terça-feira, 9 de julho de 2019

O Equador das Coisas - 12 anos




Republicação



Tudo começou durante uma aula da disciplina Programas e Ferramentas II no curso de Comunicação Social/Jornalismo em Multimeios da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) que eu até então fazia. A professora Jussara Moreira, depois de explanar um pouco do seu conhecimento acerca da linguagem HTML para produção de sites pessoais e outros projetos de cunho cibernético, levou-nos a conhecer uma ferramenta que, para mim, ainda era uma incógnita: o Blog (ou blogue, como preferir). Lembro que ela havia indicado alguns sites onde poderíamos escolher a plataforma que mais agradasse nosso gosto e, ainda sem nenhum conhecimento de causa, entrei na ferramenta que o portal UOL disponibilizava à época.

De pronto, achei tudo muito simples e funcional. Uma espécie de caderno virtual, de diário, de pasta, um portfólio, "mas que coisa boa!", pensei. E assim se deu o meu primeiro contato expressivo com esta ferramenta informática. Deu-se a luz, diria o outro. E sem muito pestanejar, fui logo criando o meu próprio espaço na blogosfera. PAROLAS DE UM SUJEITO QUEDO foi o título que dei ao meu primeiro esforço “bloguístico” e foi parido em 09 de julho de 2007. Lá, e aos poucos, fui colocando alguns velhos textos que eu tinha guardado e também escrevendo coisas novas. Como nestes idos ainda não possuía computador em casa, reservava alguns momentos quando me encontrava no laboratório de informática da faculdade para postá-los.

No PAROLAS DE UM SUJEITO QUEDO, a série de textos do “Sonhador Gervixa” foi, talvez, o maior destaque. Com cerca de 20 capítulos publicados, foi através deste personagem, um sujeito que se dizia não ser deste planeta devido a sua extravagante repulsa por todas as más ações humanas, que os primeiros leitores – geralmente meus próprios colegas de Jornalismo e outros poucos amigos - foram se acercando de minha produção textual, conquistando assim paulatinamente o que posso chamar de “credibilidade” e por que não dizer “fidelidade” no meio.

Depois de algum tempo, burilando na internet, achei de investigar a plataforma BLOGGER. Percebi que nesta havia mais instrumentos de edição e diagramação, além de que as interfaces eram muito mais convidativas que as do UOL. Destarte, abandonei o PAROLAS DE UM SUJEITO QUEDO e criei em 12 de novembro de 2007 meu segundo blog, agora intitulado A AUTO-ESTRADA DO SUL, por influência direta da leitura do livro de contos "Todos os fogos, o fogo", do escritor belga-argentino Julio Cortázar, que andava a realizar naqueles dias. Transferi, ao passar dos dias, todos os textos que havia publicado no PAROLAS DE UM SUJEITO QUEDO para o novíssimo e empolgante – pelo menos para mim - A AUTO-ESTRADA DO SUL e, de modo bastante paciente, fui colocando mais um montante de produções textuais de minha autoria, assim como algumas colaborações que recebia de amigos, sempre com a preocupação de devidamente analisar se os mesmos se alocavam bem aos propósitos do blog. Com minha entrada no universo “BLOGSPOT”, percebi que o mergulho constante no blog - um saudável vício, penso - estava despontando em mim como um local de construção de saber e de possibilidades de diálogo acerca das incontáveis formas de conhecimento nunca antes imaginadas, cuja responsabilidade para com o que ali estaria exposto aumentava em progressão geométrica, o que muito me agradava.

Alguns meses transcorridos e optei por mudar apenas a titulação do blog, que agora passaria a receber o nome do meu primeiro livro de poemas, publicado no ano de 2006 pela Editora Franciscana, com sede na cidade pernambucana de Petrolina. Era o nascimento do blog CLUBE DE CARTEADO, nomenclatura que permaneceu até os idos de 2009, mas que por problemas de ordem estrutural tive de deixá-lo para trás. O CLUBE DE CARTEADO foi quem guardou a maior parte dos textos que eu havia escrito ao longo dos anos, desde poemas e contos, passando por crônicas e resenhas de todos os tipos, até projetos de pesquisa mais apurados e artigos científicos, sendo também, tenho quase certeza, o primeiro blog a ter (ou a querer ter) a figura de um ombudsman – experiência que infelizmente não vingou. No total, foram exatos 821 textos/postagens publicados em seu espaço, registrando no período de pouco mais de um ano cerca de 30 mil visitas reais e algumas centenas de comentários e participações várias.

