quarta-feira, 25 de junho de 2014

Além-Homem

*
Por Germano Xavier


noite passada acordei de um sonho

uma marca do passado
mudada e fortalecida
me revirava o tempo
que se abalava e se encobria

havia um frio interminável
havia uma parede que impedia
havia um músculo com câimbra

e havia
ao fim do sonho
um homem sem mansidão


* Imagem retirada do site Deviantart.

sábado, 21 de junho de 2014

Roda girante

*
Por Germano Xavier


é quando sozinho
na hora mais morna
da casa fria no cômodo com sombras
pousado pelos lados
sem oriente
na observância seca das coisas
que procuro
à luz da cidade
a chave que dá para a imensidão


* Imagem retirada do site Deviantart.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Nossos desacontecimentos

*
Por Germano Xavier

"Nesses anos todos testemunhei muita gente se alienar da própria escrita 
para não sofrer. É uma alternativa. Bem cara. Para mim essa escolha 
nunca foi nem desejo nem possibilidade. Eu era o que escrevia. Sou."
(Eliane Brum)

Nascemos e morremos várias vezes durante nossas vidas. Eis uma grande verdade cuja escapatória o homem ainda não soube descobrir. A vida assim é constituída, de ressurreições e falecimentos diários, cotidianos. A memória se serve de algumas porções de história e guarda o que é mais urgente. Mas nem tudo sobrevive às intempéries do tempo, que tritura e dilacera.

Nascer, como podemos suspeitar de antemão, não é uma tarefa das mais fáceis. Morrer dói. Renascer pode doer mais ainda. Desta forma, em pedaços, nossos corpos e corações são feitos para durar até o limite da dor que não podemos suportar. A fronteira entre o que podemos e o que não podemos aguentar está diante do que parece simples, como uma página em branco pousada sob um lápis ou um mero olhar sobre o comum.

Escrever pode ser a salvação quando os nossos nascimentos passam a se confundir com nossas mortes. É sobre a invenção da vida a partir da palavra que trata o livro MEUS DESACONTECIMENTOS a história da minha vida com as palavras, da renomada jornalista Eliane Brum. Um livro nada singelo - e até rude - sobre a menina quebrada ou o menino quebrado que pode existir dentro de cada um de nós.

Nossos desacontecimentos podem imperar a qualquer momento, podem nos sufocar, mas também são a partir deles que podemos retirar a maior parcela dos aprendizados que nos conduzirão por toda a nossa jornada vital. Nossos desacontecimentos acontecem todos os dias, ininterruptamente. Enxergá-los com serenidade pode significar a condenação brutal ou o fértil arremate em prol de um futuro melhor, mais digno e justo.

E a palavra, onde entra em tudo isso?

A palavra, como ser-de-fazer-ser, sacrifica-se para produzir a vida que nos falta. Escrevendo somos mais do que sabemos ser. A palavra nos ponteia, transporta-nos para além do que somos ou pensamos ser. A palavra ajuda a fazer travessias. Mas, cuidado: a palavra fere, macula e pode matar. O mundo sem palavras é escuridão, como nos diz Brum. Para sair de local tão funesto, saber ler o banal que nos transforma é talvez a provável saída mais inteligente.

Autobiográfico por excelência, MEUS DESACONTECIMENTOS não fica só na área da crônica acerca da infância da autora. É mais um apanhado sobre paixão e amor pela palavra escrita e/ou oralizada/contada do que qualquer outra coisa e merece a atenção do cuidadoso leitor. Brum encanta e desencanta nos encantando, coisa que só os bons escritores conseguem fazer.

Palavras distraídas sobre Vygotsky

*
Por Germano Xavier


Talvez a principal revelação da teoria de Vygotsky é, sem dúvida, a ideia de que o desenvolvimento/progresso cognitivo do ser-aluno acontece justamente através da interação social. É necessário que haja o relacionamento do ente-aprendente com o meio que o cerca para que ele possa adquirir conhecimento real.

