quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O imortal Nélson Barbalho e o país de Caruaru

Imagem: Google
Por Germano Xavier


"(...) Bom vaqueiro nordestino
Morre sem deixar tostão
O seu nome é esquecido
Nas quebradas do sertão
Nunca mais ouvirão
Seu cantar, meu irmão
Tengo, lengo, tengo, lengo,
tengo, lengo, tengo (...)"

Trecho de A MORTE DO VAQUEIRO,
de Nélson Barbalho e Luiz Gonzaga.

Tengo, lengo, tengo, lengo, tengo, lengo, tengo, assim badala o canto dos chocalhos pendurados nos pescoços dos gados sofridos de seca nos grotões de nossos sertões e agrestes nordestinos. Com fome e sede, os animais mugem perambulando pelas paisagens repletas de dor e desgosto, mas que com uma só chuvarada vê brotar um oásis de inigualável imensidão. Decerto que há também boniteza na dureza das vistas que configuram tais paragens, mas é tudo feito de uma beleza sofrida e castigada pelo tempo. Sertões e agrestes de homens imortais, afeitos a lutas monumentais pela sobrevivência, que se estreita a cada nova estação sem sinal de chuva no firmamento. Sertões e agrestes de homens fortes, como foi o caruaruense Nélson Barbalho, que veio ao mundo num 02 de junho lá pelos idos de 1918. 

"Cabra" sem estudo orientado por academicismos, viveu sempre de trabalhar, pesquisar e escrever. E escreveu, ele, senão a maior, uma das mais importantes visões acerca do povo nordestino, do povo pernambucano e, principalmente, do povo da cidade que é tida hoje como a Capital do Agreste do estado cuja capital é Recife. Por conta de seu ofício, foi conhecedor de grande parcela dos municípios pernambucanos, tirando das viagens que fazia importantes oportunidades para se contar ao mundo aquilo que seus olhos clínicos e críticos viam e sentiam. Transformou-se logo em jornalista e historiador, atuando também como lexicógrafo e compositor, neste tendo como parceiro de várias ocasiões nada mais nada menos que o Rei do Baião, Luiz Gonzaga.

Na casa da centena está o legado do homem que lançou Caruaru aos olhos do mundo, este é o número aproximado de obras deixadas, publicadas ou não, dentre as quais se destacam "Cronologia Pernambucana", "Meu povinho de Caruaru", "Major Sinval", "Caruaru do meu tempo", "Dicionário da Cachaça", "Dicionário do Açúcar", entre tantos outros registros que contam e recontam as principais facetas desta tão singular região brasileira. Todavia, nem toda esta dedicação e produção autoral latente foi capaz de fazer de seu nome uma referência devidamente reconhecida enquanto viveu, o que é já bem comum aos grandes de nossa cultura.

Falecido na cidade do Recife, no dia 22 de outubro de 1993, Nélson Barbalho construiu em vida uma constelação de amigos, a citar Onildo Almeida, parceiro no baião clássico intitulado de "Capital do Agreste", o maestro Joaquim Augusto, Luiz Gonzaga, Carlos Diniz... abriu picadas no matagal da história de Pernambuco e repousa hoje no panteão de autores mais significativos do estado. Cá entre nós, passei a admirá-lo ainda mais muito devido ao conhecimento do documentário de Wilson Freire, de título Nélson Barbalho, o imortal no país de Caruaru, exibido em sua terra natal como forma de homenagem aos 20 anos de sua morte.

Pensando cá com meus botões, a maior homenagem que Nélson Barbalho poderia ganhar nos dias de hoje seria a reedição de sua obra e, consequentemente, a distribuição de seus livros em todas as bibliotecas do município e das cidades do entorno, e para ficar perfeito, que os professores caruaruenses fossem capacitados através de uma ação formadora direcionada especificamente ao trabalho da obra do ilustre historiador em suas respectivas escolas e salas de aula, para que a memória de Nélson Barbalho fosse incansavelmente salvaguardada na mente das futuras gerações. Dessa forma, todos nós, caruaruenses ou não, e sem nenhuma exceção, sentir-se-iam imensamente homenageados.

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