cada vez mais na importância do nada, do sossego. a inércia é o caminho. nem sempre ele é o das perdas. podemos vencer a qualquer instante. a guerra é contínua. porém, às vezes, é preciso subir ao topo da pirâmide invisível para de lá deixar rolar vertigem abaixo a roda mortal que inventamos cotidianamente.


* Imagem: http://www.deviantart.com/art/The-rain-10524459

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Nós, professores de espantos

*

Por Germano Xavier


em especial, para os professores Dr. Elcy Luiz da Cruz e Dra. Graça Graúna

Somos professores porque tememos esta grande abertura para o nada que nos assola cotidianamente. Somos professores porque o conhecimento é uma arma letal contra todos os desmandos da humanidade. Somos professores porque há pobreza, há fome, há desamor, há desigualdade. Somos professores porque existe intolerância e porque existe preconceito. Somos professores porque a palavra é alimento. Somos professores porque quase ninguém fará nada por nós. Somos professores porque a poesia de um olhar ou de um sorriso explica tudo. Somos professores porque pretendemos transformar pessoas e aproximar sonhos. Somos professores porque não desistimos do amanhã. Somos professores porque a educação é a água viva. Somos professores porque esperamos ver chegar a primavera do saber para todos. Somos professores porque há um esquema venenoso e fraudulento que dificulta nossas ações. Somos professores porque somos menos se não formos. Somos professores porque é preciso causar espantos. Somos professores porque o mundo é um moinho e suas pás nos cortam. Somos professores porque as horas passam e o trem pode sempre descarrilar. Somos professores porque toda estrada é bifurcada. Somos professores porque somos a contramão da engrenagem do mal. Somos professores porque possuímos coragem. Somos professores porque panfletamos a justiça dentro e fora de nossas salas de aula. Somos professores porque manifestamos insatisfação pelo que nos oprime. Somos professores porque o livro é o livre-arbítrio. Somos professores porque a arte amolece corações petrificados. Somos professores porque a história não é a que sempre nos contam. Somos professores porque estamos abandonados às margens de nós mesmos. Somos professores porque um dia todas as máscaras cairão. Somos professores porque o ódio não vencerá. Somos professores porque há muita coisa por criar. Somos professores porque dentro de nós uma alma pulsa. Somos professores porque ser livre é um bem universal. Somos professores porque lutamos contra qualquer forma de repressão. Somos professores porque precisamos ser professores. Somos professores porque não gostamos de nos calar. Somos professores porque a vida é uma escola. Somos professores porque não desejamos a escuridão a ninguém. Somos professores porque preferimos o clarão!


* Imagem: http://www.deviantart.com/art/Velvet-Crime-519138024

domingo, 5 de junho de 2016

A impávida vespa dançante

*

Por Germano Xavier

para Muhammad Ali, in memoriam



no ringue,
Cassius Clay 
tornou a dança possível.


* Imagem: Google

Sobre modelos de análise do discurso (um fichamento)

*

Por Germano Xavier


SOBRE MODELOS DE ANÁLISE DO DISCURSO

SWALES, J. M. Sobre modelos de análise do discurso. In: BIASI-RODRIGUES, B.; ARAÚJO, J. C.; SOUSA, S. C. T. (orgs.). Gêneros textuais e comunidades discursivas: um diálogo com John Swales. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2009, p. 33-47.


REFLEXÕES SOBRE MODELOS ESTRUTURAIS

“Apesar da potencial importância de modelos estruturais como demonstrações do que a análise do discurso pode produzir e elucidar em um nível acima da sentença e do enunciado, a reflexão meta-analítica séria sobre seus usos e papéis é rara na literatura de linguística aplicada ou de inglês como segunda língua (ISL) (p.35).”

“Os modelos também tendem a ficar desconfortáveis entre aqueles que adotam abordagens processuais à escrita, entre os que privilegiam a expressão individual e a criatividade e entre os que acreditam que modelos são inerentemente conservadores e restritivos, diminuindo, portanto, as oportunidades que alunos e professores têm de desconstruir os sistemas hierárquicos de que fazem parte (PENNYCOOK, 1997) (p.36).”

“É como se a simplicidade tornasse os modelos memoráveis, e isso por sua vez tornasse possível seu uso, sua citação e seu ensino (em algum sentido a ser discutido) (p.37).”

“Talvez da mesma forma que os compositores aparentemente só conseguem escrever um único concerto para violino, os analistas do discurso só possam produzir um modelo de sucesso (p.38).”


UM CASO-TESTE

“Agora parece que, afinal, a qualidade de ser bom como adequação aos dados globais pode não ser um critério de definição necessário nem suficiente para modelos estruturais úteis do ponto de vista pedagógico ou prático em nosso campo (p.41).”


REVISITANDO AS INTRODUÇÕES DE ARTIGOS DE PESQUISA

“O modelo CARS (create-a-research-space), de 1990, tem sido comparativamente bem-sucedido, em termos tanto descritivos quanto pedagógicos (ou pelo menos é aquilo em que ingenuamente acredito), por ser relativamente simples, funcional, apoiado em corpora, sui generis para o gênero a que se aplica e por, pelo menos no estágio inicial, oferecer um esquema que até o momento não estava amplamente disponível (p.41).”

“Suponho que poderíamos agora construir um modelo alternativo para dar conta desse novo tipo de dados, um modelo que poderia se chamar OARO, ou Open a Research Option [abrir uma opção de pesquisa] (p.42).”