O ser-infante, como efeito da troca mútua de experiências e ideias (interação), vê-se promotor de novos conhecimentos. Por ser uma experiência social, a criança é símbolo-parte do meio que a constrói, também. Diante deste entendimento, subentende-se que suas investigações diárias serão seus saberes, que poderão ser compartilhados e reprogramados para o desígnio de geração de outros novos saberes.

O pensamento, morada dos signos, é o campo de passagem para a linguagem, que é o elemento basal que impulsiona o desenvolvimento cognitivo. A aprendizagem se solidifica oriunda desta união, sem a qual não é concretizada. Por ser parte da experienciação social, sendo para isso mediada por instrumento os mais variados, pensamento e linguagem formam o arcabouço que sustenta o caminho de desenvolvimento humano que, a posteriori, vingará em ação.

Ângulo 1 (Compreensão da relação geral entre o aprendizado e o desenvolvimento) e Ângulo 2 (Peculiaridades dessa relação no período escolar). Vygotsky indica acreditar que há já conquistas efetivadas no ser antes mesmo de ele entrar para uma instituição de ensino, mas também deixa claro que a partir de seu ingresso neste novo ambiente, novos elementos de aprendizado lhe são introduzidos em prol de seu desenvolvimento.

Daí surgem os conceitos de NÍVEL DE DESENVOLVIMENTO REAL e NÍVEL DE DESENVOLVIMENTO POTENCIAL. Real é o conhecimento que a criança tem, Potencial é o conhecimento que ela pode desenvolver e a Zona de Desenvolvimento Proximal é o que está entre um e outro, é quando a criança está prestes a atingir um novo conhecimento, que nada mais é que a junção tempo-situacional daquilo que a criança é capaz de fazer sozinho com aquilo que ela só faria com auxílio de outrem.

Com o apoio da teoria de Vygotsky, a escola começa a ser revalorizada, há a percepção de que ensino de qualidade é aquele que se antepõe ao desenvolvimento propriamente dito, o fator alteridade é aceito como ponto de construção basal de conhecimentos, o papel da imitação é visto como relevante em toda a estrutura geradora de saberes e, indubitavelmente, a necessidade de olhar para a escola hoje e compreender que mudar faz-se de urgente necessidade.

Ninho-mar

*

Por Germano Xavier


o mar aninha
até os seres alados
a gaivota brinca
no paredão o molusco
não larga a sede
a onda verde
o céu azul
o sal
o homem
(filho que faz visita
e desfere o temporal)


* Imagem: Germano Xavier/Praia dos Carneiros-Pernambuco

terça-feira, 17 de junho de 2014

Autocracia versus Anarquia

*
Por Germano Xavier

A película A ONDA, que foi baseada no livro de mesma nomenclatura do escritor Todd Strasser, traz como personagem principal o professor Wenger, que não gosta da escala que a coordenação da instituição escolar a qual faz parte lhe impusera: ensinar uma disciplina sobre Autocracia - o desejo dele era o de ensinar a disciplina que trataria do tema Anarquia.

Com o comportamento que passa longe do modelo conservador já habitualmente relacionado à figura do profissional da área educacional, o professor Wenger, sem outra alternativa, encara a árdua tarefa e começa a lecionar a temática incutindo em seus jovens alunos os conceitos autárquicos de maneira a mais prática possível, ao invés de levar a cabo o conteúdo teórico respectivo.

No intento de provar aos seus alunos de que um novo regime ditatorial na Alemanha poderia ou pode acontecer a qualquer momento (e não só na Alemanha), o professor Wenger inicia sua prática de ensino diferenciada e logo começa a mexer profundamente na mentalidade de seu alunado, primeiramente somente através do poder da palavra "politizada". Com tal experimentação, Wenger conscientemente manipula toda a turma, que começa a segui-lo categoricamente.

