quinta-feira, 21 de agosto de 2014

De como cifrar a fome

*
Por Germano Xavier


"O mais profundo é a pele."
Paul Valéry

tocar para refazermos a pele
um do outro, descamada pelos dias,
tocar para não andarmos nus,
para sentirmos a coberta
natural da vida

tocar e causar um levante,
oposto ao que se fecha,
arco-íris de ponta a ponta,
pés-cabeça num espiralado vento inteiro
e interno e terno e eterno
(e eternamente)

tocar como quem toca a lava do vulcão
que queima a epiderme da Terra
com fogo e nada mais
– maior ensinamento, o magma? –,
tocar a alma por fora
e repintar primaveras inflamáveis
de prazer

tocar com poder
de repercussão: como se toca
para nunca haver morte?
como se impede o que poderá ficar
de enfeite nos longos e nos curtos caminhos
com um toque, um simples, mero e vil
toque de não-recolher?


* Imagem retirada do site Deviantart.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Sobre vitrais de cautela

*
Por Germano Xavier


é por já saber que o amor
- trator que torce o roçado -
pode se transformar em espera
pelo tempo
de viagem, que devo alertar
ao homem sem noite
(ao homem sem mãe)
que se houvesse um dito
de ser ou para ser agora
que fosse o que fecundaria
no coração de nossa nudez
e como se lâmpada esplêndida
toda a memória solar


* Imagem retirada do site Deviantart.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Digestão

*
Por Germano Xavier

oferecida a mágoa
do martelo sobre a carne
e vendo sair o suco
o sumo de vermelha água

ardor

fiz-me com cara de fome
para ver o inchaço
do estômago me esvaziar


* Imagem retirada do site Deviantart.

domingo, 17 de agosto de 2014

O nome de todos os homens

*
Por Germano Xavier

para Almério, após sua música

pedir para não fazer
o que nunca nos fizeram
lamento ou soma
e continuar

ainda a ânsia por selvagear
a humanidade invernal dos dentros
acesos e nossos
a gente ama porque ama

o agouro
na asa de revoar
se você for homem do mundo
de mesmo nome que milhões
vai saber que a casa é a mesma

e que iremos juntos
apegados ao inferno
direção de música aberta
sem retalhos falsos
cantar cantar cantar

fazer do ouvido a brasa
ardente que vara o plástico
que afunda a morta vida
no poço do que não além
homem homem homem

basta a ruga olhar
no rosto em cacos do sol
rachador de abismos
de nos fazer cair e içar
o voo o voo o voo
do buscar


* Imagem retirada do site Deviantart.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

A leveza dos pesos

*
Por Germano Xavier

que peso leve
tem o pensamento possível
- impossível
não se ater ao divino que criou
tuas costas nuas

quão leve é o peso
de um poema que se inicia
inesperado tomado em forma
no agora
como se estivesses comigo
deitada ante um espelho
de arte

é leve o peso
que raciona o que tem sido
muito forte
o que sempre foi e só agora
é sensível

esta força poderosa de chegar em mim
abrindo a crença dos merecimentos em vida
(sou eu lendo para você sob os auspícios de outras criações
vividas e amparadas nas mãos dos deuses)

ao toque de nos recolhermos
pernas atracadas umas nas outras
a fantasia mais real de amar morando dentro
na simplicidade do que somente se renova
quando pureza sem maldade
leve como a carne e o sensual encontro
leve e imenso como a vida
que não abafamos sobre nenhum indício de timidez

é muito leve o peso
que ameaça o que se rompe
que ameaça a prisão
ou que reluta a libertar qualquer momento
ou ainda o peso que altera o pulso
contraído de desejo

é que repartimos este leve peso
- mas que peso mais leve! -
de acordar no doce envolvimento em que adormecemos
no meio da noite que nos inicia

é terminada a hora de medrar
dos perigos de nunca ser
a porta que escancara o mundo
para fora de nossos maciços austrais


* Imagem retirada do site Deviantart.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

A dimensão outra

*
Por Germano Xavier


quando ultrapassarmos a barreira
do tenebroso vácuo
de liberdade ou quando
enfim atravessarmos o vestíbulo
do fim incerto
que dá para o labirinto
- que não é nem termina inferno -
sem fim da vida que vale

quando
a vala saltarmos e o poço
fundo imundo deixarmos para trás
haverá um segundo de se olhar
(multidão em dois)

com o peso de sorrisos abertos
um para o outro trocados
os templos de íris
pela mancha branca
lâmpada nada amena
da hora mais bonita dos plurais 


