sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Essas coisas de dentro

*
Por Germano Xavier

"y que el placer que juntos inventamos
sea otro signo de la libertad."
(em Una carta de amor, de Julio Cortázar) 

contido,
o amor embrutece o ar,
vai à desforra em desvãos
e à solapa torna gélido o tempo
que reconhece no outro
o sangue, a pele, o pulso.

no fundo dos vazios
(esta ânsia de romper os lastros)
está o coração sem socorro,
a alma cansada está,
o corpo: vivo-adormecido.

para essas coisas de dentro,
que gritam sem liberdade,
que pressionam veias e artérias,
somente a força estranha 
do deixar-se.

(no alto de um cruzeiro 
um espantalho anuncia a presença 
dos mistérios)

descomedido, o amor é outro, 
panda alquimia, faz e refaz
do humano tal ser miraculoso e dobra
poder de mãos, bocas, armaduras e membros,

assim candente põe 
a permanecer vital a altivez
das mais solutas atmosferas.


* Imagem retirada do site Deviantart.

2 comentários:

Maria Eu disse...

O amor tem essa coisa meio louca de transformar tudo!!
Lindo, o poema!

Beijinhos Marianos! :)

Daniela Delias disse...

Deixar-se ir,
não deixar de ir...