segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Desde o dia em que não te vi

*
Por Germano Xavier


desde o dia em que não te vi
tão tigresa em passos
nada lassos foram meus afãs
aos desejos de você com cheiro
de rebeldia e gosto
marginal

amei a hora que te fazia
em mim o branco torvelinho
desde o dia em que não te vi
sob o sol manso daquela tarde
de rio sem tamanho

teus modos de enluarar tardes
compilando instantes de eternizar
a espera insustentável e leve
de ser o que se foi
desde o dia em que não te vi

levei o doce amargo na boca
na busca árdua e até triste
pela água calorosa
que teus centros expeliam

dobrável corpo a abraçar
a maciez das epidermes
a lançar fora o ribeirão
das passagens e o amor

antes e depois
desde o dia em que não te vi


* Imagem retirada do site Deviantart.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Nada muito sobre filmes (Parte XI)

*
Por Germano Xavier


ELEFANTE BRANCO

Bucaneiros e bucaneiras, é o seguinte: ainda estou por ver um filme ruim com o Ricardo Darín no elenco. O moço só sabe estrelar filmaços. ELEFANTE BRANCO (2012), dirigido por Pablo Trapero, é um exemplo vivo do que estou a falar. O drama mescla religião, miséria, política e jogos de poder, tendo como pano de fundo uma favela da capital argentina que dia após dia se vê à mercê dos desmandos de toda uma ordem formada. O início é lento e monótono, mas em sua segunda hora consegue se superar. Para ver e rever com calma. Recomendo a todos os mortais!

IRMÃ DULCE

Bucaneiros e bucaneiras, eu estou profundamente encantado com o filme IRMÃ DULCE (2013), dirigido por Vicente Amorim. Uma cinebiografia digna de toda a história que perpassa este mito baiano-mundial da bondade e da caridade. Para quem não conhece o legado do "Anjo Bom da Bahia", como ficou conhecida, favor assistir ao filme o quanto antes para melhor se inteirar. Vocês entrarão em contato com uma emocionante lição de amor para com os mais pobres e desassistidos. Em tempos de hedonismos e de crueldades as mais variadas, o filme nos serve como um soco no estômago e nos deixa sem ar do começo ao fim. Grande atuação de Bianca Comparato. Recomendo a todos os mortais!

BOA SORTE

Fui ao cinema assistir ao tão falado e pouco visto BOA SORTE (2014), filme dirigido por Carolina Jabor. Cria-se uma expectativa enorme no começo do filme, mas infelizmente a trama, que termina sendo mais uma historieta de amor proibido, não consegue se sustentar e faz de seus parcos 90 minutos mais longos que o esperado. Não deu para sentir quase nada. O pano de fundo é o quesito das internações psiquiátricas, mas fica lá no fundo mesmo. Sem mais delongas, há muita coisa melhor por aí. Sigamos, bucaneiros!

O HOBBIT - A BATALHA DOS CINCO EXÉRCITOS

Hoje tive a oportunidade de assistir ao último capítulo da trilogia O HOBBIT, de subtítulo A BATALHA DOS CINCO EXÉRCITOS (2014), dirigido por Peter Jackson. Em 3D, a experiência foi incrível. Um ano de espera e o filme que conta o maior feito de Bilbo Bolseiro na Terra Média, quando longe do Condado, fecha com maestria toda uma saga que, na verdade, inicia-se bem antes de O Hobbit e termina com a trilogia O Senhor dos Anéis, todos baseados nos livros de J.R.R.Tolkien. Quem conhece a obra de Tolkien, sabe do que estou falando. Eu sou fã de carteirinha de toda essa mitologia literária. Por isso, recomendo a todos os mortais!

O CORVO

O CORVO (1994), dirigido por Alex Proyas, é um filme apenas razoável. Há muito mitificado pelo fato de o ator principal do elenco, Brandon Lee, ter falecido em cena, quando visto hoje o longa não causa mais tanto espanto assim. Possui toques mórbidos a la Edgar Alan Poe e a trama ocorre numa atmosfera bastante caótica. Influência enorme dos quadrinhos. Vale uma olhadela!

LUÍSES - SOLREALISMO MARANHENSE

O filme LUÍSES - SOLREALISMO MARANHENSE (2013), dirigido por Lucian Rosa, é parte-manifesto do movimento Solrealista, gerado na capital do Maranhão pelas mãos de artistas e cidadãos em geral, que mescla ativismo cultural e engajamento político. Tomando como ponto de partida a lenda da serpente adormecida que vive nas profundezas da cidade-ilha, o longa escancara a real face da cidade e de seu povo, (des)governado há mais de 40 anos pelos Sarney. Para mim, que fui tentar a vida em São Luís no ano de 2011 e que praticamente só tive a oportunidade de conhecer a face "nobre" da Ilha do Amor, o filme revelou-se bastante esclarecedor. Há pitadas de Glauber Rocha. Recomendo a todos os mortais!

PARA ROMA COM AMOR

Mais um filmezinho do Woody Allen que consegui ver recentemente. PARA ROMA COM AMOR (2012) diverte e ao mesmo critica inteligentemente a efemeridade das coisas mundanas e, também, das relações humanas. Filme construído em cima de historietas que se mesclam, cada uma com suas terminações insuspeitadas. Típico filme dirigido por Allen, com muitos diálogos e verossimilhança incrível. Merece nosso tempo na tela. Recomendo a todos os mortais!


