sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Crônica de carnes


Por Germano Xavier

Invado seu corpo como
quem penetra
o poço escuro na noite escura
do tempo escuro.
Lambo as paredes de tua estrutura
como no barro
a larva albina rasteja, destemperada.
Como quem
não enxerga a nebulosa de sombra
vou na luz aberta
por meus olhos sem destino.
Tua opacidade é o mal do bem.
Vou perfurando com mãos úmidas
de vergonha escancarada,
escavando-te, para você olhar para mim
e enxergar o jardim jamais visto.
Não vê flores nem hastes frágeis
na árvore madura,
nosso encontro é a orgia libelular das asas
do vento, e você já não é.
Eu te estupro a alma, recorro
ao gesto impuro para você inflar
tal bolha tal gás tal bomba tal jorro
e para que eu possa morrer,
criatura sua, no ar que escapa
da membrana do teu sopro.

3 comentários:

Germano Xavier disse...

Crédito da imagem:

"through the storm
by *Ymntle-Aleoni"
Deviantart

R.B.Côvo disse...

Forte e bem conseguido o poema. Um abraço.

EDER RIBEIRO disse...

Um poema tezudo, erótico que flue desejos. Aplausos, cara. Abçs.