sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Sobre Março entre Meridianos, de Luísa Fresta



Por Germano Xavier


MARÇO ENTRE MERIDIANOS (EAL, 2018) é o terceiro livro de Luísa Fresta - ou melhor, de Muhatu (seu pseudônimo) - e foi o vencedor do Prêmio de Poesia no Feminino "UM BOUQUET DE ROSAS PARA TI", organizado pelo MAAN - Memorial Dr. António Agostinho Neto, em Angola no ano de 2018. O livro é dividido em três "cadernos": Caderno 1 (Cartão-Postal), Caderno 2 (Versos natalinos e outras histórias de (en)cantar) e o Caderno 3 (Palavras pintadas na tela).

Em Cartão-Postal, percebemos uma autora preocupada em revelar os centros de pequenas coisas, os núcleos sísmicos de elementos que fazem a vida de todas as pessoas, mesmo que estas fontes interiores e, por vezes, ulteriores de e acerca da vida sejam ou estejam integradas à própria faculdade vital do ser humano: o viver, o estar vivo-e-além. Neste Caderno 1, a poeta fotografa o caos, registra os medos de nós-gentes e articula a madeira que fará o fogo-máximo de nossas idas e vindas, de nossas descobertas e de nossas decepções. O soneto é a porta de entrada formal para a voz quase maternal da autora, que nos ensina a sentir mais, mais e mais. 

Os versos são dotados de uma maior liberdade no Caderno 2, intitulado de Versos natalinos e outras histórias de (en)cantar, Muhatu nos questiona se a felicidade é um bônus ou uma guilhotina. É a hora de tombarmos por cima das farturas e das fraturas dos símbolos mundanos, referenciar o sagrado nas coisas triviais e bulir com o absurdo das naturalidades cotidianas oriundas de convenções sociais e institucionais. Tudo isso, regado com uma boa dose de maturidade artística e pessoal. Aliás, ensinagens não faltam nas páginas do livro e na obra geral escrita por Luísa Fresta.

Já em Palavras pintadas na tela, a escritora quase ignora o real para nos abrir um mundo de percepções suavemente surreais, quando no tempo das intermitências e das incertezas da vida, colocando-nos numa posição de combate e, também, de respeito perante o tempo futuro. Afinal, o que faremos da vida que nos resta? O que estamos fazendo com o nosso Hoje, com o nosso Agora? Aquela velha batalha já por demais esgotada e profética: cada dia que passa é um dia a menos, não um dia a mais. Luísa Fresta é, por fim, a voz de uma infância revista e ressonhada, cheia de memórias e refundada em anunciações. 


* Imagem: Acervo Luísa Fresta

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Sobre "Todas as coisas sem nome", de Walther Moreira Santos (uma impressão)



Por Germano Xavier


TODAS AS COISAS SEM NOME (2014) é o terceiro livro escrito por Whalter Moreira Santos que leio nesta vida. Antes dele, tive o prazer de ler DENTRO DA CHUVA AMARELA (2006) e O METAL DE QUE SOMOS FEITOS (2013) - se procurar bem, você encontrará minhas impressões sobre estes dois últimos aqui no blog também. O Whalter é um sujeito singular, muito ativo em várias esferas das artes. Coincidentemente, este seu TODAS AS COISAS SEM NOME, que ganhei do próprio autor, foi o vencedor do IV Prêmio Pernambuco de Literatura 2016, justamente no ano em que o meu SOMBRAS ADENTRO (ainda não publicado) ficou entre os 14 finalistas dentre cerca de 250 obras inscritas. 

O livro é um apanhado de 14 contos com enredos bem diversificados, todos eles muito bem escritos, muito bem pronunciados (uns mais que outros, claro) e muito bem manipulados. Um bom escritor a gente conhece de pronto. Walther Moreira Santos tem o que nos oferecer em termos de literatura. Na última Festa Literária do Alto do Moura, em Caruaru, num evento organizado em parceria com o SESC, tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente e de trocar algumas palavras, e o mesmo tom inquiridor presente em seus textos é facilmente percebido quando o escutamos. Até quando mesmo autor e obra se distanciam? Ah, estas fronteiras...

