quarta-feira, 2 de maio de 2012

Uma carta para Rilke



Por Germano Xavier

Iraquara, 5 de julho de 2008

Querido Mestre,


Aqui está frio e escrevo esta missiva com amor. Espero que ela o encontre numa tarde ou noite feliz. Não sei até quando poetas e escritores podem ser felizes, animais enjaulados nesta masmorra sombria, úmida e fétida que é a literatura, mas eu tenho esperança. Não quero atrapalhar o andamento de seus dias, Mestre. Fiquei sabendo, por meio de outras bocas, que o senhor está a residir a pouco mais de quarenta léguas de onde moro, bem aí na Cidade Luz. Tamanha proximidade fez-me redigir tais palavras. Seria uma honra angariar ensinamentos oriundos de uma mente tão disposta e inteligente como a que o senhor traz a poucos polegares acima do pescoço. De chofre, agradeço-lhe a já compreensão e peço de antemão, também, minhas sinceras desculpas se caso lhe cause algum transtorno.

Sabe, Mestre, tenho uma dor forte no peito, que me corrói dia ante dia, noite após noite, que percorre todo o calendário das horas do meu tempo, todos os ponteiros dos anos que vivo, e que vem pousar neste meu corpo que fraqueja, posto meu ainda não avançado estado etário, sem o mínimo aviso, sem mandar arautos ou pergaminhos. Estou a completar meus vinte e quatro anos na próxima terça-feira e já me sinto dono de um fardo pesadíssimo. Um embornal alçado nas costas, que me faz perder o ar, andar claudicando pelos mundos do mundo, sofregamente, sempre cabisbaixo, pensativo, alheio a qualquer manifestação baseada em normalidades. Um corpo estranho que sustento sem saber como, ainda. Por isso te peço, Mestre, uma ajuda. Uma palavra sua, apenas. Porque sei que a palavra de um poeta de verdade é a palavra da vida, é a palavra princípio-meio-e-fim.

O assunto dessa minha carta é o meu escrever. Desde muito novo, escrevo. Escrevo sobre coisas grandes, as que julgo assim serem, e sobre coisas pequenas. Confesso que prefiro as ínfimas. Escrevo sobre a minha cidade natal, sobre as lembranças que guardo da minha infância, escrevo sobre os amores que tive, sobre os que terei, sobre meus sofrimentos, minhas angústias, sobre minhas falsas felicidades. Escrevo sobre o moço de terno que passa com o sapato apertado, sobre a rapariga que deixa à mostra os pêlos em sua vulva, sobre a criança espantada diante do mago brinquedo, sobre a desfaçatez das outras pessoas, sobre como as outras pessoas são tão e cada vez mais mesquinhas, sobre os noticiários dos periódicos impressos, sobre a política dos sem-honra, sobre as vespas e as abelhas, sobre os lírios e as rosas, sobre livros vermelhos e pretos, de lombadas doiradas, sobre alfarrábios e catataus, antigos e novos, sobre o sexo dos querubins e sobre o sexo de Sade. Tudo pode virar palavra se eu consigo sentir, Mestre, e este é meu flagelo, minha guilhotina, a foice que me decepa a face, a besta medieval que me perfura a alma.

Escrevo poemas, gosto de escrever poemas. Como gosto, e estou gostando mais nos últimos idos, de escrever textos de maior fôlego. Prosas. Escrevo sempre, todo dia um pouco, como quem bebe água, e já não mais sei parar, Mestre. Acordo e já penso em sentar a uma mesa qualquer, com um tinteiro em uma das mãos, e desfraldar um verso, escandi-lo ou escrevê-lo torto, sem rima, destilando o veneno das madrugadas, os silêncios que perturbam, as vozes dos vestíbulos internos que não se calam, as rouquidões que nos labirintos de dentro transbordam vendavais. Meu acordar é sinal de morte diária, de uma cor opaca, símbolo de um pensamento embarcado numa brutalidade assassina. Investigo as causas de tudo isso e não encontro pistas. Quase nada poderia me levar a tal lugar que aterrissei. E aqui estou, desencontrado.

Crise é o meu nome, Mestre. Não ando bem. Apesar de escrever, não escrevo gostando. Melhor, não gosto do que percorro a escrever. Entro em choque comigo, brigo comigo. Uma peleja digna dos épicos. Sinto que poderia escrever algo de mais valor, menos ordinário, e que fosse, para mim, este lampejo e eu já seria menos taciturno, mas não estou bem. Não estou em mim e os outros me subordinam, me compram, mas não quero me vender. Sou jovem e velho, e nessa ambigüidade não sei das armas que uso contra todo o mal que me assola. Ruim é ser criança? Onde compro meu não-ser-infante? Sinto os dias passando, os relógios morrendo e nascendo, e vejo minha expressão paralisada, imótua, inerme, apática, apoética, e eu pergunto se são?

