sábado, 21 de janeiro de 2012

Biblioteca em Iraquara mantém acervo de 6.000 livros


 Por Germano Xavier

Rua Rosalvo Félix, 74, Centro
(75) 3364 2161 Ramal 222

Fundada em 02 de abril de 2005, a Biblioteca Pública Municipal Elias Vieira Gama é um importante patrimônio da cidade de Iraquara-BA, porém ainda pouco explorado pela população. A homenagem de caráter titular foi dada ao ex-vereador Elias Vieira Gama, falecido em 15 de agosto de 2000, pelo fato de ter militado durante seus anos de participação política nos campos da educação e da cultura no município iraquarense. O estabelecimento disponibiliza um espaço de proporções consideráveis e está dividido em três compartimentações maiores, que são: uma biblioteca, um auditório e um arquivo público.

A equipe que faz a Elias Vieira Gama funcionar trabalha em revezamento nos setores infanto-juvenil, no de empréstimos e no de pesquisa em dois turnos, de segunda à sexta, e é formada por Ivoneide Conceição Ramos, Maria Lúcia Marques e Maria Aparecida Almeida, que também são responsáveis pelo auditório, ligado ao interior e exterior da biblioteca por duas vias.

As três funcionárias também respondem pela manutenção e pelo avivamento do Arquivo Público Municipal Genelício Costa Teixeira, que foi recentemente criado no intuito de preservar os dados de vários documentos ligados à esfera do funcionalismo público municipal em Iraquara-BA, para posterior usufruto de seus cidadãos.

O espaço livresco em si inclui duas salas de leitura, divididas em seção Infanto-Juvenil e Pesquisa/Conhecimentos Gerais, além do setor dedicado à Literatura. Passeando pelas prateleiras, é possível encontrar facilmente desde os clássicos de nossa prosa e poesia, como livros de Machados de Assis, Carlos Drummond de Andrade, Mario Quintana, Jorge Amado, Graciliano Ramos e José de Alencar, até alguns importantes nomes e títulos da literatura universal, a citar James Joyce, William Shakespeare e Virgínia Wolf.

No setor de Pesquisa/Conhecimentos Gerais, o leitor encontra uma gama variada de enciclopédias e livros de cunho histórico, todos bem organizados, que auxiliam o interessado na hora de realizar uma pesquisa ou um mero buscar de alguma informação em caráter específico.

A biblioteca Elias Vieira Gama possui potencial como pólo centralizador de seminários realizados por escolas locais, espaço para reuniões e projetos com temáticas as mais variadas (por exemplo, as atividades da Plataforma Freire e do programa Cidadania Digital) e, num passado recente, funcionou também como um importante centro produtor e difusor teatral da cidade, possuindo também um projeto de participação itinerante, chamado de Busoteca, onde os livros eram levados até a população mais carente por meio de um veículo motorizado. Todavia, “a gente percebe que é justamente a clientela da zona rural a que mais procura os nossos serviços, as pessoas da sede usam menos esta biblioteca”, diz Ivoneide Conceição. “Até hoje dá gosto de ver como o pessoal do povoado da Zabelê e outros vem pegar livros aqui, é bastante gente lendo. A gente fica feliz por isso”, reforça Neide, como é mais conhecida.

O setor Infanto-Juvenil, que ainda dispõe de um pequeno acervo, é, segundo Maria Lúcia, “a parte da instituição mais requisitada, muito visitada por crianças de todas as localidades vizinhas, que chegam aqui incentivadas por projetos escolares pensados e colocados em prática por alguns educadores ou, quando não, por seus próprios familiares, geralmente as mães. Pedro Bandeira, Ruth Rocha e Ana Maria Machado são alguns dos escritores mais lidos nesse setor.” O espaço ainda dispõe de um computador, uma televisão e um aparelho de vídeo-cassete que servem de suporte para a exibição de títulos infantis, documentários e programas neste formato, também pertencentes ao acervo.

O acesso facilitado à internet por empresas do ramo em Iraquara fez com que o número de leitores/dia caísse drasticamente. “Poucos ainda vêm aqui, geralmente são mais os alunos de escola particular em época de prova ou por motivo de tarefa escolar”. Ainda de acordo com Ivoneide Conceição, “a grande parte dos leitores, ou melhor, daquelas pessoas que ainda se deslocam até aqui a fim de pegar um livro emprestado, leva para casa ou um livro de literatura estrangeira policial ou um livro mais voltado para auto-ajuda.” A funcionária reforça que é preciso um esforço conjunto para que a biblioteca e setores ligados à cultura e educação sejam mais percebidos pela sociedade. “Já teve gente que apareceu aqui pensando que era um mercado de livro, querendo comprar um exemplar, perguntando pelo preço”, reitera.

Ivoneide explica que é muito fácil efetuar o cadastro na biblioteca, “basta trazer um documento de identificação. Se ainda não tiver 15 anos completos, lembrar que precisa vir acompanhado de um responsável, apenas isso. Chegando aqui, o leitor preenche uma ficha e está pronta a sua carteirinha de fidelidade. A depender do livro, ele tem de 8 à 15 dias para devolver o exemplar.” A biblioteca também possui uma repartição com assinaturas de importantes revistas e jornais do cenário editorial nacional, como a Cult, Piauí, Caros Amigos, o jornal Le Monde Diplomatique, entre outros.

As funcionárias fazem o registro de todos os livros que entram e saem da biblioteca todos os dias, assim como atualizam os dados de todos os títulos presentes (cerca de seis mil) e, também, mantém a lista de livros que ao longo desses anos foram emprestados e que, por motivos desconhecidos, não foram devolvidos (cerca de cinquenta exemplares). “O setor de literatura infanto-juvenil carece de mais livros, e por esse ou outros motivos, pedimos às pessoas que porventura se esqueceram de devolver algum livro, que se esforcem para trazê-lo de volta, pois outras pessoas podem precisar. É bom informar também que se alguém quiser fazer alguma doação de livro ou qualquer outro material cultural, agradeceremos muito."

Matéria realizada no dia 13/01/2012

Um comentário:

Lai disse...

Quantas outras Bibliotecas Públicas deveriam estar em atividade, mas educação neste país ainda é mera ficção. Viva Iraquara em seu belíssimo exemplo de cidadania, e que a população saiba do poder da literatura e do conhecimento.