* Imagem: Google.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Os bons fins do amor

*
Por Germano Xavier

madrugada de um dia


não olhe para trás
somos atores de um futuro
inexistível a contar os quilômetros

venha de longe com pouca roupa
há contos ainda não escritos
sobre os olhos com fome

narrações sobre os abraços com pressa
de um momento de paz
(mesmo que a paz seja um demônio)

e na curva de encontro
caminhe comigo imaginando inimigos
afeitos ao andar de não-liberdade



Nero quer mostrar o fogaréu do alto

aqui do alto
a chama a pele queima
cidade espiritual atingida pelo fogo
mulher aberta



o poema com chocolate

voltarás para casa
com a intensa frase do que não cessa
a dizer um sol impróprio para amadores

há doce sobre a mesa
coma o instante

(num instante há amor)


* Imagem retirada do site Deviantart.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

As árvores amorosas (Parte IX)

*

poema para a mulher da bocarra

Por Germano Xavier

por volta das três horas da tarde
na praça da cidade histórica os dois
elaboram a primeira noite de amor:

rio à frente
conversam sobre as quase-coisas
pensam em ir à padaria e pedir um suco
de laranja com gelo
sentem formigamentos nas mãos
beijam-se em anunciações de desejo
enroscam as mãos e os dedos
caminham para lugar algum

na noite tão esperada
resolvem correr caminho
para afugentar fumaças de charutos alheios

no retorno
zíperes são desatados
Montezuma coordena em tragos banais
o amor

o amor não tem solução


* Imagem: Google.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

As árvores amorosas (Parte VIII)

*
poema para a mulher augusta

Por Germano Xavier

as observações que faço 
diante dos fatos por nós vividos
podem não caber num poema

há um receio do poema
(como água ou sêmen)
extravasar a borda

por isso hei de ser digno
com o tempo que a palavra 
abarca ou abarrota
e dizer apenas que 

foi azul


* Imagem retirada do site Deviantart.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Todo caminho me leva

*
Por Germano Xavier

devo chamar de perdição
todo caminho que me leva à morte
não as estradas que caminhei
para me desencontrar

todo caminho me leva
todo caminho me traz
- como parte de meus passos
doei-me inteiro aos silêncios
de sede de fome de amor

no fim o olhar se renova
na linha de chegada a paixão
brutaliza-se

devo chamar de encontro
toda morte que não me aceitou
não as setas que me quiseram
na imprudência gozosa das bifurcações


* Imagem retirada do site Deviantart.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Poemas de Germano Xavier em Francês (Parte IV)

*
Por Germano Xavier

"tradução livre"


sábado 06/12/14
A piscina

La piscine

tu entres
délicatement
dans l’eau

(il y a en cela une redondance voulue)

le cœur aquatique
floral, humide
sous le maillot

ce n’est ni toi
ni le tissu
c’est le bleu qui se mouille


* Imagem retirada do Google.

sábado, 6 de dezembro de 2014

A piscina

*
Por Germano Xavier

você entra
delicadamente dentro
d'água

(há redundância proposital)

coração aquático
em floral úmido
sob o maiô

não é você
nem a malha
é o azul que se molha


Imagem retirada do site Deviantart.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

A última quimera da noite escura

*
Por Germano Xavier

dois giros no eixo e abro
a porta do quarto
do hotel silencioso

(a essa hora
ralos escorrem os sujos humanos)

vejo você no meio dos livros
abertos que deixei sobre a cama
teus seios brancos me orientam nortes labiais
e a palavra se manifesta
(há uma intermitência) em língua
- em idioma de amor

visito escotilhas e abro-as
fecho-as (você me sabe marujo)

a última quimera da noite escura
reúne a medida certa das águas
que dão para chegar em tua flor
razão de minha selvageria


* Imagem retirada do site Deviantart.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Os versos grávidos de Maíra Ferreira

*
Por Germano Xavier


“os velhos que um dia
seremos estão pedindo
perdão”

Excerto do poema face a face, de Maíra Ferreira

Maíra Ferreira é o nome da poetisa que estreia sua inaugural fatalidade no mundo das palavras impressas. A PRIMEIRA MORTE é o nome do livro da poetisa e é também o nome do poema que abre seu livro de poemas: “quando era criança tinha um medo/de borboletas como quem não suporta/tamanha delicadeza desde sempre”. Poema-fala de uma grandiosidade perigosa gerada a partir do que é sutil e mantido entre ternuras.

Figuras infantis brincando de ofuscar nossas fatigadas vistas são encontradas nas ladeiras que as estrofes não ousam subir nem descer, como em “entre os instantes e eu vejo pensando que é tudo/na verdade simples e o mundo é no fundo/isso mesmo só isso tudo isso”. Melhor deixar tudo intacto no meio do percurso. Esplendores alheios fazem o papel dos arruaceiros derrotadores de silêncios e iconoclastas.

Cantos de erros em datas importantes que maculam as imensidões, tal qual no trote “e logo é tarde e já se perdeu tudo/o que nunca se teve”. Parece poesia feita em rota marginal, apesar da nítida presença dos saberes universais de ordem. A veia de Maíra discute a pressa das horas sem construção, a vida gasta sem ter motivo real. E pede autorização para romper cada vez mais.

Poema lindo é “pequena princesa”, versos com sal. Referências depostas e provadas no abrir das rimas inexistentes, o livro de Maíra é um exemplo de paraíso caótico. Cada poema é uma viagem, cada um é uma chegada e cada qual uma partida. Somos atingidos. A poesia vence no final da escaramuça, eis a única certeza que o desavisado leitor tem logo no passeio das páginas primeiras.

