sexta-feira, 29 de abril de 2011

Nada muito sobre filmes III


Por Germano Xavier

11 – A festa da menina morta


Nietzsche já tinha matado deus há bastante tempo. Sade também. E muitos outros. Matheus Nachtergaele, insatisfeito, resolveu acabar de matar qualquer sinal de deus em sua primeira película como diretor. Um roteiro recheado de pormenores. O filme é meio escuro, som abafado (será minha televisão?), mas trata de um tema bastante controverso e polêmico. Norte brasileiro, mística, devoção, religião, santidade, tradição. O grunhido do porco ante sua morte é um bom momento do filme. Gosto da Cássia Kiss. Daniel de Oliveira no papel principal. Vale a pena ver.


12- Nome Próprio

Baseado em dois livros da Clarah Averbuck, escritora nascida no universo cibernético repleto de influências pop. O universo conflituoso de uma blogueira cuja vida se desenha entre o real e o virtual. Leandra Leal (a menina que me fez ver e admirar filmes nacionais) numa atuação incorrigível, diria. Amor, paixão, ciúmes, desespero. Um filme que trata de palavra. Aí já viu, gosto de graça. A coisa dos monólogos também me interessa muitíssimo. Não li nenhum livro da autora citada acima, somente alguns textos em seu antigo blog. Talvez seja o caso do filme por si só bastar. Também entra para a galeria dos meus bons filmes nacionais. Primeiro escalão.


13 – O menino do pijama listrado

Confesso que tenho preconceito com estes livros que saem de hora em hora das editoras, com críticas compradas impressas nas contracapas, de bombásticos sucessos e respectivos esquecimentos. Não sei se é o caso do livro que serviu de base para a produção deste filme. Porém quem assistir tem tudo para se encantar pelo roteiro, tamanha sensibilidade posta à prova. Um cinema para tocar nos profundos de nós, humanos, muitas vezes desumanos. Segunda Guerra Mundial, campos de concentração, extermínio de judeus e a amizade inimaginável entre duas crianças, separadas por arames farpados e uma ideologia massacrante. Para se emocionar. Se você for feito de ferro, aí não tem jeito. Azar o seu.


14 – Onde andará Dulce Veiga?

Um jornalista inexperiente decide investigar o sumiço de uma grande cantora brasileira. Para isso, envereda-se por um caminho sem volta, repleto de perigos e constrangimentos, numa obsessão típica de quem tem o espírito da notícia. Dedica-se copiosamente à investigação do caso, como se a continuação de sua vida dependesse da resolução de tal desaparecimento, até descobri-la morando e cantando longe dos holofotes dos grandes centros urbanos. Ao encontrá-la, acaba descobrindo que estava indo não procurar a artista, mas sim a si próprio. Baseado no livro homônimo de Caio Fernando Abreu.


15 – 500 dias com ela

Um moço e uma moça. Os dois se conhecem no trabalho. Os dois saem juntos. Os dois sorriem juntos. Os dois se beijam. Os dois fazem sexo juntos. Os dois admiram paisagens juntos. Ele a acha legal. Ela o acha legal. Mas o filme não é sobre o amor. Quer dizer, não completamente, não é sobre o amor de final feliz. É sobre essas coisas que acontecem, sem mais nem menos, e que mudam profundamente nossas vidas. A pessoal ideal nem sempre é a que convencionamos que fosse. O momento ideal, o agora. Ou o depois. Uma história de amor sem Romeu nem Julieta. História de amor? Sei lá, de descobrimentos, fica melhor assim. Bom de ver. O trocadilho nos nomes das duas garotas do filme sintetiza tudo. Pipoca!

Um comentário:

Germano Xavier disse...

Crédito da imagem:

".cinema. by ~TOK5"
Deviantart