domingo, 4 de abril de 2021

Poemas estranhos e estrangeiros (Parte V)


 

por Germano Xavier


As gárgulas de Notre-Dame


há uma espécie de portal do lado de fora do Louvre.

quando nas alturas da famosa pirâmide, observei o horizonte

mentalizado em mapas mentais construídos na noite passada.

era só seguir em frente e, enfim, o Arco do Triunfo.


ah, Napoleão, como a França está impregnada de ti!, balbuciei.


mas não nos esqueçamos: o bom mesmo é o caminho, não o fim dele.

uma pausa para um sorvete de casquinha e um sereno sol 

às vésperas dos Jardins das Tulherias. 

| uma pose para uma foto? |


logo após os verdes amarelados das árvores, o Obelisco de Luxor

na Praça da Concórdia. de tanto andar, os pés reclamavam.


entrei na Avenida dos Campos Elísios e o relógio no pulso

marcava quase sete da noite. o céu tinha cara de meio de tarde

no nordeste brasileiro. tudo estava azul acima da linha-horizonte.

parada para um chope e algumas amêndoas. 


ali, sentado, 

fiquei reparando a parca ou quase nula propaganda nas fachadas

dos prédios usada pelas grandes marcas multinacionais.

a tal da discrição, fina e também excludente, pensei.


após um último gole, pensei que não valeria a pena esticar 

os passos na direção do Arco Triunfal. paguei um tuk-tuk, dizendo:

para mais próximo do Sena, por favor.


19 euros me deram direito a dois dias de navegações por sobre o Sena.

a embarcação Batobus era rotineira e possuía estações de sobe-e-desce.

toquei para a réplica da Estátua da Liberdade, para a região do Trocadéro, 

pontes e mais pontes, e num retorno mais aligeirado,

fiz uma parada para conhecer a morada de Quasímodo na Ilha da Cidade.


por um vacilo imenso e que ainda me fará retornar à França, 

deixei de conhecer a Shakespeare and Company, logo ali.

culpa das horas velozes ou das gárgulas de Notre-Dame. 


o Tempo do viajante é cruel, muito cruel, amigos.

e há horário para tudo no mundo, sabemos, até para os trens 

e para os metrôs.


em sendo assim, olhei tudo em volta e disse: É isso! 


hora de voltar para o hotel

e maquinar uma saideira de gala nesta França de tantas coisas.

George Whitman, Sylvia Beach, mil perdões, mas eu voltarei.



(Paris, noite de 12 de junho de 2017)

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