segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Tua nua presença

*
Por Germano Xavier

não se preocupe
com o que será dito na noite
do cometa azulado

estás protegida como sinhá
em diligência apressada
nas mãos de fortes braços
ancestrais

e como estás avoada
num passe de ventania
fugindo à regra dos olhos
durante esquinas e ruas

por onde laços circundam
em losangos de chão em pedras
rota-ritual de ficar

mesmo sem corpo
mesmo sem cheiro
mesmo sem a maneira
mesmo sem o dilúvio

uma arca em fabrico de águas


* Imagem retirada do site Deviantart.

domingo, 23 de novembro de 2014

Poemas de Germano Xavier em Francês (Parte II)

*
Por Germano Xavier

"tradução livre"


terça-feira 18/11/14
As árvores amorosas (parte VII)

Les arbres amoureux (partie VII)

poème dédié à la femme charnelle

nous avons cheminé
longtemps ensemble

finalement la traversée
de la rivière détaillée du désir
le coucher de soleil déviant et brève
la nuit holistique sans histoire
les complets désarrois de l’être

puis nous avons raté
le phénomène des logiques
(subjectives)

et le baiser est né
à coté de la cocotte-minute
en plein dimanche inassouvi

un seul, unique baiser
coulé en nanosecondes



domingo, 26/10/14
As árvores amorosas (parte V)

Les arbres amoureux (partie V)

poème dédié à la femme Belle au-delà de la beauté

des mains froides
un cœur gelé
me poussent à créer
des vers meurtris
châtiés

voilà qui sèche
la poésie sans eau
la bouche est un puits vain
un creux tout nu



quinta-feira, 23/10/14
As árvores amorosas (parte III)

Les arbres amoureux (partie III)

poème dédié à la femme de l’Edifice Velázquez

ivre de vin et de désir
je regarde l’eau de la piscine
bleuâtre

des petits bateaux en papier
où naviguent mes pensées

le rituel ouvert sous la tanga de plage
signe de pression et fièvre
au cours des mois

la capitale sous ton joug est plus vorace

la fumée et les obscénités publiques
des quartiers

des doigts dans les chambres iguatemis
des gens dans les usines fantômes
des surveillants qui imposent les mains

l’amour se cache dans les armoires
pour ne jamais se laisser banaliser
il chavire les rouges à lèvres
de la cousine absente en voyage

c’est l’apprentissage froid des amants


* Imagem retirada do site Deviantart.

Nada muito sobre filmes (Parte X)

*
Por Germano Xavier


O SENHOR DOS ANÉIS (1978)

O SENHOR DOS ANÉIS (1978), do diretor Ralph Bakshi, é uma animação de pouco mais de 2 horas de duração que contempla as duas primeiras partes do grande clássico literário do escritor e filólogo J.R.R. Tolkien. O filme é interessante, mesmo para quem já se extasiou vendo as versões mais recentes dirigidas por Peter Jackson. A qualidade gráfica é um tanto duvidosa, mas o encanto da trama permanece. Bom para desconstruir certas imagens e alguns personagens. Há atropelos evidentes, mas vale como experiência. Recomendo a todos os mortais!


RELATOS SELVAGENS

Assisti ontem ao surpreendente filme RELATOS SELVAGENS (2014), do diretor Damián Szifron. Com Ricardo Darín no elenco, o filme dialoga com muitos dos elementos que marcaram época nos grandes escritos da Literatura Fantástica na América Latina. Também me fez recordar o grande Rubem Fonseca em diversas cenas. Situações surreais de descontrole e pulsão, violência e descompromisso para com a ordem social nutrem as tramas da obra. Um filme imperdível. Se eu fosse você, não esperaria muito tempo para vê-lo. Recomendo a todos os mortais!


O EXORCISMO DE EMILY ROSE

O EXORCISMO DE EMILY ROSE (2005), do diretor Scott Derrickson, é apenas mais um filme interessante do gênero suspense/terror que tem o antigo e polêmico ritual do exorcismo como pano de fundo. Exagerado demais nas cenas do julgamento do padre Richard Moore, deixando de lado o conteúdo assustador da trama. Escolha que, para amantes do gênero, conta muito na hora da qualificação da obra. O tema muito me atrai, mas confesso que esperava mais. Ficou devendo. Salve, salve!


