sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O chinelo, o gato e o Imperador



Por Germano Xavier

O fabuloso, o fantástico, o estupendo, o incrível, o inenarrável, o maravilhoso, o magnânimo, o impermeável, o inclassificável, o parafinado, o memorável, o homem que Deus guarda, o mosqueteiro das ínfimas situações, o fantasma da ópera, o paraninfo dos covardes, o homem que tudo vê, o grande, o maior, o incomensurável, o independente, o abominável homem das pequenas coisas, o dono do mundo, o prefeito dos formigueiros, o presidente das reuniões inacabáveis, o magnífico, o tirano e respeitadíssimo Napoleão Joujaumontx acordou atordoado e o relógio marcava 06:32 da matina.

Sem água no condado, Napoleão Joujaumontx resolve conferir um de seus Impérios do Ártico...

- Pô, u supe bondi qui comprei onti já tá cum u bico intupido. Qui disgraça di cola é essa qui cola até ela mesma!? Tô aqui matutano umas idéia, pera ainda... Deve havê algum poblema cum alguma coisa, purque num é possíve umas coisa dessa! Paguei foi quato pila na bosta da cola pá agora ela ficá assim...

Indignado e pensativo, o grande Imperador das libélulas rastejantes, o imprevisível Napoleão Joujaumontx, aparece com uma lâmpada acesa sobre a cabeça, como nos desenhos animados de antigamente...

- Issu! Suspeitei desdi us primórdio das civilização! É a disgraça da geladêra. É daquela do comercial i tá cum menos di um mêis qui ela invadiu a cuzinha aqui di casa. É issu! Motô novo só podi dá nissu, congela dimais. É purisso que cultuo u som dus bulachões. Já ouvi dizê qui quem iscuta muinta música em aparei de Mp3 fica surdo em seti anus. Pur causa das finas feqüências. Bulachão é uma onda, u chiado pareci música clássica.

Fingindo uma melhora em seu estado de nervos, Napoleão Joujaumontx é acometido por um pequeno desvio de comportamento e acaba reagindo de maneira abrupta e impensada...

-Pô!!! Gastei dinhêro pá dedéu na merda dessa cola maluca! Vô jogá é no lixo!

Depois de atirar o objeto na pequena lixeira da cozinha, o insubstituível Napoleão Joujaumontx tenta o pneumotórax...

- Meu chinelu! Cadê u meu chinelu!? Pô, cadê u meu chinelu? Qui disgraça di dia é essi qui já amanheceu dano tudo errado! Pô, devi tê sido o Pinóquio. Ah, quandu eu pegá aqueli gatu safadu eu acabu cum a raça dêli... ah, si acabu! Pinóooooooquioooo!!! Ô, Pinóoooquio! Bichano, psiu, psiu, psiu!!! Venha cá, meu herdeiro!!! Pinóoooquioooooooo...

Depois do insucesso da investida, o inabalável Napoleão Joujaumontx conversa silenciosamente com os seus botões...

- Pô, num sei u qui é qui eu faço agora. Nem cola nem u qui restava di meu chinelu, e muinto menus sei du paradêru du Pinóquio... Eu tenhu qui bolá um planu!

O estrategista Napoleão Joujaumontx encara o desafio de encontrar o seu calçado com a seriedade dos grandes generais. Quando todos pensavam que o Imperador dos imperadores precisaria de muito tempo para elaborar uma tática de abate, o gênio Napoleão Joujaumontx aponta o dedo indicador de sua mão direita na direção de sua testa e vocifera como um leão enfurecido...

- Já sei u qui fazê, pô!
...

Não perca o próximo capítulo da saga de Napoleão Joujaumontx!
Você não perde por esperar...

4 comentários:

Germano Xavier disse...

Crédito da imagem:

"and_the_water_became_blood_by_jukimari-d34ek1u"
Deviantart

Laysa Boeing disse...

adorei seu blog.
Tanto que tem selinhos pra vc lá no meu blog. ^^

Joop Zand disse...

Very nice Germano.

greetings, Joop

José María Souza Costa disse...

Muitobom o seu blogue. Parabens pela cronica postada. Estou lhe convidando a visitar o meu blogue. Te espero la
Abraços