terça-feira, 29 de maio de 2012

O poema das pedras com pétalas


Por Germano Xavier 

Para o amigo poeta José Inácio Vieira de Melo 

a pedra é uma rosa
flor que compõe um chão
bruto broto que ameniza (es)feras
no vago-nada-vago do sertão

a pedra é uma arma-lança
para abrir cabeças-caminho
para produzir rebelião
para assim a pedra serve então

o poeta que apedreja
arquiteto matuto sem fiança
atira o seixo e a única herança
é mais dureza
é mais aurora

a pedra é uma pétala
instalada nos corações roceiros
parte-se na aligeirada partida
ao sol de antes das seis

a pedra abrange um sangue novo
magma austero dos mandacarus
leite equatorial do gado com fome
recurso de se humanizar animal

a pedra rolada e inerte
da ribanceira desce feito mocó
namora o monte e a serra
arrasa tardes
deita estradas

a pedra
a pedra é uma rosa
flor que enobrece um não
semente que alumia
o vago-nada-vago
este esporão

3 comentários:

JIVM disse...

Germano Xavier, seu "poema das pedras com pétalas" trouxe-me boas recordações do meu Roseiral e do universo que o compõe a dureza da palavra pétrea e a busca da beleza da rosa. Gostei muito das suas escolhas vocabulares assim como do ritmo tão fluido. Agradeço-lhe pela homenagem e sigamos a caminhada. Abraços.

JIVM

Daniela Delias disse...

O poema é uma pétala.
Bjo

Lai disse...

Dura pedra, dura vida.
Quem mais dura…?
Mais que o ser-tão…
Pedra (arma-dura)
Vida (pobre – secura)