GILBERT GRAPE - UM APRENDIZ DE SONHADOR

GILBERT GRAPE - UM APRENDIZ DE SONHADOR, dirigido por Lasse Hallström, é um filme de muita sensibilidade e beleza. A relação de dois irmãos e de todo um histórico familiar nada harmônico mistura-se ao clima de romance desencadeado a partir da segunda metade da película. Um filme sobre os amores incondicionais e, também, sobre a liberdade. Para ver com muito gosto. Johnny Depp e Leonardo DiCaprio em estados de maturação artística. Recomendo a todos os mortais!


O CHAMADO

Tenho mania de comparação quando o assunto é a refilmagem de obras cinematográficas. Por isso, não gostei de O CHAMADO (2002), do diretor Gore Verbinski, versão americana de Ring - O Chamado (1998). Não há como ficar observando com indiferença nem ficar sem fazer analogias para com original. Faltou muita coisa para ser realmente um bom exemplar de terror/suspense. Como entretenimento, talvez valha a pena dar uma olhada.


A NOIVA CADÁVER

Está aí um filmezinho que muito me tocou: A NOIVA CADÁVER (2004), dirigido por Tim Burton. Para você que gosta dos filmes do referido diretor, certeza de que irá encontrar muitos de seus elementos e enquadramentos costumeiros e que o tornaram um ícone do cinema recente. O filme é prova de que menos é quase sempre mais. Historieta simples, com um leve toque de crítica à ganância humana e muita fantasia, com tons mórbido-debochados. Uma película com a assinatura de Tim. Recomendo a todos os mortais!


HOTEL TRANSILVÂNIA

A animação HOTEL TRANSILVÂNIA (2012), dirigida por Genndy Tartakovsky, pode até agradar aos baixinhos, mas tenho lá minhas dúvidas se consegue agradar aos altinhos, como eu, que adoram toda a "mitologia" que há por detrás de incontáveis e memoráveis personagens clássicos da literatura universal, a citar Drácula (Bram Stoker) e Frankenstein (Mary Shelley). E, convenhamos, é papel da animação agradar os altinhos também, haja vista o crescente interesse de tal público pelo respectivo gênero cinematográfico. Ficou devendo, e muito.


DEBI & LÓIDE 2

20 anos depois, eles voltaram. DEBI & LÓIDE 2, dirigido por Bobby Farrelly e Peter Farrelly, presta-se a um tipo de humor nonsense cada vez mais raro nos ambientes de entretenimento que permeiam o mass media atual, um humor mais ingênuo e simples. Para quem riu muito com o primeiro filme da série, vale a pena dar uma olhada nesta continuação. A dupla é de riso fácil e cumpre o papel a que se destina, com honras. Recomendo a todos os mortais!


* Imagem: Google.

O Homem Hediondo Nº 5 em aventuras por terras mestrandas


Por Germano Xavier

Alguns registros imagéticos do início de minhas aventuras e desventuras por um mestrado em Letras.
Sigamos, bucaneiros!

Clique nas imagens para ampliar:






sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Escola Cordeiro Filho em excursão para Serra Negra-PE

*
Por Germano Xavier

A Escola Cordeiro Filho, principal instituição educacional do município de Lagoa dos Gatos-PE, realizou no último dia 16 de novembro de 2014 uma excursão para a linda Serra Negra, um dos pontos mais altos do estado de Pernambuco, passando pelo Alto do Moura, em Caruaru-PE, e pelo Centro de Artesanato de Pernambuco, na cidade de Bezerros-PE. O projeto fez parte do processo de ensinagem do presente ano letivo e teve como orientadores os professores Francisco Pedro, José Fernando Moura e Germano Xavier.