A palavra como artefato. Arma para dizer, mesmo que nada se compreenda ou mesmo que nada sofra incorporações. A PRIMEIRA MORTE dá vida a uma voz nova que tem vez no singular mundinho das frases quebradas com sanha que todos os poetas inventam de inventar. Outra coisa: poesia que debocha e quem ri não é o leitor. O leitor antes sofre sabendo-se infame e partícipe de todas as peripécias devotadas. O leitor dessas primeiras mortes de Maíra é parte do cortejo. O funeral é de espantos.

Assim: “quando me perguntarem vou ser/completamente aberta/horrivelmente honesta/e por isso aviso/nenhuma verdade vai sair/de mim”. Maíra Ferreira, pois, é o nome da poesia que tem autoridade para ser inaugural, não decepcionar e, ainda mais, para ser horizonte no universo das palavras que mancham papéis de preto em tipos misturados. Falseia tudo cobrindo os equadores (centro) das coisas com o limão das bocas em ira. Palavras grávidas: logo nascerão outras de seu ventre. Favor, não duvidar. Favor, desejar.


* Imagem: Google.

Poemas de Germano Xavier em Francês (Parte III)

*
Por Germano Xavier

"tradução livre"


domingo 30/11/14
Emboscada no coração do amanhã

Une embuscade en plein cœur du devenir

j’ai visité des labyrinthes
au moment où tu as accosté à ce fort

(au milieu du jardin bleu
je ne voyais que les mâts
des navires dans tes yeux)

fatigué de m’étayer par les coins
je suis allé te joindre, mon refuge
dans mes rêves tu entres dans ma bulle
- et le vent se charge du reste

obéissant à un ordre inconnu
mes pieds m’on offert leurs pas
je ne pouvais pas imaginer
qu’ils seraient autant, à ce point-là

pour te sauver de la planche
je me prenais par Ahab en fureur contre le cachalot blanc
(l’amour est le plus grand des mammifères)

en transmutant les peurs d’autrefois
j’ai banni les axes des centres sans équateur


* Imagem retirada do site Deviantart.

domingo, 30 de novembro de 2014

Emboscada no coração do amanhã

*
Por Germano Xavier

estive a visitar labirintos
na hora que você aportou no forte

(o jardim alto só me deixava ver o mastro
das embarcações de seus olhos)

cansado de me escorar pelos cantos
indo ao teu encontro busquei abrigo
na imaginação fiz você entrar na bolha
- o vento do resto se encarregaria

como que me pedissem uma ordem
meus pés me cobriram de passos
e eu nem suspeitava que fossem
extras e tantos

para livrar você da tábua
fiz-me de Ahab em fúria pelo cachalote branco
(o amor é o maior dos mamíferos)

invertendo os medos de outrora
bani dos eixos os centros sem equador


* Imagem retirada do site Deviantart.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Pedagogia hipertextual, multiletramentos e a educação contemporânea

*
Por Germano Xavier
(amostra de um texto maior que estou a escrever)


1. CONCEITOS BÁSICOS PARA UMA RENOVADA EDUCAÇÃO

Partindo do pressuposto de que todo texto é potencialmente um hipertexto, torna-se possível aventar um pensamento-estudo mais voltado à análise crítica acerca de tal alicerce epistemológico, hoje tão fundamental para o fazer educacional da contemporaneidade, esfera do conhecimento cada vez mais atrelada ao universo dos saberes globalizantes. Inúmeros foram e são os teóricos e pesquisadores que tentaram e ainda tentam desvendar os segredos do texto plurilinear, ou seja, daquele modelo textual que é constituído de múltiplos sentidos, repleto de ramificações, conexões extras e dotado de possibilidades as mais variadas, tanto em se tratando de suporte quanto de significados. 

Pensar em educação é pensar na interação aluno-texto, e pensar em educação em pleno século XXI é também pensar no tripé aluno-texto-cibercultura. Para Baladeli (2011), os caracteres de multiversatilidade do texto, anteposto à linearidade típica do material impresso comum, evidencia-se ainda mais claramente quando esbarramos nos conteúdos textuais presentes na atmosfera dos ambientes virtuais. Neste âmbito, vale ressaltar o fenômeno da hibridização, tão notável nos gêneros textuais de mais uso no tempo presente.

O que se observa nas páginas da web é a hibridização crescente entre gêneros textuais; o surgimento de gêneros digitais e a fusão entre palavras, ícones, imagens e símbolos. Dado que pode ser constatado em gêneros digitais como o e-mail e o bate-papo virtual em que emoticons (carinhas que representam emoções) são utilizados com muita frequência em lugar de palavras (BALADELI, 2011, p.2).

Um novo movimento de interpretação sobre as possíveis interações envolvendo o texto e seus interlocutores/atores é assim demarcado, a contar, primordialmente, a partir de tudo que é posterior ao advento da popularização das tecnologias da informação e comunicação – TIC, principalmente da Internet.

Dizendo de outra forma, a relação entre aprendizagem e tecnologias na educação demanda agora maneiras outras de fazer florescer as competências e as habilidades desejadas na mente e na práxis do aprendiz com o suporte de tais dispositivos tecnológicos (XAVIER, 2009, p.44).

Observa-se, também, que a visão ou molde enfático que temos acerca do que realmente seja letramento nos dias atuais vem passando paulatinamente por mudanças expressivas. Destarte, o hipertexto surge agora como um complexo processual de construção de sentidos. Resumindo, o hipertexto aparece como um corpo plurilinear e multiramificado. Para tanto, independentemente do suporte que utiliza, todo texto é em si um potencial hipertexto, sendo que a diferença com relação ao hipertexto eletrônico reside apenas no suporte e na velocidade com que essas outras "direções" são acessadas. 

