terça-feira, 6 de maio de 2014

Verbopróprio


 Por Germano Xavier

claro enigma
teu laço de fita,
minha cela

faremos amor de mar,
a púrpura cor
em sede eterna

lambuza minha boca
com a carne do teu
corpo! comer-te

em pétalas, o ar!

dilucular a tez
em brasa e fêmea
da tua chama

tu'acéquia em molhos
a ceder a mama
em goles e nauta

traço teu casto
portulano
em angélicas ondas,

mar alto...

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Minha ópera ainda inédita (fim)



Por Germano Xavier

Sobre luas, calendários e vernissages:

Ela é meu maior poema. Épico. Epopéia. Porque a vivo. No hoje.
Lei de diretrizes orçamentárias: Não economizar beijos.
Plano plurianual: Sofrer e morrer juntos + imortalidade diária.
Fazer estudo sobre a expressão “Maitre à penser”.
Deitados, à rede, tocarmos músicas de bocas.
Usar de dêixis para vaticinar futuros ciganos. Minha palavra.
Palavra alemã que diz de fantasia e realidade: Sage.
Minha langue e minha parole. Saussure e Bakhtin.
Minha sonata feita ao toque de uma lira egípcia. Virtuose.
Porque “o que eu arquiteto é a história do futuro”. Ó, captain!
E o que é o que é que quando é não é outra coisa?
Só se ela não quiser... Porque de mim quero o barbarismo.
Quero o assombro perante as partes do eu. Carteiro e poeta.
Endereçar águas de mares muito mais bonitos. Mas é se ela quiser...
Porque nem querendo sou jesuíta, ou navio de cabotagem.
Faço brilhar uma idéia. Sou “Argos” e eu queria que ela fosse “Ação”.
Tenho 23 anos e não sou essa idade. Tenho perto de 115 anos.
Apresento objetos e abaixo - levanto as cortinas. Sou ária.
Meu solo é canção. Vivo de cantar cantatas para os meus dias.
Você é gênero dramático que se drama mais que a mim.
Cenografia. Vestuário. Aberto libreto. Sinfonia Bel Canto.
Sou contratenor. Você, mezzo-soprano: ainda não sabe.
Não sabe que quem encerra a porta do teatro é o amor.
E não sabe que é mesmo ele o único anti-censor.

domingo, 4 de maio de 2014

Noturno


 Por Germano Xavier

A noite caminha
a diversidade de seus deuses.

Belicosas luas
instauram e legitimam
teu corpo de silêncio.

Criaturas e ventos,
emaranhados em lama mística,
corrompem as luminárias
cristalinas do dia.

E na mais alta das horas,
sobram relâmpagos ausentes
que perfuram a vastidão do noturno.



Poema escrito para fazer parte do curta-metragem experimental "Noturno",
onde fui um dos roteiristas e o narrador.
Influência marcante da poesia de Jorge Luis Borges.

sábado, 3 de maio de 2014

Mulheres e ostras


 Por Germano Xavier

Mulheres são ostras!
Cântaros e embornais
de sensibilidade resoluta,
única e a ela peculiar...
Mulheres são ostras!
Quando se escondem
por trás de uma
carapuça lancinante,
grácil em sua essência...
Mulheres são ostras!
Localizadas nas profundezas
abissais de um coral
de lampejos
e suores secretos...
Mulheres são ostras,
assim como você - furtando
o brio perolar das significâncias mais
absurdamente femininas e valiosas,
para dentro de si, de seus olhos
lascivos e de conquista...
Mulheres são ostras!
Animais biodiversos e maternais.
Mulheres são ostras quando se
prendem aos cascos das
embarcações românticas, viajando
léguas sobre líricos oceanos e mares
trovadores (ou de tormentas)...
Mulheres são ostras!
Nas águas de lastro, contaminando
outras águas de lastro com os males
do amor e da saudade...
Mulheres são ostras!
Moluscos comestíveis, quando da
degustação de suas carnes macias e
suculentas...
Mulheres são ostras!
Criaturas bivalves.
Objetos cortantes e cicatrizes eternas
para um mal ostreicultor...
Mulheres são ostras!
Mais de uma em uma.
São incontáveis ostras, e mais ostras,
e outras...
Mulheres são ostras!
Pérolas brancas, pérolas negras,
pérolas loiras, ruivas, cafuzas, índias...
Mulheres são ostras, ostras, ostras...

