quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

E se for você?


Por Germano Xavier

Para Daniela Delias,
que tomou para si este texto.


E se for você, menina? E se não for mais ninguém e ser somente você? Diz-me agora, e se for você? Vai, anda, por que esconde o lume de sua beleza tão lindamente cândida? E como eu adorei aquela fotografia que estava em cima do balcão na sala de estar de sua casa. Ou qualquer das luminárias. Era uma fotografia poética. O momento. Não vai adiantar você me dizer que tudo isto não passa de uma gentileza minha, ou que você prefere que os de fora gostem de você pelo que é por dentro. Isto é tão cafona, não? Pensar assim. Não vejo nada. Eu não quero entender perfeitamente absolutamente nada. Eu não conheço você por dentro, mas sei que você eu amaria. Porque o amor é antes um pensamento, não é? E quem sabe o que o destino nos reserva... você vai dizer que está fazendo isto porque adora adentrar mentes em desordem. Você se fingindo de afetadinha. Que quer saber de mim? Você já sabe de mim. Sou apenas aquele que insiste em falar de amor.

Você adora intensidade pelo jeito. Mas minha palavra causa melancolias. Não vá pensando que é assim tão simples. Meus dois últimos parágrafos não te deixariam sem ar. Você pergunta do nada se eu tenho uma musa. E eu do nada arrancando uma resposta de não sei onde e lhe dizendo que não. Você sorri, faz escárnio com os olhos e a boca posta de lado em um sorriso torto. Mas eu não saberia lhe dizer com total certeza sobre todas essas coisas. Não deixa de ser uma verdade minha ignorância para quaisquer outras coisas que não o além do amor. Essa mania de falar de sonhos, do que nunca se viveu. Quem não inventa, não? Seus olhos possuem aquela tristeza bonita que sempre achei lindo numa mulher. Vá me desculpando, mas eu gosto da frase que entra no meio das outras e sempre diz mais. Você acha engraçado de novo quando começo a falar dos seus olhos. Eu não sou humorista. Alguns fulanos já tentaram dar uma definição para os seus olhos, assim eu fico pensando. Um moço de nariz grande talvez falasse algo interessante. Ele diria: você tem olhos desamparados. É, você realmente tem olhos tristes.

Veja bem, estou poupando elogios a você. Porque acho que elogiar você não vai me tornar mais atraente. Mas, a verdade é que você é muito bonita. E que sonhos lindos! Faz-me ter vontade de morrer de amor. Já viu alguém morrer de amor? Eu quero ver alguém morrer de amor. Eu queria morrer de amor. Acho lindo. Que está esperando? Você não sabe morrer de amor? Que precisa um moço possuir para que você morra de amor por ele? Que saiba bem o que é ser uma amora numa terra de abacaxis? Você morre de amor? Você está me encantando. Que seja. Sempre foi assim, iluminada? Você não sabe? Creio sim. Mas eu sempre acreditei no amor, destino, no oito deitado. Como não acreditar, não? É que eu prefiro acreditar que a vida me fez para ser feliz. Mas nem sempre. Melhor assim. O seu coração me diz o mesmo. Meu coração é seu neste momento. Tum-Vi, Tum-Da. Olha só! Consegui colocar um sorriso no seu semblante. Então já posso dormir tranquilo. Olha, você ficou tímida. Se você ri, rio-me de felicidade também. Você é mesmo desse planeta tão maculado? Desse mundo de abacaxis? Os abacaxis estão cada vez mais podres, não?

Você é real, carne e osso. Carne, osso e palavra. E sonhos. Sonhas comigo? Se você continuar assim, postar-me-ei aos seus sonhos como anímicas quimeras reais, e tornar-me-ei o seu motivo-mor. Uma das palavras mais lindas do mundo para mim é ENCONTRO. Encontro. Quem é você? O que é você? Seus dentros são lindos demais. De onde vem essa vontade de você? Eu sou alguém que também sonha morrer de amor, assim como você. Mas você não sabia se era capaz de morrer de amor. Vem deste momento de ondas límpidas? Quer me ouvir por dentro? Adoraria? Soube agora? Pois é, aquela valsa sou eu por dentro. Mas quem é você? Não gosto de ninguém fraco perto de mim. Por que algo neste exato momento me diz que você é pólen? Porque você também quer permitir que o amor seja o todo? Você me colore. De que cor você é? De todas? De que cor me pinta? De branco? Por que branco? Assim pode ver todas as outras cores que há aí? Então serei da cor que reflete.

Por que sinto vontade de perseverar? E regar feito árvore da vida a palavra iniciada... ao desejo, tudo não é pouco? E você, bastar-me-ia? Eu não sei. Bastaria? Está me bastando. Porque me adentra feito o ar. Eu respiro você agora. Vivo de você. Meu alento é você. Se eu cruzar os braços em meu peito você consegue sentir como se a você fosse o endereçar? Que dor! Dor? Veio-me algo na mente como se... não sei. Parece que você estava em mim há tempos. E, tiraram você de mim. Daqui. Eu estou. Nunca pensei que sentiria algo semelhante. Porque você me está. É tudo muito novo para mim, a cada dorzinha, parece-me demais. Confesso que estou deslumbrado, encantado com isso. Você me está? Desde que você apareceu. Qual a sua graça? De onde nos conhecemos? Já pensei sobre isso. Não é de agora, disso tenho certeza. Só sei que agora quero sua presença constante e edificante. Eu moro em tua casa.