“Esse modelo alternativo capta um mundo da pesquisa mais gentil e suave, em que há pouca competição por espaços de pesquisa, mas onde pode haver competição por leitores (...) (p.42).”

“Seriam elas (as disparidades entre os quatro modelos apontados no texto) determinadas por uma tradição cultural hereditária, pelo ethos sociopolítico, pela formação acadêmica, tamanho da comunidade discursiva ou maturidade do campo nacional, e em que proporção e combinação? (p.44).”


OBSERVAÇÕES CONCLUSIVAS

“Neste trabalho, apresentei alguns argumentos para que se vejam os modelos retóricos e estruturais como metáforas potencialmente reveladoras dos arranjos discursivos que operam como hipóteses testáveis e rejeitáveis para o planejamento comunicativo por parte de escritores, leitores, ouvintes e falantes (p.44).”

“Uma óbvia razão para se fazer isso é uma apreensão como os assim chamados “formulaicos” e uma preocupação com o modo pelo qual a análise descritiva pode se tornar um controle normativo, como quando meus alunos de pós-graduação em linguística me dizem que escrevem seus resumos “de acordo como o manual” (p.44-45).”

“Se, como parte do despertamento de sua consciência retórica e metalinguística, todos os participantes de nossas classes hoje são analistas do discurso, então, para esses estudantes de tempo parcial, é melhor criticar e modificar modelos mais simples do que aprender e aplicar modelos sofisticados (p. 46).”


Imagem: http://www.revistabula.com/1236-etica-livro-13-mandamentos/

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Nada muito sobre filmes (Parte XXVI)

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Por Germano Xavier


TUBARÃO

Ando vendo e/ou revendo os filmes dirigidos por Steven Spielberg, sujeito acostumado a críticas as mais díspares possíveis dentro do ramo cinematográfico. TUBARÃO (1975) foi o seu primeiro grande sucesso. Eu tinha parcas recordações sobre o filme até então, por isso a (re)visão. Decerto que a mecânica do tempo é impiedosa para com a fomentação e dissipação de espantos relacionados ao olhares que apresentamos diante de determinadas matérias, mas é bem fácil entender o motivo de tanto alvoroço à época de seu lançamento. Muita publicidade e, sem dúvida, uma produção muito bem definida. Gravado em alto-mar, o filme tem seu espaço. Há quem veja relações com Moby Dick e com o estilo de filmagem de Hitchcock. Vale aquela teimosa espiadela. Sigamos!


UM CORPO QUE CAI

Alfred HItchcock: sinônimo de filmaço. Puro, certeiro, na veia. Vertigo, vertigem. Doses cavalares de bom cinema. Eis UM CORPO QUE CAI (1958), misturança de suspense, drama, romance e surrealismo acompanhada por uma trilha sonora saborosíssima que não permite que o filme desça do salto em nenhum instante. Um clássico em Technicolor, perturbador e frio. Assim mesmo, um filme adjetivoso. Cinema para amadores de cinema. Filosófico, repugnante, assombrosamente lindo. Havia tempo que não tinha uma experiência cinematográfica tão contundente. Recomendo a todos os mortais!


PARIS, TEXAS

PARIS, TEXAS (1984), de Wim Wenders, acaba de entrar para a minha lista dos melhores de todos os tempos (esta coisa de lista é muito complicada, não é mesmo?). Cabem várias interpretações sobre a belíssima e quase que hipnótica produção. Enxerguei até Kaspar Hauser no protagonista Travis, personagem outsider que ao voltar de uma longa diáspora pessoal, tenta uma nova entrada e inserção na sociedade (lar/convívio com os mais próximos). Iconoclasta, de narrativas ao mesmo tempo abertas e fechadas, a película é um bloco integral de convencimentos. Valeria a pena só pela guitarra plangente do polêmico Ry Cooder em diversas cenas. Um filme para mais de um olhar, bucaneiros. Recomendo a todos os mortais!


SINDICATO DE LADRÕES

Em tempos de massivas delações "premiadas", traições dantescas e falcatruas homéricas que atordoam a todos, nada melhor que poder assistir a um filme que trata com assombrosa maestria da perfídia. SINDICATO DE LADRÕES (1954), dirigido por Elia Kazan, é uma película que não pode deixar de ser vista. Num jogo de empurra-empurra criminoso, o protagonista Terry Malloy resolve se vingar de um influente mafioso das docas de sua cidade utilizando-se da palavra-verdade em um julgamento. A coragem de Malloy faz eclodir uma voz-viva no interior dos silêncios e dos medos dos trabalhadores locais, acostumados aos mandos e desmandos de um esquema corrupto e injusto de trabalho liderado pelo supracitado gângster. Mais um com o Marlon Brando para a minha contabilidade. Simplesmente imperdível. Recomendo a todos os mortais!


TRANSPATAGÔNIA

O documentário TRANSPATAGÔNIA (2014) é o registro de uma fantástica aventura vivida pelo brasileiro Guilherme Cavallari, que pedalou por cerca de seis meses completamente imerso na região da Patagônia, ali entre o Chile e a Argentina. No auge de completar seus cinquenta anos de idade, Cavallari decidiu explorar mais a si mesmo e partiu para uma viagem incrível. Desses filmes que podem mudar algumas nossas velhas e enferrujadas concepções sobre a vida. Bastou uma bicicleta e alguns equipamentos... O relato imagético de Cavallari nos presenteia com lindas paisagens e reflexões pontuais sobre o essencial vital. O filme acaba renovando fôlegos. Quiçá, quiçá, uma guinada dessas. Um dia. Quiçá. O documentário também virou livro, intitulado de TRANSPATAGÔNIA - PUMAS NÃO COMEM CICLISTAS. Recomendo a todos os mortais!