Para tal domínio efetivo, cria-se saudações apropriadas, numa alusão direta a que era destinada a Adolf Hitler durante o regime nazista, a logística da sala de aula do mesmo modo é mudada, produz-se um símbolo e adesivos, ensaia-se uma marcha e define-se até um modo de se vestir peculiar aos membros d'A ONDA, nome escolhido para o grupo. Objetivo maior de tudo isso: fazer com que todos se sintam um só, um corpo único, homogêneo e puro em todas as instâncias.

Poucos são os alunos que divergem dos ideais pregados pela A ONDA. Os dissidentes, por sua vez, acabam mudando para a turma que discutia Anarquia. Porém, com o tempo e com a fama do grupo sendo disseminada por toda a cidade, muitos alunos da turma de Anarquia termina por mudar para a do professor Wenger.

Muito além da sala de aula, A ONDA começa a existir fora do ambiente escolar. Comportamentos humanos sofrem drásticas mutações, brigas em muitas ocasiões e o professor Wenger começa a sentir as consequências de sua até então ingênua ação docente. A alienação ideológica é logo denunciada por atitudes de vandalismo por parte de alguns integrantes d'A ONDA. A escola começa a chamar a atenção do professor Wenger, agora já um líder de incomensurável proporção - mesmo ele duvidando disso.

Nos momentos finais, já totalmente decidido a por um fim na curta vida d'A ONDA, o professor Wenger resolve fazer uma última assembleia com os membros do grupo a fim de romper com o que foi proposto durante as aulas. Mas logo ele percebe que não há mais possibilidade de controle diante de alguns alunos, que fatalmente encarnaram A ONDA em suas mentes como uma verdade absoluta e irrevogável, levando ao fim todas as possíveis consequências. É quando uma tragédia acontece.

Preso, Wenger observa a reação de pais e alunos ao fim do percurso, agora de dentro de uma viatura policial. A Onda ou Die Welle, filme de procedência alemã datado de 2008 e dirigido por Dennis Gansel, relata com singela maestria os perigos da disseminação desenfreada de um pensamento ideológico e nos faz pensar ainda mais sobre diversos temas urgentes à sociedade contemporânea.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Os tédios alheios

*
Por Germano Xavier


iremos gritar juntos
para as paredes caladas
e nada se moverá e nada
se encantará nem mudará o rumo

e nada faremos nem cânticos de mármore
como gélidas pedras mortas
e mesmo em teimosia insinuante
o gomo da vida não se romperá
pois o tempo é uma maneira de descer
o cume dentro duma avalanche
veloz e rude e nada

traremos à tona nem o motor
dos desacontecimentos nossos
para enfim acontecermos
qual nadas inteiros em tédios alheios


* Imagem retirada do site Deviantart.

domingo, 8 de junho de 2014

Um dia, um texto na mão

*
Por Germano Xavier

Aprendi o gosto pela leitura desde muito cedo. Aprendi sozinho, vale salientar. Lá em casa meus pais nunca foram muito de ler, apesar de suas escolhas profissionais que, pela lógica, os levariam facilmente ao caminho dos textos e das palavras. Meu pai, cirurgião dentista, possuía alguns calhamaços técnicos referentes a sua escolha profissional e alguns poucos exemplares com conteúdos gerais, além de uma linda coleção sobre os mais famosos julgamentos da história da humanidade. Minha mãe, professora, ficava mais próxima de leituras de cunho religioso, assídua devota que sempre foi. Meu irmão mais velho raramente deixava-se acalentar por um livro ou qualquer coisa de igual serventia.

Ler, para mim, foi uma descoberta e uma construção muito pessoal, diria extremamente solitária. Comecei lendo almanaques e revistas velhas, quase todas mofadas, que tirava de dentro de um baú-embornal que ninguém dava importância e que ficava no quarto de bagunças nas proximidades do quintal da casa onde vivi meus primeiros anos de vida.

