segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Uniforme jusnatural


Por Germano Xavier

É onde meu estado de natureza é inatural,
quando minha lei de não for o direito de detestar tudo –
Rousseau desclassifica sua própria idéia de sociabilidade,
diz o cínico crítico do jornal que não existe na página 3.
Nossa noção de contrato e teoria da soberania
prestes a se tornar uma lenda vazia.
Para onde arremessar a pedra filosofal?

O amor de si e a piedade, par de força,
não sobrevive sem nem quem.
E o homem insiste ainda e acende seus distópicos passos para o aonde
nem der.

Proto-operantes pelo destemor das vagas,
cumprimo-nos fios curtos e logo acabamos
bem antes da margem do rio.
E os velhos descarados que ficam,
apagando a fumaça do tempo, não mais perturbam
nos prostíbulos, ao som crioulo de Gardel,
a puta de nossa vida.

2 comentários:

Germano Xavier disse...

Crédito da imagem:

"You are familiar
by *YourForgiveness"
Deviantart

CARLA STOPA disse...

E a fenda nos arrasta para as delícias dos seus textos...