* Imagem: http://www.thasos.hu/blog/409-a-mozi

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Algumas ideias para ensinar novos gêneros a partir de velhos gêneros (um fichamento)

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Por Germano Xavier



DEVITT, Amy; BASTIAN, Heather. Algumas ideias para ensinar novos gêneros a partir de velhos gêneros. In: DIONISIO, Angela Paiva; CAVALCANTI, Larissa de Pinho (orgs.). Gêneros na linguística e na literatura. Recife – PE: Editora Universitária UFPE e Pipa Comunicação, 2015, p.97-123.


“Com o crescente número de pesquisas, se torna claro que professores podem melhorar o desenvolvimento do conhecimento de gêneros dos alunos se melhor entenderem como os estudantes usam seu conhecimento prévio sobre gêneros (p.98).”


TEORIA E PESQUISA SOBRE CONHECIMENTOS PRÉVIOS DE GÊNEROS

“Devitt (2004) argumenta em seu livro Writing Genres que a aula de escrita no primeiro período deveria ser vista como um lugar onde os estudantes adquirem consciência de gêneros – uma compreensão consciente de como tipos de escrita modelam as respostas do escritor a situações retóricas (p.100).”

“Devitt também argumenta que, no processo de ensinar a consciência de gêneros, também devemos ensinar gêneros específicos que sirvam como fundação para aprender novos gêneros (p.100)”.

“Esses gêneros, Devitt alega, se tornam os tipos de escrita que os alunos têm em seus repertórios posteriormente, gêneros antecedentes potenciais para futuras situações de escrita (p.101)”.

“Quando escrevem novos gêneros, os indivíduos o fazem em um contexto de rica intergenericidade, um contexto de gêneros que existe cultural, comunitária e individualmente (p.101)”.

“Uma forma de o conhecimento prévio afetar nosso aprendizado são os traços daqueles gêneros conhecidos aparecerem em novos textos, uma vez que os escritores partem de gêneros conhecidos para escrever os novos (p.102)”.

“Outros estudos também têm reportado que características de gêneros já conhecidos aparecem em textos que tentam novos gêneros, talvez revelando andaimes necessários, mas impactando potencialmente o aprendizado bem-sucedido (p.103)”.

“O conhecimento prévio sobre gêneros pode, claramente, interferir com o desenvolvimento de novas práticas de gênero pelos estudantes. Melanie Kill (2004, p.12) argumenta que estudantes “sabem que podem se fazer legíveis em certos gêneros, e então arriscam discordância ao incorporar aqueles gêneros, mesmo quando não são, de outro modo, necessários (p.104)”.

“De outro modo, o que os aprendizes trazem [sic] para um novo gênero – em termos de experiência, exposição, prática ou conhecimento prévio – é importante, embora não possamos predizer se essas experiências anteriores serão positivas ou negativas (p.105)”.

“Talvez alguns dos usos menos bem sucedidos de conhecimento prévio, descrito nos estudos acima, derivem das dificuldades de transferências entre domínios. As pesquisas sobre conhecimento prévio sugerem, todavia, que os estudantes irão tentar usar o conhecimento prévio em novas situações (p.106)”.


MÉTODOS

“Como parte desse estudo, procuramos descobrir o conhecimento prévio dos estudantes de três formas primárias: perguntando quais gêneros já conheciam, pedindo que descrevessem o que sabiam sobre os gêneros mais familiares e examinando seus textos para traços de conhecimento sobre gêneros (p.107)”.


QUAIS GÊNEROS OS ESTUDANTES RELATARAM SE LEMBRAR DO ENSINO MÉDIO

“Os estudantes relataram um total de quarenta e dois tipos de escrita aprendidos no Ensino Médio nas aulas de língua inglesa. A Figura 1 expõe as respostas mais comuns a essa pergunta. Outras respostas (aquelas mencionadas apenas uma vez) incluem trabalhos dissertativos, análise literária, escrita temporizada, contos, estórias, memórias especiais, artigos, cartas, vinhetas, ensaios detalhistas, ensaios, haiku, bilhetes, portfólio de desempenho acadêmico, resumos, textos argumentativos, redações, sumários, ensaios analíticos, trabalhos narrativos, trabalhos descritivos, currículos e instruções (p.110)”.

“Ter experiência com um gênero não significa saber tudo sobre ele, ou mesmo ser fluente no gênero. Aprender é sempre parcial, fragmentado, individualizado e mutável (p.113)”.


COMO OS ALUNOS DESCREVERAM OS GÊNEROS QUE CONHECIAM

“O que os estudantes relataram ter lembrado sobre os gêneros que escreveram no Ensino Médio, na primeira pesquisa é, de fato, parcial, concentrado no conteúdo e no formato em detrimento do propósito retórico e da audiência. A maioria dos estudantes, com poucas as exceções, não relatou a compreensão de seus gêneros acadêmicos em termos de situações retóricas (p.113)”.


