sábado, 23 de fevereiro de 2013

Das origens do fim


Por Germano Xavier

Acabou,
e tudo não passa de um recomeço,
de um eterno iniciar.
São novas agendas em branco
de se alcançar novos clientes,
são estas pessoas deixando à mostra
suas papadas e excessos,
são estas lentes a encurtar a delícia
das distâncias...

Tudo está como sempre imaginamos
que estivessem,
não há nada deslocado um centímetro que seja
do local de origem.
Tudo necessariamente igual no tempo,
e no imaginário.
Afinal, não é este o equador das coisas?
Não é este o príncipe mais belo?

É tão meia-sombra esta de se sentir o ocaso das coisas,
das coisas pretendidas na infância,
das imprecações alcançadas
nos objetos paginados de tua estante,
das inverdades sentimentais construídas
para o paliativo da alma...
Como se à alma bastasse a proximidade e a superfície
do que é apenas coisa,
e coisa de homens.

É como se nada existisse de intenso
em nós.
Desilude um sorriso a defesa dessas situações abalantes,
e eu sinto o enfeitiçar das cores
nestes edifícios de carne.
As cores frágeis nos fazem crer na desesperança,
na existência da imatéria.

E como os pássaros, nessas horas,
Parecem deuses incomunicáveis...

2 comentários:

yvana disse...

AMEI AMIGO GERMANO,
A NOSSA VIDA É ASSIM, UM ETERNO RECOMEÇO, UMA PAGINA EM BRANCO A SER PREENCHIDA ACADA DIA, COM NOSSAS TRISTEZAS, ALEGRIAS, "IGUAL NO TEMPO E NO IMAGINÁRIO".

Hellen Hosseini disse...

Belas palavras, o peso da existência é a leveza de escrever assim.