Poema publicado no jornal Diário da Região (Juazeiro-BA), em 11 de junho de 2005. Esse poema é marcado por um mistério que não sei bem como explicar. É como se fosse um rebento desgarrado em meio aos filhos obedientes, um caso único, singular...

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Auto-celebração



 Por Germano Xavier

inclusive
porque quando moços
e andantes – eu, solitário -,
a gente padece
por sermos tão velozes,
e por esquecermos de complicar o sujeito
do poema.

penso que germano morreu,
e agora madressilvas exalam um réquiem
em seu sepulcro de boda.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Sonodestécnico



 Por Germano Xavier

a dor
do fim
em cada
chegada

o humano
coração
inumano
partido

a fuga
do que
permanece
inerte

abalo
estrondo
dum eco
sem som

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Todo risco



Por Germano Xavier 

Ao poeta baiano Damário DaCruz,
in memoriam.


Existimos, inescapavelmente,
sem-e-com esta necessidade branca dos aondes,
existimos no abandono dos bancos
nesta chuva molhada sobre os chãos sem contas.

Existimos, interminavelmente,
como na sagrada e parca queda de uma folha seca,
ou na extremidade da ausência no colorido dos passados.

Como existimos no equilíbrio dos pratos
e nos pêndulos convidando para a dança.
A vida passa antes mesmo que um poema
cruze, em tempestade íntima, um risco entre tantos.

Existimos na textura que erigimos uma estátua,
parados na mudez de pedra esculpida de um silêncio.

Desde o templo implacável que inundamos as esfinges,
que laceramos o tecido alvo das cavalgaduras,
antecipando as sombras dos rumores afogados
em tímpanos que não sabem mais ouvir.

A existência burlada, qual nada,
inda coze os grãos de água em teimosos corpos
que desabismam desorvalhos.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Uma pipa para Pedro


Por Germano Xavier 

Para o Pedrinho da Branca, porque o céu não é triste.


Papel, cola, sacola plástica, linha e tesoura.
Com esses materiais, Pedro, nós
dois tocaremos o céu.
"Sim."

Já enrolei a linha no carretel
para você dar a tocada.
Agora só falta amarrar a rabiola
e fazer o centro do estirante,
que chuva nem de longe se anuncia.
"Sim."

Eu vou ficar daqui segurando ela.
Quando você sentir o vento
vindo daquela nuvem lá de cima,
aquela com cara de tamanduá-bandeira,
você dispara correndo, combinado?
"Sim."

Olha o vento, Pedro, é esse!
Não perde ele não, corre, vai!
Isto, Pedro, não deixa ela cair, vai mais!
Está subindo, Pedro, tão linda, no céu
azulzinho, está decolando!,
e colorindo o céu de cor, dando piruetas no ar...

Olha ela lá, não pára!
Continua, Pedrinho!
"Simmmmmmmmmmmmmmmmm..."

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Uma história do Caribe


Por Germano Xavier 

Conformações de Luís Alexandre Velasco


o destino, meu amigo, é um pirata.
um marinheiro contrabandista
manobrando os pesos que se excedem.
leva amarrado a amargura,
implica-nos grandes gafes. parece até
que toda verdade tem de antes ser mentira.
nós somos a mercadoria do tráfico,
a mais improvável, a mais insegura,
carga solta na coberta do destróier,
os imaginados náufragos.

assim me batizaram, Velasco.
mas de que me adianta um nome
se meu destino é estar à mercê,
precipitado, em alto-mar, à deriva?