Depois de visualizado o problema em sua configuração, a construção de um blog totalmente novo foi a alternativa mais viável para dar seguimento a minha relação com esta significante parcela do mundo virtual. Foi aí que O EQUADOR DAS COISAS veio à superfície do ciberespaço. Com ajuda de pessoas mais entendidas neste universo da informática, selecionei um template que trouxesse um pouco da carga dramática que o título requeria, e logo foi feito a transferência de todos os textos que estavam no CLUBE DE CARTEADO para o arquivo do novo blog. O primeiro texto originalmente escrito para O EQUADOR DAS COISAS data de 23 de julho de 2009.

Daí por diante, outros inúmeros textos foram publicados até o presente dia – só para constar, já passamos da considerável marca das 1.800 publicações/postagens. Como se números fossem importantes, não é mesmo?! Tantos números assim soam como um discurso contraditório até para mim, que sou daqueles que têm mais medo de um sujeito que escreveu um livro em toda uma vida àquele que escreve meia dúzia de títulos em cinco anos – se formos vasculhar, exemplos não faltam. Recentemente o EQUADOR DAS COISAS passou por uma nova reforma, tanto na estética quanto em seu conteúdo. E como você vê, amigo leitor, hoje já está tudo diferente do que era antes. Tudo muda o tempo todo, não? Aí você me pergunta quando vou parar com tudo isso, e eu respondo que “nunca”. Cada vez que penso em desistir do blog, mais certo fico de que sem esta ferramenta, exemplo de expressão libertária e democrática, mesmo que virtualizada, fica mais pesada e difícil a balada das horas do meu dia. A vocês, leitores e leitoras, meu muito obrigado por ajudar na edificação e na concretagem deste real espaço de troca de experiências e saberes. Vocês são peças fundantes em toda esta ladainha. Recebam um abraço-amigo-imenso deste Germano que vos fala agora, exímio “aprendedor” de coisas. E para não dizer que não falei das flores, sim... continuemos, bucaneiros! – até porque o mar, o mar!, o mar quase nunca está para peixes...


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segunda-feira, 8 de julho de 2019

Arteologia



Por Germano Xavier


interpreto o mundo
quando me queixo
ou me deito sobre a soma
do que deixo: sangue, suor, trabalho.

outro exemplo: quando permaneço
esquerdo, realizando a eterna verdade
de minhas revoluções.

dominante é a classe com que me imponho.
digo nada. operária é a minha voz.
e meu silêncio. solene, público, feroz.

acredito
no que resolve o estado das prevalências.

vivo o que desaparece
e se insere no que perdurará.

é certo que supero o que diviso,
mas universal é mesmo meu esquecimento.

a arte está mesmo em negar extremos.


O homem encurralado (Parte 0 - em francês)



"tradução livre"


Sábado, 27 de abril de 2019
O homem encurralado (Parte 0)


L’homme acculé (Partie 0)


pour Millôr Fernandes, in memoriam


il est l’apôtre du chaos
l’homme acculé pense,
raisonne, considère et élucubre,
s’entête, idéalise, médite et cogite,

se singularise.

pourtant il y a tellement
de pondérations extrêmes,
de raisonnements marginaux, d’affirmations,
de folies, de spéculations,
que toutes ses conclusions
deviennent des prothèses de la réalité.

en le disant ainsi, il devient énorme
en hérésies plastiques.
et meurt, tout bêtement,
grisâtre, sans jamais avoir connu la Vie.


domingo, 7 de julho de 2019

O homem encurralado (Parte XXVIII)




Por Germano Xavier


liberdade é a espera de nada,
mas o homem encurralado espera
tudo que impede finalidades natas.
espera amarga de peito cravejado,
e nele impera
a vil espera

| padrão de necessidades definidas |.

para onde caminhará, preso e tão livre,
para onde se determinará?

(CONSELHO)

não vise,
não aguarde nem queira,
não adote o tempo das coisas

| melhor prática |.

viver é jogo, dança sem finalidade,
de ganho fortuito, tautologia.

não enumere.
só saiba contar (nos dedos)
os raros dias vividos fora de si mesmo.


quarta-feira, 3 de julho de 2019

Luísa Fresta lançará livro em Portugal




Divulgação


CONVITE



No dia 19 de Julho pelas 19h00 terá lugar, em Lisboa, a apresentação do meu último livro de poesia, intitulado MARÇO entre meridianos e lançado em Luanda no Memorial António Agostinho Neto a 8 de Março de 2018, por ocasião da entrega do prêmio de poesia no feminino Um Bouquet de Rosas para Ti.

Seria uma grande honra para mim e para os meus editores (Livros de Ontem) podermos contar com a tua presença.

Consulta p.f. abaixo o convite bem como os detalhes do evento.

Desde já agradeço o teu interesse.

Um abraço e até lá,

Luísa


LIVRARIA BRAÇO DE PRATA
RUA DA FÁBRICA MATERIAL DE GUERRA, 1
Lisboa


COMO CHEGAR
Comboio: Linha de Sintra – Estação Braço de Prata
Autocarro: 728, 718, 755, Nocturno
GPS: 38.7433703 / -9.1006499
(Estacionamento fácil e transportes públicos).