* Imagem retirada do site Deviantart.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Prantos de pai

*
Por Germano Xavier

em homenagem ao meu pai Carlos Adailton Xavier


Meu pai sempre foi um homem forte, apesar de possuir uma sensibilidade muito aflorada dentro de si – e quase nunca tornada em coisa pública, já vou esclarecendo. Forte no sentido de saber a hora exata de usar as palavras e ações as mais cabíveis e necessárias. Nas situações mais difíceis do dia-a-dia, lá estava ele e sua lucidez interminável, poder especial que o ajudava - e ainda é do mesmo jeito hoje - a superar todas as intempéries e problemas com uma considerável facilidade. 

Um forte antes de qualquer coisa, como diria o Euclides da Cunha, o sertanejo de São Bento do Una, nascido Carlos Adailton Xavier no interior de Pernambuco e que escolheu o território baiano da Chapada Diamantina como lugar de pouso quando já entrado na adultice. Eu, filho caçula, puxado à sensibilidade do pai e com uma capacidade de se espantar e de se encantar com uma facilidade extremada, admirava-o todos os dias, todas as horas - e ainda é do mesmo jeito hoje, só reforçando. 

Meu pai sempre carregará o símbolo do heroísmo quando de fronte aos meus olhos se encontrar. É um sentimento inalterável dentro de mim, que ainda hoje sinto e nutro com enorme prazer. Porém, minhas memórias, insistentemente fracas e falhas, teimam em não se esquecer das duas únicas vezes em que vi aquele sertanejo herói sucumbir em lágrimas, causando desconfortos incontestes e de dimensões opostas quando chegadas ao filho atônito e inerte que porventura era eu.

De chorar por pouca coisa, meu pai nunca foi. Imagine, então, o espanto que me acometeu, menino de pouco mais de uma infante adolescência ardida em urgências, quando depois de um rápido banho, terminando de cruzar o corredor principal da casa, vislumbrei aos prantos soluçantes o meu pai, em pose cabisbaixa nunca antes observada em tais paragens do lar, ali no sofá preto lustroso, olhos pequenos e espremidos por tamanha tristeza, por sua irmã Estelita que acabava de iniciar a travessia eterna.

Eu sem saber se minha aproximação seria algo aconchegante, fiquei de longe segurando secretas lágrimas que naquele instante brotavam nas arestas de meus olhos. Tonto, cambaleei até a cozinha, quando minha mãe logo se encarregou de imprimir a notícia por completo em minhas significâncias ainda sem grande tenacidade nem maturação. Naquele dia, soube de maneira abrupta que meu pai não era um deus, mas um homem. Um homem que também chorava. 

O tempo passou e lá estava eu, após longos anos transcorridos, já crescido, formado e com um destino incerto diante das vistas, a me direcionar até a misteriosa cidade de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. Aventureiro das causas incompletas ou desimportantes, abracei o vento dos dias sem formação e na despedida, à beira da porta que dava para a sala de embarque do aeroporto da capital de São Salvador, atraquei-me ao meu pai, que vertia lágrimas copiosas sobre meus ombros. Desta vez, não consegui segurar as cristalinas águas até então estocadas em minha represa interior. 

Era o filho mais novo vivendo um filme que o pai no passado já houvera registrado na carne e no espírito. A bem da verdade é que foram duas as únicas vezes em que vi o meu pai chorar. A última, não foi por um motivo triste, apesar do desfecho da história não ter sido dos mais comoventes. Além das imagens duais que ficaram gravadas em minhas retinas até o presente momento, guardei o gosto dos dois momentos e hoje, quando paro para escrever esta pequena crônica, fabrico em meu imaginário o terceiro choro do meu pai, que porventura poderá estar a ler o texto do filho, agora um choro de beleza, acolhedor. Um choro de sublime e pura contemplação.


* Imagem: Meu pai e eu, às margens do Rio São Francisco, em Petrolina-PE (2007).