Como exemplo mais contundente do fator acima supracitado, podemos citar o exemplo do gênero reportagem, que geralmente é circundado por boxes explicativos, sejam eles gráficos, tabelas ou mesmo fotografias. Observado deste ângulo, o hipertexto possibilita ao leitor ser ele uma espécie de construtor ou co-autor do texto, a partir do momento em que, na posse do objeto textual, o leitor desvela diversas fontes de informação, assim como diferentes aspectos, nuances e propriedades que só serão reveladas de forma aleatória e/ou desfocada.

Entre as principais características do hipertexto, estão a não-linearidade, a volatilidade, a territorialidade, a interatividade, o descentramento e a multisemiose. O principal componente do hipertexto é, indubitavelmente, o hiperlink, que é o dispositivo técnico-informático que permite efetivar ágeis deslocamentos, realizar remissões de outros textos, bem como possibilitar o acesso a outros campos informacionais. São três as funções do hiperlink: 1) Dêitica (indicar, sugerir caminhos, enunciar e focalizar); 2) Coesiva (entrelaçar discursos, amarrar informações); 3) Cognitiva ("encapsulador" de cargas de sentido, acionador de memória e de construção estratégica). 

Outra característica marcante do texto é ser ele um elemento multimodal, produzido em camadas, e por consequência tido como um produto segmentado, composto por etapas de construção bem definidas. 

Todo texto carrega em si um projeto de inscrição, isto é, ele é planejado, em diversas camadas modais (palavra, imagem, diagramação, etc) e sua materialidade ajuda a compô-lo, instaurando uma existência, desde a origem, multimodal. Um texto é resultado de seleções, decisões e edições não apenas de conteúdos, mas de formas de dizer (RIBEIRO, 2013, p.21).

Por conseguinte, para novas modalidades de textos, híbridos e transversais que estão vivos dentro e fora de um conceito já bastante enraizado de cibercultura, há a preocupação plausível para com a larga pronunciação da ideia de multiletramentos, e não somente de letramento digital, como alguns podem preconizar. 

A evolução das tecnologias da informação e comunicação – TIC e do uso delas como ferramentas interacionais o leitor tem sido desafiado constantemente a desenvolver novas habilidades de leitura que possibilite a exploração do texto no suporte virtual – a web. A linearidade comum no texto impresso esbarra na versatilidade e na interatividade próprias do hipertexto em ambiente virtual (BALADELI, 2011, p.2).

Soares (2002) indica que o momento atual é bastante propício para o estudo dos fenômenos plurais de letramento, haja vista que estamos vivenciando novas práticas e modelos de produção e socialização da leitura e da escrita, proporcionadas muito devido ao computador e à internet, fator que incute nos profissionais da educação um senso de aprimoramento contínuo para que não fiquem à mercê das massivas transformações do campo de atuação educacional.

Diante disso, Rojo (2004) depõe sobre a importância de a escola se encaminhar para os letramentos que surgem a todo instante na sociedade. Para a real eficácia deste propósito, pensar e repensar currículos é tarefa que não pode passar despercebida. Atualizar-se, pois, é palavra de ordem, para que nenhum dos atores sociais fique literalmente para trás no panorama evolutivo já instaurado e anunciado a todos os cantos e recantos do mundo.

REFERÊNCIAS

BALADELI, Ana Paula Domingos. Hipertexto e multiletramento: revisitando conceitos. e-scrita Revista do Curso de Letras da UNIABEU. Nilópolis, v. 2, N. 4, Jan.-Abr. 2011. 

RIBEIRO, Ana Elisa. Multimodalidade e produção de textos: questões para o letramento na atualidade. Santa Cruz do Sul, v. 38, N. 64, p. 21-34, jan.-jun. 2013. Disponível em http://online.unisc.br/seer/index.php/signo. 

ROJO, Roxane. Letramentos múltiplos, escola e inclusão social. São Paulo: Parábola Editorial, 2009.

SOARES, Magda. Novas práticas de leitura e escrita: letramento na cibercultura. Educação e Sociedade, Campinas, v.23,n.31,p. 143-160, dez. 2002.

XAVIER, A. C. A Era do Hipertexto: linguagem e tecnologia. Recife: Editora da UFPE, 2009.


* Imagem: Google.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Colina's Hotel

*
Por Germano Xavier

parei o carro na contramão
policiais são fantasmas no horizonte
(era rápido o papo)

moça de peitos largos no balcão
fez ciência de meus pedidos
"o mesmo homem de sempre"
- pensou ingenuamente

eu que trago na mochila
as águas dos rios mortos
as muitas coisas encontradas
nas gramáticas mudas das indefinições
os sabores ilustrados dos mapas de fuga
por onde fui visto nos infinitos

"moça, reserve o quarto para quem sabe..."

ela me ouvia e eu não acreditando que a vida
fosse naquele instante um mercado sem regra
quando raramente ativo a pressa
exigo de mim o passo que cansa

o de nunca estar


* Imagem retirada do site Deviantart.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Tua nua presença

*
Por Germano Xavier

não se preocupe
com o que será dito na noite
do cometa azulado

estás protegida como sinhá
em diligência apressada
nas mãos de fortes braços
ancestrais

e como estás avoada
num passe de ventania
fugindo à regra dos olhos
durante esquinas e ruas

por onde laços circundam
em losangos de chão em pedras
rota-ritual de ficar

mesmo sem corpo
mesmo sem cheiro
mesmo sem a maneira
mesmo sem o dilúvio

uma arca em fabrico de águas


* Imagem retirada do site Deviantart.

