domingo, 30 de junho de 2013

Rasif

Imagem: Google
Por Germano Xavier

Ou “mar que arrebenta”, de Marcelino Freire. Um livro meio chato de contos ou minicontos – qual é mesmo a diferença destas duas coisas? - que tem como pano de fundo a cidade e as pessoas de Recife-Pernambuco. Um livro nada-a-ver, meio mole, meio duro. Um livro bom, um livro ruim. Não sei bem por onde começar nem o que dizer. Por onde se começa quando o assunto é literatura? Talvez fosse interessante dizer que pouco conheço Recife, mas conheço desde a minha infância e, talvez, isto fizesse com que minhas palavras de nada valessem. Pai pernambucano, viagens anuais, parentada para se visitar, aquela coisa toda de família. Andei mais por ela agora já adulto. Pequeno, só fui uma vez lá, de maneira meio traumática. Sim, isso mesmo, eu quase nunca gostava de me expor em praias ou balneários aquíferos, muito menos de andar seminu pelo bairro de Boa Viagem, lugar até então de estranhamento. Cidade bela é Recife, a antiga e a nova. Olinda também é linda, boa para passear dentro de suas cores de frevo. Perambulando em Caruaru-Pernambuco, dei de cara com este livrinho. Aí resolvi ler. Todo bonitinho, capa dura e alva, desenhos intrigantes de Manu Maltez. Fui lendo e lendo e lendo. Acabei por terminar a leitura. É um livro violento, violência em todos os sentidos, branca e vermelha, livro com aura universal, mas que dá para perceber um tanto de uma regionalidade esférica que permeia o espírito regional do povo de paranã-puca. Rasif abre portas, como a maioria das cidades, assim como as fecha também. Engraçado demais, como é que uma cidade faz para viver abrindo e fechar portas? Como é que uma cidade faz para dar espaço às tormentas do cotidiano, ao amor, à confusão e à ternura? Como é que se faz tudo isso e de uma só vez? “Terreno pavimentado com lajes, estrada pavimentada com rochedos” é Rasif, aproveitando a definição do dicionário. Serve bem. Na metade das folhas você vai desejar abandonar o livro. Mas é bom que se continue a lê-lo. Até porque, como diz um poeta pernambucano e recifense, “urubu come carniça/e voa”.