quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A flor na flor

*
Por Germano Xavier

(todas as fêmeas aragonitas impostoras descambam
na imagem do seu jardim de delícias)


em você há brotada uma flor
de carne orvalhada desde a boca
operando úmida ao movimento
das vontades de estame

é uma flor única
de grandes pétalas dobradas
cujo pólen se liquefaz
em mel viscoso

(para a boca
a sede é antiga)

o beija-flor em planos segundos
pousado sobre a imagem da Beleza
descobre o mistério da rosa-vulva
e célere logo opera o androceu milagre

o pequeno pássaro se agiganta
ao tocar com o bico o botão ancestral
magma-lava branca sem menosprezar
ares desce o canal dos desejos

em tal instante
a flor é para a língua
um cultivo de rotas


* Imagem retirada do site Deviantart.

2 comentários:

Daniela Delias disse...

poema flor de aragonita :)

a palavra, aqui, pousa e agiganta.

Carlos Laet Goncalves de Oliveira disse...

belíssimo!