Não desejo explicação, mas termino sempre por me explicar. Retiro o mistério das coisas que queria que os outros desvendassem, e acabo por desmistificar o mito, arruinar a história. Os olhos me castram, as próprias palavras me castram. E sofro dia inteiro.

Estou a enviar, juntamente com essas mal traçadas linhas, alguns poemas de minha autoria. Queria que o senhor os lessem. Certamente entenderá mais acerca do que estou vomitando. Já algumas pessoas fizeram as devidas leituras, e disseram coisas diferentes e iguais. Elas lêem com pressa, sujeitas ao penoso estafar do trabalho, não lêem com a demanda de atenção que a poesia prefere. Fico meio encabulado com o que dizem, finjo acreditar, minto e minto. Alguns editores lêem, dizem e destroem. Outros já nem gastam as vistas. Eu tento sempre, tento, tento. Espero, não minto. Espero sempre alguma coisa, alguma palavra de força, de alento, que me faça escrever mais, com mais cuidado, e que não me cerceie outras formas e energias. Mas não vejo, não vejo. Por isso escrevi, Mestre. Quero saber de suas palavras e opiniões, para que eu sinta a verdade do que escrevo. Se o melhor que faço é parar por aqui ou seguir arriscando. Preocupo-me e isso não cessa, não encerra a minha agonia.

O que faço, Mestre? Sigo ou desisto? Deixo de lado esta minha sina, este meu desatino? Estou eu a ficar louco? A literatura vale a pena? Como faço? Tens uma receita? Um manual? Poetas são robôs? Maquinarias? Engrenam? Gangrenam? Para onde eu hei de rumar? O que escrevo? Para quem? Por quem? Onde? Que versos utilizo? Que segredo quebro? Que líquido bebo? Que ingrediente compro? A poesia está na farmácia? A poesia está no empório? Está a poesia, em que parte? Seu esconderijo, onde? Para onde me dirijo? Nem mesmo o professor Hoaracek me foi capaz! Nem mesmo ele, grande ser que é, que fala tanto do senhor! E outros tantos que passaram, passarinhos! O que faço, senhor meu Mestre? O quê?

Findo aqui, por instante, meu palavrear. Dou-te abraços de estima e respeito, poeta que és. E sigo minha vida, minha pobre e nada simples vida, a esperar ou deixar o momento.

De não muito longe, Germano Viana Xavier.



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"Paris, 17 de Fevereiro de 1903

Prezadíssimo Senhor,


Sua carta alcançou-me apenas há poucos dias. Quero agradecer-lhe a grande e amável confiança. Pouco mais posso fazer. Não posso entrar em considerações acerca da feição de seus versos, pois sou alheio a toda e qualquer intenção crítica. Não há nada menos apropriado para tocar numa obra de arte do que palavras de crítica, que sempre resultam em mal entendidos mais ou menos felizes. As coisas estão longe de ser todas tão tangíveis e dizíveis quanto se nos pretenderia fazer crer; a maior parte dos acontecimentos é inexprimível e ocorre num espaço em que nenhuma palavra nunca pisou. Menos suscetíveis de expressão do que qualquer outra coisa são as obras de arte, - seres misteriosos cuja vida perdura, ao lado da nossa, efêmera.