domingo, 27 de abril de 2014

Dos novos tipos revoltosos


 Por Germano Xavier

ele sempre apertava as mãos
dos outros
com uma delicadeza
de pássaro...

depois se recolhia,
num cantinho,
a pitar teu cigarrinho medicinal.

sábado, 26 de abril de 2014

Literatura, a melhor das viagens


UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO
FACULDADE DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE PETROLINA UNIDADE DE ENSINO DE COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO

LITERATURA – A MELHOR DAS VIAGENS
ESTÁGIO SUPERVISIONADO IV (RELATÓRIO)

PETROLINA – PE
2009

GERMANO VIANA XAVIER

LITERATURA – A MELHOR DAS VIAGENS
ESTÁGIO SUPERVISIONADO IV (RELATÓRIO)

Relatório de estágio apresentado à disciplina Estágio Curricular Supervisionado IV, como um dos requisitos para a aprovação no 8º período do curso de Letras/Português e suas Literaturas.

Professora orientadora: Yolanda de Almeida.

PETROLINA – PE
2009

1 – O DIA A DIA NO ESTÁGIO

1.1. A APRESENTAÇÃO DO ESTAGIÁRIO


No presente relatório, minha intenção é realizar a apresentação das experiências vividas e compartilhadas durante a realização da disciplina Estágio Curricular Supervisionado IV, desempenhadas na Escola Padre Manoel de Paiva Neto, localizada no Bairro Jardim Amazonas, no município de Petrolina, Pernambuco.

Descreverei parte da vivência por mim desfrutada, desde o contato inicial com a escola, relatando, a posteriori, todo o decorrer da experiência efetiva em sala de aula, para depois poder mostrar o saldo de toda a prática processada no ambiente de sala de aula. Por fim, concluirei com um pequeno desfecho acerca do que aqui foi descrito.


1.2. CAMINHO PERCORRIDO PARA A REALIZAÇÃO DO ESTÁGIO


Na segunda-feira, 05 de outubro de 2009, dirigi-me à escola escolhida (Escola Padre Manoel de Paiva Neto) para a realização do estágio, com o objetivo de apresentar-me à direção daquela instituição de ensino. Fui cordialmente recebido pela diretora adjunta da escola campo, senhora Graciene Martins de Souza, que me encaminhou à professora de Língua Portuguesa e Literatura da 3º série do ensino médio, do turno matutino, senhora profª Quitalide Socorro Bandeira Honda.

Na mesma manhã, a professora supervisora teve uma breve conversa comigo. Relatou-me acerca do desenvolvimento individual de sua turma de 3ª série do ensino médio, segundo sua percepção e, também, falou-me de alguns alunos em especial. Apresentou-me seu horário, além do conteúdo programado para ser trabalhado na unidade e também os conteúdos que estavam sendo trabalhados na turma, além dos que eu deveria aplicar no decorrer do meu estágio.


1.3 – DESCRIÇÃO DAS EXPERIÊNCIAS DE SALA DE AULA


Na primeira semana, surpreendi-me sobremaneira. Como é diferente entrar numa sala de aula como professor. Cada nova experiência como professor/educador é um universo completamente novo que temos de enfrentar. Ser aluno faz parte de minha personalidade, mas ser professor é diferente. A cobrança é sentida a todo o momento, a responsabilidade é outra, a postura tem de ser outra.

No dia 05 de outubro de 2009 fui apresentado ao 3º ano do ensino médio, à escola, a boa parte dos professores e a alguns funcionários. Confesso que me senti muito confortável. O motivo do conforto foi porque todos os alunos demonstravam interesse em querer me conhecer, conhecer o “novo professor”, e tudo conspirava a meu favor...

Na quinta-feira e na sexta-feira, eu já me sentia um pouco mais à vontade. Já conseguia tirar dúvidas de alguns alunos, manter algumas conversas. Porém, não me sentia bem quando alguns alunos começavam a conversar.

