quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Morador


Por Germano Xavier

toda casa guarda uma
casa perdida, toda casa
é uma casa esquecida, uma casa
sem casa, uma casa sem casca,
deixada,
um morador.

adormece dentro dela o grito
da criança velha, a idade antológica
da ciranda dos anjos, aborrece
no seio
a paz dos fantasmas,
o uivo das brechas,
a quintessência das brenhas.

a casa não esquece o silêncio,
não apaga a esbórnia
de que o tempo é capaz.
confessa calada, como um coração
pujante, o sangue escorrido
nas alcovas, o lixo despejado sob
o capacho
nem a mágica hora do amor.

toda casa abriga um abismo,
toda casa é uma alma pensa,
uma ferida
auto-curável,
toda casa é um caso
murado com mistérios,
morado pela dor.

Um comentário:

luís rodrigues coelho Coelho disse...

A casa será uma casca que protege e abriga os moradores dos vendavais.
Como as pessoas também as casa morrem nas suas recordações.

A vida faz-se neste acontecer todos os dias...