sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A frágil alma das coisas


Por Germano Xavier


árvores copulam ventanias
os mistérios do Homem
são relógios
margeando nossos instantes
presentes
present’ausentes
em fugas
de tic-tac

fechamos os olhos
e pensamos ingênuos
na calma ilusão
serena e eterna
das coisas
sem coisas

3 comentários:

Germano Xavier disse...

Crédito da imagem:

"Fly By Night
by `emeraldsugar"
Deviantart

CARLA STOPA disse...

Belo.

Dauri Batisti disse...

Seriam as coisas - nossas coisas - tempos solifificados, corpos cristalizados de águas que jorraram dos nossos poros? Ainda agora, 17 horas e alguns minutos, sexta feira e o dia se enquadra, se emoldura de um sol filtrado por nuvens benvidas a quebrar a exatidão do azul cortante deste verão, faz-se densa a tarde, densifica-se em mim numa beleza serena de adeus, coisifica-se em fim, fim de dia, fim de semana, nubla, nublado o círculo dos dias continua a girar, ilusões de eternidades, sólidos dias até se acabarem e então serão sombras, história, passado, passaram águas enquanto cantava o pássaro do relógio.

Um abraço