segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Educandário de Safo



Por Germano Xavier

"De mim te sei esquecida, e não mais
tu me amas: a um outro sim - e mais".
(Safo de Lesbos)


quando me beijas,
feito boca de Átis,
eu te prefiro eternamente.
mulher, eu me refiro
amantemente que sou
nosso todo amor.

amo a lira do teu ventre e
gero teu filho
na eólica cama, e
na varanda te amo te amo
te amo, trancafiadamente.

nascemos em Lesbos
e para sempre hei de senti-la.
teu beijo é mais que fala, vem
como quem cala
- e qual dos silêncios não ama?

não repara no grito profano
que estala na noite. olha o humano
que há no desumano encontro
das dores. ama o amor na instância
irresoluta, no sagrado templo

estica a adolescência das essências nossas.
iremos, assim, travar a luta do amor com fim: fatalidade.
sacrificar as plêiades, buscar
esta falta que sangra. ó quando
me beijas!,

tal língua d'amada, eu parto contigo
sem solidão e sem saudade,
sobrecarregada, parto contigo em
retirada. e nesta ausência,
amor, amo mais e

me torno forte, aprisiono o fogo
no leito da contramão e da vontade
do poder, porque, a despeito do que amo
e do que aceito, sinto fumegar cá dentro
do peito este seixo em lava,

que de tão intenso e tão contrário
se decompôs em vaidade.

5 comentários:

Germano Xavier disse...

Crédito da imagem:

"Safo
by ~alatiel66"
Deviantart

Letícia Palmeira disse...

Aplausos. Não por ser de amor. Mas por ser espetáculo de palavras.

Dauri Batisti disse...

Já não me encanto tanto de poemas, esses de amor ainda menos, mais talvez nem um deles.... há tantos na rede...

estou dando um tempo, mas leio, se vc me entende. Ando na prosa seca, ou que seca ao sol por ai, Faulkner, Carson, Onetti, Lobo Antunes, com poesia ou não, retilínea ou torta... estradas... estradas... não se pisa em duas estradas ao mesmo tempo, uma depois da outra, ou anda-se pelas mesmas em voltas nostalgcas.

Mas os poemas assim mesmo os leio,e penso O Germando anda em fases de amor, ou de paixão, anda rasgando mais o verbo, erotizando as palavras, vulgarizando-as as vezes, como um efeito, um impacto, mas ele sabe o recurso que usa, isso importa, vai, segue,
"continuemos".

Poemas, leio.

Sonho todas as noites, nem me lembro, e vários sonhos que não servem senão pra me sonhar em outros modos, ou montes, ou fontes, esfumaçam-se na manhã do dia, este, o de hoje. Vai saber se o ponto é aqui!

MAILSON FURTADO disse...

Belo post...

Belo blog...

Parabéns muito bom seu espaço, voltarei aqui mais vezes...

Convido vc a conhcer meu trabalho (poesia, música, teatro)

Ficaria feliz demais!

http://mailsonfurtado.com

CARLA STOPA disse...

Sempre encantada...