A obra será apresentada através de textos críticos dos poetas Cíntia Gonçalves (Angola), Germano Xavier (Brasil) e Manuel Iris (México), para além do editor, João Batista.

Todo verso todo



Por Germano Xavier


todo verso é sempre algo mais,
ou algo menos.

um trem de ferro abatido por ferrugem,
o lugar por onde trafega a geringonça | da VIDA |,
a experiência que comprova o que falo,
o nada em gomos.

| todo verso todo mesmo |

é um começo nas emendas,
é um cheiro nas procuras,
é um indago nas peraltagens.

a própria destinação do verso | INFINITO |,
fabrica o que sempre pareceu um trem,
descarrilado, mas tem malvadeza a ideia.

a locomotiva pode ser só eu.
ou pode ser DEUS.


domingo, 30 de junho de 2019

O homem encurralado (Parte XXVII)



Por Germano Xavier


enquanto olha o mundo
de uma esquina qualquer da cidade,
tragando o desespero num líquido avulso,
o homem encurralado escreve uma estética total,
íntima e superficial.

porém,
aos poucos (goles),
a angústia lhe adentra a alma,
inexplicável, ambígua, contraditória.

sente, então, a falta de um anestesiar-se.
fascinante, a dor lhe planeja a queda.

pois ele não sabe esquecer.
pois ele não desvê.
pois seus gostos se refinam.
pois deduz o instante.
pois a morte é próxima.
pois o pensamento não cessa.

enquanto o mundo se move, quisesse ser
um desastre ou mesmo um risco à vista,

segue, ele, sem se emocionar (como deveria).



sábado, 29 de junho de 2019

O homem encurralado (Parte I - em francês)



Por Germano Xavier


"tradução livre"



Terça-feira, 16 de abril de 2019
O homem encurralado (Parte I)


L’homme acculé (Partie I)


je suis l’Homme Acculé
je suis pressé et je n’ai pas le temps
j’ai le temps et je n’ai pas de rêves
j’ai des rêves et je n’ai pas faim
j’ai faim et je n’ai pas de pain

je suis tout ce que je ne suis pas
tout ce qui part de moi
tout ce qui me naufrage

je suis l’Homme Acculé
j’ai la foi mais pas de chance
j’ai la mort sur les mains


segunda-feira, 17 de junho de 2019

Infarto




Por Germano Xavier


(baseado em fatos surreais)




Enterrei meu pai hoje.

Difícil. Di-fí-cil.

Não estava preparada. A pior dor do mundo. Nem sei descrever.

Peguei o primeiro voo. Ele sempre me esperava no aeroporto. Acenava de longe quando me via. Dessa vez foi diferente. Meu irmão estava no lugar dele. Desolados, abraçamo-nos. Chorei.

A cidade estava diferente. Não, a bem dizer não era a cidade, mas alguma coisa estava fora do lugar.

A casa estava cheia. Muitas pessoas... De várias cidades, o bairro inteiro foi... Ele era muito querido por aqui... Minha mãe, meu Deus!, minha mãe não tinha mais lágrimas. Difícil demais tudo aquilo. O caixão no centro da sala. Pessoas conhecidas e pessoas desconhecidas. Uma confusão dentro de mim.
 
Queria dar uma mesa de sinuca para ele. Pesquisei para o próximo Dia dos Pais. Sei que iria adorar. Cheguei até a escolher o modelo, tecido verde no campo, um de ficha com tacos de madeira nobre. Pena que não foi antes.

Da família, era ele quem mais se parecia comigo. Tínhamos as mesmas ideias. Sobre Deus, sobre igreja, sobre liberdade. “Viva e deixe viver”, ele dizia. Impulsivo e teimoso. Era um homem bom. Fiz de tudo para poupá-lo de meu sofrimento. Fiz de tudo. Mas tudo nem sempre significa o necessário.

Na sexta-feira de manhã ele saiu para buscar um amigo no hospital, no centro. Deve ter passado mal enquanto dirigia. Quando o amigo chegou, ele já estava morto dentro do carro. Foi o que disseram. Fulminante. Ele era assim. Nunca dizia Não. Ajudava todos os vizinhos. O vizinho estava tratando um câncer. Ele era o primeiro a ajudar.

A casa ainda está cheia... Eu não quis olhar no caixão... Não vi o rosto dele... Preferi guardar a memória dele vivo... Eu estou. Estou viva. A pior sensação do mundo é enterrar a vida...

Todos estamos abalados. Isso vai mudar a vida de todos nós. Não sei como será ainda. Estou atordoada.

Comprei a passagem de volta.

