segunda-feira, 25 de junho de 2012

Pedagogia, Filosofia, Crítica e Escola de Frankfurt


Por Germano Xavier

O texto "A teoria crítica e a possibilidade de uma pedagogia não-repressiva, de Ilan Gur-Ze'ev, nada mais é que um capítulo do livro "Ensaios Frankfurtianos", organizado por Bruno Pucci, Antônio Zuin e Newton Ramos de Oliveira. Nele, Gur-Ze'ev faz uma análise de como a Teoria Crítica influenciou e ainda influencia a atual Filosofia da Educação e o pensamento de grandes teóricos da educação. O autor também mostra que as teorias frankfurtianas também serviram como fundamentação para as mais variadas correntes educacionais. No entanto, não deixa de ressaltar que algumas dessas influências chegaram com características pós-modernas e foram oferecidas ao mundo posteriormente como alternativas à modernidade da própria Teoria Crítica. 

Tal situação permitiu o desenvolvimento de teorias educacionais e progressistas, como as do canadense Henry Giroux, que nos apresentou a sua "Crítica da Ideologia", que enfrenta o conhecimento hegemônico e surgiu como "um instrumento para a educação emancipatória". Gur-Ze'ev ainda mostra que no segundo estágio do desenvolvimento da Teoria Crítica, Adorno e Horkheimer não apenas abandonam o "utopismo" inicial como foram forçados a colocar de lado seus fundamentos filosóficos e a maior parte de suas justificativas históricas. 

Mesmo nos campos epistemológicos mais restritos, mais fechados, de áreas ligadas ao processo de escolarização, bem como de pedagogias feministas, teorias da educação multiculturais, leitura e escrita críticas, assim como de educação estética, é visível a influência das ideias de Theodor Adorno, Horkheimer, Marcuse, Benjamin e outros membros da Escola de Frankfurt sobre a atual filosofia da educação. E essa interferência vai muito além dos horizontes de uma produção de pedagogias críticas. 

Alguns pensadores renomados da educação, como Paulo Freire, Henry Giroux e Kath-Leon Weiler, deixaram-se influenciar fortemente pelos teóricos críticos da Escola de Frankfurt; outros em menores proporções. Agora, o mais interessante de toda essa análise é perceber como algumas dessas influências surgem vestidas e maquiadas como sendo pós-modernas e, ao mesmo tempo, sendo oferecidas como alternativas à modernidade da própria Teoria Crítica, como se este fosse o único jeito de interromper o processo autodestrutivo da educação em voga desde aqueles tempos. 

O primeiro passo para entendermos esse jogo de interferência entre os pensadores da Filosofia da Educação e os teóricos da Escola de Frankfurt é dado quando percebemos que as contribuições iniciais da Teoria Crítica frente ao projeto de uma pedagogia crítica fora concretizado a partir das obras de Herbert Marcuse e, também, dos primeiros estudos de Adorno e Horkheimer. 

Portanto, os estudos de Adorno e Horkheimer, na segunda fase de suas teorias, acabaram por ser desprezados, deixando assim de nortear os caminhos que as diferentes versões da Pedagogia Crítica iria atravessar a partir daquele instante. A partir do momento em que a Teoria Crítica começou a se tornar defensiva e passou a fazer apologia às críticas dirigidas pela esquerda acadêmica da época, foi que os pensadores da Filosofia da Educação começaram a buscar novas linhas de pensamento e resolveram se enveredar por alternativas pós-modernas (isso na voz de Henry Giroux, educador central da Pedagogia Crítica). 

A nova escolha possibilitou o desenvolvimento de teorias educacionais, ditas originais, como as do próprio Giroux, Peter Mclaren, Weiler e companhia, contribuindo também para a fixação de propriedades repressivas dentro da própria Teoria Crítica. Já o pensamento descartado de Adorno e Horkheimer, ou seja, o da segunda e última fases da Teoria Crítica, se usados poderiam ter contribuído no estabelecimento de uma contra-educação reflexiva. 

A parte que foi aproveitada pelos pensadores e filósofos da educação, ou seja, a primeira fase da Teoria Crítica fundamentada em Adorno e Horkheimer, caracteriza-se por ser fundamentalmente otimista, revolucionária e positiva. Tem uma origem marxista muito evidente, fundada na realidade materialista, interesses de classes e desenvolvimento econômico. 

É justamente nessa fase que Horkheimer vai criticar o utopismo filosófico de Marcuse, que, segundo ele, caminhava em direção a um niilismo e esgotamento crítico. Embora pouco se refiram à teoria da educação, de forma direta, tantos os problemas levantados por Theodor Adorno quando os por Max Horkheimer, foram de grande relevância para sustentar um quadro mais homogêneo para uma pedagogia revolucionária. Só lembrando que o tom da Teoria Crítica da época era o de que nenhuma teoria é neutra, talvez esse o motivo de tamanha flexibilidade nas teorias dos dois campos de estudo.

2 comentários:

Germano Xavier disse...

Crédito da imagem:

"Empty Classroom
by ~nunyx"
Deviantart

Controvento-desinventora disse...

Entre a apologia crítica de Horkheimer e o niilismo de Marcuse, eu fico com Paulo Freire, que inclusive é o nome da trincheira, onde pratico o que eles não souberam teorizar.