segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O negro na cultura


Por Germano Xavier

A questão do negro, sua identidade e suas nuances, assim como a inserção de sua presença física e ideológica nos diversos sistemas culturais brasileiros já não é um assunto tão em voga assim como foi apresentado nas décadas anteriores no meio acadêmico e nos diversos setores de fomentação de debate. Muito se discutiu, muitas perguntas foram formuladas, muitas tentativas de resposta vieram à baila, mas o certo é que pouquíssima coisa mudou no tocante à participação do afro-descendente nos mais variados suportes midiáticos no Brasil (e por que não dizer no mundo?), a citar como exemplos a televisão e o cinema, tirando raríssimas exceções ainda imiscuídas num universo de marginalização.

No mais recente festival de cinema Maranhão na Tela, realizado na cidade de São Luís, o debate inaugural da mostra aconteceu em cima de três premissas básicas para o descompromisso para com esta problemática até agora discutida:

1) O imaginário social;
2) A marginalidade;
3) As condições de produção cultural.

Para os cineastas e estudiosos convidados, o que se vê no panorama atual é que o imaginário social de representação da vida do negro em sociedade já está tão maculado pelos media em geral que vai ser necessário muito esforço para a mudança na esfera-alicerce deste pensamento. Geralmente, todas as formas potenciais de geração e difusão de cultura impõem à sociedade a figura de um negro combalido por si mesmo, detentor de um espaço periférico onde é perigoso ao restante da população estar, um marginalismo de atitudes e espectros de caráter que funde um ser sem muitos préstimos, sem condições de alavancar outros e mais valorizados espaços dentro de seu próprio universo e do universo do todo.

Para os debatedores em questão, o ideal é que para que a mudança seja sentida na raiz da problemática, o negro não pode mais estar apenas como figurante no trabalho cultural, mas também deter o todo do saber que é produzido a cada filme que é lançado, a cada projeto de arte que é aprovado, a cada programa televisivo que é divulgado, entre tantos outros fatores. Porque é quem dá a condição de trabalho quem propicia que o mesmo trabalho seja manipulado no ordenamento a que se deseja, portanto as consequências adversas ou não de tal procedimento são já também providas de prevenção por quem as produz. Se o negro não participa de todas as etapas da criação, seja ela qual for, o negro também ficará sempre à mercê do pensamento do outro, que domina, que está no topo da cadeia, nunca sendo o produtor de si mesmo e nunca sendo alcançado pelos “olhos que tudo vêem” do modo mais natural como é dado em sua realidade.

É preciso “botar o negro pra fazer”, como citou Sabrina Rosa, roteirista e diretora do longa-metragem Vamos fazer um brinde, que se auto-intitulou “filhote do pensamento construído pelos estudiosos da relação negro-cinema nos últimos anos”. Começando a fazer o que os outros hoje e sempre fazem, o negro vai ser o próprio conteúdo, saberá o que significa o termo entretenimento, e todos os seus desenlaces, e vai também começar a saber a quem serve as produções que estão sendo realizadas na atualidade, e deixarão de ser “barrados por também terem o conhecimento do próprio racismo”,como bem disse a cineasta carioca. Talvez, só assim a cor da cultura neste país tão miscigenado e plural seja uma só: a da união.

3 comentários:

Fátima disse...

Oi Germano!

Saudades, vim te deixar um beijo.

RENATO VIDAL S. disse...

la diversidad de hoy en el mundo nos plantea siempre la idea de una globalización basada en la inclusión en la mezcla de los distintos origines base fundamental de lo que es hoy un país en su actualidad, lamentablemente hoy en dia, hay cosas que aún no cambian y que algunos prefieren mirar hacia el costado, saludos Germano, buena semana.

Controvento-desinventora disse...

Negro="detentor do espaço periférico",mais do que isso: O negro é barrado nos grandes debates sobre sua condição, porque não traz conceitos sobre o racismo, o preconceito, a discriminação, ele traz tudo isso impresso na pele e impregnado na alma.