segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Um eu que professa


Por Germano Xavier

Em 2004, depois de passar no vestibular para Jornalismo, tive de esperar cerca de 8 meses para que as aulas começassem no DCH III da UNEB. Nesse curto espaço de tempo, voltei para minha cidade natal sob os auspícios de um convite: Ensinar. Eu, que nunca havia lecionado antes, resolvi acreditar que poderia ser possível, de minha parte, ajudar os outros com um pouco do que eu trazia comigo em termos de conhecimento. Em minha estreia em sala de aula havia mais de 100 pessoas, num cursinho pré-vestibular em Iraquara. Sentados, vi antigos colegas de escola, amigos de outrora, muitos conhecidos e outros tampouco vistos esperando de mim alguma coisa que talvez eu pudesse oferecer a eles e que pudessem usar em algum momento de suas vidas. Pois bem, foi assim. Saí numa noite fria, com nada além de um pincel para quadro branco e um apagador nas mãos, mãe acendendo velas no pé da janela para desejar um bom início de labuta e, quando me dei conta, lá estava eu, numa aula sobre Literatura. Lembro de tudo, do assunto abordado, dos rostos dos alunos, do meu coração batendo forte, da alegria que senti quando alguém levantou a mão e me perguntou algo... o mundo mudou ali, numa fração de minutos. Eu havia descoberto que eu, enquanto ser humano, podia contribuir de alguma forma para um coletivo de seres humanos que, como eu, vivia sedento pelo saber. Daquele dia em diante, muita coisa aconteceu, passei por uma dúzia de escolas, em 4 estados diferentes, escolas particulares, públicas, municipais, estaduais, turmas de faculdade, enfim... e mesmo fazendo duas faculdades público-estaduais ao mesmo tempo (Jornalismo e Letras), jamais deixei de professar em meus horários livres. Depois de formado, no fim de 2009, ainda inventei de me enveredar em Odontologia e Medicina, mas tais aventuras só serviram para eu ter mais certeza daquilo que realmente gostava de fazer e queria fazer. Hoje, com quase 10 anos de experiência em sala de aula, fico feliz ao ver ex-alunos ocupando cargos os mais diversos em áreas também as mais diversas, realizando seus sonhos e caminhando em prol do bem maior. Não sou o professor mais exemplar do mundo, odeio planejamento de aulas e todas as outras questões burocráticas do ofício, já inventei mil e uma desculpas para não ir lecionar naquele dia em que tudo parece chato e intragável, já pisei na bola muitas vezes - e quem não pisa? -, já odiei esta profissão umas mil e uma vezes também por mil e um motivos diversos, mas gosto mesmo de estar em uma sala de aula, em contato com meus alunos e aprendizes e tão ensinantes, únicos seres a quem devo explicações durante toda esta caminhada. Escolhi ser Professor porque eu não seria outra coisa nesta vida - olha eu falando besteira outra vez -, e principalmente porque sei que é por meio da educação de qualidade que podemos transformar as coisas, as pessoas, as sociedades, as ideologias opressoras... então, deixo meu abraço-amigo a todos os colegas de profissão com quem tive o prazer de conviver-conhecer, outro para meus melhores professores e, também, para meus professores mais medíocres, que foram importantes por me ensinarem a como não agir e ser com os meus discípulos. Um abraço de fé a todos os colegas de profissão que estão na educação sem saber o porquê que estão, outro para os que ainda botam fé na revolução partida das mentes. E meu abraço mais apertado para aquele meu aluno, extrovertido ou não, paciente ou não, pobre ou bem vestido, que todo dia acredita que a minha palavra pode ajudar na escolha do melhor caminho.

Feliz Dia do Professor de Verdade!

Com afeto, Germano Xavier.

3 comentários:

Germano Xavier disse...

Crédito da imagem:

"http://veja.abril.com.br/gustavo_ioschpe/imagens/101207_professor.jpg"
Google

Rebeca dos Anjos disse...

Parabéns, Gé! É um parabéns super merecido... uma profissão linda!

Beijos!

Cris Campos disse...

Super parabéns por todos os dias em que fostes presença catalisadora, com certeza, na história de muitos e por todos os dias que ainda virão em que essa troca há de trazer frutos dignos assim como tem sido meu querido! Gr. Bjoo!