O QUE FAZER COM ESSA INFORMAÇÃO EM SALA DE AULA

“Se quisermos fazer uso do conhecimento prévio dos alunos em nosso ensino, precisamos fazer uso do conhecimento que os alunos podem facilmente ter, não o conhecimento que eles fingem ter para nosso benefício (p.117)”.

“Podemos estar aptos a ensinar a percepção da influência do conhecimento prévio para que os alunos comecem a perceber quando estão recorrendo a estratégias ou gêneros já conhecidos. Podemos estar aptos a ensinar algumas estratégias de transferência, as quais poderão ser usadas independentemente do conhecimento prévio que tentem transferir: por exemplo, notar a situação retórica subjacente ao novo gênero e salientar o que é similar e o que é diferente do que já se encontrou antes (p.120)”.

“Na melhor das hipóteses, poderíamos adicionar ao nosso currículo de gêneros a compreensão consciente do conhecimento prévio para acrescentar à compreensão consciente de gêneros. Consciência não é tudo, mas pode ser tudo que temos (p.120)”.


* Imagem: http://www.editoraforum.com.br/ef/index.php/category/noticias/page/3/

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Gêneros e Tipos de Discurso: considerações psicológicas e ontogenéticas (um fichamento)

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Por Germano Xavier


SCHNEUWLY, Bernard. Gêneros e tipos de discurso: considerações psicológicas e ontogenéticas. In:____. DOLZ, Joaquim. Gêneros orais e escritos na escola. Campinas – SP: Mercado de Letras, 2004, p.19-34.


“A moda das tipologias cedeu lugar à dos gêneros. Entretanto, permanece a necessidade fundamental de toda atividade de pesquisa sobre textos e discursos (e, sem dúvida, de toda prática científica): a de classificar.” (p.19)


O GÊNERO É UM INSTRUMENTO

“[...] “o gênero é um instrumento.” (p.23)

“Os instrumentos encontram-se entre o indivíduo que age e o objeto sobre o qual ou a situação na qual ele age: eles determinam seu comportamento, guiam-no, afinam e diferenciam sua percepção da situação n qual ele é levado a agir.” (p.23)

“Um instrumento media uma atividade, dá-lhe uma certa forma, mas esse mesmo instrumento representa também essa atividade, materializa-a.” (p.24)

“O instrumento, para se tornar mediador, para se tornar transformador da atividade, precisa ser apropriado pelo sujeito.” (p.24)

“[...] a tripolaridade da atividade tem como corolário necessário a bipolaridade do instrumento.” (p.25)

“A escolha do gênero se faz em função da definição dos parâmetros da situação que guiam a ação. Há, pois, aqui uma relação entre meio-fim, que é a estrutura de base da atividade mediada. Portanto, nossa tese inicial – o gênero é um instrumento enquadra-se bem na concepção bakhtiniana.” (p.27)

“A ação discursiva é, portanto, ao menos parcialmente, prefigurada pelos meios. O conhecimento e a concepção da realidade estão parcialmente contidos nos meios para agir sobre ela. Tínhamos dito que o instrumento é um meio de conhecimento: eis a concretização dessa tese.” (p.28)


GÊNEROS E DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM

“Os gêneros e, mais particularmente, os gêneros primários são o nível real com o qual a criança é confrontada nas múltiplas práticas de linguagem.” (p.30)

“Os gêneros se complexificam e tornam-se instrumentos de construções novas, mais complexas”. (p.30)

“[...] os gêneros secundários não são espontâneos. Seu desenvolvimento e sua apropriação implicam um outro tipo de intervenção nos processos de desenvolvimento, diferente do necessário para o desenvolvimento dos gêneros primários.” (p. 32)

“Essa ideia de construir a partir do que já existe e de transformá-lo radicalmente pode ser precisada da seguinte maneira: a construção de um gênero secundário implica dispor de instrumentos já complexos.” (p.34)

“Os gêneros primários são os instrumentos de criação dos gêneros secundários.” (p.35)

“Pode-se mesmo dizer que a introdução do novo sistema, a aparição dos gêneros secundários na criança, não é o ponto de chegada, mas o ponto de partida de um longo processo de reestruturação que, a seu fim, vai produzir uma revolução nas operações de linguagem.” (p.36)


TIPOS E GÊNEROS

“[...] psicologicamente, um tipo de texto é o resultado de uma ou de várias operações de linguagem efetuadas no curso do processo de produção.” (p.36)

“Os tipos de textos – ou, psicologicamente falando, as escolhas discursivas que se operam em níveis diversos do funcionamento psicológico de produção – seriam, portanto, construções ontogenéticas necessárias à autonomização dos diversos tipos de funcionamento.” (p.37)


* Imagem: https://prezi.com/zley3ka5jfpn/night-quotes/

TEMER não é preciso

*

Por Germano Xavier


em apoio à democracia,
um parafraseio pessoano contra o retrocesso no Brasil


lutar é preciso TEMER não é preciso lutar é preciso TEMER não é preciso lutar é preciso TEMER não é preciso lutar é preciso TEMER não é preciso lutar é preciso TEMER não é preciso lutar é preciso TEMER não é preciso lutar é preciso TEMER não é preciso lutar é preciso TEMER não é preciso lutar é preciso TEMER não é preciso lutar é preciso TEMER não é preciso lutar é preciso TEMER não é preciso lutar é preciso TEMER não é preciso lutar é preciso TEMER não é preciso lutar é preciso TEMER não é preciso lutar é preciso TEMER não é preciso lutar é preciso TEMER não é preciso lutar é preciso TEMER não é preciso lutar é preciso TEMER não é preciso lutar é preciso TEMER não é preciso lutar é preciso TEMER não é preciso lutar é preciso TEMER não é preciso lutar é preciso TEMER não é preciso lutar é preciso TEMER não é preciso lutar é preciso TEMER não é preciso lutar é preciso TEMER não é preciso lutar é preciso TEMER não é preciso lutar é preciso TEMER não é preciso lutar é preciso TEMER não é 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* Imagem: http://outraspalavras.net/alceucastilho/2016/03/20/golpe-do-pato-a-face-absurda-da-cena-politica-brasileira/