Já na sexta eu era o responsável pela turma. Tinha reservado a biblioteca e acertado com os alunos que a aula da próxima segunda-feira seria lá. A biblioteca da escola é razoavelmente ampla, tem um bom acervo e a professora que trabalha como bibliotecária é muito atenciosa.

Deve-se, também, ressaltar que a escola Padre Manoel de Paiva Neto dispõe de uma boa estrutura física e material. Com salas de aula bem amplas e arejadas, uma boa cantina, área de sombra, quadra poliesportiva, sala de professores confortável e secretaria bem estruturada. Os professores e alunos têm acesso a uma sala de vídeo bem confortável e equipada, além da já citada biblioteca. A escola Padre Manoel de Paiva Neto tem um papel de grande relevância para o bairro no qual está inserido.

Voltemos a minha primeira aula ocorrida na biblioteca. Essa consistia em o aluno escolher um livro qualquer e ler. No dia seguinte, pedi para os alunos recontarem, de forma escrita, as histórias lidas para depois serem repassadas para o restante da sala, agora de maneira oral e depois em formato de mural. Surpreendi-me com os resultados, as atividades foram desempenhadas com muito bom gosto.

Consegui me adaptar bem à escola, aos alunos e à professora supervisora. Esta sempre estava disposta a me ajudar em tudo. O 3º ano sempre esteve disposto, atento, por isso não tive muita dificuldade com esta sala, embora haja sempre um ou outro momento de maior desleixo por parte dos alunos. A faixa etária dessa turma está entre os 17 e 21 anos.

Tudo o que a professora supervisora pediu para eu trabalhar com sua turma de 3ª série do ensino médio penso ter conseguido trabalhar com afinco. Baseei-me no livro didático que a mesma me forneceu, embora eu não tenha deixado de usar outros livros e referências que conheço.

Os assuntos trabalhados em sala de aula são os que seguem abaixo:

- Pré-Modernismo;
- A Semana de Arte Moderna;
- Modernismo (Geração de 30);
- Modernismo (Geração de 45).


1.4 – RESULTADOS ALCANÇADOS


O estágio supervisionado IV é um momento oportuno para realizar experimentos na prática educativa, e, por assim ser, de extrema importância, pois proporciona ao aluno-estagiário a aferição do exercício docente e a interação do mesmo com a comunidade escolar. Além de atender a uma exigência normativa do curso de Letras – Português e suas Literaturas, o estágio curricular supervisionado promove a aquisição de vivências mil no que diz respeito à prática pedagógica.

Considerando a Literatura como elemento fundamental na formação integral do indivíduo-aluno, faz-se de extrema relevância suscitar nos estudantes o gosto e o desejo pela leitura, assim como tomar conhecimento sobre a vida e obras dos autores estudados, conhecer e realizar análises de obras de autores em questão, fazer análises da linguagem, reflexões diversas, tudo no intuito de ampliar horizontes e construir conhecimentos, através da leitura de diferentes gêneros textuais, como a prosa e a poesia.

A literatura no ensino médio tem a função de desacomodar o aluno, despertar nele o senso de criticidade, do mesmo modo como romper com a alienação, já que ler não é apenas decodificar signos gráficos, mas uma atividade que demanda muitas outras faculdades do homem-ser-aluno.
De acordo com esta perspectiva, faz-se oportuno reforçar a idéia de que se deve selecionar diferentes tipos de textos, literários ou não, que projetem a vida contemporânea do local onde os alunos estão inseridos, como de outros lugares e tempos, os diversos pontos de vistas, estimulando discussões, reflexões e confrontos entre os alunos.

O ambiente acadêmico é de uma riqueza cultural, intelectual e humana ímpar. Mas, nós que nos preparamos para a vivência dos desafios da sala de aula, perguntamo-nos constantemente, ao longo dos quatro primeiros períodos, como a teoria adquirida na faculdade se reflete, de fato, na escola. A academia não nos prepara para a sala de aula, tudo que recebemos na universidade é teoria, a prática chega na troca de experiências, entre nós estagiários e os alunos da escola-campo. Aí está a importância inquestionável do estágio supervisionado proporcionado pela instituição na qual estudo – UPE/Campus Petrolina.