Clique nas imagens para ampliar:







* Imagens: Germano Xavier

terça-feira, 18 de novembro de 2014

As árvores amorosas (Parte VII)

*
poema para a mulher sem platonismos

Por Germano Xavier


caminhamos
longos anos juntos
e haveria de ser

o rio pormenorizado pelo desejo
o pôr-do-sol desviante e breve
a noite holística e sem história
as completas desavenças de indivíduo

e haveria de não ter
a fenomenologia das lógicas
(subjetivas)

o que houve foi um beijo
ao lado da panela de pressão
num domingo de fomes

um único e apenas
selado em milésimos de segundo


* Imagem retirada do site Deviantart.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Poemas de Germano Xavier em Francês (Parte I)

*
Por Germano Xavier

"tradução livre"


Leia abaixo os poemas "Bagagem", "Aquelas febres" e "As Árvores Amorosas (Parte VI)", recentemente publicados aqui n'O EQUADOR DAS COISAS, agora traduzidos para a língua francesa. Boa leitura, bucaneiros!


terça-feira 11/11/14
Bagagem (poema)

Bagage

viens
donne-moi tes lèvres
et ses moussons d’été
pour assouvir mes soifs

viens
ramène accoudés à ton visage
tes empires de salive
en jus nucléaire de pulsions

viens
emmène ta rose
ta carte sans cartographie
portière ouverte à mes attaques

de naufragé



sábado 08/11/14
Aquelas febres (poema)

Ces fièvres-là

ces fièvres aux goûts âcres
et gorges opérées en semi-voyelles
qui n’osent pas quitter les bouches
ni pour l’extrême-onction

ces fièvres aux corps dormants
si chaudes dans la distance
et l’imaginaire qui raccourcit pour être et voir
ce qui se cache

ces fièvres de feu
qui nous transforment en bêtes
et nous impriment des empreintes
d’âmes sans silences

ces fièvres miennes et tiennes
l’aube des aliments combustibles
qui font éclore l’ébullition
des muscles qui pulsent encore



segunda-feira 03/11/14
As árvores amorosas (Parte VI)

Les arbres amoureux (Partie VI)

dédié à la femme de Seabra (Bahia, Brésil)

il y avait du vin au milieu du cercle
formé par le son attristé

des amis sans amitié
simulant par leurs voix
les douces distances

il y avait toi et moi
en différentes fréquences

et la fin de la fêté indiquerait
les chemins :

notre dernière chance pour demain


* Imagem retirada do site Deviantart.

sábado, 15 de novembro de 2014

Mais Bernardos para Manoel

*
Por Germano Xavier

minha homenagem ao Manoel de Barros
 

em qualquer canto
poeta olhando de ciminha
ou não

rede de algodão ou sombra
de árvore pantaneira
farfafolhando o que se redenta
todo dia

rebenta o homem dos Bernardos
e nos agoras de chão
espreita ombros
pousos e pios

de onde está
anuncia aos céus
sua nova gramática

de infinitar palavras


*  Imagem: Google.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Bagagem

*
Por Germano Xavier

vem
traz tua boca
e nela as monções de verão
para minhas sedes

vem
traz junto ao rosto
teus impérios salivares
em molho nuclear de pulsões

vem
traz tua rosa
mapa sem cartografia
portinhola para meus ataques

de náufrago

* Imagem retirada do site Deviantart.

sábado, 8 de novembro de 2014

Aquelas febres

*
Por Germano Xavier

aquelas febres de travos
e gargantas operadas em glides
que não saíram das bocas
nem por extrema unção

aquelas febres de corpos dormentes
e quentes na distância que o imaginar
se encurta para ser e ver
o que se esconde

aquelas febres nada pálidas
que nos alteram em bichos
a nos imprimir lavagens
de almas sem silêncios

aquelas febres minhas e tuas
alvorecer dos alimentos combustíveis
que fazem eclodir o saldo ebulitivo
dos músculos ainda pulsos


* Imagem retirada do site Deviantart.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Maurice, o pianista

*
Por Germano Xavier

"O silêncio é uma confissão".
Camilo Castelo Branco


Dia nublado. Vento frio varava varandas e pessoas. A noite era perto. Algumas coisas para os distantes desatinos das vistas humanas eram levadas. Uma cidade à espera, esparsas ruas. Um concerto de cordas e Maurice, pianista e compositor, atração maior. Fama de criar curiosas peças para piano. Maurice, antes do dia de hoje, resolvera que iria parar com sua arte. Longos anos. Já era a hora, dissera ao ser entrevistado por uma jornalista da tevê local. Maurice iria se exibir para o público pela derradeira vez. Prometera ao vivo um espetáculo singelo.

