| Desde 2007 | Por Germano V. Xavier | Em memória de Milton de Oliveira Cardoso Júnior | + de 2.200 textos publicados |
quinta-feira, 16 de dezembro de 2021
NICK CAVE E OS GÊNIOS EM CONSTRUÇÃO, por Cristina Seixas
segunda-feira, 13 de dezembro de 2021
OS MATIZES DA LÍNGUA PORTUGUESA - CONTRIBUIÇÕES DAS LÍNGUAS BANTU, por Luísa Fresta
quarta-feira, 8 de dezembro de 2021
Sobre "Onde todo tempo é breve", de Sonia Marques
O SOL É PARA TODOS, de Harper Lee
domingo, 5 de dezembro de 2021
Poemas estranhos e estrangeiros (Parte XIV)
Por Germano Xavier
Em busca das sereias do Reno
cedo parti para um último dia de descobertas.
por cima de uma enorme ponte, no oeste alemão,
atravessei o rio Moselle em tom de rápida despedida.
a Alemanha era já uma vontade conquistada.
em Boppard, aportei na Renânia depois de varar alta floresta.
uma região belíssima e com uma deliciosa cerveja de trigo.
logo, a proximidade com o Vale do Rio Reno
e todas as suas entidades lendárias.
atinei para Loreley em minha vã expectativa passageira.
seria mesmo possível ser tragado por seus encantos e cantos?
apostei para ver, e durante todo o percurso fluvial,
entre um e outro castelo medieval à margem daquelas frias águas,
agucei os ouvidos para, quem sabe, viver um momento desafiador.
todavia, como suspeitado, Loreley fez questão de se disfarçar
entre ruídos tidos como menos normais.
certo mesmo é que a minha última primeira visão
de uma Alemanha quase rural e quase antiga e quase
menos desenvolvida do que realmente é me encantou olhos
e também ouvidos.
"sorte a minha não ter sido tragado por Loreley", pensei.
P.S. Após isso, uma parada em Frankfurt am Main.
A noite apontava.
Dormir e voar de volta ao Brasil...
(Colônia, Vale do Rio Reno e Frankfurt, 17 de junho de 2017)
Imagens: Acervo pessoal.
O PERIGO DE UMA HISTÓRIA ÚNICA, de Chimamanda Ngozi Adichie
sexta-feira, 3 de dezembro de 2021
ANTES QUE O MUNDO ACONTEÇA, de Daniel Baz
quinta-feira, 2 de dezembro de 2021
Todas as ilhas nos deixarão partidas
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| NUNCA ESTIVEMOS EM ÍTACA (Patuá, 2015), de Daniela Delias. |
sábado, 20 de novembro de 2021
O MASSACRE DA GRANJA SÃO BENTO, de Luiz Felipe Campos
quinta-feira, 11 de novembro de 2021
CONFORMA-TE; VOCÊ NUNCA IRÁ SE CONFORMAR, de Urbano Leafa
Urbano Leafa é uma das vozes da poesia marginal caruaruense e organizador do Slam Caruaru. Neste vídeo: impressões sobre seu primeiro livro, uma produção independente e que revela um pouco de sua verve de rebeldia. Você ainda confere as dicas da psicóloga Angélica Nunes, em sua coluna Fala & Escuta.
sexta-feira, 5 de novembro de 2021
ARQUITETURAS DE VENTO FRIO, de Walther Moreira Santos
domingo, 31 de outubro de 2021
O menino antigo drummondiano
sábado, 30 de outubro de 2021
AZALEIA PARA ERVA DE PASSARINHO, de Andréia Pires
sexta-feira, 29 de outubro de 2021
Como O HOMEM ENCURRALADO chega a L’HOMME ACCULÉ, omnipresente e atemporal
A
série de textos que ora vos é apresentada, da autoria de Germano Xavier, poeta,
contista, professor e jornalista, reflete as andanças atribuladas do homem pós-moderno,
as suas incongruências e fragilidades. Na visão do poeta, este homem
encurralado por um sistema do qual ele é também uma ínfima parte,
simultaneamente vítima e cúmplice involuntário, tenta, a duras penas,
desfazer-se das teias poderosas que o envolvem, como tentáculos. O materialismo
excessivo e sufocante é parte da condenação deste personagem sem saída, moldado
por angústias e dúvidas, como a grande maioria dos seres humanos; dir-se-ia que
é um homem excluído, transparente, desenquadrado e inclassificável, que não se
pode etiquetar.