Não sou mais o mesmo depois deste estágio. Nele eu pude sentir e fazer parte de um ambiente escolar, como professor. Ter acesso a um Plano de Desenvolvimento Escolar, saber dos objetivos da instituição escolar que me concedeu o estágio, a metodologia que a norteia, as linhas pedagógicas, entre tantas outras coisas.

Consegui contar com a experiência e capacidade de uma professora preocupada com seus alunos, com a formação do ser humano, com a formação do cidadão. A professora supervisora aceitou-me como seu estagiário, e teve um papel importantíssimo no decorrer do meu estágio, ajudando-me em estratégias de vivência dos conteúdos em sala de aula.

Como pude aprender nas preparações de aula, não só em termos de conteúdo, mas também na vivência do espírito profissional, cidadão! Saio deste estágio mais humano porque convivi com pessoas, em suas limitações, habilidades, atitudes. Saio com maior segurança quanto a minha formação, quanto a minha capacidade de ser útil para a sociedade na qual estou inserido.

CONCLUSÃO

O ingresso na universidade também proporciona a nós, universitários, uma entrada no mundo de teorias que revolucionaram e revolucionam diversos campos do conhecimento mundial. No entanto, inquietei-me enormemente, nos primeiros quatro períodos do curso de Letras/Português e suas literaturas, quanto ao repasse do conhecimento adquirido por mim na faculdade: como eu repassaria o meu conhecimento em uma sala de aula?

O estágio tem objetivos que vão desde proporcionar ao aluno da Universidade de Pernambuco/Campus Petrolina a realização de importantes etapas para a sua formação profissional, colocando em práticas teorias que são aprendidas nas aulas da universidade, até a possibilidade de o aluno-estagiário entrar em contato com a realidade da escola-campo, proporcionando ao aluno a apreensão e compreensão de aprendizagens que só são possíveis adquirir na labuta diária de uma escola.

A sociedade, por sua vez, na categoria do alunado, acessa assim os conhecimentos que os universitários adquiriram no ambiente universitário e em toda a sua vida. As experiências vividas durante o Estágio Supervisionado IV, possibilitaram-me sair mais humanizado, isso porque convivi com pessoas que têm experiências de vida diferentes da minha, têm outra realidade comunitária. Aprendi muito no convívio com a professora supervisora, com os funcionários e com outros professores. Saio com novos laços de amizade e com uma nova forma de participar da educação, agora como educador.

Portanto, ganham todos os envolvidos: a universidade porque tem a possibilidade de melhor formar seus alunos, os alunos da universidade porque ganham conhecimentos vivenciando a realidade de uma escola-campo e a sociedade por receber os conhecimentos mais atuais da área da educação aplicados em suas escolas.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Sou


 Por Germano Xavier

sou o gume insano da faca
do puro metal espartano
o dente do sabre que mata
no mundo o mar e o oceano

de ser e apenas ser um sabre
diversa face de outra faca
enquanto no fundo o real se abre
não deito meu colo em frígida maca

objeto nem singelo nem lépido
preso no alto duma montanha
busco parte mais séria humana
ir-racional instante intrépido

ignoro a não possibilidade
do nunca viver inconstante
sou costa mortífera degradante
hábito sujo de toda uma cidade

sentido de sentir-se só e acabado
pegando do frio da arma mais branca
transcendental, vital, bruma branda
coisa alguma algum ser esparsado

sou esse sou eu e de nada importa
desejar o ouro que não posso ser
contento-me assim em eternamente ter
minha máxima deixada em cada porta

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Imprevisível


 Por Germano Xavier

eu,
imprevisível,
feito o mar,
desabando,
rijo,
no profundo oceano
de mim.

Poema que reside em minha carteira desde 2003.