quarta-feira, 24 de março de 2010

Drama


Por Germano Xavier

Dado à dama a dor do desgosto,
dolorosa dádiva doente.
Desejo demente, declaro:
a dúvida decapitou-me.

Delito, deitei-me defunto.
Demasia de dor deplorável,
desafino de dotes dopados,
dependência devota diária.

Dito diverso do dolo,
dose dormente de droga.
Sou drama, doutrina diversa:
a dor da dúvida humana.

sábado, 20 de março de 2010

Mais um pitaco saussuriano


Por Germano Xavier

Uma relação entre compadres é como se assemelha os elementos fundamentais do estudo da Semiótica e da Semiologia. Interessante perceber como se dá o processo de ligação entre termos essenciais para o funcionamento da sistemática estudada por Saussure.

Tomando como exemplo os termos “Linguagem”, “Língua” e “Signo”, pode-se ver, claramente, esse tipo de intercâmbio. No caso da “Linguagem”, a sua formação/existência ocorre a partir da junção entre “Langue” e “Parole”, ou seja, Língua e fala. No quesito “Língua”, estamos sempre tratando de uma relação binária entre signos. Já no caso do “Signo” propriamente dito, há sempre a dualidade entre um conceito e uma imagem acústica ou, ainda, por outro prisma, entre significado e significante. Todos, numa ótica de obrigatoriedade, corroboram a idealidade de Saussure.

E, para fortificar esse pensamento, em Pierce essas manifestações continuam existindo, mudando apenas a quantidade de envolvidos; ao invés de binária, a relação em Pierce é triádica. Agora os elementos fundamentais fazem parte de um complexo jogo estrutural composto pela Sintaxe (Estrutura propriamente dita), Semântica (ligado ao significado) e, por último, pela Pragmática (Referente ao uso e prática nos diversos ambientes sociais).

quarta-feira, 17 de março de 2010

Um pouco mais


Por Germano Xavier

XV

Já chega de lugar-comum, eu não estou conseguindo suportar esta minha inapetência, este meu semblante soturno, cabisbaixo e descorado. É horrível o que escrevo, e mais repugnante ainda são vocês, que lêem e nada absorvem. Basta! Basta deste ilusionismo barato! Basta! Até quando iremos aceitar tudo isso? Nós somos todos iguais, temos os mesmos direitos, os mesmos deveres, não podemos esperar mais tempo. Caro leitor, se você chegou até aqui e nada mudou em seu pensamento, peço que volte ao primeiro capítulo destes meus sonhos. Leia calmamente, deixe o seu sentimento mais adormecido ser tocado pelo poder das palavras, estes seres tão magníficos, tão indispensáveis. Tentem não seguir os axiomas deste mundo caduco. A partir de hoje, véspera de um tempo que pode começar, tente despertar sempre que ouvir o primeiro canto dos pássaros em sua janela. Se em seu quarto não existir janelas, construa algumas. Façam-nas enormes e com vista para o quintal de sua casa. Há tantos bons fantasmas, esquecidos no quintal da infância, e que ainda te esperam para brincar de "caça ao tesouro". As nossas raízes são mais importantes, jamais devem ser esquecidas, postas de lado. O almoxarifado talvez seja o espaço mais rico de seu aposento. Muito do seu passado está ali, sob uma camada espessa de poeira, cobertas por teias de aranha. O seu passado, as poucas conquistas, os seus erros, enfim, boa parte de sua vida ali se encontra. Pouco senti de vocês. Quase não enxerguei mudança, menos ainda reflexões. Esta é a minha parte. De vocês espero a prática, a andança, a caminhada, a armadura. Poucos estão acreditando em tudo o que eu disse até agora. Confesso que a minha leitura é um verdadeiro esforço para a sua paciência, mas as minhas palavras são loas ao que é mais urgente neste "mundo". O passado tem de ser revisto, mas nunca como o modelo único de desenvolvimento para o presente, nunca ressentido. O passado é tudo, menos o arrependimento. É, antes de qualquer coisa, o aprendizado e a descoberta das primeiras paisagens que irão atingir os segmentos cognitivos do seu ser. Eu vou continuar a escrever, agora caberá a você decidir se estás apto a avançar a página ou a retroceder - o que recomendo. Pergunte ao seu coração, à sua essência. Certamente ele responderá com a maior das sabedorias: a honesta paciência. Então, seja honesto consigo mesmo! Tente outra vez, mas seja o mais rápido possível, porque tudo aqui é passageiro, o Tempo, os Homens, a Vida... E lembre-se, tentar o mais profundo é olhar o que está por trás das coisas. É somente isso o que quero, que vocês me entendam. Eu sou incapaz de fazer mal a alguém. Eu acredito na existência de "mundos". Eu sei de todos os caminhos, os menos escuros e aterrorizantes. Peço um pouco mais de paciência. Eu não sou louco! Vocês deviam acreditar no que eu digo. Ou será que será sempre assim, mais do mesmo?! Ah, quanto a isso, só depende de vocês.