domingo, 1 de maio de 2016

BR 104

*

Por Germano Xavier


"Violência é ele ficar assustado porque a gente é
 negro ou porque a gente chega assim nervoso a
 ponto de bala cuspindo gritando que ele passe a
 carteira e passe o relógio enquanto as bocas buzinam
 desesperadas."

(Marcelino Freire, em Contos Negreiros)


é hollywood?
é bollywood?
é perseguição e sem dublê.
reta larga pela frente, o destino.
mas qual o destino da manhã?

qual o destino do medo?
esperança tem destino?

acelerador no topo, a mão rodada.
cabo enrolado. vulto no retrovisor. 
uma perna toca a minha 
perna. 

calor humano, frio metal.

cano curto. gelidez larga. no pescoço.
acostamento, freio, mente em transe.

desço. o motor apaga.
penso em tanta coisa.
não penso nada.

revista. olhos perdidos. 
cadê o fogo do motor?
cadê o fogo da vida?

a BR não desliga.

o frio é traidor. a porra que não liga.
a merda de estar sozinho.
a merda de estar ali.
a merda.

LIGA A MOTO, PORRA! LIGA A MOTO!
TEM ALARME? TEM SEGREDO?
LIGA A PORRA DA MOTO, CARÁI!
PASSA A MOCHILA! CELULAR, PORRA!
QUER MORRER, PORRA? QUER MORRER?
VAZA, VAZA! CORRE PRO MATO, CARÁI!

seixos saltados. capim no calçado.
a respiração é um tormento.
o blusão cor do chão.

eles vrummmmmm

eu caminho. acostado.
sem caminho. atordoado. 
eu penso 
em tanta coisa. 

eu caminho. 
eu, caminho.


* Imagem: http://www.deviantart.com/art/Road-To-125276471

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Linguagem em (dis)curso

*

Por Germano Xavier


Hoje, no amplo campo do saber linguístico, percebe-se facilmente, em se tratando dos estudos apurados e de base analítica no tocante aos gêneros textuais, que a ideia que se tem de propósito comunicativo consegue, em si, admitir um sem número de olhares sobre as práticas de um determinado gênero dentro de uma respectiva comunidade de usuários interligados.

Por observar a maleabilidade com que tal instrumento, o propósito comunicativo, subverte inadvertidamente a “ordem natural das coisas”, é que Biasi-Rodrigues e Bezerra (2012) enumeram questionamentos efusivos no interior de tal imbróglio, a procura de estruturar uma arqueologia de saberes acerca do senso/status do gênero ao final das análises, sem com isso perder o interesse para com a conceituação do propósito comunicativo enquanto critério nato de/para análise de gêneros.

Partindo dos pressupostos de base teórica atrelada ao estudo de gêneros consagrada pela denominada Escola Britânica, também conhecida como Abordagem Sociorretórica, BIASI-RODRIGUES e BEZERRA (2012) tratam no artigo intitulado de Propósito Comunicativo em Análise de Gêneros do debate em torno do próprio conceito de propósito comunicativo, atualmente percebido como sendo um dos pontos nevrálgicos do estudo linguístico mais específico dos gêneros em todo o mundo.

Para tanto, os pesquisadores supracitados centraram esforços em abordagens e perspectivas acerca das conceituações atreladas ao propósito comunicativo que foram exaustivamente investigados e aprimorados por estudiosos do porte de Swales (1990, 2001, 2004), e também de Askehave (2001), este em comunhão com Swales.

Tais estudos, proposições e perspectivas, imiscuídas à ideia de que gêneros realizam propósitos e/ou funcionam como “repropósitos”, como observado na própria reavaliação do tema feita por Askehave e Swales (2001), entre tantos outros fatores, terminaram por permitir que fossem elaboradas diversas discussões acerca do uso do todo processual do propósito comunicativo dentro do espectro funcional de uma dada análise de gêneros fundamentada aprioristicamente no que é de ambição social, o que o configura de tal modo a ser matéria basal das engrenagens analíticas, indo de encontro, portanto, à ideia que o taxa meramente como um critério direto e imediato no que concerne à identificação dos gêneros.

Com base nestas nuances e prismas de elaborativos, os autores partem da conceituação do termo propósito comunicativo, passeiam pela relação dele com a estrutura esquemática do gênero e pela visão que se tem de critério para identificação, provando sua inquestionável complexidade objetivo-funcional.

Os articulistas defendem, por fim, a relevante participação do propósito comunicativo como elemento para se estudar os gêneros em si e suas particularidades, sem fechar aí a sua largueza como utensílio da língua, ao que cabe a nós, estudantes e interessados na referida questão, cuidar para não rotulá-los, os gêneros, apenas com base em definições e conceitos parcos, a citar o de propósito ou até mesmo o de intenção autoral, que não abarcam tudo quando o assunto é a relação entre propósito comunicativo e a análise de gêneros.


