quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Nômade


 Por Germano Xavier

tuas costas são cestas
e nelas hão de ser postas
todo o peso das sextas
e dos entonelados domingos

existe um dominó de cartas
empilhadas empunhadas entornadas
na sorte dos jogos de viver

e
um dia acertamos de repente
o chão do mundo e eis
que outro dia erramos o protesto
pelas fuligens animalescas
naqueloutro olhamos em trote de morte
o momento de marchar em transe
pelos corredores hediondos do que se amontoa

mas
no final nossas costas empostadas
de memória
importam mais do que tudo aquilo
que a gente ainda não viu
tal qual uma espada carrosselada no Tempo

3 comentários:

Controvento-desinventora disse...

Lindo!
Nas Nômades cestas às costas,sedentárias memórias nos ancoram. Pesa mais o ficar, que o caminho andante dos desgarrados.Parados assistimos o movimento do mundo-carrocel, que nos seduz a galopar em cavalos presos a um mesmo movimento.

Dani Gama disse...

O grande peso que carregamos sempre será o peso de nossas inquietudes, de nossos sonhos, que por vezes tem o peso da luz, por vezes o peso das sombras marcadas pelo caminho sinuoso há percorrer. Aqui ou acolá, somos nômades sempre, todos os dias. Nômades de nós mesmos...

Beijo grande, Poeta Menino-grande!

Júlio Machado disse...

Germano, suas alumbrações são fabulosas.
Abraços!