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Partido Jimbo 3

*
Por Germano Xavier

peiote invadindo o peito
o coração do mundo
o pulmão das solidões de ser
o pulso cortado e o sangue
entrado goela abaixo num só prazer
(compartilhando os fantasmas dos outros

- nem eles nem elas entendem)

a fratura exposta na carne dos dias
daquele que anda em frente ao tempo

foi de suturar o alienante espaço
com a voz e a dança sem ritmo
similar a um xamã peioteiro

vez de mesma viagem
para dentro das portas de fora
da percepção sentida e a vida
de dimensão imprecisa
em outra esquina cobria a lua
um sol alcaloide


* Imagem retirada do Google.

sábado, 2 de agosto de 2014

Uma nossa fotografia

*
Por Germano Xavier

para Cristiane Sodré,
em sua idade de ir

esperaremos com cautela
a consciência de um barco futuro
preparado para singrar
o mar

do tempo
(interminável)

e a eidética memória
cravada no percurso
acordada no berço das passagens
fará retrato de nós mesmos
tal deslinde e remarco

nossos passos apuram
a linguagem de nossas almas
a tal da intuída verdade
que não existe
mas é


* Imagem retirada do site Deviantart.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Para ser escritor

*
Por Germano Xavier


O que é preciso para ser escritor? Escrever, apenas? Estourar as bolhas? Quais as bolhas que precisam ser estouradas por um provável escritor? Para ser escritor, o escritor precisa escrever? É óbvio assim? Para ser escritor é preciso saber a diferença entre autor e escritor? Saber quais as estéticas, ter e usar um blog, publicar em papel? Participar de oficinas literárias, sacralizar o próprio texto, saber o que é um conto e o que é uma crônica? Amar a palavra, construir personagens orgânicos e sem estereótipos, queimar a adiposidade do texto, gostar de estar só, não ler Paulo Coelho? Ser dotado de rigor e compaixão, suspeitar que a arte não evolui, não lançar livros em bares e assemelhados, lançar livros em livrarias? Cuidar dos adjetivos, escrever 200 poemas e publicar apenas 20, gostar de ler, tomar mais cuidado com os títulos, tentar o haicai? Ter sido formado por uma boa literatura infantil, ficar a par das lógicas de mercado, escrever uma trilogia, assinar o que se escreve? Saber dos mundos da criação, participar de concursos literários, saber dos meandros da Estética da Recepção, ter a sorte de ter por perto uma mulher que zele o ser escritor? Sentir dor, cultivar barba, vagar pela noite enluarada, ler o livro de Charles Kiefer? 


* Imagem retirada do site Deviantart.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Computus

*
Por Germano Xavier

especialmente para Ma Ferreira

o tempo está dentro
do exterior o tempo
está dentro do interior
o tempo existe e narra
a história do tempo
e do espaço

o tempo permite a voz
o tempo embarga o mito
o tempo em que se mergulha
aprisiona o aqui
e o agora

o tempo define a crônica humana
que conta e instaura o que provém
do que transcorre
(o tempo)

o tempo corre


* Imagem retirada do site Deviantart.

domingo, 27 de julho de 2014

Kama Sutra (ou O Livro do Amor)

*
Por Germano Xavier


Escrito no século IV depois de Cristo, o Kama Sutra é uma obra de origem indiana, elaborada por Vatsyayana, que versa acerca de alguns aspectos e nuances da lida sexual (sensual, caso prefira) do ser humano, utilizando-se para isso da explicitação de posições e de técnicas voltadas para a prática da sexualidade entre indivíduos, no singular e/ou no plural. Há quem goste de rotulá-lo de “O livro do amor”, o que não é de todo errôneo nem mesmo passível de ser algo exagerado, haja vista a fama adquirida ao longo dos séculos. 

O livro mistura visão religiosa, ensinamentos de e para a maturação do espírito, assim como serve de fonte para a busca pelo prazer carnal. Todavia, a partir do olhar de cada um, pode-se elaborar diversificadas interpretações com base no respectivo material. Fato é que o seu conteúdo é hoje conhecido nos quatro cantos da Terra, ganhando até status de “bíblia” do assunto que aborda. A obra, segundo o que se sabe, possuía no início conteúdo voltado primordialmente para a nobreza da época, porém nos dias atuais alcança todo o universo possível de leitores.

Ainda de acordo com o que se conhece sobre a história da mítica obra, o termo Kama ligar-se-ia ao Amor/Prazer, enquanto que o termo Sutra seria uma espécie de Guia/Manual. Deste modo, o Kama Sutra se configuraria como sendo um Guia para o Amor ou ainda um Manual para o Prazer. Com suas raízes fincadas na tradição e nos ditames hindus, o Kama Sutra possui seus méritos didáticos, mesmo depois de tantos anos passados e de tanta abertura sexual presenciada hoje em nossas sociedades contemporâneas.