REFERÊNCIA

BIASI-RODRIGUES, BERNADETE; BEZERRA, Benedito Gomes. Propósito comunicativo em análise de gênero. Linguagem em (dis)curso, Tubarão, SC, V.12, n.1, p.231-249, jan/abr. 2012.

Imagem: Google

sábado, 16 de abril de 2016

Entre Mares e Marés: Conversas Epistolares (Parte XII)

*


Viana, olá!

Tenho vontade de escrever-te só com símbolos, por medo de repetir-me e tornar-me demasiado previsível. Ou revelar o diálogo que nunca tivemos, como uma mera transcrição desse instante único de cumplicidade que podem ter duas pessoas numa conversa informal. Conversar é tão bom, Viana, e é cada vez mais difícil encontrar uma pessoa que goste de falar.

Tentemos essa partilha, queres? Somos nós dois num dancing lisboeta à beira-rio tomando um copo numa mesa perto do palco. Os músicos ainda estão a preparar os instrumentos, o dj põe no ar uma música bem ritmada, incendiária.

C- Viana…? Viste aquele casal na pista, o rapaz pequenino agarrado a uma mulher alta e vistosa?

V- Na verdade nem reparei, Clara. Mas porquê? Estava atento à música, tentando perceber a letra.

(Risos)

C- Letra? Que letra? Não vás por aí… deixa-te só contagiar pelo ritmo. A música com letra vem depois. Digo, o rapaz pequenino, a quarentona bonita… tenho uma teoria sobre o assunto, que pode dar uma história.

(Franzes o sobrolho e eu sinto-me constrangida).

V- Clara, não sejas mázinha... nem pareces tu. A gente não sabe nada da vida das pessoas. Neste momento alguém pode estar a olhar-nos com a mesma curiosidade… malsã.

C- Não é preconceito, é pós-conceito. Só acho que é um engate com fins, digamos, lucrativos. O rapazinho quer “se dar bem” e procura uma mulher que o possa “peitar”, como diz uma amiga minha muito atenta. Isto funciona nos dois sentidos; há aqui mulheres à procura do mesmo, junto de respeitáveis senhores… ingénuos, claro está.

V- Achas que é isso, Clara? Mas, e se for… que direito temos nós de julgar as escolhas de pessoas adultas, escolhas consensuais…? Não entro nesse jogo, por mais curiosidade que o assunto me suscite.

C- Pois, Viana, talvez tenhas razão. Se for o que penso trata-se de um negócio em que todos lucram: um consegue sustento temporário e o outro um sucedâneo de amor, uma coisa parecida com uma relação na qual a componente sexual é o motor da coisa. Mas a nossa indiferença é sempre conivente. Não pensar, não opinar, já é agir. Mas sei que são opções tacitamente aceites… embora sejam ambos pressionados pelas circunstâncias.

V- Sim, percebo o teu ângulo. Ninguém é totalmente inocente nem culpado. E se fosse, quem os julgaria? Um é vulnerável por ser pobre, ou malandro, outra tem um estatuto social superior e alguma liquidez, para além de uma falta de autoestima notória, falta de tempo ou de interesse para cultivar relacionamentos duradouros… um desfecho previsível no qual existe no entanto um momento, volátil que seja, em que o NÃO é uma opção real. Um não redondo e definitivo.

Neste momento da conversa os artistas entram em palco e nossa atenção deixa-se absorver pela voz possante da Lucibela.

…

Viana, desculpa-me este despiste, mas não resisti a ensaiar esta troca de impressões improvável entre nós dois diante de uma bebida de cores primaveris. Ou uma simples cerveja gelada, ou um café expresso.

É uma forma de te dizer que gosto que me interrompas quando falo, a isso chama-se conversar. A palavra, quando escrita, já é dona de si mesma, quando se forma na boca e ainda não nasceu, pode ser calada com um beijo.

Há um momento em que é possível mudar tudo e desenhar uma curva numa estrada reta. Fazer uma inversão de marcha. É preciso estar atento para não deixar escapar esse fragmento do tempo.

Na tua última carta noto um tom mais passional e intolerante sobre a superficialidade das coisas, as aparências, as futilidades. Também sou assim. Gosto de procurar a essência. De escavar. Escavacar é uma palavra feia, bruta, mas que exprime melhor o que quero dizer. Essas pessoas de que tu falas (excecionais, marginalizadas, divergentes) são pessoas reais e que resistem, como dizes. Por isso não me admira nem um pouco a tua reação na nossa conversa acima (risos).

Fiquei muito impressionada com o relato que fazes desse senhor que conheceste, que vive na rua e tem o coração no mundo. Certamente um ser único que nos faz ver que nós, os outros, andamos permanentemente em contramão. Mas o idealismo paga-se caro e existe um compromisso mínimo entre o ser humano e a sociedade em que se move, senão dá-se a rutura: social, afetiva, psicológica… é um caminho sem retorno. Para todos nós: os que partimos e os que ficamos.

Eu não quero falar de mim, não hoje, porque tu me intuis e me constróis por dentro. Falando dos outros, do que os meus olhos veem, tu vês para dentro dos meus olhos também.