Com o tempo, fui gostando de gibis, até um dia começar a me interessar por revistas sobre automóveis e motocicletas. Por bons anos, devorei a revista Quatro Rodas e foi por conta dela que não consegui me distanciar das palavras no fim de minha infância e começo da adolescência. Quando a edição do mês chegava, corria feliz para tomar banho só para poder abri-la e saber o que teria ali dentro, como num passe mágico. Um tanto que inusitado, não?

Com um pouco mais de idade e com a experiência ledora sendo constantemente motivada por novas aquisições, conheci a literatura, este mundo sem igual ao qual não penso jamais desabitar. Meus primeiros três livros lidos: O Pequeno Príncipe, Meu Pé de Laranja-Lima e Peter Pan. Lembro que lia na sala de estar com um pires repleto de mel de abelha, que tomava às colheradas de chá. Segredos de mãe que sempre ampara o filho descobridor de mundos... Quando faltava energia na minha rua, já entrado na noite, por vezes lia com duas ou três velas bruxuleando as laterais de minha cama. Era a melhor hora para ler as histórias de horror e suspense.

Daí por diante, foi como entrar num labirinto gigantesco. Logo conheci Dante Alighieri, Herman Melville, Carlos Drummond de Andrade, Jorge Luís Borges... muitos nomes, muitas estradas, muitos personagens, muitas histórias, muitas estórias e a vontade de fazer parte de tudo aquilo de alguma forma. Comecei a rabiscar meus primeiros poemas. Guardo caderninhos repletos deles até hoje em minhas prateleiras livrescas. Para mim, tesouros de um tempo de amadurecimento. Uma coisa tende a desencadear outra, não? Mas eu confesso, ler nunca foi uma prática simples. Muito pelo contrário.

O ato ledor pede muito de nós, seres humanos. Há sempre um gasto energético em tal ação, o que demanda muito do corpo e da mente. Ana González, em seu livro VOCÊ SABE (MESMO) LER?, aborda um leque de sutilezas que dizem respeito aos nossos momentos ledores. A autora destaca que para ler com qualidade é necessário ter "claras as intenções de sua leitura, os objetivos para os quais ela vai ser empreendida; preparar-se adequadamente para essa tarefa; identificar a fonte, o título e o papel do contexto, antecipando informações a respeito do conteúdo; conhecer um pouco mais os gêneros textuais dentro de um mundo de linguagem e de discursos, que indicam a função para a qual os textos foram escritos; saber que é com esse objeto que vai dialogar", além de ser preciso se enveredar por níveis outros mais profundos do uso da linguagem e do texto em si.

Mesmo sendo suas dicas dirigidas apenas para determinados padrões textuais, o livrinho de González toca a inteireza da problemática. Será mesmo que sabemos ler? O que é ler? Como ler melhor? O que fazer para ler melhor? Questões aparentemente banais, mas que podem significar muito para muitas pessoas. Afinal, perdemos muito quando não aproveitamos todas as tonalidades de um texto, seja ele qual for. E para sermos melhores o tempo todo, conosco e com o mundo que nos cerca, faz-se imperativo ler mais e, principalmente, ler melhor.


* Imagem retirada do site Deviantart.

sábado, 7 de junho de 2014

Trancas

*
Por Germano Xavier


a dor imposta
encaminha uma reforma
interna

a dor posta
no caminho de minha forma
me externa

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Anthony Giddens e a Modernidade Avançada

*
Por Germano Xavier

Reflexões acerca do pensamento de Anthony Giddens, com base na leitura de Cândido Alberto Gomes:

Por volta da década de 70 do século passado, o renomado sociólogo britânico Anthony Giddens criou o que ficaria conhecido por Teoria da Estruturação, esfera do pensamento sociológico que acredita que a Estrutura e o Sujeito se influenciam mutuamente a partir de práticas recorrentes, ou seja, a Estrutura molda o Sujeito e vice-versa. A teoria de Giddens vai de encontro, principalmente, a dois outros paradigmas de pensamento, a citar: o Estruturalismo (estruturas dominam o homem) de Althusser e o Subjetivismo (eleições subjetivas) de Max Weber.

