Urbano Leafa é uma das vozes da poesia marginal caruaruense e organizador do Slam Caruaru. Neste vídeo: impressões sobre seu primeiro livro, uma produção independente e que revela um pouco de sua verve de rebeldia. Você ainda confere as dicas da psicóloga Angélica Nunes, em sua coluna Fala & Escuta.
| Desde 2007 | Por Germano V. Xavier | Em memória de Milton de Oliveira Cardoso Júnior | + de 2.200 textos publicados |
quinta-feira, 11 de novembro de 2021
sexta-feira, 5 de novembro de 2021
ARQUITETURAS DE VENTO FRIO, de Walther Moreira Santos
domingo, 31 de outubro de 2021
O menino antigo drummondiano
sábado, 30 de outubro de 2021
AZALEIA PARA ERVA DE PASSARINHO, de Andréia Pires
sexta-feira, 29 de outubro de 2021
Como O HOMEM ENCURRALADO chega a L’HOMME ACCULÉ, omnipresente e atemporal
A
série de textos que ora vos é apresentada, da autoria de Germano Xavier, poeta,
contista, professor e jornalista, reflete as andanças atribuladas do homem pós-moderno,
as suas incongruências e fragilidades. Na visão do poeta, este homem
encurralado por um sistema do qual ele é também uma ínfima parte,
simultaneamente vítima e cúmplice involuntário, tenta, a duras penas,
desfazer-se das teias poderosas que o envolvem, como tentáculos. O materialismo
excessivo e sufocante é parte da condenação deste personagem sem saída, moldado
por angústias e dúvidas, como a grande maioria dos seres humanos; dir-se-ia que
é um homem excluído, transparente, desenquadrado e inclassificável, que não se
pode etiquetar.
Identifiquei-me
plenamente com a poíesis de Germano
Xavier, empolgante e reveladora, peculiar e depurada desde o primeiro verso,
como se observa na atmosfera densa que rodeia este homem tão completamente
cercado; por isso propus-me traduzi-lo para francês, atrevimento que
rapidamente se transformou numa doce rotina até se converter numa necessidade
pessoal ou inapelável tentação.
O
maior desafio com que me deparei, para proporcionar uma viagem, entre a língua
fonte e a língua alvo, e um destino condignos, foi garantir que a mensagem
chegava intacta. Nem sempre terá sido o caso em virtude das singularidades de
cada idioma e cultura mas o objetivo foi sempre, ao longo do processo, acercar-me
desse ideal. Outro escolho – estimulante – foi o facto de eu não ser
brasileira, embora falante nativa de português. Germano, como autor brasileiro
com ligações a dois Estados, inclui também alguns regionalismos ou marcas
culturais muito específicas e singulares. Todos esses aspetos se tornaram numa inesgotável
e fascinante fonte de aprendizagem para mim, uma vez que a cultura do Brasil me
é muito próxima, por via dos afetos, da literatura, da gastronomia, do cinema e
da música, mas não me é inata nem intrínseca; e a nossa aproximação tem sido
filtrada no decurso da vida, como é natural, por uma sucessão de eventos
inclusive extra literários. Tampouco sou francófona não obstante ter começado a
construir, na infância, uma relação de intimidade e respeito com a língua
francesa, desenvolvida posteriormente pela via académica, profissional e
social. Assim sendo, questiono-me frequentemente sobre o seguinte: será
imperativo que o tradutor seja nativo da língua fonte ou da língua alvo? A primeira
hipótese garantiria uma compreensão total do contexto e da mensagem, mas a
segunda criaria a expetativa de um texto sem mácula, à chegada. Fazer as
escolhas tradutórias mais sensatas e adequadas pressupõe também alguma
sensibilidade, experiência, conhecimento dos ambientes e intuição por forma a
assegurar que a beleza e a força de um texto não saem prejudicadas nessa
metamorfose, que se pretende inócua, discreta, invisível ou pelo menos
translúcida. No nosso caso, o conhecimento prévio do autor e de parte da sua
obra facilitou a familiarização com o texto. Devemos ter sempre presente que
uma tradução é uma leitura, uma
interpretação, uma proposta, sujeita a ser polida, que não exclui outras
soluções igualmente válidas.
Entendo
que O Homem Encurralado, “desautor”
da sua vida, é submetido à narração diagnóstica do poeta através de versos
livres como de prosa poética, assumidamente “engagée”: começa por mostrar-se um
homem esvaído de si, caracterizado pela falta de opções, pelas condicionantes
externas, pela voz que lhe é roubada, pelos sonhos que não pode ter. Germano
deu-lhe forma corpórea e uma condição estável dentro de um conjunto de poemas
porventura biográficos. Mais do que um homem ele é sobretudo sociedade,
despojos, mundo, presente, alterações climáticas, uma espécie de cicatriz na
Terra, com um futuro incerto e muito nebuloso. Em francês procurei manter-lhe o
significado, o ritmo, a música abrupta e áspera. Mas sobretudo a emoção, a voz
surda, as pausas, os silêncios, a inação. Traduzir o dito e o não dito, os
momentos de introspeção, a mágoa cansada da permanência orbital em torno de uma
pobreza inconsciente e nua próxima da miséria humana. Ao traduzir procuramos
outra voz para expressar o mesmo ambiente. Talvez as palavras não estejam todas
lá, talvez algumas sobrem. Outras irão mancando pelo poema até chegarem ao
término, que não é um desfecho, mas um recomeço intermitente.
