quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Confissões


Relato do dia em que eu, Luís Osete Carvalho e Ayala Lopes Oliveira (até então meros estudantes calouros de jornalismo) conseguimos, na cara e na coragem, uma entrevista com o escritor Ariano Suassuna, no saguão do JB Hotel, em Petrolina/PE. A entrevista na íntegra está também neste blog, basta procurar o texto intitulado "O Ariano sol dos arianos" no rodapé do blog.

Por Ayala Lopes C. Oliveira.

Se me tivessem pedido há quatro dias para escrever sobre a figura de Ariano Suassuna, a minha pena não correria pelo papel. Primeiro porque meu conhecimento sobre ele restringia-se ao Auto da Compadecida – e na versão cinema! – e depois, eu mesma não tinha a menor vontade de aprofundar-me em sua vida e obra... até que aquele paraibano quase octogenário atracou numa margem do Velho Chico e fez-me degustar uma ínfima porção de sua vivência entre casos e livros, iniciando-me em seu vasto mundo.

Eu diria que a “culpa” foi do acaso, mas de pronto retrucariam: “Não. Nada é por acaso!”; então, culpo a existência de dois seres impregnados pela magia do Ariano. Eles convenceram-me a tentar conhecê-lo ainda mais do que supunha ser possível.

A simples idéia de estar perto do homem adquiriu nova figuração para mim. Vi-me entre suspensa, nervosa e curiosa. Sabia dos esforços de meus amigos para conseguir a tão sonhada entrevista (que ficará para a posteridade, nós sabemos). Sentia que eles a mereciam e foi exatamente por merecimento que os convenci a dirigirem-se comigo para o hotel no qual o monstro da literatura encontrava-se. Justo eu! Queria apenas ir para as aulas do dia, depois do rio! Desviei a rota e fui deparar-me com um gigante, num traje singular, repleto de disponibilidade e oferecimento. Melhor será escrever: solicitude. Abordou-nos com atenção e abraços, levou-nos a um espaço mais reservado e permitiu-nos adentrar, particularmente, em sua história tão rica.

Por breves maravilhosos minutos os três estudantes transmutaram-se num só corpo que tremia por completo, fixava os olhos numa mesma face e pouco respirava. Um corpo munido de papel, tinta e gravador; munido da vontade inebriante por Suassuna, o gênio. Infelizmente como tudo que é bom dura quase nada, o bonde já ia andando e a carona nele chegava ao fim. Após autógrafo e risos de puro contentamento, saímos para as ruas da realidade; em vão. Era hora de externar sensações, pensamentos e interjeições. Éramos um rapaz realizado, um moço eufórico e uma garota que acabara de perceber a magnitude do ocorrido...

Ainda hoje, passados alguns dias, impregno-me de nomes, datas, dizeres sábios que ouvi saírem dos lábios de Ariano. Ainda hoje e espero que para o resto de minha vida eu possa relembrar minha presença naquele chão, de joelhos, aos pés do Suassuna e de sua “chama” tão imortal quanto inebriante. Sei agora que não poderia ter estado em outro lugar senão aquele, realizando algo que não aquilo ou com outras companhias senão aquelas.

3 comentários:

Cristiano Marcell disse...

Ariano Suassuna é genial e engraçado, diga-se de passagem. Lembro-me dele, num documentário de tv, dizer que sua antipatia pela língua alemã era tamanha que, caso tivesse nascido germânico, faria questão de ser mudo!

Bom texto!

Muita paz!

Nilson Barcelli disse...

Mas eu nunca tinha ouvido falar do Ariano.
Vou-me informar...
Um abraço.

Obrigado pela tua visita, volta sempre.

Zilani Célia disse...

OI GERMANO!

DEU PARA SENTIR UM POUCO DA ALEGRIA DESTES ESTUDANTES EM INÍCIO DE VIDA, QUE REALIZARAM,A MELHOR ENTREVISTA DE SUAS VIDAS, ASSIM ME PARECE.
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com/