O livro possui uma visão muito voltada para os prazeres do homem, os das mulheres ficam em segundo plano, apesar das inúmeras e presentes referências. O tempo era completamente outro, convenhamos. Creio que está justamente aí um dos maiores méritos do livro de Vatsyayana: a mulher não foi simplesmente ignorada. Em menor grau, mas a mulher também foi vista e suas necessidades difundidas em suas páginas. Um livro por demais interessante de ser lido, sem nenhuma forma de preconceito, tabu, pudor ou ressentimento.


* Imagem retirada do Google.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Nada muito sobre filmes

*
Por Germano Xavier

algumas palavrinhas facebookianas sobre filmes que andei assistindo...



O ILUMINADO

Salve, salve, bucaneiros! Acabo de assistir ao filme O ILUMINADO (THE SHINING). Lançado em 1980, a película é mais uma grande produção do diretor Stanley Kubrick. Quem gosta do gênero Terror/Suspense não pode ficar sem vê-lo. É tensão e angústia do começo ao fim. Fotografia e música surpreendem. O enredo é baseado no livro homônimo de Stephen King. As atuações de Jack Nicholson e Shelley Duvall impressionam. O ILUMINADO possui todos os ingredientes de um verdadeiro clássico do cinema. Recomendo a todos os mortais!

A EXCÊNTRICA FAMÍLIA DE ANTÔNIA

Salve, salve, bucaneiros! Acabo de assistir (rever) a um filme de que gosto muito: A EXCÊNTRICA FAMÍLIA DE ANTÔNIA (1996), da diretora Marleen Gorris. O filme é um relato sobre o tempo e sobre como a vida e a morte estão intimamente ligadas por um fio inquebrantável, indivisível. Os dois elementos, destarte, ganham ares de igual beleza e dor. Tudo passa, pois tudo deve passar. Tudo vive, tudo morre. E nada nem ninguém morre para sempre. Recomendo a todos os mortais!

HISTÓRIA REAL

Salve, salve, bucaneiros! Acabo de assistir ao estupendo filme THE STRAIGHT STORY (História Real), de 1999 e direção de David Lynch, este monstro do cinema. Um dos filmes mais lindos e emocionantes de toda a minha vida! "Eu sou o Alvin, eu sou o Alvin!" - gritei dentro de mim após o desfecho da última cena. Parecia que era eu quem estava atravessando os Estados Unidos em cima de um cortador de gramas! Se não fui eu, em verdade eu estava lá no reboque ou no meio das tralhas do Alvin a percorrer o orgulho de uma vida para acertar contas com o tempo perdido. Que lição de vida, Iara Fernandes! E que final! Lágrimas, lágrimas, como é bom estar vivo e sentir tudo isso! Ninguém pode morrer sem antes ver este filme! Doce e feroz, manso e atroz, nós caçadores de nós! Recomendo a todos os mortais!

A BELA DA TARDE

Acabo de assistir ao filme BELLE DE JOUR (A Bela da Tarde), drama francês de 1967 com Catherine Deneuve no papel da protagonista e direção de Luis Buñuel. Atmosfera onírica, conflitos consciente-inconscientes, busca pela liberdade individual e pelo prazer acima de qualquer consequência. Mais um belo exemplar da arte que "brinca" com o tema do "duplo" no ser humano. No fundo, Séverine Serizy é um reflexo de todos nós. Um filme maiúsculo. Recomendo a todos os mortais!

CORAÇÃO SELVAGEM

Acabo de assistir ao filme WILD AT HEART (Coração Selvagem), de 1990. Mais um belo trabalho do diretor David Lynch, que possui muitas influências surrealistas em sua obra. A película é uma ode ao amor vagabundo, ao amor fora-da-lei. Um filme sobre "Errância" (tema que muito mexe comigo) e com muita estrada cortada ao sol empoeirado dos Estados Unidos. Com Elvis Presley ao fundo na trilha sonora e também muitas referências diretivas ao clássico da literatura O Mágico de Oz, não há como resistir aos seus encantos de drama. Recomendo a todos os mortais!

