domingo, 30 de setembro de 2012

A fração absoluta


 Por Germano Xavier

tua doação em ventre livre
mãos que me atormentam
os solavancos amortecidos em carnes
estes todos afetos e afagos
abrem janelas improváveis no sentido
movimentam sedimentos intranquilos

e a culpa tanta de nós dois
e a rua inédita por onde iremos
lesos do amor no amor adoecidos
incuráveis são e somos
os mantos que nos cobrem nus
os sonhos que travamos em guerra unida
uniderecionados na anteválvula obscura de viver

a morte para quando um segundo espoca
e faz nascer a verve que alimenta
o sol partido para um e dois
um mar amarelo em fuga incessante
posto que vamos até quando iremos
paralíticos e infames
morrendo de tanto branco
na crista da onda intempestiva
aparecida no meio de tanto ar

4 comentários:

Germano Xavier disse...

Crédito da imagem:

Deviantart

Rebeca dos Anjos disse...

É uma dança.

Beijo, Gé.

Cris Campos disse...

Germano,
Teus versos pulsam, latejam e são simplesmente maravilhosos. Gosto demais de ler-te e ir aos poucos me identificando em tuas linhas. Gr. Bjoooo uma semana linda e de muita paz pra ti!

D.Everson disse...

bela construção poética