terça-feira, 28 de agosto de 2012

Brecht e eu


Por Germano Xavier 

Ao ler Histórias do Sr. Keuner, de Bertold Brecht.


Brecht chamou assim de bruto o meu olhar, assim de tonto o meu ouvir, assim de morno o meu querer, assim de fraco o meu agir. Quis querer a emboscada fatal nas mãos do seu e do meu e do nosso Sr. K., que vive dentro e fora a alavancar no umbigo oco do ser-homem eu que possuo a carne da alma que ainda resta. Vai lá saber razões tão pesadas, suplementos vitamínicos tão dramáticos, doses cortantes de poemas de guerra ditos com a boca cheia de bolachas molhadas no café... Vai lá saber, e aproveita para me trazer na bagagem a ordem inexata das combinações mais improváveis. Vai e me traz, porque almejo a dor doída e mastigada da goma da verdade e do transformar-me, do rever-me, do esquecer-me, do dificultar-me, do facilitar-me respostas sempre azuis de naturezas oceânicas... Vai lá saber, e aproveita para me dizer do peso da razão, da catástrofe do poder em mãos não calosas, da turva essência do que parece ser e que se apequena tanto diante do ser-homem e do ser humano.

3 comentários:

Germano Xavier disse...

Crédito da imagem:

"023 by *MustafaDedeogLu"
Deviantart

Jozi Elen Fleck disse...

MAs que lindo isso! Ai, como gosto de vir aqui.

Luis Felipe de Assis Pinheiro disse...

Herr K. é muito bom.

Li na facul. Literatura alemã e tal.

Gostie que vc visitou meu blog. Onde me achou?

Você escreve muuuito, quero ler tudo..aos poucos vou comentando nos textos que gostar.

Abraço!