Uma pequena multidão tomou conta da praça. O pianista tocaria. Palco montado. Maurice faria tudo aquilo que um pianista sabe fazer. Maurice entrou no palco, caminhou na direção de seu piano, sentou, ajustou a distância do banco, envergou-se diante das teclas, parou. Maurice respirou profundamente. A plateia observava-o. Eram crianças, jovens, adultos, idosos. Havia um clima de despedida no ambiente. Maurice, neste momento, olhou para cima. Enxergou o firmamento. Céu negro, brilhoso, bonito. 

Por um momento, as memórias de Maurice pareceram atravessar um túnel do tempo. Havia refluxos, regressões. Não havia o futuro. Maurice, depois de se atravessar com a mente, era somente o agora. Concentrou-se com uma lentidão de moveres. O apresentador do evento, com sua voz radiofônica, incitou a plateia. O início estava perto. Tudo agora estava nas mãos de Maurice, literalmente.  Corpo, coração, olhos, mãos, tudo estava em seu devido lugar. 

Todavia, para espanto coletivo da massa ali presente, Maurice não mexeu um só dedo por longos minutos. 58 minutos, precisamente. Maurice não tocou, não fizera o que haveria de ser feito. Fez o que qualquer pianista em igual situação não faria. Ele não tocou! Não, não! Ele não tocou! O pianista não tocou. Ao piano, Maurice executou o silêncio. O pianista bramiu, em seu ato final, a grande pausa. Fez o piano tocar silêncio para que todos ouvissem os mais rarefeitos sons do mundo, que porventura jamais poderiam ser ouvidos se ele tocasse o teclado preto e branco de seu piano: os tambores dos corações sem pressa, as tonalidades das respirações fogosas, os sussurros das mentes operantes, os chiados nas pregas do couro das poltronas, sorrisos cantantes de crianças felizes, os pigarros carentes, as lamúrias de amor...

E todos escutaram pela primeira vez sons inaugurais. Foi como promover nascimenos ali, para muitos que se encontravam no local. Não tocando, Maurice tocou. Era sua última peça. Maurice, diante do negro piano, esperava algo. Era o ápice. O desfecho triunfal. Maurice meditou. O piano, imaculado, tocara naquela noite as melodias mais incríveis. Rapidamente, quase de esguelha, Maurice olhou para as gentes. Levantou delicadamente. Visitou com os olhos o pulso que sustentava o relógio. Achou por bem descer os lances da escada que dava para o fundo do palco. Depois, seguiu a lua.


Imagem retirada do site Deviantart.

A estradinha

*
Por Germano Xavier

para meu sobrinho Carlos Henrique

Carlitos
não se avexe em engrandecer
mundo é danado de doido
e meninar é trem-bão

faz assim:
vai de pouquinho
vai de mansinho
vai de tiquinho

que criançar é trem-bão

vai de tantinho
vai de passinho
vai discretinho

que pequenar é trem-bão

Carlitos
mas jamais se esquecer
de quando ser alto pra cima crescer
por dentro ainda e sempre ser
piquininho


* Imagem retirada do site Deviantart.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

As árvores amorosas (Parte VI)

*
poema para a mulher seabrense

Por Germano Xavier

havia vinho no meio da roda
formada ao som desgostoso

amigos sem amizade
fingindo em vozes
as doces distâncias

havia você e havia eu
em diferentes frequências

o fim da festa indicaria
os caminhos:

nossa última chance para amanhã


* Imagem retirada do site Deviantart.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Edição 4 do jornal O EQUADOR DAS COISAS

*
Por Germano Xavier

Setembro foi mês de ver nascer a 4ª edição do Jornal de Literatura e Arte O EQUADOR DAS COISAS, publicação especializada brotada de um sonho antigo meu e compartilhado com muitas pessoas a partir de 2012, ano de sua materialização. A 4ª edição está luxuosa, com impressão colorida  e devidamente registrada junto à Biblioteca Nacional, agora contando com seu ISSN próprio, o que eleva o jornal para outro patamar. 