Em TODAS AS COISAS SEM NOME, alguns contos trazem as aparências do fantástico bem às vistas, às claras. Sua prosa (poética - por que não dizer assim?) intensifica o significado das analogias usadas e amplifica o discurso das personagens. Com naturalidade, as tramas evoluem sob nossos olhares, atentos. Um ou outro conto menos interessante ou menos acabado não trazem prejuízo algum para o geral do compêndio. Na arte da ficção, sem dúvidas o escritor da cidade pernambucana de Vitória de Santo Antão é já um mestre bem estabelecido, e não ao léu são todos os seus títulos premiados e/ou laureados.

Por fim, um tira-gosto já bem conhecido da obra que circula por aí, pelos quatro cantos do ciberespaço: "Um filho trata dos espólios do pai pedófilo; outro descobre motivos para manter a fábrica de balas de prata do pai; um menino abusado pelo tio evangélico consegue vingança inesperada; a morte de um escritor muda a rotina de uma ilha. Esses são alguns dos enredos dos contos que compõem o livro, flertando com o fantástico e a prosa poética, com uma linguagem precisa e técnica apurada. Eu e minhas tantas palavras - quando Deus é silêncio. Eu e meus tantos escritos-vaidades. Vivendo em um mundo onde pão, poesia e Verbo são uma só coisa. Enquanto o Mundo-Realidade é feito de Concreto, Fábrica de mentiras, Golpes de Estado, Rios Envenenados, Florestas Incendiadas, Estrupos Coletivos, Crianças Explodindo com vinte quilos de PETN amarrados no corpo".

Um dica: para chuvas amarelas internas, é sempre bom andar sem guarda-chuva.



* Imagem: https://www.kobo.com/br/pt/ebook/todas-as-coisas-sem-nome-1

Temp'água


Por Germano Xavier


para o Tempo não há tempo,
outono, inverno, verão...
nem presente nem futuro nem o ontem.

o Tempo é um rio,
uma coisa líquida, um algo que passa
simplesmente.

é passarinho.
é passageiro.

e nós não temos asas.
e perdemos o bilhete do trem na primeira estação.


* Imagem: https://www.deviantart.com/nunocanha/art/Vertigo-329106499

sábado, 9 de fevereiro de 2019

As coisas sem nome



Por Germano Xavier


as coisas sem nome nos avultam
e nos contornam, delicadas que são,
com o pincel de todos os anos e de todos
os séculos e de todos

os tempos.

sem nome, as coisas encostam na parte sustentável
da vida, sacam suas permanências
e nos (im)pressionam.

dentro é o lado sem rubrica,
a figura sem mentira e o verão de nossos sonhos.

as coisas sem nome matam lentamente
a memória inacessível dos paraísos
e, sem dó, modulam ausências infernais
em toda cédula que não compra o caminho.


* Imagem: https://www.deviantart.com/putoestupido/art/Alegoria-da-Caverna-17407456

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

A linguagem enquanto atividade constitutiva



Por Germano Xavier


Sobre a natureza e as funções da linguagem são variadas e múltiplas as inferências e as interpretações produzidas ao longo do tempo. Aos bandos são também os (re)surgimentos de teóricos e teorias que tentam classificar e burilar este universo tão vasto do estudo linguístico. Carlos Franchi foi mais um exemplo deste embate tão frutífero quanto melidroso que é o estudo da linguagem humana. Para ele, a língua é uma atividade constitutiva cujo problema básico é o da significação, e não o da comunicação. 

A significação, para Franchi, não está somente na ordem das relações sintático-morfológicas, mas no anteparo de atos intencionais que motivam interlocutores, atos comunicativos e formas de expressão. Todos estes elementos, juntos, ajudariam a situar a linguagem como uma ferramenta de construção do pensamento, da identidade e da realidade. Para Franchi, crer que a linguagem seja somente reflexo do real é uma falha no mínimo grotesca. Antes, faz-se preciso norteá-la como um ativo construtor de referencial para as ações humanas. É a partir dela que universos inteiros de significados são fomentados. 