Depois de feito este reparo, dir-lhe-ei ainda que seus versos não possuem feição própria somente acenos discretos e velados de personalidade. É o que sinto com maior clareza no último poema, "Minha Alma". Aí, algo de peculiar procura expressão e forma. No belo poema "A Leopardi" talvez uma espécie de parentesco com esse grande solitário esteja apontando. No entanto, as poesias nada têm ainda de próprio e de independente, nem mesmo a última, nem mesmo a dirigida a Leopardi. Sua amável carta que as acompanha não deixou de me explicar certa insuficiência que senti ao ler seus versos, sem que a pudesse definir explicitamente. Pergunta se os seus versos são bons. Pergunta-o a mim, depois de o ter perguntado a outras pessoas. Manda-os a periódicos, compara-os com outras poesias e inquieta-se quando suas tentativas são recusadas por um ou outro redator. Pois bem - usando da licença que me deu de aconselhá-lo - peço-lhe que deixe tudo isso. O senhor está olhando para fora, e é justamente o que menos deveria fazer neste momento. Ninguém o pode aconselhar ou ajudar, - ninguém. Não há senão um caminho. Procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever? Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranqüila de sua noite: "Sou mesmo forçado a escrever?" Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa, se puder contestar àquela pergunta severa por um forte e simples "sou", então construa a sua vida de acordo com esta necessidade. Sua vida, até em sua hora mais indiferente e anódina, deverá tornar-se o sinal e o testemunho de tal pressão. Aproxime-se então da natureza. Depois procure, como se fosse o primeiro homem, dizer o que vê, vive, ama e perde. Não escreva poesias de amor. Evite de início as formas usuais e demasiado comuns: são essas as mais difíceis, pois precisa-se de uma força grande e amadurecida para se produzir algo de pessoal num domínio em que sobram tradições boas, algumas brilhantes. Eis por que deve fugir dos motivos gerais para aqueles que a sua própria existência cotidiana lhe oferece; relate tudo isso com íntima e humilde sinceridade. Utilize, para se exprimir, as coisas de seu ambiente, as imagens de seus sonhos e os objetos de suas lembranças. Se a própria existência cotidiana lhe parecer pobre, não a acuse. Acuse a si mesmo, diga consigo que não é bastante poeta para extrair as suas riquezas. Para o criador, com efeito, não há pobreza nem lugar mesquinho e indiferente. Mesmo que se encontrasse numa prisão, cujas paredes impedissem todos os ruídos do mundo de chegar aos seus ouvidos, não lhe ficaria sempre sua infância, essa esplêndida e régia riqueza, esse tesouro de recordações? Volte a atenção para ela. Procure soerguer as sensações submersas desse longínquo passado: sua personalidade há de reforçar-se, sua solidão há de alargar-se e transformar-se numa habitação entre lusco e fusco diante da qual o ruído dos outros passa longe, sem nela penetrar. Se depois desta volta para dentro, deste ensimesmar-se, brotarem versos, não mais pensará em perguntar seja a quem for se são bons. Nem tão pouco tentará interessar as revistas por esses seus trabalhos, pois há de ver neles sua querida propriedade natural, um pedaço e uma voz de sua vida. Uma obra de arte é boa quando nasceu por necessidade. Neste caráter de origem está o seu critério, - o único existente. Também, meu prezado senhor, não lhe posso dar outro conselho fora deste: entrar em si e examinar as profundidades de onde jorra a sua vida; na fonte desta é que encontrará a resposta à questão de saber se deve criar. Aceite-a tal como se lhe apresentar à primeira vista sem procurar interpretá-la. Talvez venha significar que o senhor é chamado a ser um artista. Nesse caso aceite o destino e carregue-o com seu peso e sua grandeza, sem nunca se preocupar com recompensa que possa vir de fora. O criador, com efeito, deve ser um mundo para si mesmo e encontrar tudo em si e nessa natureza a que se aliou. Mas talvez se dê o caso de, após essa descida em si mesmo e em seu âmago solitário, ter o senhor de renunciar a se tornar poeta.

(Basta, como já disse, sentir que se poderia viver sem escrever para não mais se ter o direito de fazê-lo). Mesmo assim, o exame de consciência que lhe peço não terá sido inútil. Sua vida, a partir desse momento, há de encontrar caminhos próprios. Que sejam bons, ricos e largos é o que lhe desejo, muito mais do que lhe posso exprimir.

Que mais lhe devo dizer? Parece-me que tudo foi acentuado segundo convinha. Afinal de contas, queria apenas sugerir-lhe que se deixasse chegar com discrição e gravidade ao termo de sua evolução. Nada a poderia perturbar mais do que olhar para fora e aguardar de fora respostas a perguntas a que talvez somente seu sentimento mais íntimo possa responder na hora mais silenciosa.

Foi com alegria que encontrei em sua carta o nome do professor Hoaracek; guardo por esse amável sábio uma grande estima e uma gratidão que desafia os anos. Fale-lhe, por favor, neste sentimento. É bondade dele lembrar-se ainda de mim; e eu sei apreciá-la.

Restituo-lhe ao mesmo tempo os versos que me veio confiar amigavelmente. Agradeço-lhe mais uma vez a grandeza e a cordialidade de sua confiança. Procurei por meio desta resposta sincera, feita o melhor que pude, tornar-me um pouco mais digno dela do que realmente sou, em minha qualidade de estranho.

Com todo o devotamento e toda a simpatia,

Rainer Maria Rilke."


(Carta-resposta in “Cartas a um Jovem Poeta”, Rainer Maria Rilke)

13 comentários:

Germano Xavier disse...

Crédito da imagem:

"a love letter
by ~EvanWilman"
Deviantart

Érico Cordeiro disse...