Nas palavras de Carol Piva, umas das editoras do jornal:

"O EQUADOR DAS COISAS" é uma publicação semestral, independente e sem fins lucrativos. É todo ele janelas se abrindo a uma literatura o mais esquiva possível das tais "amarras-mercado" naquilo que faz a gente residuar desgostos. Propõe o diálogo com autores, seus textos e imagens, equadores que nos chegam, livre e deliciosamente, de acolás vários e, ainda, dos artistas convidados. Nossa paixão é pela escrita... palavras, sons, imagens e até os silêncios deles... este intercâmbio entre línguas e linguagens. O jornal ziguezagueia entre os t(r)atos editoriais no Brasil, Estados Unidos e agora, muito bonitamente, também na Irlanda. Uma honra-deliciúra! Tudo aqui publicado é de responsabilidade exclusiva de seus autores."

O destaque da edição 4 fica por conta da entrevista com o escritor angolano José Eduardo Agualusa, feita por Iara Fernandes. Também estão com a gente nesta edição: Eabha Rose, Maita Assy, James Wilker, Rafael Kesler, Toni McConaghle, Little Eagle McGowan, Isabela Escher, Tatiana Carlotti, Zé Alfredo Clabotti, Sara Rauch, Carol Caetano, Paulo Cecílio, Leonardo Valesi, Marília Kosby e outros.

Com um sentimento misto de honra e prazer, participamos da FLU - Feira Literária de Uberaba 2014, em Minas Gerais. Somos muito felizes por fazê-lo instrumento de revolução e de promoção de amor para o mundo e para as pessoas. Que o Equador seja sempre centro de transformações e de bonitezas.

Agradecimentos a todos que fizeram e fazem o jornal, e em especial (como sempre) a Carol Piva. Você é o equador do Equador, Carol. Embarco neste sonho reverberado e potencializado em seus dentros infinitamente lindos. Que venha o número 5!

Endereços para envio de textos para seleção/Edição 5:

Contribuições em Português, enviar para:

germanoxavier@hotmail.com
carolbpiva@gmail.com 
fernandesiar@gmail.com
tcarlotti@gmail.com
 escher.isabela@gmail.com

Contribuições em Inglês, enviar para:
 
karimelimon@gmail.com
dawgrox@gmail.com
eabharose@yahoo.ie

Participe!

Algumas imagens equatoriais (Iara Fernandes e Germano Xavier):






quinta-feira, 30 de outubro de 2014

O antes das flautas

*
Por Germano Xavier

agora é assim:
uma janela para o labirinto
lá embaixo onde tudo se perde
nos passos sem orquestra
da multidão

(um chão em silêncio)

veja bem:
quando o olhar direciono
em nome de tua seda-pele
pense que daí por diante
sortes simpatizem regências

pressuposto:
o tocador de flauta
naipe de madeira apesar
do metal moderno (mais frio)
não toca sem estar convicto
das altas temperaturas

conclusão:
é doce a verdade na vontade
e muito tempo faz ajuntar na gente
uma música inteira de paixão
noutro livro fechado que de longe
é bem estória de adivinhação


* Imagem retirada do site Deviantart.

domingo, 26 de outubro de 2014

As árvores amorosas (Parte V)

*
poema para a mulher bela sem Beleza

Por Germano Xavier

mãos frias
para um coração gelado
para você forço
um verso sem vida
castigado

assim seca
poesia sem água
a boca é um poço vão
nu buraco


* Imagem retirada do Google.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

As árvores amorosas (Parte IV)

*
poema para a mulher marrom da dolina

Por Germano Xavier

ligar o Chevy Opala SS 1978 era o sinal
lua acesa e o temporal caído na noite
de se fazer

anomalias em segredo de flacidez
dentro do muscle car espíritos que se recordem
valeriam do amor em parágrafos de névoa

embaçamento de para-brisa
ovário refletido no retrovisor central
seus medos cínicos impedindo o nuclear
acolhimento dos espirros eróticos

de rainha só teu nome
tuas Inglaterras eram terras de ninguém
por isso as confissões tergiversadas
sem função de sentimento

(poeta sabe mentir sob crise afrodisíaca)

depois do seminário lunar o homem
girava a chave na ignição
o solo raspado pelos enormes pneus em tração

espessa poeira para apagar a claridade dos breus


* Imagem retirada do dite Deviantart.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

As árvores amorosas (Parte III)

