quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Com a alma aberta e o coração cantando

Imagem: Deviantart
Por Germano Xavier


A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...
 Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!

Do poema A VERDADEIRA ARTE DE VIAJAR, de Mario Quintana.

Cheguei de muito longe, meu caro amigo (ou amiga). Muito longe de mim mesmo foi de onde cheguei. Cheguei de muito longe e com a alma aberta e o coração cantando. Cheguei de onde estive por todo este tempo antigo que vive atrás de mim, a me inserir ofensas e nojos. Cheguei de onde caí e de onde também me levantei, várias vezes. Cheguei até de onde gostei de estar, mesmo sendo hora imprópria para apegos. Cheguei aqui depois de ter atravessado o poente inteiro, dado mil voltas em volta dos trópicos, após sobreviver de poços com areias movediças e tudo que. Por isso o meu sorriso no rosto, o meu peito abrigador de coisas boas que revelo agora. 

Peço-te um trago d'água, pois sinto sede. 

Caminhei demais, amigo (ou amiga). Não quero parecer um "coitadinho", mas sofri rumando e tive frio. Frio de solidões profundas. Frio de se sentir pequeno. É dor de lembrança, tudo. Felizmente venci. Felizmente estou aqui, chegado de muito longe, até de mais longe que o longe que alguém possa imaginar. Eu mesmo não esperava de mim tanta travessia. Saio de onde estive para estar onde estou. Isso é grande demais, é importante. Liberta-me e me disponibiliza dizer "Adeus". Adeus, infância confusa, cidades pisadas, mulheres não-minhas-por-inteiro-e-ou-sem-amor, camas vadias, cigarros tristes, incertezas certas, humanidades desumanas... adeus, súbitos abraços, gentilezas vazias, golpes contra meu estado, felicidades sem suor. 

Com a alma aberta e o coração cantando, aporto de novo na vontade vaidosa de me ser como sou, instituto de angariar sabores de classificação extra. Estrada, estrada, estrada. Norte, sul, leste e oeste: centro. Trouxe amor na mochila, trouxe para você e principalmente para mim. Há de se amar o amor. É só ele que me movimenta. Não tenho nem quero nada. Só o amor, esta experiência inútil e única, como chegar a si mesmo.

Um comentário:

Karine Tavares disse...

Parabéns pelo teu blog!
Vem conhecer o meu:

Feitaparailetrados.blogspot.com