Caro Germano,
Chegar a um blog e se deparar com Rilke, numa de suas célebres "Cartas a um jovem poeta" é algo bastante reconfortante.
Parabéns pelo ótimo blog - adicionei aos meus favoritos e virei mais vezes para ler os textos mais antigos.
Você está em ótimas companhias - Zuenir, Affonso Romano e Suassuna! Muito legais as fotos!
Aproveito para desejar a você e aos seus leitores um ótimo 2011, com muita paz, harmonia, saúde e realizações.
Também convido-os a conhecer o blog jazz + bossa, cujo endereço é:
www.ericocordeiro.blogspot.com
Abraços fraternos!

Andressa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
{Mari Gondim} disse...

É que a poesia, meu senhor, é atemporal.
Enquanto restarem almas inquietas nesse mundo-deserto, restará à elas exprimir essa condição.

Extase disse...

Essas foram palavras lindas de se ler. Acalentou essa tarde de inverno calorento, aqui uns poucos centimentros sob a linha do Equador.
Obrigado, Mestre Germano X.

HSLO disse...

Que maravilha de carta...Germano.
Aproveitando te desejo um Feliz Ano Novo.
Abraços

Tatiani Távora disse...

Antes de ler para o 'Atente para o Indizível' eu já o tinha acolhido e desistido firmemente de comentar, qualquer coisa que fosse, o sagrado pronunciado nestas cartas. E nada nunca irá se comparar ao sagrado que se esconde nesta forma de (d)escrever.

E digo-lhe que, mesmo atentando para isso, não pude conter essa voz silenciosa de comentário para dizer-te um discreto e ínfimo 'parabéns por sua coragem'.

Antes de obteres a resposta exata do Mestre já o tinha feito: adentrou-se ao ponto de incomodar-se, e isso é algo a se louvar.

agradeço, por todas as presenças.

palavrasdeumnovomundo disse...

Olá Germano, muito obrigada por visitar-me e estar me seguindo,ou melhor sendo parceiro no meu mundinho que perto do seu fico encabulada. Seu blog é excelente, ainda tenho muito o que aprender então certamente voltarei sempre aqui para adquirir um pouco mais de conhecimento. Ficaria feliz se me fizesse sugestões, comentário, críticas, dicas, enfim, qualquer coisa que possa me ajudar na minha caminhada. Adoro escrever, mas poemas não é meu forte (para escrevê-los), mas, adoro ler e viajar sob os versos de um belo poema. Ainda estou um pouco perdida e minha esperança é de encontrar nos novos parceiros alguém que possa me ajudar, me orientar.
Bem, desejo-lhe um feliz 2011 com muita paz, sucesso e que possamos ser bons parceiros.
Abraço. Rosa

Controvento-desinventora disse...

Nada mais literariamente-afetivo que um diálogo entre poetas, nem mais atemporal que o tempo poético.

Ana Lucia Sorrentino disse...

Germano... comecei a ler a carta do jovem poeta a Rilke totalmente desavisada e logo me dizia: conheço esse poeta... rsrs... então vejo sua assinatura, logo abaixo! rsrs... “tento, tento...”
Germano, amo essas cartas. A resposta de Rilke eu já conhecia, a estudamos em introdução à filosofia no ano passado, quando estudamos Bornhein, e também me caiu como uma luva. É perfeita: “confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever? “. Se tivesse respondido apenas isso, estava feito.
Não foi à toa que Salomé gostou tanto de Rilke. Aposto que gostaria muito de você também, Germano... E que lhe diria algo que lhe digo também, nas palavras dela. Sei que já conhece isso, mas sempre é bom lembrar:

"Ouse, ouse... ouse tudo!!

Não tenha necessidade de nada!
Não tente adequar sua vida a modelos,
nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém.
Acredite: a vida lhe dará poucos presentes.
Se você quer uma vida, aprenda... a roubá-la!
Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer.
Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso:
algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!!"
Lou Salomé

Beeijo!!! 

Amanda Andrade disse...

Belo e incrível trabalho querido.
Beijos e abraços.

Lisa Alves disse...

Maravilhoso esse encontro atemporal, menino Germano! Há pouco tempo reli "Cartas a um jovem poeta" e achei de uma delicadeza tua tocar a mão de Rilke dessa forma, além do mais provando que os conselhos do "velho" mestre se encaixam as nossas dúvidas diárias com a escrita.

"O senhor está olhando para fora, e é justamente o que menos deveria fazer neste momento. Ninguém o pode aconselhar ou ajudar, — ninguém. Não há senão um caminho. Procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever? "

Júllio Machado disse...

Transmissão transcendental.