domingo, 23 de novembro de 2014

Poemas de Germano Xavier em Francês (Parte II)

*
Por Germano Xavier

"tradução livre"


terça-feira 18/11/14
As árvores amorosas (parte VII)

Les arbres amoureux (partie VII)

poème dédié à la femme charnelle

nous avons cheminé
longtemps ensemble

finalement la traversée
de la rivière détaillée du désir
le coucher de soleil déviant et brève
la nuit holistique sans histoire
les complets désarrois de l’être

puis nous avons raté
le phénomène des logiques
(subjectives)

et le baiser est né
à coté de la cocotte-minute
en plein dimanche inassouvi

un seul, unique baiser
coulé en nanosecondes



domingo, 26/10/14
As árvores amorosas (parte V)

Les arbres amoureux (partie V)

poème dédié à la femme Belle au-delà de la beauté

des mains froides
un cœur gelé
me poussent à créer
des vers meurtris
châtiés

voilà qui sèche
la poésie sans eau
la bouche est un puits vain
un creux tout nu



quinta-feira, 23/10/14
As árvores amorosas (parte III)

Les arbres amoureux (partie III)

poème dédié à la femme de l’Edifice Velázquez

ivre de vin et de désir
je regarde l’eau de la piscine
bleuâtre

des petits bateaux en papier
où naviguent mes pensées

le rituel ouvert sous la tanga de plage
signe de pression et fièvre
au cours des mois

la capitale sous ton joug est plus vorace

la fumée et les obscénités publiques
des quartiers

des doigts dans les chambres iguatemis
des gens dans les usines fantômes
des surveillants qui imposent les mains

l’amour se cache dans les armoires
pour ne jamais se laisser banaliser
il chavire les rouges à lèvres
de la cousine absente en voyage

c’est l’apprentissage froid des amants


* Imagem retirada do site Deviantart.

Nada muito sobre filmes (Parte X)

*
Por Germano Xavier


O SENHOR DOS ANÉIS (1978)

O SENHOR DOS ANÉIS (1978), do diretor Ralph Bakshi, é uma animação de pouco mais de 2 horas de duração que contempla as duas primeiras partes do grande clássico literário do escritor e filólogo J.R.R. Tolkien. O filme é interessante, mesmo para quem já se extasiou vendo as versões mais recentes dirigidas por Peter Jackson. A qualidade gráfica é um tanto duvidosa, mas o encanto da trama permanece. Bom para desconstruir certas imagens e alguns personagens. Há atropelos evidentes, mas vale como experiência. Recomendo a todos os mortais!


RELATOS SELVAGENS

Assisti ontem ao surpreendente filme RELATOS SELVAGENS (2014), do diretor Damián Szifron. Com Ricardo Darín no elenco, o filme dialoga com muitos dos elementos que marcaram época nos grandes escritos da Literatura Fantástica na América Latina. Também me fez recordar o grande Rubem Fonseca em diversas cenas. Situações surreais de descontrole e pulsão, violência e descompromisso para com a ordem social nutrem as tramas da obra. Um filme imperdível. Se eu fosse você, não esperaria muito tempo para vê-lo. Recomendo a todos os mortais!


O EXORCISMO DE EMILY ROSE

O EXORCISMO DE EMILY ROSE (2005), do diretor Scott Derrickson, é apenas mais um filme interessante do gênero suspense/terror que tem o antigo e polêmico ritual do exorcismo como pano de fundo. Exagerado demais nas cenas do julgamento do padre Richard Moore, deixando de lado o conteúdo assustador da trama. Escolha que, para amantes do gênero, conta muito na hora da qualificação da obra. O tema muito me atrai, mas confesso que esperava mais. Ficou devendo. Salve, salve!


GILBERT GRAPE - UM APRENDIZ DE SONHADOR

GILBERT GRAPE - UM APRENDIZ DE SONHADOR, dirigido por Lasse Hallström, é um filme de muita sensibilidade e beleza. A relação de dois irmãos e de todo um histórico familiar nada harmônico mistura-se ao clima de romance desencadeado a partir da segunda metade da película. Um filme sobre os amores incondicionais e, também, sobre a liberdade. Para ver com muito gosto. Johnny Depp e Leonardo DiCaprio em estados de maturação artística. Recomendo a todos os mortais!


O CHAMADO

Tenho mania de comparação quando o assunto é a refilmagem de obras cinematográficas. Por isso, não gostei de O CHAMADO (2002), do diretor Gore Verbinski, versão americana de Ring - O Chamado (1998). Não há como ficar observando com indiferença nem ficar sem fazer analogias para com original. Faltou muita coisa para ser realmente um bom exemplar de terror/suspense. Como entretenimento, talvez valha a pena dar uma olhada.


A NOIVA CADÁVER

Está aí um filmezinho que muito me tocou: A NOIVA CADÁVER (2004), dirigido por Tim Burton. Para você que gosta dos filmes do referido diretor, certeza de que irá encontrar muitos de seus elementos e enquadramentos costumeiros e que o tornaram um ícone do cinema recente. O filme é prova de que menos é quase sempre mais. Historieta simples, com um leve toque de crítica à ganância humana e muita fantasia, com tons mórbido-debochados. Uma película com a assinatura de Tim. Recomendo a todos os mortais!