Temos tido ultimamente a imprensa portuguesa dominada pelos escândalos da política brasileira e tentamos todos, brasileiros ou não, encontrar um tom justo para a indignação, para o protesto, para a reivindicação. Um equilíbrio precário em que é muito fácil cair na manipulação e tornarmo-nos meras marionetas da imprensa e do padrão cultural dominante. Mesmo para os mais esclarecidos.

E continuaremos, tu, eu, a Cris, a Sant’Ana e quantos se quiserem juntar a esta festa das palavras, dos sons e das imagens, a conversar sobre tudo o que nos toca.

Um grande beijo desta tua amiga embarcada numa viagem de desfecho imprevisível.

Clara

Lisboa, 3 de Abril de 2016


*******





Clara,

As coisas aqui no Brasil não estão em seus melhores dias. O cenário é de névoa. Tudo muito nublado. O futuro do país está em jogo. O futuro de um país que, ao que parece, será para sempre “o país do futuro”, e não o país do presente ou do amanhã próximo. Muito turvo é o horizonte. Passei boa parte do dia assistindo à sessão da Câmara dos Deputados na TV Câmara. 31 horas já. De depoimentos ininterruptos. Não pensei que isso iria longe assim. O drama é forte. 

Alguns depoimentos são risíveis. Alguns não, a maior parte deles. Nem na literatura encontrei figuras tão caricatas, grotescas, teatrais, fanfarronas, cínicas. Assim são e/ou se portam muitos de nossos deputados federais. Não dá para confiar na palavra deles. Acordos secretos escabrosos feitos. Panos quentes. Toalhas de enfrentamento ou desistência sendo vendidas, cargos, postos, compensações. Tudo muito escuro. O povo sem saber direito. Dúvidas. Incertezas. Medo. Ódios.

Sou contra o impedimento da Presidenta Dilma, por princípio. E por convicção. Não é bom para a imagem do país lá fora. Não é bom para a imagem do país aqui dentro. Não resolverá os reais problemas da nação. De nada adiantará. É evidente o propósito da oposição. Tomar o poder e não salvar o país. O que está para acontecer é um aborto. Impedimento, como o que está em trâmite e da forma como foi imposta, é uma violência na história política do país. Corruptos julgando outros mais ou menos corruptos. Um aborto, repito. Especialmente quando expõe e acentua a divisão política, ideológica, cultural, econômica e até regional de um país. Isso não favorece a igualdade no país, só reforça os preconceitos, os estereótipos. Um processo vergonhoso.

No Rio de Janeiro, o carnaval pela democracia. Com direito a pão e mortadela. Bem brasileiro. Bem a cara do Brasil. Pão e circo e o povo indo atrás. Que povo é esse? Que país é esse? Uma calamidade. Na capital Brasília, um muro ergueram para separar os dois tipos de manifestantes, os dois tipos de “povo”. Aqui temos dois “povos”. Pode rir, se quiser. É cômico. Os que são contra e os que são a favor. É trágico. Um país de mais de 200 milhões de habitantes agindo como se dois times de futebol disputassem a final de um campeonato de futebol. De um lado o time dos Coxinhas, do outro a equipe dos Petralhas. O prêmio: a Taça do Poder. Um espetáculo.

Uma imprensa manipuladora, interesseira e sem escrúpulos. E tudo pode começar a ter um desfecho no dia de amanhã, domingo, dia 17 de abril de 2016. O dia da votação no plenário da Câmara dos Deputados, uma de nossas “casas do povo” e onde o verdadeiro povo quase nunca tem vez e voz. O dia do “Fica Dilma!” ou do “Fora Dilma!”. 

Uma esculhambação geral. Desmoralizante. Uma tristeza. Torço eu para que nada disso se pinte de realidade e tudo fique como antes e que o antes progrida em face de melhorias necessárias a todos nós, brasileiros. O Brasil ainda precisar crescer muito, em muitos setores da sociedade, e não é com esta cambada de meliantes engravatados que lideram o processo de impeachment contra um partido, o PT, que isso irá acontecer. Torcer. Torcer muito.

Deixando um pouco a política de lado, dizer a ti que gostei por demais de tua criação. Uma conversa possível, eu diria. Você e sua altíssima qualidade criativa, Clara. Não é para menos, não é? Mas, de toda forma, foi uma surpresa boa para mim. Bom demais ler a fantástica introdução em sua produção textual. Uma conversa que versa sobre humanidades. Humanidades e “engenharias humanas” misteriosas. Dizer que quero sim, esta partilha! E que sempre quererei.

Aqui o sábado foi de frio. Caruaru com cara de São Petersburgo. Dia branco. Minh’alma também, branca. Há um vazio. Uma expectativa. Quando tudo se cala dentro, mesmo me sabendo forte o suficiente para seguir. Quando a poesia dentro da gente se cala. Cálice. Tortura. Algo que oprime. Algo que atordoa. Algo que atravanca. Por isso a escolha por pausar aqui. Pausar e esperar. O pulso. A lâmina. Eis a vida.

Até logo mais, Clara querida.

Caruaru-PE, 16 de abril de 2016.


********

Clara e Viana são dois amigos de longa data que se redescobrem e desenham o mundo à sua volta pelas palavras que encontram, que constroem e que usam para pintá-lo. (De longa data em face da finitude da vida, recentes diante da imensidão da eternidade). Mas, que importa isso? Eles propõem-se descobrir dois universos complementares, sem artifícios nem maquilhagem, para além das máscaras habituais, as que protegem o ser humano da solidão e das agressões.