Sua função constitutiva, assim posto, daria à linguagem uma historicidade, já que não serviria apenas para reproduzir a natureza das coisas. Por tomar a linguagem como um cosmos recheado de complexidades, a visão constitutiva de Franchi atrela a ela uma dada reflexão filosófica, bem como uma investigação experimental e uma elaboração teórica. Os sentidos e os significados dos discursos, destarte, ganham mais importância que os objetos linguísticos propriamente ditos.

A crítica à concepção institucional da língua produzida por Saussure é apenas umas das pontas do iceberg instalado pelo pensamento de Franchi, que, também, ao passear pelas ideia de Searle, Grice, Halliday, Buhler, Chomsky, entre tantos outros, também espeta a ferida do estruturalismo americano sem ressentimentos, realizando assim um esforço visível para articular diferentes concepções funcionalistas da linguagem, jamais ignorando-as. Portanto, fica mais que evidente que para Franchi é dos modi significandi (modos possíveis de significação) que podem surgir o real entendimento das funções da línguagem. Assim, mais fácil se torna a percepção de que a linguagem é comunicação, sim, mas não somente. Ela está também a serviço da dialética e das intervenções homem-mundo-homem.

A linguagem, segundo Carlos Franchi, está para construir, está para expressar, para comunicar e para significar, especialmente. Sendo cíclica e transitória a linguagem, tais fenômenos variantes a ela ligados podem não seguir ordenamento plausível e sofrer mutações e intermitências. Todavia, enquanto atividade essencialmente criadora, a linguagem sempre operará em alta no cotidiano das civilizações e no fazer-ser da humanidade. O exercício da linguagem, afinal, é o de sempre ser provisória, espontânea, iconoclasta e transformadora. 


* Imagem: http://materiais.parabolaeditorial.com.br/linguagem-atividade

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Imago mundi



Por Germano Xavier


tenho olhos para formular reflexos
e para construir a casa que quero
na avenida explícita das convenções

meus olhos | mesmo cegos |
aprenderam a destruir e a ordenar
todo o implítico das percepções

e por onde eu ande | deserto
devaneio precipitação | são meus olhos
a língua em brasa dos meus corações


* Imagem: https://www.deviantart.com/navidsanati/art/the-Square-in-my-everyday-mind-151105137

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

O moderno Jorge de Lima



Por Germano Xavier



Todas as vezes em que passei pela frente da cidade alagoana de União dos Palmares, duas imagens me foram sempre recordadas. A primeira é a do líder negro Zumbi dos Palmares, refletida na vista que temos da Serra da Barriga assim que logo apontamos nas redondezas da localidade. A segunda, sem dúvidas, é a do poeta Jorge de Lima, que ali nasceu e que, mesmo passando pouco tempo (cerca de seus 7 primeiros anos de vida), carregou União dos Palmares ao longo de toda a sua obra poética. No livro POEMAS (Record, 2004), observamos um poeta muitíssimo interessado em desvendar as coisas de sua aldeia (União e o nordeste em si) para também ser desvendado, elucidado enquanto ser humano. Claro, deixando intacto aquele fio de mistério que nos cobre desde o nascimento até a nossa morte. O conjunto de poemas revela o menino que se abriu à poesia do mundo e o mundo atravessado pelos olhos do poeta visto desde o Rio Mundaú até Terra-Lavada, passando pela Serra dos Macacos e, também, pelos territórios marcados em suas novas feições mundanas ganhadas no tempo das descobertas juvenis. Poeta que atirou no peito do Parnasianismo, ceifando sua vida já por demais avançada em nossos brasis, e que revigorou o Modernismo Brasileiro, Jorge de Lima ainda é um tanto quanto desconhecido da massa leitora neste nosso já entrado século XXI. O que é uma pena, diga-se de passagem. Para este ano de 2019, é bem já de planejado uma minha ida (agora para me enveredar) até as plagas nascentes deste que é um dos nossos maiores nomes na literatura. Jorge de Lima, salve!


* Imagem: Google

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

O homem encurralado (Parte XIII)



Por Germano Xavier


o homem encurralado,
sem caminho,
perdeu o caminho.

com caminho,
desviou o caminho.

pelo caminho,
negou o caminho.

agora, nem caminho
nem nada.

só o cavalo ensinado.