Identifiquei-me
plenamente com a poíesis de Germano
Xavier, empolgante e reveladora, peculiar e depurada desde o primeiro verso,
como se observa na atmosfera densa que rodeia este homem tão completamente
cercado; por isso propus-me traduzi-lo para francês, atrevimento que
rapidamente se transformou numa doce rotina até se converter numa necessidade
pessoal ou inapelável tentação.
O
maior desafio com que me deparei, para proporcionar uma viagem, entre a língua
fonte e a língua alvo, e um destino condignos, foi garantir que a mensagem
chegava intacta. Nem sempre terá sido o caso em virtude das singularidades de
cada idioma e cultura mas o objetivo foi sempre, ao longo do processo, acercar-me
desse ideal. Outro escolho – estimulante – foi o facto de eu não ser
brasileira, embora falante nativa de português. Germano, como autor brasileiro
com ligações a dois Estados, inclui também alguns regionalismos ou marcas
culturais muito específicas e singulares. Todos esses aspetos se tornaram numa inesgotável
e fascinante fonte de aprendizagem para mim, uma vez que a cultura do Brasil me
é muito próxima, por via dos afetos, da literatura, da gastronomia, do cinema e
da música, mas não me é inata nem intrínseca; e a nossa aproximação tem sido
filtrada no decurso da vida, como é natural, por uma sucessão de eventos
inclusive extra literários. Tampouco sou francófona não obstante ter começado a
construir, na infância, uma relação de intimidade e respeito com a língua
francesa, desenvolvida posteriormente pela via académica, profissional e
social. Assim sendo, questiono-me frequentemente sobre o seguinte: será
imperativo que o tradutor seja nativo da língua fonte ou da língua alvo? A primeira
hipótese garantiria uma compreensão total do contexto e da mensagem, mas a
segunda criaria a expetativa de um texto sem mácula, à chegada. Fazer as
escolhas tradutórias mais sensatas e adequadas pressupõe também alguma
sensibilidade, experiência, conhecimento dos ambientes e intuição por forma a
assegurar que a beleza e a força de um texto não saem prejudicadas nessa
metamorfose, que se pretende inócua, discreta, invisível ou pelo menos
translúcida. No nosso caso, o conhecimento prévio do autor e de parte da sua
obra facilitou a familiarização com o texto. Devemos ter sempre presente que
uma tradução é uma leitura, uma
interpretação, uma proposta, sujeita a ser polida, que não exclui outras
soluções igualmente válidas.
Entendo
que O Homem Encurralado, “desautor”
da sua vida, é submetido à narração diagnóstica do poeta através de versos
livres como de prosa poética, assumidamente “engagée”: começa por mostrar-se um
homem esvaído de si, caracterizado pela falta de opções, pelas condicionantes
externas, pela voz que lhe é roubada, pelos sonhos que não pode ter. Germano
deu-lhe forma corpórea e uma condição estável dentro de um conjunto de poemas
porventura biográficos. Mais do que um homem ele é sobretudo sociedade,
despojos, mundo, presente, alterações climáticas, uma espécie de cicatriz na
Terra, com um futuro incerto e muito nebuloso. Em francês procurei manter-lhe o
significado, o ritmo, a música abrupta e áspera. Mas sobretudo a emoção, a voz
surda, as pausas, os silêncios, a inação. Traduzir o dito e o não dito, os
momentos de introspeção, a mágoa cansada da permanência orbital em torno de uma
pobreza inconsciente e nua próxima da miséria humana. Ao traduzir procuramos
outra voz para expressar o mesmo ambiente. Talvez as palavras não estejam todas
lá, talvez algumas sobrem. Outras irão mancando pelo poema até chegarem ao
término, que não é um desfecho, mas um recomeço intermitente.