Então, não quero ver nossas memórias se perderem entre o movimento das horas. Vamos salvar nossas edificações, sejam elas saudades ou presenças. Vamos! Caminhemos juntos, pois. Qual a cor dos seus lábios? Dessa cor. Por que você apareceu na minha vida hoje? Você sabe como é que faz para morrer de amor? Você me atinge o coração, menina de mim. Então vamos. Vamos começar a morrer de amor. Estou com vontade de morrer de amor hoje. Amanhã também estarei. Não é maldade sua? É? Não? Quero crer que não. Guarde esta data. Que coisa! Que coisa! Que coisa mais digna é aprender a morrer de amor! Estar aberto. Isto é um convite? Pode ser o tempo que for. Eu tenho a eternidade aqui comigo. E se eu quisesse por uma vida inteira? Não gosto de efemeridades. Você me abraçaria por uma vida inteira? Perdão. Já está na hora? É que tenho um coração bem machucado. E tenho uma certa dificuldade em acreditar no 'por uma vida inteira'. Por isso que quero tanto morrer de amor. Talvez seja um livramento.

É triste, eu sei. Mas, eu quero. Quero acreditar no 'por uma vida inteira'. E quando dois acreditam no "por uma vida inteira", tem como a estrada dar para destino errado? Não? Eu queria abraçar você demoradamente agora e começar logo a morrer de amor. É, talvez seja isso mesmo. Não encontrei uma única moça que acreditasse no 'por uma vida inteira'. Então vem! Vamos logo morrer de amor! Eu sinto seu cheiro, menina. Como pode isso? Estou pensando. Sim. Tenho medo. Você é isso. O centro do poema. Do meu poema. Foi por você que vivi estes meus mal completados alguns tantos anos de minha vida? Vamos descobrir isso junto? Eu quero muito você aqui, de vez em quando, nem que seja muito de vez em quando. Nem que seja para morrer poucamente de amor. Você nem precisa trazer maçãs, nem perguntar se estou melhor. Você não precisa trazer nada, só você mesmo. "Só você mesmo" e se você for a razão da minha existência, o que faço? Morro de amor mesmo? Então, vou ficar o tempo que preciso for para morrer todo o amor necessário. E se for você!? Responda-me, E SE FOR VOCÊ!? Minha querida, isso não é simples... E se for eu, há de ser eu? Você me busca e me leva para seu peito. Eu fico em seu peito e ali mesmo começo a morrer de amor em seu leito. Simples assim.

Mas se eu for buscar você, não tem mais devolução. Saiba disso. Eu preciso saber mais de você. Mas, já está tarde. Eu tenho uma rotina bem intensa. E eu costumo não pensar muito em morrer de amor. Estou pensando o que eu farei com esse novo vício. Morrer assim. Não. Você vicia. Qual seu objetivo? Seu objetivo é desaprender sempre? Morrer uma vez e morrer uma segunda vez? Você vai mesmo suportar morrer sempre de amor? Eu não fumo. Não, eu não bebo. Por que você passou da metafísica para perguntas práticas? Que sucede? Você quer saber de mim? Das coisas práticas também? Tudo. Estou ao seu dispor. É difícil para mim. Tenho febres frequentemente. É que sou viciado em morrer de amor. Eu não sei se você me entende. Nunca fiquei tanto tempo assim sem morrer de amor. Enfim... eu quero que você seja o que você quiser. Apenas sinta. Eu quero ser as suas asas. Moça, deixa-me ser as suas asas? Você acredita que tenho vontade de morrer de amor por você? Ora, e não é isso que estamos sentindo agora? Deixa-me ser as suas asas?

Minha janela branca está destrancada e escancarada para você. Se eu dissesse que vou morrer de amor, você acharia ruim? Você teria medo? Medo. Então, quer mesmo encarar a minha alma louca? Permite-me tal bem-aventurança? Eu tenho coragens. Tem algo contra? Vai ser bom poder carregar você no colo quando eu já estiver morrendo de amor. E se você não estiver aqui amanhã quando eu estiver morrendo de amor? Ou depois. Estará? E se forem só sonhos? Vai ser bom estar no seu colo, menina. Que saudade! Prefiro o morrer de amor sensual. Tem preferências? Seus lábios são qualquer coisa de comestível, de devorável. Ai, você numa amurada... você acorda quando morre? Não se preocupe com isso. Preocupe-se consigo. Você ama alguém? Queria poder beijar seus olhos agora. Eu queria você neste exato momento aqui, comigo, para a gente começar a morrer de amor juntos, de mãos dadas. Eu quero os seus sonhos, os seus desejos, receios, seus sinais. E agora? Abraça-me. Vem! Eu dormirei com você hoje. Eu estou onde você se encontra. Eu morro tão bem. Vamos? Pense em tudo. Vai, pensa.

4 comentários:

Germano Xavier disse...

Crédito da imagem:

"Lady Lada
by *martasmarta"
Deviantart

Mell Renault disse...

A única coisa que posso querer saber desse absurdo que escreveu aí é : quem é a mulher que anda roubando vc de mim??

Um beijo!

Daniela Delias disse...

Preciso das maças. Morrer de amor. Ser pólen. O centro.

Lindo, Germano. Linda a dedicatória. Teus dentros, estes sim, são lindos demais...

Daniela Delias disse...

*maçãs...