* Imagem: https://www.deviantart.com/rafaellak/art/when-i-was-52259532

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Recomendações para um ano impossível



Por Germano Xavier


salte
sobre a América de Alfred Kreymborg e de Trump
e gire a faca selvagem de lâminas nordestinas
no bucho jovial do glorificado.

na mesma hora se abrirá no brumado
de nossas serras vitais a flor do Candombá.
é ela quem trará o sol sem os tremores do chão.

em qualquer redepois, namore vermelhamente
as procissões dos olhos enfeitiçados pelos sonhos.
não se esquecer dos desertos é fator de grandeza.

coisa derradeira:
suba cantando suas tristes descidas,
pois nem os defuntos das igaçabas,
calados propositalmente por desnutrições de alma,
vencidos na aparência, devem renunciar.


* Imagem: https://www.deviantart.com/rammm/art/movement-74121120

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Três histórias tristes



Por Germano Xavier



Alice

assoou o nariz e escreveu sua história em 20 linhas no papel.
14 anos e 14 pequenas manchas brancas nas bochechas.
Alice tinha a fome na pele.



Oswaldo

ajuda o pai na plantação de coentro.
um dia ia ser jogador de futebol, me disse.
cortar cana pra usineiro era sina de família.

sorriu, depois.



Gisele

o irmão mais velho foi pegar as duas galinhas pra comer no sítio de Raimundo.
as galinhas escaparam de suas mãos e entraram no roçado.
apressado, Raimundo esqueceu de desligar a energia da cerca e foi para a cidade.
ela me disse que seu irmão morreu assim, ó!
e fez um gesto com os braços.
e da galinha ninguém soube o paradeiro.


* Imagem: https://www.deviantart.com/joelcoelho/art/black-chicken-in-the-cemetery-482755784

domingo, 9 de dezembro de 2018

O homem encurralado (Parte XIX - em francês)



Por Germano Xavier

"tradução livre"



Quinta-feira, 1 de novembro de 2018
O homem encurralado (Parte XIX)


L’homme acculé (Partie XIX)

L’homme acculé,
lit de moins en moins, ne voit rien et n’entend rien,
plus il arrête de penser
plus il se fout du Temps,

sans savoir que pour bien gérer son Temps
il faut du temps.

beaucoup de temps.


* Imagem: https://www.deviantart.com/vermontster/art/Men-In-Black-391151522

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Sobre a grávida gravidade da vida (Parte II)



Por Daniela Correia e Germano Xavier


Episódio de hoje: Rilke, desequilíbrio, autossabotagem e reconhecimento


Há um vício constante no mundo moderno: o de se autossabotar – termo usado para definir a criação de obstáculos os mais diversos, e que, tendo como alvos o consciente e/ou o inconsciente, busca atrapalhar a realização dos nossos maiores sonhos, de nossas metas e objetivos. Desejos estes que, por motivos vários, as pessoas sentem ou têm insegurança em vivê-los. A procrastinação é um dos piores comportamentos de autossabotagem. Transferir um projeto para um futuro próximo, sem qualquer data definida, é quase sempre o resultado de não se efetivar nada.

Não é sempre que a consciência está crente do nosso comportamento autossabotador, das nossas atitudes, tampouco de nossas frustações. Faz-se necessário ou se requer reconhecimento, de moldagem múltipla, para que seja perceptível o nosso desenvolvimento pessoal e humano. Configura-se, portanto, tal qual uma batalha constante, diária, recorrente, combatida por meio de uma enorme coragem, um enorme condicionamento mental e, sobretudo, humildade para se reconhecer as falhas.

Todos estão aptos a se declararem incapazes. É comum. Infelizmente esta decisão é exigida pelo nosso ambiente social, já que todo indivíduo é testado e cobrado excessivamente, e tão logo acaba decidindo não tentar para assim evitar frustações de um possível fracasso. Com isso, tal prática torna-se um vício, com vários dilemas em mente, do tipo “eu não posso”, “eu não consigo” ou “amanhã eu tento”.