Clara e Viana são dois heterónimos, duas personagens que ganham vida através do tempo, do ritmo da palavra e do sabor dos respectivos sotaques.

Luísa Fresta e Germano Xavier dão vida a este projecto.
* Imagens de Cristina Seixas.

Nada muito sobre filmes (Parte XXIV)

*

Por Germano Xavier


AGOSTINHO NETO E A LIBERDADE ANGOLANA

A TV BRASIL exibiu ontem no quadro NOVA ÁFRICA - UM CONTINENTE, UM NOVO OLHAR o documentário AGOSTINHO NETO E A LIBERDADE ANGOLANA, sobre a trajetória do líder que esteve à frente do Movimento Popular de Libertação de Angola - MPLA. Médico por formação e poeta, Agostinho Neto tornou-se ícone do período conhecido como Guerra Colonial Portuguesa, conjunto de embates promovido por toda uma geração contrária aos regimes vigentes de colonização, sendo o primeiro presidente de Angola. Figura pública por vezes tida como controversa, Agostinho Neto é, sem dúvidas, um importante nome nas lutas por independência no continente africano. Recomendo a todos os mortais!


O ALUNO

O filme O ALUNO (2014), do diretor Justin Chadwick, que também pode ser encontrado com o título de UMA LIÇÃO DE VIDA, narra a história de Kimani Ng'ang'a Maruge, queniano de 84 anos que decide aprender a ler e a escrever já no fim da vida. Maruge possui uma carta misteriosa em mãos e deseja decifrá-la. Para isso, determina-se e resolve enfrentar todos os obstáculos que o impedem de ir à escola primária. Quando jovem, Maruge, um ex-combatente Mau-Mau, perde a família para as tropas britânicas em confronto pela liberdade de seu povo. A ação de educar, no filme, é colocada como tem de ser, sempre, tal qual um instrumento de luta e resistência perante forças opressoras. Baseado em fatos reais, o longa é simplesmente encantador. Um filme sobre o respeito aos mais velhos, ao passado, ao professor e sobretudo sobre a força transformadora da educação. Esta película deveria ser exibida e debatida em todas as salas de aula de todas as escolas do mundo. Recomendo a todos os mortais!


VIPS

O ator baiano Wagner Moura é Marcelo em VIPs (2011), do diretor Toniko Melo, mas é também outro, outros. Muitos outros! Com conflitos de identidade, Marcelo vive "trocando de pele", por assim dizer. Ser espelho do pai é o seu sonho, um exímio piloto de avião, e para tanto está disposto a viver fortíssimas emoções, incluindo se passar por Henrique Constantino, filho do majoritário da companhia aérea Gol, durante um Carnaval na capital pernambucana. Baseado na história real de Marcelo Nascimento da Rocha, o filme não é lá muito interessante. Todavia, e de novo, o talento de Moura encobre as deficiências do longa. Vale uma espiadela, bucaneiros. Sigamos!


TEMPO DE DESPERTAR

TEMPO DE DESPERTAR (1990), de Penny Marshall, retrata as agruras e alegrias vividas por um neurologista recém-contratado em um hospital psiquiátrico. Diante de inúmeros pacientes que estão há longos anos em estado catatônico, o neurologista resolve fazer testes com um novo medicamento e termina por despertá-los. No início, tudo parece dar certo, até os primeiros efeitos colaterais começarem a vir à tona. O mais interessante do filme é a observância do cuidado desprendido pelo médico no trato dos pacientes, a entrega, o entusiasmo pela melhora. Um bom filme. Um Robert De Niro inspirado. Recomendo a todos os mortais!


HUSH – A MORTE OUVE

HUSH - A MORTE OUVE (2016) é um suspense norte-americano que pode surpreender os amantes do gênero. O filme conta a história de Maddie Toung, uma escritora que vive em uma casa no meio do nada, longe da sociedade. Ela está tentando finalizar o seu mais recente livro. Detalhe: Maddie resolveu se isolar a partir do momento em que perdeu a audição. Certo dia, um estranho mascarado aparece em sua residência. Maddie, então, vê-se obrigada a lutar em um mundo feito de silêncio pleno em prol de sua vida. O filme foge um pouco do estereótipo e as cenas silenciosas, em contraste com a típica barulheira desses filmes, colocam o espectador bem dentro do drama vivido pela protagonista. Vale uma espiadela, bucaneiros!


UM DRINK NO INFERNO

UM DRINK NO INFERNO (1996), de Robert Rodriguez/Quentin Tarantino, é daqueles filmes, eu diria, diferenciados. Um clássico trash/cult, com um roteiro muito, muito louco. Muito louco mesmo. Bizarro, por vezes. Dois irmãos saem pelo Texas causando o terror. Durante uma fuga para o México, os dois sequestram uma família e terminam por parar em um prostíbulo onde só caminhoneiros e motoqueiros possuem acesso livre, o Titty Twister. Dentro do recinto, são surpreendidos por um bando de... vampiros! Vampiros monstrengos! É difícil engolir um filme assim, mas não posso deixar de acreditar em originalidade nesses casos. Ame-o ou odeie-o. É mais ou menos por aí. Vale uma espiadela, bucaneiros!


AS BRANQUELAS

Uma merda.


* Imagem: http://obaratodefloripa.com.br/cineclube-presenca-na-udesc-faz-sessoes-semanais-da-mostra-de-cinema-infantil-de-florianopolis/