UM CÃO ANDALUZ

Acabo de assistir ao filme UN CHIEN ANDALOU (Um Cão Andaluz), de Luis Buñuel em parceria com Salvador Dali. De 1928, a película é considerada o primeiro e o maior expoente do movimento surrealista no cinema. Para incorporar, não para entender, tal qual a poesia. Recomendo a todos os mortais!

VELUDO AZUL

Acabo de assistir ao filme BLUE VELVET (Veludo Azul), do diretor David Lynch. Mais um clássico dos anos 80 do século XX. Suspense com boas doses de surrealismo. Trilha sonora muito bonita. Em vários momentos, lembrou-me PULP FICTION, de Tarantino. Recomendo a todos os mortais!

PULP FICTION

Acabo de assistir ao filme PULP FICTION - TEMPO DE VIOLÊNCIA (1994), considerado por muitos a obra-prima do diretor Quentin Tarantino.

"O caminho do homem justo é rodeado por todos os lados pelas desigualdades do egoísmo e da tirania dos homens maus. Bem-aventurado aquele que, em nome da caridade e da boa vontade, pastoreia os fracos pelo vale das trevas, pois ele é verdadeiramente o guardião do seu irmão e o descobridor das crianças perdidas. E derrubarei sobre ti, com grande vingança e furiosa raiva, aqueles que tentam envenenar e destruir meus irmãos. E você saberá que o meu nome é Senhor quando eu derramar minha vingança sobre você." Ezequiel 25:17

Recomendo a todos os mortais!

TAXI DRIVER

Acabo de assistir ao filme TAXI DRIVER (1976), do diretor Martin Scorsese. Robert de Niro em grande atuação e Jodie Foster bem novinha. Uma película sem igual. A narrativa lembra muito o conto O COBRADOR, de Rubem Fonseca. Recomendo a todos os mortais!

A MOSCA

Acabo de assistir ao filme A MOSCA (The Fly), do diretor David Cronenberg. Um clássico do gênero na década de 80. Recomendo a todos os mortais!

O CHAMADO

Acabo de assistir ao filme japonês RINGU - O CHAMADO (1998), do diretor Hideo Nakata. Baseado no livro homônimo de Kôji Suzuki. Belo exemplar do gênero horror/suspense. Recomendo a todos os mortais!

O RENASCIMENTO DO PARTO

Profundamente emocionado e tocado pela mensagem do chocante e esclarecedor documentário O RENASCIMENTO DO PARTO, de Érica de Paula e Eduardo Chauvet. Se um dia eu for agraciado pela paternidade, farei de tudo para que meu filho ou minha filha nasça através de um parto humanizado, com o apoio de pessoas queridas ao redor e com altas doses de amor. Esta película precisa ir para as salas de aula das escolas brasileiras urgentemente. Um salve ao parto natural, sem intervenção cirúrgica nem agressão ao processo poético do nascer! Abaixo ao parto com hora marcada e de lógica comercial!

MALÉVOLA

Acabo de assistir ao filme MALÉVOLA, um reconto do clássico da Disney A BELA ADORMECIDA. O filme rompe paradigmas há muito solidificados no imaginário coletivo e coloca a figura feminina ainda mais no centro das problemáticas envolvidas. Vale a pena conferir, bucaneiros. Salve, salve!

A ONDA

Acabo de assistir ao filme alemão A ONDA, dirigido por Dennis Gansel. Muito interessante para se pensar sobre os conceitos de Autocracia e Anarquia. Recomendo a todos os mortais!

A GRANDE BELEZA

Acabo de ver um filme que ficará eternizado em minhas pobres retinas fatigadas por todo o sempre, tamanha a poesia engendrada. A GRANDE BELEZA é de uma sutileza cruel de mexer nos porões de nossa parca existência mundana. Entrou para o meu cânone! Um salve enorme! Recomendo a todos os mortais!

THE EVIL DEAD

Acabo de assistir ao filme mais bizarro de toda a minha vida. THE EVIL DEAD, de 1981. Não recomendo a nenhum mortal!

A CULPA É DAS ESTRELAS

Acabo de assistir ao filme A CULPA É DAS ESTRELAS. Podem falar o que for, mas a historieta é bonita e emociona para dedéu. Recomendo a todos os mortais!

A GAROTA IDEAL

Acabo de assistir ao filme A GAROTA IDEAL. Recomendo a todos os mortais!