É
justificado e legendário o “medo” ou “desconfiança” de alguns autores em
relação à tradução das suas obras. Todavia, Germano concedeu-me liberdade total
para trabalhar os seus textos e prepará-los para esta viagem inaugural, deixando
o homem encurralado à minha guarda com
tal naturalidade que fez com que o sentido do dever se acentuasse, como sua
primeira tradutora. Oxalá não tenha excedido os limites implícitos dessa liberdade.
Se for o caso os leitores perdoarão as eventuais zonas textuais controversas,
assim o espero, as derivações da tradução, que é tanto uma adaptação como uma
recriação pontual. Ora literal, ora livre, tão dissemelhante ou inconsistente aqui
e ali como este homem que agora se diz acculé,
l’homme acculé, o tal cuja única esperança reside na força fraterna, indivisa,
da empatia do leitor e da poesia.
Luísa
Fresta
Queluz,
28/12/2020
Imagem: Marcel Gama
CORONAVÍRUS - O TRABALHO SOB FOGO CRUZADO, de Ricardo Antunes
quinta-feira, 28 de outubro de 2021
Poemas estranhos e estrangeiros (Parte XIII)
Por Germano Xavier
Uma espécie de Pequod
o Mar do Norte ainda me acompanhava em pensamento
desde que deixei Volendam para trás.
havia naquele momento uma espécie de chamamento acontecendo.
aí abri a tarde em Marken.
frio, muito verde nas casas de madeira
com janelas abertas e com seus donos nus
andando de um lado para outro em seus cômodos
sem nenhum tipo de preocupação ou pudor,
como a habitarem um pequeno Éden.
no centro do pequeno condado,
avistei um Pequod ancorado na pequena orla.
fitei a embarcação por um bom tempo.
o frio me aquecia a alma.
recordei viagens que fiz em livros.
foi um instante simples e bonito, e eu precisava
contar isso a você.
(Marken, tarde de 16 de junho de 2017).
quinta-feira, 14 de outubro de 2021
NICK CAVE E OS LIVROS, por Cristina Seixas + A CIRCULAÇÃO DO LIVRO EM ANGOLA, por João F. André
domingo, 3 de outubro de 2021
Ainda assim
Por Germano Xavier
OS PRÊMIOS LITERÁRIOS EM ANGOLA, por João Fernando André
sexta-feira, 1 de outubro de 2021
Pelos mares da retranca
O livro EM MAR ALBERTO - 101 RETRANCAS nos leva diretamente para os oceanos albertinos das primevas inovações, mas também possui a capacidade de nos revelar maduros traços senso-musicais e semântico-discursivos de um Newton Messias gaio, sabedor das errâncias, obra com águas de lastro suficientes para pousar em cabeceiras insones de leitores ávidos por uma voz de poesia realmente nova e firme.
quinta-feira, 30 de setembro de 2021
TRANS, de Age de Carvalho
sábado, 25 de setembro de 2021
Poemas estranhos e estrangeiros (Parte XII)
Por Germano Xavier
Odin e o Mar do Norte
a expectativa era bonita.
depois de muitos quilômetros, estaria eu
diante da possibilidade de tocar as águas
do Mar do Norte.
Amsterdam foi vista pelo retrovisor logo cedo.
a estrada era o meu caminho.
ao chegar em Volendam, após degustar queijos típicos,
o frio tomou conta da pele. era um primeiro sinal.
dobrei algumas vielas e corredores estreitos da pequena vila
e lá estava, o grande mar nórdico, o templo vivo dos vikings!
quando estou no centro de cosmos históricos,
consigo vislumbrar partidas e chegadas, gentes,
batalhas, alegrias e tristezas. não foi diferente ali.
o Mar do Norte me pareceu carregado de dores,
suas espumas eram contidas, havia uma lamúria
na cor do que era líquido.
foi olhando para o Mar do Norte que descobri
que nem toda onda dança em festa de corais.
(Volendam, manhã de 16 de junho de 2017)














