terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Cantares de preservo


Por Germano Xavier

Para Alan Sillitoe,
porque poetas nunca morrem.


II

E o que jamais teria fim eu amaria.
Eu amaria o que não é término
e o dia de vermelho no sopé,
deitado sobre a serra o verde afoito
dos meus olhos, ao longe, como escuros
acostumados ao que fizemos.

O que guardo é o peso das coisas,
aquele silêncio nunca existido em nada:
a palidez que diz a vergonha das coisas,
o ferimento largo das coisas finas,
a catástrofe do existir das coisas mortas,
a mudez aguda das coisas que falam,
o fósforo que não acende a luz das coisas
sem luz, a ignorância das coisas
que se sabem, seus resíduos de coisas
dormidas nas despensas das casas.

Não guardo a infeliz velocidade das coisas nem seus argumentos de ir.
Não aguardo a coisa que muda o destino das coisas – posto imutáveis!
Aguardo apenas o meu aguardar, que é também o aguardar das coisas.
(Tempo-aquário e o tempo borbulhando preso...)

Eu guardo a água das coisas, a terra das coisas, o ar das coisas –

O fogo.

3 comentários:

Germano Xavier disse...

Crédito da imagem:

"Lone Tree by *Hengki24"
Deviantart

Artes e escritas disse...

A Era de Aquário chegou, tomara vivamos em paz. Abraço, Yayá.

Cris Campos disse...

E guardando realmente o que importa... o melhor enfim acontece! Lindo G! Gr. Bj.!