HOTEL TRANSILVÂNIA

A animação HOTEL TRANSILVÂNIA (2012), dirigida por Genndy Tartakovsky, pode até agradar aos baixinhos, mas tenho lá minhas dúvidas se consegue agradar aos altinhos, como eu, que adoram toda a "mitologia" que há por detrás de incontáveis e memoráveis personagens clássicos da literatura universal, a citar Drácula (Bram Stoker) e Frankenstein (Mary Shelley). E, convenhamos, é papel da animação agradar os altinhos também, haja vista o crescente interesse de tal público pelo respectivo gênero cinematográfico. Ficou devendo, e muito.


DEBI & LÓIDE 2

20 anos depois, eles voltaram. DEBI & LÓIDE 2, dirigido por Bobby Farrelly e Peter Farrelly, presta-se a um tipo de humor nonsense cada vez mais raro nos ambientes de entretenimento que permeiam o mass media atual, um humor mais ingênuo e simples. Para quem riu muito com o primeiro filme da série, vale a pena dar uma olhada nesta continuação. A dupla é de riso fácil e cumpre o papel a que se destina, com honras. Recomendo a todos os mortais!


* Imagem: Google.

O Homem Hediondo Nº 5 em aventuras por terras mestrandas


Por Germano Xavier

Alguns registros imagéticos do início de minhas aventuras e desventuras por um mestrado em Letras.
Sigamos, bucaneiros!

Clique nas imagens para ampliar:






sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Escola Cordeiro Filho em excursão para Serra Negra-PE

*
Por Germano Xavier

A Escola Cordeiro Filho, principal instituição educacional do município de Lagoa dos Gatos-PE, realizou no último dia 16 de novembro de 2014 uma excursão para a linda Serra Negra, um dos pontos mais altos do estado de Pernambuco, passando pelo Alto do Moura, em Caruaru-PE, e pelo Centro de Artesanato de Pernambuco, na cidade de Bezerros-PE. O projeto fez parte do processo de ensinagem do presente ano letivo e teve como orientadores os professores Francisco Pedro, José Fernando Moura e Germano Xavier.

Clique nas imagens para ampliar:







* Imagens: Germano Xavier

terça-feira, 18 de novembro de 2014

As árvores amorosas (Parte VII)

*
poema para a mulher sem platonismos

Por Germano Xavier


caminhamos
longos anos juntos
e haveria de ser

o rio pormenorizado pelo desejo
o pôr-do-sol desviante e breve
a noite holística e sem história
as completas desavenças de indivíduo

e haveria de não ter
a fenomenologia das lógicas
(subjetivas)

o que houve foi um beijo
ao lado da panela de pressão
num domingo de fomes

um único e apenas
selado em milésimos de segundo


* Imagem retirada do site Deviantart.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Poemas de Germano Xavier em Francês (Parte I)

*
Por Germano Xavier

"tradução livre"


Leia abaixo os poemas "Bagagem", "Aquelas febres" e "As Árvores Amorosas (Parte VI)", recentemente publicados aqui n'O EQUADOR DAS COISAS, agora traduzidos para a língua francesa. Boa leitura, bucaneiros!


terça-feira 11/11/14
Bagagem (poema)

Bagage

viens
donne-moi tes lèvres
et ses moussons d’été
pour assouvir mes soifs

viens
ramène accoudés à ton visage
tes empires de salive
en jus nucléaire de pulsions

viens
emmène ta rose
ta carte sans cartographie
portière ouverte à mes attaques

de naufragé



sábado 08/11/14
Aquelas febres (poema)

Ces fièvres-là

ces fièvres aux goûts âcres
et gorges opérées en semi-voyelles
qui n’osent pas quitter les bouches
ni pour l’extrême-onction

ces fièvres aux corps dormants
si chaudes dans la distance
et l’imaginaire qui raccourcit pour être et voir
ce qui se cache

ces fièvres de feu
qui nous transforment en bêtes
et nous impriment des empreintes
d’âmes sans silences

ces fièvres miennes et tiennes
l’aube des aliments combustibles
qui font éclore l’ébullition
des muscles qui pulsent encore



segunda-feira 03/11/14
As árvores amorosas (Parte VI)

Les arbres amoureux (Partie VI)

dédié à la femme de Seabra (Bahia, Brésil)

il y avait du vin au milieu du cercle
formé par le son attristé

des amis sans amitié
simulant par leurs voix
les douces distances

il y avait toi et moi
en différentes fréquences

et la fin de la fêté indiquerait
les chemins :

notre dernière chance pour demain


* Imagem retirada do site Deviantart.

sábado, 15 de novembro de 2014

Mais Bernardos para Manoel

*
Por Germano Xavier

minha homenagem ao Manoel de Barros
 

em qualquer canto
poeta olhando de ciminha
ou não

rede de algodão ou sombra
de árvore pantaneira
farfafolhando o que se redenta
todo dia

rebenta o homem dos Bernardos
e nos agoras de chão
espreita ombros
pousos e pios

de onde está
anuncia aos céus
sua nova gramática

de infinitar palavras


*  Imagem: Google.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Bagagem

*
Por Germano Xavier

vem
traz tua boca
e nela as monções de verão
para minhas sedes

vem
traz junto ao rosto
teus impérios salivares
em molho nuclear de pulsões

vem
traz tua rosa
mapa sem cartografia
portinhola para meus ataques

de náufrago

* Imagem retirada do site Deviantart.

