segunda-feira, 20 de abril de 2009

Fortuna crítica ( I )

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Ao longo desses quatro ou quase cinco anos de experiência com o blog, alguns colegas de escrita teceram palavras em minha direção, as quais foram guardadas com muito esmero. Para efeito de recomposição do arquivo deste espaço, reapresento aqui algumas destas homenagens.

Isto não é um sonho

caía uma chuva magrela que trazia junto consigo um frio megero. Gus acordou, verificou as horas, ainda eram 02:50 da madrugada. A chuva intensificou-se, por sua vez o rapaz ficou de baixo das cobertas, esperando o sono que não vinha. Não havendo o que fazer, sonambulamente Gus desceu até sua cozinha para beber água e procurar o sono perdido. a sala da casa estava iluminada pelos postes elétricos. Parado na frente de um grande espelho na sala, o moço examinava seus grandes olhos verde-escuros que estavam com uma porção de vermelhidão junto de si, aquilo parecia sono. O telefone tocou tão baixo que mais parecia que iria contar um segredo. Mesmo recriminando em pensamento o facto de alguém ligar a esse horário, atendeu, poderia ser uma emergência. - Alô! Aqui é Lady Cordelia Fitzjames. Que bom que atendeu senhor Rexvia, precisamos conversar pessoalmente com certa urgência. - Alô! Quem? Qual o assunto? - Sr. Rexvia, desculpe a inconveniência do horário mas, acredite, precisamos de sua ajuda. Quero um encontro com o senhor, o mais rápido possível. Gus espreguiçou-se no sofá, ponderou um momento, a mulher, seja lá quem fosse, estava realmente falando sério. - Sim, podemos marcar. Para quando, então? - Imediatamente. Atenda a porta. um relâmpago caiu bem perto da casa de Gus, acordando-o, estava coberto de livros e com uma dor nas costas de matar, adormecera mais uma vez enquanto lia, e mais uma vez aquele sonho. Estava chovendo, olhou o relógio, 02:51. Um bater de leve na porta o deixou apreensivo, quase irritado, quem seria? Quem esquecera as chaves? à sua porta três distintas figuras, uma mulher de uns quarenta anos vestida elegantemente com trajes vitorianos, de braços dados com ela, um homem de aparência mediterrânea na mesma faixa etária vestindo um terno moderno da alta-costura italiana, e logo atrás uma moça negra careca de grandes olhos azuis, trajando apenas um vestido branco de algodão. Estavam secos a despeito da chuva que caia lá fora. Gus conclui que ainda sonhava e pediu para que entrassem, aconchegou-se no sofá e começou a devanear enquanto a mulher mais velha falava, era a mesma do telefone. Tudo era tão surreal, que o moço não se deu o trabalho de entender, afinal de contas era um sonho. - Boa noite, senhor Rexvia! - falou o homem do grupo, sua voz lembrava a de um professor gentil e exigente, Gus saiu do mundo dos sonhos e prestou atenção nele. - Eu sou Abraim Solomom Khan, a senhora ao meu lado é minha esposa, Lady Cordelia Fitzjames, Duquesa de Fireshire, e a jovem vestida com nuvens, é Miriviel, princesa de um dos reinos da Arcádia, Miriviel das fadas. E, senhor... isto não é um sonho! - A voz de Abraim ressoava pelo cômodo como raios e trovões ressoam nos céus. Se fez um silêncio enquanto Gus Rexvia assimilava o que lhe aconteceu. - O que vocês querem de mim? - Como Lady Fitzjames lhe disse, ... - a voz de Miriviel das fadas soava como centenas de vozes falando ao mesmo tempo. Era doce, suave e sufocador ouvir tal voz. - ... a bilblioteca que guarda todo o conhecimento foi saqueada, e apenas o novo bibliotecário pode entrar lá agora, já que o antigo foi transformado em pedra junto de seus ajudantes. O senhor tem a honra de ser o novo bibliotecário, entre todos os mortais, magos e seres encantados, fostes o escolhido. - Eu? Por que vocês me escolheram? Cordelia riu um pouco antes de explicar: - Não fomos nós que o escolhemos, foram as crianças. Imagine que iríamos deixar tal conhecimento nas mãos de alguém que não confiássemos, lá tem tudo o que já foi escrito, desde de receita de bolo de arco-íris ao rascunho original da Odisseia, entre muitos segredos do universo. Então, perguntamos às sete crianças mais inteligentes, às sete crianças mais puras e às mais sábias que existem, e unanimamente o seu nome foi o escolhido. Inteligência, Pureza e Sabedoria o escolheram. Precisamos de sua ajuda para saber e reaver o que foi usurpado. nada disse Gus, apenas os serviu com chá e bolo, estava frio, ninguém o pressionou para decidir-se. Abraim lavou o que sujaram, pediu água e agradeceu a hospitalidade: - Cordelia, Miriviel, é chegada a hora. Jovem senhor Rexvia, foste o escolhido para uma missão nobre e árdua, mas apenas vossa senhoria pode decidir aceitar a tarefa, ninguém mais. - Abraim acendeu o cachimbo e foi andando até a sala, parou no espelho, falou umas palavras estranhas, e fagulhas elétricas saíram de seus dedos, as senhoras passaram, antes de entrar ele fez uma reverência para Gus. - Se aceitares o cargo nos siga. - e assim entrou no espelho.

Continua...

"Gus é uma personagem inspirada no mestre Germano Xavier, pois os amigos também podem ser inspirações. Sinceramente espero que goste do conto e da personagem". Texto escrito por D., do blog Vento Longínquo.



* Deviantart.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

O terceiro nome

*
Por Germano Xavier

João Mulato dos Amores.
Que belo nome para um homem!
Mas, para quê, se os vermes comem?
Quão pleno grau de dissabores...

João Mulato dos Amores,
triste que é, caberia mais ser
João Mulato das Dores.


* Google.