CARRIE, A ESTRANHA

Acabei de assistir ao filme CARRIE, A ESTRANHA na versão original da década de 70 e dirigida por Brian de Palma, baseada no romance de Stephen King, mago do suspense. Um clássico da Sétima Arte.

DOCUMENTÁRIO BBC

Vi agora a edição MARTIN HEIDEGGER da série HUMANO, DEMASIADO HUMANO, da BBC. O documentário começa bem, mas logo se perde numa visão por demais sensacionalista de Heidegger como partícipe do regime nazista de Hitler. Mesmo assim, recomendo a todos os mortais!

1,99

Acabo de assistir ao filme 1,99 - UM SUPERMERCADO QUE VENDE PALAVRAS, de Marcelo Masagão. Recomendo a todos os mortais.


* Imagem retirada do site Deviantart.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

A precaução dos manuseios

*
Por Germano Xavier

poema baseado numa visão real...


a menina no quarto adormeceu
seus órgãos elaboram uma respiração suave
(diria feminina)

- a coberta é um embrulho
e asas pousadas indicam um cansaço natural

vejo e velo de onde estou
meu ontem que futura

o sono da menina no quarto devolve ao mundo
a gravura terna dos sonhos

e ainda mais
a imaculada sépia nas vistas do acordar


* Imagem retirada do site Deviantart.

domingo, 20 de julho de 2014

Um certo animal surreal

*
Por Germano Xavier

após Un Chien Andalou, de Luis Buñuel e Salvador Dali.


O cão corre em nossa direção com uma navalha na mão e como quem não quer nada o cão não descansa. Somos espectadores natos de uma aflição iniciada logo na primeira cena e estamos completamente abertos ao desconhecido. O cão dirige e atua a peça que não se esgota nem quando se dá por terminada. O cão é um demônio devorador de olhos. Abre a visão do homem que vê como se preciso fosse, tal qual um ato de urgência. O fundamental é ver, enxergar além do que pode ser visto. O cão é radical, não amaina. Somos atingidos por um golpe certeiro e dali para frente não há mais horizonte certo para quem simplesmente quer passar. Estamos todos unidos por uma força surreal e a dúvida é o preço que pagamos por muito esperar. A vida de um homem e de uma mulher, atraídos por um sentimento que não se coaduna em nenhum instante é enlace para quem se atreve. Quando a fuga se torna impossível, o melhor é continuar fugindo. Os cacos uma hora serão juntados, colados pacientemente e deixarão seus estados naturais de coisas apenas. Tudo é expressão, até o que não fala, até o que não se move, até o que não sugere. Tudo é absolutamente excitação. O florescer das verdades delineia o corpo de toda a alma que nos recheia. Sentir é preciso, perceber nem tanto. Sentir, com doçura e crueldade. Ser parte da mão podre e oca repleta de formigas é saber que nem tudo é o que parece. Somos mais. Somos menos. Somos o que podemos ser. Somos o que não podemos ser. Invadidos a todo instante, com ou sem permissão, de forma bruta. O abate é logo. A fera sempre vem. O belo se esconde e altera a morada do sentido. Resta-nos ir, sem governo, para o sonho.


* Imagem: Google.

sábado, 19 de julho de 2014

Numa rua de outro país

*
Por Germano Xavier

dias antes liguei para um antigo amor
a voz era de amparo
virei a madrugada num Volkswagem preto
sem me despedir de ninguém
rumei ao lugar de onde deveria ter saído
eu era uma divindade da liberdade
naquele instante de quase dois mil quilômetros



eram flores até você desconfiar
menina ou inventar o que nunca
existiu você fez rodar minha cabeça
enluarada
até a porta do motel
na cidade estranha

amor doente sob luzes opacas
(esperei a infâmia do novo
- novamente - me corroer)

seus longos cabelos negros
cada vez mais distantes
enrolaram minhas pernas
e numa cama fedida
dormi com a solidão

longe do meu lugar
esquecido pelo amor
durei até não aguentar
pois era tamanha a fome

na despedida
(dor ensacada)
atrás do posto de combustíveis
olhei sua saia preta curta e bem justa
a pronunciar abruptas carne-curvas
e soube então o que vim procurar


* Imagem retirada do site Deviantart.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Canção para um blue velvet

*
Por Germano Xavier

o mundo é muito estranho, amigo, veja bem.