Mas como vou voltar?

Obrigada.


sábado, 15 de junho de 2019

A menina congelada



Para o pai da menina da penumbra, in memoriam.
E para a menina da penumbra.



notícia ruim: valsa da Morte.


a menina congelada está só
no mundo e o mundo todo agora espoca
e até o silêncio
é ponto de partida.

veio a morte-levada
com seus instrumentos de cordas pinçadas
a fazer vibrar a onda eterna das eras.

ela tenta compor uma buliçosa polca,
mas a certeira ausência aterra o esforço:
a menina congelada é parte da sinfonia.

pedirão clemência!
estéril, tocará o impulso
e a vocação para a dor.

correrá ao piano,
recordará suas lutas
e sua sorte será o próprio gelo,
já criado e insuperável, do seu coração.

a menina congelada sobreviverá,
assim, ao frio e vadio baile das horas.



O homem encurralado (Parte II - em francês)



Por Germano Xavier


"tradução livre"



O homem encurralado (Parte II)


L’homme acculé (Partie II)


je vois la Grande Catastrophe
dans les murmures secs des visites sans foi
sur les mains du désert sans destination ni caravanes
dans la copule du Néant avec l’Enfer

notre royaume est celui des rivières qui s’en vont
des enfants qui ne jouent pas
des cœurs lents et durs
des vaccins invisibles pour les maladies incurables

notre royaume est celui de la linéarité
et des mixages athonites quasi-naturels

je vois la Grande Tumeur
le fond livré à la faiblesse du corps
l’humiliation comme un chemin d’incohérences
la vie riche d’une non-vie

JE VOIS LA GRANDE CATASTROPHE
lorsque je m’étale sur le miroir


sexta-feira, 14 de junho de 2019

O homem encurralado (Parte XXVI)



Por Germano Xavier


o homem encurralado
é toda uma metrópole derrotada
e que não sabe da força
e das contrapartidas do Eu

que não sabe
que a conquista do poder
de sua própria voz

| grande tigre negro do proletariado |

deve coincidir com a vitória do Nós

é ele o desmantelamento do sistema
a grave agrura do ser
o dissabor do mundo
o sofrimento de uma multidão

a ácida catástrofe das concessões
transição mitigada entre a opressão
e o sonho


quinta-feira, 6 de junho de 2019

O homem encurralado (Parte III - em francês)



Por Germano Xavier


"tradução livre"



Segunda-feira, 15 de abril de 2019
O homem encurralado (Parte III)


L’homme acculé (Partie III)


parmi ces poissons métalliques |te voilà |
tu es acculé en marge de la rivière
un homme acculé qui serpente, accroché à l’eau
[ou l’erreur myope des espaces]

des poissons sidéraux exemptés d’acrobaties
| toi | quasi-mort, fantoche de Pernambuco
une horloge à pendule qui signale des désastres

toi tu t’en vas et plus jamais
tu te jetteras à la mer profonde

au contraire
tu t’effaces muet

puisque les rames teintent les cris des muscles
en couleur de certaines promptitudes


domingo, 2 de junho de 2019

O homem que voltou do frio



Por Germano Xavier


era Helena
ligava de nem sei onde
aquela voz-de-estar

imitei solene meu jovem coração
aquele de antes que nem eu mesmo
me recordava | ela comigo?

já me habituara a proteger minha tristeza
em ser uma solidão no mundo | agora
ela não desliga | eu-embarque

a danada
aquela que havia me endereçado
ao pior dos campos de concentração


Rap do 30 de Maio



Por Muhatu



um dia diferente, luta de frente pela capacitação
há um menino adulto que lê pesadelos no jornal
a morte do ensino em tempo integral
e o espanto boquiaberto da nação

um dia urgente refuta restrição de liberdade
estudantes/professores desamarrem pensamentos!
sois brilhantes como o sol e livres como o vento
ser cidadão é coração maior de idade

jornada prenhe de mil luzes de mudança
em prol das ciências sociais tão humanas
e fundamentais | a reflexão crítica nos irmana
[o desconcerto assusta mas a coerência avança]

jornada de verbo sem verbas – só esperança
não sou panfleto doutrinário sou luta pacífica
minha luta é ética, minha sementeira científica
dizemos sempre e ainda: quem espera sempre alcança

um dia de apaziguamento e chamada à razão
cremos em hospitais e universidades públicas
nossas exigências são pedidos [nunca súplicas]
sonhadas com cabeça, alma e antecipação

será jornada de batalha ideológica
que tempo é este retrátil e inseguro?
educar não é gastar, é construir o futuro
negativismo é destruição | aposta ilógica

no dia trinta a palavra será tinta e voz
pela merenda, pelo transporte escolar
educação inclusiva temos que assegurar
o tempo urge como um rio para a sua foz