sábado, 11 de janeiro de 2014

Confidências do Iraquarense


Por Germano Xavier

Alguns anos vivi em Iraquara.
Principalmente nasci em Iraquara.
Por isso sou triste, sentimental: de cal.
Noventa por cento de cal nas calçadas.
Oitenta por cento de cal nas almas.
E este alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.
A vontade de amar, que me paralisa o estudo,
Vem de Iraquara, de suas noites frias, sem pressa e sem tempo.
E o hábito de sofrer, que tanto me persegue,
É doce herança Iraquarense.
De Iraquara trouxe prendas diversas que hora te ofereço:
Esta humanidade de criar-se feito bicho;
Esta pedra de ferro, futuro cal do Brasil;
Esta ardósia riscada em desenhos, na parede da sala de visitas;
Este orgulho, esta cabeça baixa...
Tive amigos, glórias, tive instantes.
Hoje sou estudante.
Iraquara é apenas uma fotografia na lembrança.
Mas como dói.

Um comentário:

Controvento-desinventora disse...

Adorei a paródia do poema de Drummond...Deliciosa!!!