está escuro e raiou o dia
a cama recomposta mais parece
um berço
para sonhos

no corredor
a fantasia se apieda
e toma rumo de descaso
a força não faz o amor
a força não faz nada

a doença aspirada no ódio
mancha o tecido e a hora
se afina

o pensamento é o prazer
deglute impede dilacera
vasta gente sempre
que prossegue

sem chegar

está escuro e raiou a noite
guardo agora minha dança
para (des)esperar


* Imagem retirada a partir do Google.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Meus relógios

*
Por Germano Xavier


O tempo analógico

é espalhafatoso
faz tic faz tac
os ponteiros tremem

desalinham-se
ao comando energético

se apuro bem os ouvidos
ouço de outro cômodo
minha morte cantar


O tempo digital

o tempo mudo
sem voz nem som
sem onomatopeia

o tempo moderno
o tempo vibrado em quartzo

tempo silente
tempo dormente
passa fingindo
que tem medo de matar


* Imagem retirada a partir do site Deviantart.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Quem mandou quem chegar

*
Por Germano Xavier

a gente anda anda
anda e não para
de andar

(e a dor)

a dor da gente
de andar andar
e não parar (nunca)
a gente sente
por vezes mente
até sangrar sangrar

até parar
de andar andar
e de ser gente

sábado, 12 de julho de 2014

Amor de véspera

*
Por Leilane Paixão

para Germano Xavier¹


Imagem tua que eu compus serena
Atenta ao meu apelo e à minha pena
E que quisera nunca mais perdida...

(Trecho de "Soneto de Véspera", escrito por Vinícius de Moraes)



Palavras não faltam para falar de quem a gente ama, mas por alguma razão que a própria razão talvez desconheça, elas costumam se esconder e nos deixar frente a frente com o puro sentimento, sem definição, sem roupagem que o apresente e diga sobre ele.

Te amei de véspera e te homenageio também na véspera de mais uma alvorada dessa tua centelha de vida, um dia antes da tua terceira década se completar.

Eu queria te dizer que na noite em que eu pedi a Deus para te encontrar (e graças a Ele te encontrei logo em dias seguintes), já havia perdido um pouco a esperança de que você também tivesse encarnado nessa vida. Achava que talvez minha alma não daria a sorte de te reencontrar e que não experimentaria o amor.

Mas você apareceu e me prometeu o sol, e a chuva... E eu te dei o meu coração, e quis ir com você até onde pudéssemos chegar em nossos dias brancos. Dei a ti o meu canto de amor.

Te amei de véspera, porque ainda não era o momento do florescer do amor. Mas brotou. E como cortar pela raiz? Ficou, se enraizou e já era amor em mim. De algum modo, em você também eu fiz morada.

Podia partir agora até o final e te dizer que não consigo imaginar a minha vida sem você, que eu morreria sufocada de saudade e tantas outras coisas piegas... Mas, seria verdade. O que sou eu sem você? Eu sem você é você sem mim. E eu simplesmente não conseguiria mais vislumbrar uma existência em que nós não existíssemos.

Deus sabe o quanto eu agradeço pela tua existência, por ser presença tão intensa em mim. Você faz aniversário neste 13 de julho e eu sei que de parabéns estou eu, por te ter ao meu lado, por ganhar todos os dias a alegria de ver os seus olhos se abrindo e me contemplando em tons de verde-mel... me abraçando.

Você é sentido em minha vida, você é sentido em mim. Te amei no passado, te amo muito mais hoje e quero continuar te amando até onde a gente chegar... Numa praça na beira do mar, num pedaço de qualquer lugar... Em dias brancos, azuis, cor de anil... Se você vier para o que der e vier.

Felicidades, meu amor...

Vida longa a você e ao nosso amor.

Que seja eterno e que dure...




1 - Peço que leia escutando a nossa música e deixe a mente passear por nossos bons momentos já vividos...( https://www.youtube.com/watch?v=sbXinMCKeh0)

* Imagens: Acervo pessoal.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Haicais sem melodia para Lygia Clark

*
Por Germano Xavier

ou óculos de grau para estruturações selfianas


Abstração

vai chover hoje
deitemos sobre a relva
da imaginação


Neoconcretismo

obra mole em arte
dura tanto mata
quanto cura


Abandono

o corpo resiste
para conter dentro de si
um pouco da imensidão


* Imagem retirada a partir do Google.