terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Poemas estranhos e estrangeiros (Parte II)


 

por Germano Xavier


Em busca do Sena


deixei as malas no Hotel Mercure Paris La Défense

logo após o check-in. o tempo do viajante é escasso, não se pode 

perdê-lo sem maiores motivações. já era noite na França

e o céu tinha a cor azul de uma típica tarde brasileira.


quebrei a Rue Baudin e desci a duplicação

do lado oposto à Place Charras.


atento, alerta, precisava de mantimentos. 

uma água e algo para comer. era domingo e era sozinho.

supermercados fechados e o vazio 

das ruas me fizeram esquecer necessidades.


olhei para os prédios espelhados do maior centro financeiro parisiense.


ali, entre sedes de empresas do ramo imobiliário, agências de crédito agrícola

e multinacionais, vislumbrei pela primeira vez o verde opaco do Rio Sena.

até a orla, até a orla!, aquilo era uma ordem, pensei.


la Seine, la Seine!, vociferei internamente ao vê-lo tão de perto.


águas do norte que se misturam, após tantas distâncias, ao Velho Chico.

uma ponte, em nossa direita, convocava destinos. 


em junho a Europa engana os relógios do sul. 

era hora de voltar ao redondel do hotel, subir 

até o quarto e pensar no amanhã.

no amanhã-hoje.


porém, antes, e no topo do último posto visitável, 

olhar a Paris Iluminada até onde os olhos pudessem alcançar.


(Paris, noite de 11 de junho de 2017)

2 comentários:

Rozana Gastaldi disse...

Hum... ver o Sena e conhecer o São Francisco. Não importa a ordem da quem vou chegar primeiro, pois está registrado o convite dos versos: "águas do norte que se misturam, após tantas distâncias, ao velho Chico./uma ponte, em nossa direta, convocava destinos".

Rozana Gastaldi disse...

Não sei qual dos rios vou conhecer primeiro: se o Sena ou o São Francisco, mas o convite desses versos estão registrados: "águas do norte que se misturam, após tantas distâncias, ao velho Chico./ uma ponte, em nossa direita, convocava destinos".