domingo, 20 de junho de 2010

Bad trip


Por Germano Xavier

anos de agora, a droga é nova
(por que não usar de um palíndromo
e resgatar o contrário de tudo?).
o mundo inteiro aperta o passado,
mas ele nem.

quem vai bodar na viagem sem fim
da vida? abrir a boca em vômito, as prisões
sem grade, bocarras sim.

o filho vai matar e comer.
a mãe vai matar e comer.
o pai vai matar e comer.
a família carnívora, que come.
minha teoria social é a de que nada há
fora deste samba de matança e do espelho.

nem mente, nem dor, nem alucinações.
a viagem é apenas cardíaca, e o coração se amplia.
deus criou o verbo para acionar a bomba e a cena.
e um segredo para um possível escape:

fotografar a anedota que é nossa essência fátua
para os meninos do destino nos anos de amanhã.

4 comentários:

Germano Xavier disse...

Crédito da imagem:

" bad trip
by ~takkartwork"
Deviantart

Mai disse...

Antropofágicos em tempos e pós.

Forte! [como tudo que crias.]

sigamos pois e continuemos, sempre, Germano.

um abraço pródigo.
gostei deste novo design.

albuquerque júnior disse...

[é constrangedor ler e não ter muito o que falar;

quando se percebe que a fusão de raciocícios que trouxeram à existência uma prosa tão metaforicamente densa e quase que totalmente "inabsorvível" por uma intelecção mediana como a minha, a gente se neutraliza e deixa nosso sentidos captarem, à revelia, o que ela quis dizer... sei lá, é mais um dos reflexos da fe nossa fugacidade existencial, como você disse,"essa anedota que é nossa essência fátua"...

parabéns, companheiro.]

Camilla disse...

Xavier,
esse texto me deu vontade de ter de tudo um palíndromo.
Salve, salve
Tebet