É
justificado e legendário o “medo” ou “desconfiança” de alguns autores em
relação à tradução das suas obras. Todavia, Germano concedeu-me liberdade total
para trabalhar os seus textos e prepará-los para esta viagem inaugural, deixando
o homem encurralado à minha guarda com
tal naturalidade que fez com que o sentido do dever se acentuasse, como sua
primeira tradutora. Oxalá não tenha excedido os limites implícitos dessa liberdade.
Se for o caso os leitores perdoarão as eventuais zonas textuais controversas,
assim o espero, as derivações da tradução, que é tanto uma adaptação como uma
recriação pontual. Ora literal, ora livre, tão dissemelhante ou inconsistente aqui
e ali como este homem que agora se diz acculé,
l’homme acculé, o tal cuja única esperança reside na força fraterna, indivisa,
da empatia do leitor e da poesia.
Luísa
Fresta
Queluz,
28/12/2020
Imagem: Marcel Gama
CORONAVÍRUS - O TRABALHO SOB FOGO CRUZADO, de Ricardo Antunes
quinta-feira, 28 de outubro de 2021
Poemas estranhos e estrangeiros (Parte XIII)
Por Germano Xavier
Uma espécie de Pequod
o Mar do Norte ainda me acompanhava em pensamento
desde que deixei Volendam para trás.
havia naquele momento uma espécie de chamamento acontecendo.
aí abri a tarde em Marken.
frio, muito verde nas casas de madeira
com janelas abertas e com seus donos nus
andando de um lado para outro em seus cômodos
sem nenhum tipo de preocupação ou pudor,
como a habitarem um pequeno Éden.
no centro do pequeno condado,
avistei um Pequod ancorado na pequena orla.
fitei a embarcação por um bom tempo.
o frio me aquecia a alma.
recordei viagens que fiz em livros.
foi um instante simples e bonito, e eu precisava
contar isso a você.
(Marken, tarde de 16 de junho de 2017).
quinta-feira, 14 de outubro de 2021
NICK CAVE E OS LIVROS, por Cristina Seixas + A CIRCULAÇÃO DO LIVRO EM ANGOLA, por João F. André
domingo, 3 de outubro de 2021
Ainda assim
Por Germano Xavier
OS PRÊMIOS LITERÁRIOS EM ANGOLA, por João Fernando André
sexta-feira, 1 de outubro de 2021
Pelos mares da retranca
O livro EM MAR ALBERTO - 101 RETRANCAS nos leva diretamente para os oceanos albertinos das primevas inovações, mas também possui a capacidade de nos revelar maduros traços senso-musicais e semântico-discursivos de um Newton Messias gaio, sabedor das errâncias, obra com águas de lastro suficientes para pousar em cabeceiras insones de leitores ávidos por uma voz de poesia realmente nova e firme.
quinta-feira, 30 de setembro de 2021
TRANS, de Age de Carvalho
sábado, 25 de setembro de 2021
Poemas estranhos e estrangeiros (Parte XII)
Por Germano Xavier
Odin e o Mar do Norte
a expectativa era bonita.
depois de muitos quilômetros, estaria eu
diante da possibilidade de tocar as águas
do Mar do Norte.
Amsterdam foi vista pelo retrovisor logo cedo.
a estrada era o meu caminho.
ao chegar em Volendam, após degustar queijos típicos,
o frio tomou conta da pele. era um primeiro sinal.
dobrei algumas vielas e corredores estreitos da pequena vila
e lá estava, o grande mar nórdico, o templo vivo dos vikings!
quando estou no centro de cosmos históricos,
consigo vislumbrar partidas e chegadas, gentes,
batalhas, alegrias e tristezas. não foi diferente ali.
o Mar do Norte me pareceu carregado de dores,
suas espumas eram contidas, havia uma lamúria
na cor do que era líquido.
foi olhando para o Mar do Norte que descobri
que nem toda onda dança em festa de corais.
(Volendam, manhã de 16 de junho de 2017)
ALICE E OS DIAS, de Daniela Delias
sexta-feira, 24 de setembro de 2021
Sobre Opusfabula, de Jonatas Onofre
sexta-feira, 17 de setembro de 2021
OS MITOS DE CTHULHU, de Esteban Maroto (H.P. Lovecraft)
segunda-feira, 13 de setembro de 2021
Palavras paridas
Por Germano Xavier e Leilane Paixão
as palavras estão cansadas
de comunicar. as palavras querem férias,
farão uma greve, reivindicarão
a presença do silêncio.
as palavras estão cansadas,
muito fatigadas de informar. as palavras querem
se esvaziar. as palavras odeiam repetição,
estão fartas de bocas sujas
que profanam os seus sentidos.
as palavras querem silenciar,
para se mostrarem quando necessário for,
em suas esplendorosas
vocações de ser.
que se cancele a greve das palavras
apenas quando elas estiverem grávidas
de sentido!
| as palavras querem parir |
as palavras querem homens e mulheres
gestantes, homens e mulheres poetas,
capazes de enxergar a beleza das coisas.
as palavras querem servir ao Belo.
as palavras são divinas!
está feito. e que se decrete a greve das palavras!
registre-se. cumpra-se!