O poeta alemão Rainer Maria Rilke, quando respondeu a Franz Xaver Kappus (as 10 cartas de Rilke ao jovem podem ser lidas no clássico Cartas a um jovem poeta), não viu nas cartas enviadas a ele os porquês literários de um aspirante a poeta/escritor, mas percebeu que, antes de mais nada, seria necessário erguer a alma daquele jovem para que ele se sentisse forte e apto o suficiente para ir adiante em seus sonhos. Fugindo aos questionamentos quase óbvios do garoto, Rilke se desvia da mera crítica e acaba fomentando um pequeno postulado sobre a vida, sobre a coragem, sobre o autoconhecimento e, por conseguinte, um curto tratado contra todas as formas de autossabotagem.

Vale enfatizar que cada um tem o seu devido valor e, assim sendo, pode acrescentar muito para si e também para os outros. Nossas diferenças são nossas riquezas. Cada ser humano pode ser totalmente suficiente para si mesmo. No entanto, leitura e/ou escuta de apenas uma frase de autoajuda não basta. E não é besteira não admitir o quão difícil é, sentir-se inábil e querer se isolar. Com ajuda e acolhimento é possível superar. Acredite.


* Imagem: https://www.deviantart.com/carmineflame/art/Portrait-288558015

domingo, 2 de dezembro de 2018

O homem encurralado (Parte XVII - em francês)



Por Germano Xavier


"tradução livre"



L’homme acculé (Partie XVII)


L’homme acculé

a le droit de voter, mais il a faim
a le droit de voter, mais il a soif
a le droit de voter, mais il est sans toit
a le droit de voter, mais il est sans voix
a le droit de voter… mais il ne connait pas la paix

Sans liberté
cet homme marche alors qu’il n’attends rien du tout

Le malaise de la civilisation
l’avale de manière brutale

Les illusions sont immenses
Celles de cet homme-nous, il

a le droit de voter, mais il a faim
a le droit de voter, mais il a soif
a le droit de voter, mais il est sans toit
a le droit de voter, mais il est sans voix
a le droit de voter, mais il ne connait pas la paix

Il décide alors de suivre son chemin
| Quoique paralysé |
Il part à la rencontre du plaisir éphémère

Celui-ci étant la seule chose qui lui reste.


* Imagem: https://www.deviantart.com/mariadesconhecida/art/morreu-108901153

sábado, 1 de dezembro de 2018

O homem encurralado (Parte XVIII - em francês)



Por Germano Xavier


"tradução livre"



Quinta-feira, 18 de outubro de 2018
O homem encurralado (Parte XVIII)


L’homme acculé (Partie XVIII)


L’homme acculé ne sait pas comment il parle,
et à cause de cela, ne sait pas qui est-il ; (pas encore)
l’homme acculé n’a toujours pas trouvé son intonation,
sa syntaxe particulière

voilà pourquoi son destin est incertain.

il ne fait que reprendre une droite redoutable,
l’anachronisme des choses inévitables,
la strophe citée, le secret déjà dévoilé.

Sa route à lui est terminée,
comme un soldat sans guerre,
un courage sans fleur
ou une nouvelle décolorée.


* Imagem: https://www.deviantart.com/nunocanha/art/160420151-800-366409650

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Pró Irlan



Por Germano Xavier



Poeminha escrito especialmente para que os pequeninos da Professora Iudes Ferreira recitassem 
em homenagem à minha mãe, Irlan Xavier.

Evento realizado pelo Colégio Francisco de Assis (Iraquara-BA/2018).



Pró Irlan, mulher destemida,
Fez da educação a sua vida.

Casada com Carlos, mãe de Gustavo e Germano,
Uma grande mulher, um belo ser humano.

Com muito empenho e suor,
Cuidou do outro e mostrou seu valor.

Pró Irlan, professora de uma geração,
Com graça e doçura entregou seu coração.

Do José de Arimatéia ao Francisco de Assis,
Seu caminho foi ensinar o bem ao aprendiz.

Eu, tu, ele, ela, nós, todo mundo não lhe esquece.
Pró Irlan, Iraquara inteira hoje lhe agradece!

São muitos anos alimentando sonhos com amor,
Peço a todos uma salva de palmas para ela, por favor!


* Imagens: Colégio Francisco de Assis