sábado, 8 de novembro de 2014

Aquelas febres

*
Por Germano Xavier

aquelas febres de travos
e gargantas operadas em glides
que não saíram das bocas
nem por extrema unção

aquelas febres de corpos dormentes
e quentes na distância que o imaginar
se encurta para ser e ver
o que se esconde

aquelas febres nada pálidas
que nos alteram em bichos
a nos imprimir lavagens
de almas sem silêncios

aquelas febres minhas e tuas
alvorecer dos alimentos combustíveis
que fazem eclodir o saldo ebulitivo
dos músculos ainda pulsos


* Imagem retirada do site Deviantart.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Maurice, o pianista

*
Por Germano Xavier

"O silêncio é uma confissão".
Camilo Castelo Branco


Dia nublado. Vento frio varava varandas e pessoas. A noite era perto. Algumas coisas para os distantes desatinos das vistas humanas eram levadas. Uma cidade à espera, esparsas ruas. Um concerto de cordas e Maurice, pianista e compositor, atração maior. Fama de criar curiosas peças para piano. Maurice, antes do dia de hoje, resolvera que iria parar com sua arte. Longos anos. Já era a hora, dissera ao ser entrevistado por uma jornalista da tevê local. Maurice iria se exibir para o público pela derradeira vez. Prometera ao vivo um espetáculo singelo.

Uma pequena multidão tomou conta da praça. O pianista tocaria. Palco montado. Maurice faria tudo aquilo que um pianista sabe fazer. Maurice entrou no palco, caminhou na direção de seu piano, sentou, ajustou a distância do banco, envergou-se diante das teclas, parou. Maurice respirou profundamente. A plateia observava-o. Eram crianças, jovens, adultos, idosos. Havia um clima de despedida no ambiente. Maurice, neste momento, olhou para cima. Enxergou o firmamento. Céu negro, brilhoso, bonito. 

Por um momento, as memórias de Maurice pareceram atravessar um túnel do tempo. Havia refluxos, regressões. Não havia o futuro. Maurice, depois de se atravessar com a mente, era somente o agora. Concentrou-se com uma lentidão de moveres. O apresentador do evento, com sua voz radiofônica, incitou a plateia. O início estava perto. Tudo agora estava nas mãos de Maurice, literalmente.  Corpo, coração, olhos, mãos, tudo estava em seu devido lugar. 

Todavia, para espanto coletivo da massa ali presente, Maurice não mexeu um só dedo por longos minutos. 58 minutos, precisamente. Maurice não tocou, não fizera o que haveria de ser feito. Fez o que qualquer pianista em igual situação não faria. Ele não tocou! Não, não! Ele não tocou! O pianista não tocou. Ao piano, Maurice executou o silêncio. O pianista bramiu, em seu ato final, a grande pausa. Fez o piano tocar silêncio para que todos ouvissem os mais rarefeitos sons do mundo, que porventura jamais poderiam ser ouvidos se ele tocasse o teclado preto e branco de seu piano: os tambores dos corações sem pressa, as tonalidades das respirações fogosas, os sussurros das mentes operantes, os chiados nas pregas do couro das poltronas, sorrisos cantantes de crianças felizes, os pigarros carentes, as lamúrias de amor...

E todos escutaram pela primeira vez sons inaugurais. Foi como promover nascimenos ali, para muitos que se encontravam no local. Não tocando, Maurice tocou. Era sua última peça. Maurice, diante do negro piano, esperava algo. Era o ápice. O desfecho triunfal. Maurice meditou. O piano, imaculado, tocara naquela noite as melodias mais incríveis. Rapidamente, quase de esguelha, Maurice olhou para as gentes. Levantou delicadamente. Visitou com os olhos o pulso que sustentava o relógio. Achou por bem descer os lances da escada que dava para o fundo do palco. Depois, seguiu a lua.


Imagem retirada do site Deviantart.

A estradinha

*
Por Germano Xavier

para meu sobrinho Carlos Henrique

Carlitos
não se avexe em engrandecer
mundo é danado de doido
e meninar é trem-bão

faz assim:
vai de pouquinho
vai de mansinho
vai de tiquinho

que criançar é trem-bão

vai de tantinho
vai de passinho
vai discretinho

que pequenar é trem-bão

Carlitos
mas jamais se esquecer
de quando ser alto pra cima crescer
por dentro ainda e sempre ser
piquininho


* Imagem retirada do site Deviantart.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

As árvores amorosas (Parte VI)

*
poema para a mulher seabrense

Por Germano Xavier

havia vinho no meio da roda
formada ao som desgostoso

amigos sem amizade
fingindo em vozes
as doces distâncias

havia você e havia eu
em diferentes frequências

o fim da festa indicaria
os caminhos:

nossa última chance para amanhã


* Imagem retirada do site Deviantart.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Edição 4 do jornal O EQUADOR DAS COISAS

*
Por Germano Xavier

Setembro foi mês de ver nascer a 4ª edição do Jornal de Literatura e Arte O EQUADOR DAS COISAS, publicação especializada brotada de um sonho antigo meu e compartilhado com muitas pessoas a partir de 2012, ano de sua materialização. A 4ª edição está luxuosa, com impressão colorida  e devidamente registrada junto à Biblioteca Nacional, agora contando com seu ISSN próprio, o que eleva o jornal para outro patamar. 