* Imagem: https://www.deviantart.com/slipperykarst/art/palavras-perdidas-87508000
sábado, 11 de setembro de 2021
RECOMENDAÇÕES PARA UM ANO IMPOSSÍVEL, de Germano Xavier
sexta-feira, 10 de setembro de 2021
Deriva perversa
Por Germano Xavier
o poema é o Grande Objeto
sobre o qual invisto,
obsessivamente,
minhas vias de afeto.
a palavra, imersa em poesia,
acentua o gozo e segmenta o prazer
numa trajetória sólida de sentidos
ou numa deriva perversa.
Imagem: https://www.deviantart.com/patrickleborgne/art/Eolienne-650708934
CRISE E PANDEMIA, de Alysson Leandro Mascaro + DICAS DE JAMES WILKER
quinta-feira, 9 de setembro de 2021
Sete de Setembro
Por Germano Xavier
o genocida
sobrevoa o golpe
as imagens em giro
sufocam o verde e o amarelo
da bandeira
formigas tontas formigam
na grande avenida
o conselho teme
o inconsciente investiga a tristeza
que país se manifesta
quando até mesmo a morte
vive com fome?
Imagem: https://pcdob.org.br/noticias/investimento-no-pais-retrocede-20-anos-com-golpe-bolsonaro-e-pandemia-2/
O PARATEXTO (AS ILUSTRAÇÕES NA LITERATURA), por Luísa Fresta
terça-feira, 7 de setembro de 2021
Sobre Miragem, de Socorro Nunes
segunda-feira, 6 de setembro de 2021
quarta-feira, 1 de setembro de 2021
Os estranhos cavalinhos de J. J. Veiga
O nome do livro já provoca um meio-espanto: Os Cavalinhos de Platiplanto. O curioso, pergunta-se: mas que diabos é Platiplanto? Doze contos e pouco mais de 120 páginas. O apressado diz: livro bom é livro grosso. Um tal goiano de nome José J. Veiga assina o livro. O outro vai e retruca: nunca ouvi falar. Estamos falando do livro que há exatos 62 anos – a primeira edição foi publicada em 1959, com o autor já com 44 anos de idade – inaugurava o gênero Realismo Fantástico na literatura brasileira.
Também há dez anos – o escritor, nascido em 1915, morreu aos 84 anos - J. J. Veiga nos deixava, o que fez surgir, sem sombra de dúvidas, uma imensa lacuna em nossas letras. Tratado como inovador e extremamente maduro pela crítica, seu primeiro livro foi logo abocanhando os principais lauréis literários existentes no Brasil naqueles idos, a citar o Prêmio Fábio Prado, um dos mais concorridos até então.
E justamente nesse contraponto, ao qual se insere o real e o irreal, o que é e o que não é, o verídico e o fabuloso, é que destoa a pena mágica veigueana. Os contos são fabricados de tal maneira que, em dado momento, perguntamo-nos: “mas o que há de interessante nisso?”, como por exemplo, no relato de uma fábrica que é instalada atrás de um morro, fato que causa mudanças rápidas e impensadas no cotidiano das pessoas (conto A usina atrás do morro), ou na história de um pacato professor interiorano que diz saber o roteiro para um antigo tesouro, que sofre com a desconfiança oriunda da população do lugarejo e que um dia resolve fazer um protesto contra todo o descaso vivido por ele (conto Professor Pulquério).
Fruto de uma reformulação literária, presenciada principalmente a partir da instauração do regime militar no Brasil em 1964, a literatura dita fantástica iria romper com as insinuações exacerbadamente realistas, por conseguinte quebrando também com os modelos advindos de um naturalismo já em “irreversível” desgaste. Em seus contos, Veiga busca o insólito, e no uso da ficção faz germinar de suas mãos uma realidade alegórica, distante do que possa simplesmente parecer.
Outro ponto a ser ressaltado é a sua ligação com o momento político brasileiro. Veiga desmente muito da crítica produzida sobre tal relação, mas muitos estudiosos de sua literatura insistem em fazer tais ponderações. Em Os cavalinhos de Platiplanto, talvez o conto mais discutido a partir desse pressuposto seja A usina atrás do morro, cujo teor seria condicionado diretamente ao governo do presidente Juscelino Kubitschek e ao impacto da entrada do capital estrangeiro em nosso país.
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CANDIDO, Antonio. “A nova narrativa” in A educação pela noite e outro ensaios. São Paulo: Ática, 1987.
LIMA, Luiz. Costa. “O conto na modernidade brasileira” in PROENÇA FILHO, Domício (org) O livro do seminário. São Paulo: L. R. Editores, 1983.
VEIGA, José Jacinto. Os cavalinhos de Platiplanto. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1989.