*
poema para a mulher do Edifício Velásquez

Por Germano Xavier

grogue de vinho e tesão
olhei para a água da piscina
azulada

barquinhos de papel
bandeavam meus pensamentos

o ritual aberto sob a tanga de praia
sinal de pressão e febre por
bons meses

a capital com você foi mais sedenta

fumaceira e obscenidades públicas
de quarteirões

dedos dentro dos quartos iguatemis
pessoas na usina sem funcionamento
postes vigias em passes espíritas

o amor se escondia em armários
para jamais nos ser familiar
como a fuçar a caixa de batons
da prima em viagem

frio aprendizado de requentos


* Imagem retirada do site Deviantart.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A flor na flor

*
Por Germano Xavier

(todas as fêmeas aragonitas impostoras descambam
na imagem do seu jardim de delícias)


em você há brotada uma flor
de carne orvalhada desde a boca
operando úmida ao movimento
das vontades de estame

é uma flor única
de grandes pétalas dobradas
cujo pólen se liquefaz
em mel viscoso

(para a boca
a sede é antiga)

o beija-flor em planos segundos
pousado sobre a imagem da Beleza
descobre o mistério da rosa-vulva
e célere logo opera o androceu milagre

o pequeno pássaro se agiganta
ao tocar com o bico o botão ancestral
magma-lava branca sem menosprezar
ares desce o canal dos desejos

em tal instante
a flor é para a língua
um cultivo de rotas


* Imagem retirada do site Deviantart.

domingo, 19 de outubro de 2014

As duas ruas

*
Por Germano Xavier


na noite nuvens negras
escondem a lua e as duas ruas
paralelas e antigas se unem
como veias abertas 

o maior dos desfiles composto
cavalos brancos amontoados nas esquinas
centauros míticos aborrecendo tédios
concretos asfálticos em cópula

duas almas se corporificando

a esperança do sol do amanhã
em secar as dobras e arejar as guias
da indolor certeza das conjunções


* Imagem retirada do site Deviantart.

Nada muito sobre filmes (Parte IX)

*
Por Germano Xavier


DRIVE

O filme DRIVE (2011), dirigido por Nicolas Winding Refn, é uma obra basicamente de estilo. O roteiro não é lá grande coisa, muito comum em longas dessa vertente. Até o fim da primeira metade, o filme faz do silêncio das cenas prolongadas um marco de captura do espectador. É realmente bonito o começo. A trilha sonora ajuda, e muito. Do meio para o fim, transforma a violência em mais um endereço para o Belo, apesar da dureza das cenas. Lembrou-me muito alguns clássicos dos anos 80 que tinham a violência sem disfarces como trunfo. A película mescla sentimentalismos e faz da sociopatia do protagonista a âncora que faz estancar o julgamento da quase inconsciência de suas ações. A todo instante, somos e estamos como/com o motorista. Recomendo a todos os mortais!


TOURO INDOMÁVEL

O filme TOURO INDOMÁVEL (1980), drama biográfico dirigido por Martin Scorsese, conta a história do Jake LaMotta, pugilista (uma espécie de anti-Rocky Balboa) que ascende profissionalmente de maneira avassaladora ao mesmo tempo que se vê derrotado em sua vida particular, por conta de seu comportamento desregrado e egoísta. É poético e dolorido. Um clássico do cinema, sem dúvidas. Filmado em preto e branco, com atuações muito convincentes e roteiro sensacional, o filme sobre o "Touro do Bronx" não pode ser deixado de lado, em nenhum momento. Recomendo a todos os mortais!


MENINOS NÃO CHORAM

MENINOS NÃO CHORAM (1999), da diretora Kimberly Peirce, é um filme denso, duro e que facilmente pode provocar indignação em quem o assiste. Baseado em fatos reais, a protagonista atende pelo nome de Teena Brandon, que quer mesmo é viver como Brandon Teena. Durante um certo tempo, ela consegue sustentar a sua identidade sexual masculina, mas o disfarce cai por terra e ela começa a ser alvo de uma violenta nuvem de preconceitos, até ser morta por um de seus amigos mais próximos. Recomendo a todos os mortais!