Para Giddens, duas características basais identificam o homem: a sua Capacidade (possibilidade de realizar as coisas de maneiras as mais diversas) e a sua Cognoscibilidade (os sujeitos possuem saber sobre o social, portanto conhecem o que fazem). Estas duas faculdades humanas, juntas, elaboram o que Giddens destaca como sendo a possibilidade de Atuação Social, i.e., de Política.

As transformações da contemporaneidade não indicam para Giddens um rompimento para com a modernidade, mas o seu aprofundamento (uma espécie de fase crítica da modernidade). Sobre isto, Morin (2011, p.23) vai dizer que "a crise da modernidade surgiu a partir do momento em que a problematização, nascida da modernidade e que se voltava para Deus, a natureza, o exterior, se voltou, então, para a própria modernidade".

Neste ínterim, persiste uma espécie de resistência às teorias totalizantes ou globais (referências parciais, sem validade geral - renega a interação de culturas e a harmonização de valores), o que pode ser explicitado em alguns pontos, como por exemplo:

- Fim das metanarrativas (esta nova modernidade é descentralizada, dinâmica e pluralista).

- Multipolaridade (Mundo Pós-Guerra) x Globalização.

- Minorias mais participativas.

- A percepção dos "outros".

- As palavras de ordem são: pluralidade e especificidade.

- Abalo do Eurocentrismo e importância realçada aos países mais periféricos, como o Brasil.

Para Giddens, a modernidade é profundamente dinâmica, flui sempre e gera novas formas culturais e institucionais. Como consequência da mudança, o sociólogo britânico prega o abandono de teóricos clássicos, como Marx, Weber e Durkheim; esboça um fenômeno de dualismo: Segurança x Perigo, Confiança x Risco (onde uma existência segura passaria tranquilamente pela destruição do meio ambiente, pela existência do Totalitarismo e pela industrialização da guerra).

A vida torna-se problemática, os pressupostos são provisórios e os objetivos são questionáveis (tudo o que é sólido se desmancha no ar?). Falta de sentido pessoal (um convite à Prostituição do Ser x Mass Media x Aldeia Global x Cultura de Massa). O corpo agora é mercadológico (moda/publicidade). A possibilidade de produção de auto-identidades (Literatura Pop x Poema-Processo x Concretismo/Neo-Concretismo x Sociedade do Espetáculo) dão o tom de alguns setores, e tudo parece atestar a racionalidade das tendências conflituais.

Tudo parte para a sensação de caos numa modernidade que se liquidifica, tal qual um recorte a la Bauman. Diante de tamanho imbróglio, e parafraseando Paul Valéry, será o homem capaz de dar conta de tudo aquilo que sua própria mente criou?


* Imagem retirada do Google.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

O que existe e apunhala

*
Por Germano Xavier


alvas linhas curvas
melenas caídas sobre o seio
uma face-estrela luz solar
por trás a maneira de abordar-me
de bordar-me
o salto alto esculpe o desejo
suas cores cobrem o pecado
posas tal máquina do tempo
e volta um passado de arranhos
um fulgor juvenil de coxas abertas
abre e fecha a porta do homem
branca e rósea criatura e o laço de fita
desnuda-me o tom revela-me o ser
que sou nas vestes emprestadas
nos verões adormecidos e proibidos
impressos no rigor daninho dos contos
de arribação e censura

obscena é a jovialidade de meus ressurgimentos


* Imagem retirada do site Deviantart.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Partitiva viva vida

*
Por Germano Xavier
* Ilustração de  Cida Mello

de um lado
um poço
de outro lado
o fundo do céu
no meio dos lados
o lado avesso
lado inverso
lado anverso

o verso