terça-feira, 27 de novembro de 2012

Estrada para além de Charleville


Por Germano Xavier

Pede ao Pai Maior (se...) um pouco de deserto,
pede a choça, e o arrojo, pede o abisso...
que o inferno, amigo, é uma estátua de viço
febril, acabrunhante, órgão de mar aberto!

Não é preciso ir!, necessário apenas afugentar
do espírito o medo. É, no sempre, sendeiro desistir
das fáceis atrações casuísticas, com acuidade rir
e finar orgulhos renitentes... o humano aferrar

ao cortejo do tempo nas capitais da juvência,
e debulhar in totum nossas obras inofensivas.
As mãos de quem realmente vive são ogivas

premendo em queima a letra grossa. Na cadência
da hora escura, jubiloso, vai-te, e implora: - Vidas!,
vidas!, cercai-me, benditas, de teus despojos...

Um comentário:

Germano Xavier disse...

Crédito da imagem:

"A estrada by ~kezs"
Deviantart