Nas palavras de Carol Piva, umas das editoras do jornal:

"O EQUADOR DAS COISAS" é uma publicação semestral, independente e sem fins lucrativos. É todo ele janelas se abrindo a uma literatura o mais esquiva possível das tais "amarras-mercado" naquilo que faz a gente residuar desgostos. Propõe o diálogo com autores, seus textos e imagens, equadores que nos chegam, livre e deliciosamente, de acolás vários e, ainda, dos artistas convidados. Nossa paixão é pela escrita... palavras, sons, imagens e até os silêncios deles... este intercâmbio entre línguas e linguagens. O jornal ziguezagueia entre os t(r)atos editoriais no Brasil, Estados Unidos e agora, muito bonitamente, também na Irlanda. Uma honra-deliciúra! Tudo aqui publicado é de responsabilidade exclusiva de seus autores."

O destaque da edição 4 fica por conta da entrevista com o escritor angolano José Eduardo Agualusa, feita por Iara Fernandes. Também estão com a gente nesta edição: Eabha Rose, Maita Assy, James Wilker, Rafael Kesler, Toni McConaghle, Little Eagle McGowan, Isabela Escher, Tatiana Carlotti, Zé Alfredo Clabotti, Sara Rauch, Carol Caetano, Paulo Cecílio, Leonardo Valesi, Marília Kosby e outros.

Com um sentimento misto de honra e prazer, participamos da FLU - Feira Literária de Uberaba 2014, em Minas Gerais. Somos muito felizes por fazê-lo instrumento de revolução e de promoção de amor para o mundo e para as pessoas. Que o Equador seja sempre centro de transformações e de bonitezas.

Agradecimentos a todos que fizeram e fazem o jornal, e em especial (como sempre) a Carol Piva. Você é o equador do Equador, Carol. Embarco neste sonho reverberado e potencializado em seus dentros infinitamente lindos. Que venha o número 5!

Endereços para envio de textos para seleção/Edição 5:

Contribuições em Português, enviar para:

germanoxavier@hotmail.com
carolbpiva@gmail.com 
fernandesiar@gmail.com
tcarlotti@gmail.com
 escher.isabela@gmail.com

Contribuições em Inglês, enviar para:
 
karimelimon@gmail.com
dawgrox@gmail.com
eabharose@yahoo.ie

Participe!

Algumas imagens equatoriais (Iara Fernandes e Germano Xavier):






quinta-feira, 30 de outubro de 2014

O antes das flautas

*
Por Germano Xavier

agora é assim:
uma janela para o labirinto
lá embaixo onde tudo se perde
nos passos sem orquestra
da multidão

(um chão em silêncio)

veja bem:
quando o olhar direciono
em nome de tua seda-pele
pense que daí por diante
sortes simpatizem regências

pressuposto:
o tocador de flauta
naipe de madeira apesar
do metal moderno (mais frio)
não toca sem estar convicto
das altas temperaturas

conclusão:
é doce a verdade na vontade
e muito tempo faz ajuntar na gente
uma música inteira de paixão
noutro livro fechado que de longe
é bem estória de adivinhação


* Imagem retirada do site Deviantart.

domingo, 26 de outubro de 2014

As árvores amorosas (Parte V)

*
poema para a mulher bela sem Beleza

Por Germano Xavier

mãos frias
para um coração gelado
para você forço
um verso sem vida
castigado

assim seca
poesia sem água
a boca é um poço vão
nu buraco


* Imagem retirada do Google.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

As árvores amorosas (Parte IV)

*
poema para a mulher marrom da dolina

Por Germano Xavier

ligar o Chevy Opala SS 1978 era o sinal
lua acesa e o temporal caído na noite
de se fazer

anomalias em segredo de flacidez
dentro do muscle car espíritos que se recordem
valeriam do amor em parágrafos de névoa

embaçamento de para-brisa
ovário refletido no retrovisor central
seus medos cínicos impedindo o nuclear
acolhimento dos espirros eróticos

de rainha só teu nome
tuas Inglaterras eram terras de ninguém
por isso as confissões tergiversadas
sem função de sentimento

(poeta sabe mentir sob crise afrodisíaca)

depois do seminário lunar o homem
girava a chave na ignição
o solo raspado pelos enormes pneus em tração

espessa poeira para apagar a claridade dos breus


* Imagem retirada do dite Deviantart.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

As árvores amorosas (Parte III)

*
poema para a mulher do Edifício Velásquez

Por Germano Xavier

grogue de vinho e tesão
olhei para a água da piscina
azulada

barquinhos de papel
bandeavam meus pensamentos

o ritual aberto sob a tanga de praia
sinal de pressão e febre por
bons meses

a capital com você foi mais sedenta

fumaceira e obscenidades públicas
de quarteirões

dedos dentro dos quartos iguatemis
pessoas na usina sem funcionamento
postes vigias em passes espíritas

o amor se escondia em armários
para jamais nos ser familiar
como a fuçar a caixa de batons
da prima em viagem

frio aprendizado de requentos


* Imagem retirada do site Deviantart.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A flor na flor

*
Por Germano Xavier

(todas as fêmeas aragonitas impostoras descambam
na imagem do seu jardim de delícias)


em você há brotada uma flor
de carne orvalhada desde a boca
operando úmida ao movimento
das vontades de estame

é uma flor única
de grandes pétalas dobradas
cujo pólen se liquefaz
em mel viscoso

(para a boca
a sede é antiga)

o beija-flor em planos segundos
pousado sobre a imagem da Beleza
descobre o mistério da rosa-vulva
e célere logo opera o androceu milagre

o pequeno pássaro se agiganta
ao tocar com o bico o botão ancestral
magma-lava branca sem menosprezar
ares desce o canal dos desejos

em tal instante
a flor é para a língua
um cultivo de rotas


* Imagem retirada do site Deviantart.