O BEIJO DA MULHER ARANHA

O BEIJO DA MULHER ARANHA (1985), dirigido por Hector Babenco, é uma produção cinematográfica dividida entre Brasil, EUA e Argentina. Baseado no livro homônimo do escritor Manuel Puig, o filme narra o convívio dentro de uma prisão entre Luis Molina, homossexual que passa suas horas inventando e contando filmes, e Valentin Arregui, heterossexual aparentemente preocupado apenas com seus segredos políticos. No decorrer do drama, os dois se aproximam e terminam por dividir suas dores e seus sonhos. O amor é alicerçado de uma maneira muito poética pelos protagonistas, haja vista a ambientação por demais insensível para o nascedouro de tal sentimento. Grande elenco nacional se mistura a Raul Julia e William Hurt. Recomendo a todos os mortais!


CLUBE DE COMPRAS DALLAS

O filme CLUBE DE COMPRAS DALLAS (2013), do diretor Jean-Marc Vallée, narra o drama vivido pelo personagem Ron Woodroof e é, antes de qualquer julgamento, uma bela lição de vida. Ron é diagnosticado com AIDS e os médicos dão a ele apenas 30 dias de sobrevida. A partir de então, Ron inicia uma luta quase solitária contra a indústria farmacêutica de seu país - e que também seria a luta por sua própria sobrevivência -, chegando a contrabandear produtos tidos como ilegais nos EUA e que serviriam para amenizar o sofrimento de pessoas que passavam por problemas semelhantes aos seus. Muito se fala das atuações principais, e não é por menos. O filme é realmente muito bom e merece ser visto. Baseado em fatos reais. Só achei o final um pouco fraco diante do conjunto da obra. Todavia, recomendo a todos os mortais!


ANNABELLE

ANNABELLE (2014), do diretor John R. Leonetti, definitivamente é mais um exemplar de "continuações" que não fazem jus ao filme inaugural, neste caso o bom e convincente A INVOCAÇÃO DO MAL. Fui vê-lo com muita expectativa ontem, pois admiro os bons filmes do respectivo gênero, mas a decepção ao fim foi evidente. O filme vai, vai, vai, a gente espera algo realmente diferenciado e quase nada acontece de interessante. Terminou sendo mais um "mais do mesmo". Algumas cenas louváveis, é claro, e assustadoras! Todavia, fica só nisso. Enredo fraco e muitas partes desnecessárias. Talvez valha pelo entretenimento, mas não entrará para o cânone do terror. Salve, salve, bucaneiros!


AS AVENTURAS DE PI

Revi o maravilhoso AS AVENTURAS DE PI (2012), do diretor Ang Lee. O filme é baseado no livro homônimo do canadense Yann Martel, que foi acusado de plagiar o livro "Max e os Felinos", de Moacyr Scliar. Eu já li o livro do escritor brasileiro e é mesmo impossível não identificar as semelhanças na narrativa. Polêmico, o certo é que a história de Pi é fantástica. Filho do dono de um zoológico, Pi é o único sobrevivente de um naufrágio que dizimou sua família e os animais que viajavam no convés. No bote salva-vidas, restou ele, uma hiena, um macaco, uma zebra e um tigre. Lutando contra seus medos e temores, Pi revela-se forte o suficiente para suportar as intempéries e sugere um encontro íntimo com Deus, a partir de seus flagelos e de suas conquistas diárias. Um filme para todas as idades. Um clássico de nossos tempos. Recomendo a todos os mortais!


A ÚLTIMA TENTAÇÃO DE CRISTO

A ÚLTIMA TENTAÇÃO DE CRISTO (1988), do diretor Martin Scorsese, é um filme baseado no livro homônimo do escritor grego Níkos Kazantzákis. Em meus tempos de menino, tempos também do videocassete, recordo-me que era uma película bastante polemizada. Talvez, até hoje. Hoje tive a oportunidade de revê-lo. Jesus, no momento da crucificação, é tentado pelo "mal" a visualizar como teria sido sua vida caso não fosse levado ao sacrifício em prol da humanidade. Como homem detentor de uma vida comum, Jesus passaria a ser visto como o mais reles dos traidores, a começar por Judas e Pedro. Para quem gosta de filmes históricos com teor bíblico, não pode passar sem vê-lo. Sem dúvida, um ícone do gênero. Recomendo a todos os mortais!


* Imagem retirada do site Deviantart.