sábado, 2 de julho de 2011

Mar de sargaços


Por Germano Xavier

tinha caído sobre minha mente um feixe de luz radiante de sentimentos. parecia até que eu havia acabado de entrar num castelo de ilusões difíceis de serem explicadas. numa noite truculenta e fria, seria mais ou menos assim, alguém com o precoce pensamento de que estaria fazendo algo de imenso valor abriria sua bolsa de couro, pegaria com suas mãos trêmulas as chaves do mundo e descerraria as portas das ruas e avenidas, para que eu, fraco e relutante, pudesse caminhar tranquilo. mas o choro saía de minhas cordas vocais sem que eu fizesse qualquer esforço para que isso viesse acontecer, e era como uma música. eu tinha motivos para acreditar que estava intoxicado pela loucura. todavia, como alguém pode ter disso em mente, se não sabe quem realmente é, onde está ou o que sente? maldita sensação, será que estou ficando louco? esporadicamente, esta era a pergunta que eu fazia quando me encontrava diante do espelho. não possuía a solução para todo esse formalismo pessimista e imótuo. a certeza advinha algumas vezes de meu inconsciente e me fazia passar por um mero personagem, sem papel definido ou peculiar a ser apresentado. com coragem e um pouco de insistência conseguia me desviar de alguns obstáculos que o passar do tempo acabava me revelando. não acreditava em mim - acho que mencionei pela primeira vez o Tempo! é, eu devo estar mesmo ficando louco, a ponto de saber de coisas das quais sou um profundo desconhecedor. sem a minha opinião e nenhum tipo de cerimônia me presentearam com um nome de santo. desconheço o motivo para tal, mas desconfio de uma música que parece ter influenciado muita gente neste país, de onde herdei os primeiros calos nas mãos e o suor quente no rosto. vários verões se passaram. agora jogo bola na rua com os meus colegas e já consigo distinguir a dor de uma topada da dor de uma separação, que presenciei nos meus idos anos de infância. falando nisto, a infância não esperou que eu crescesse e acabou indo embora muito cedo. mesmo assim, eu tentava reescrever a história que aquele seriado de televisão me mostrava naquelas longas e nubladas tardes de domingo. mas eu me sentia como se estivesse navegando sem rumo e solitário por um oceano sem fim. ao escrever, comecei a perceber que tudo aquilo que redigia era mais que uma simples verdade. duvidando de todos aqueles acontecimentos, que de uma hora para outra tornaram-se verídicos, exclamei: "não, eu não posso estar louco!" havia um personagem secundário que foi para mim um verdadeiro herói. digo mais, foi um ídolo que, usando a determinação e o caráter, tentava desobstruir qualquer forma de maldade e arrogância em sua nação. cresci ouvindo meus pais dizerem que a situação estava preta e que não haveria solução imediata. não assisti nenhuma entrevista ou depoimento do vocalista daquela banda... porém, ouvi uma das versões daquela canção fabulosa, na voz daquele homem, ao passo que tentava entender a razão para aquelas letras rebeldes, amorosas e de ritmos tão pulsantes... tudo no mesmo instante em que ouvia um cantor declamar versos, desconfiava de minha memória e de meus constantes descompassos. estaria eu sendo julgado como um réu ou será mesmo que me encontrava num espaço real, horizontal e sobretudo desumano? precisava retornar o fio da história inusitada que havia iniciado. eu trago comigo a lembrança castigante de encontros mal elaborados com amigos que sempre farão parte de minha vida. sempre quis defender algo, fosse uma idéia ou mesmo uma garota indefesa que, como aquela do filme que tinha um final feliz, necessitava urgentemente de auxílio para continuar tendo gosto pela vida. na realidade, eu amava ser utópico e visto pela terra como uma planta que num futuro próximo certamente daria bons frutos. finalmente, a história foi lida e aqui estou, pronto para o que der e vier, vagando pelas salas daquele mesmo castelo de ilusões, mas que agora não são mais tão difíceis de serem decifradas.

Um comentário:

Germano Xavier disse...

Crédito da imagem:

"tired by *elementik"
Deviantart